Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendi, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

III CAPITULO III

MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES

  1. Nada certamente nos revela, nesses fatos que acabamos de examinar, a intervenção de uma potência oculta. Esses efeitos poderiam ser perfeitamente explicados pela possível ação de uma corrente elétrica ou magnética ou pela de um fluido qualquer. Foi essa, com efeito, a primeira solução proposta para esses fenômenos, e que realmente podia passar por muito lógica. E ela teria sem dúvida prevalecido se outros fatos não viessem demonstrar a sua insuficiência. Esses novos fatos consistem na prova de inteligência dada pelos fenômenos. Ora, como todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente, tornou-se evidente que, mesmo admitindo-se a ação da eletricidade ou de qualquer outro fluido, havia a presença de outra causa. Qual seria? Qual era essa inteligência? Foi o que o prosseguimento das observações revelou.

 

  1. *Para que uma manifestação seja inteligente, não precisa ser convincente, espiritual ou sábia. Basta ser um ato livre e voluntário, revelando uma intenção ou correspondendo a um pensamento.*

 

Quando vemos um papagaio de papel agitar-se, sabemos que apenas obedece a um impulso do vento; mas se reconhecêssemos nos seus movimentos sinais intencionais, se girasse para a direita ou à esquerda, rápida ou lentamente, obedecendo às nossas ordens, teríamos de admitir, não que o papagaio tenha inteligência, mas que obedece a uma inteligência. Foi o que aconteceu com a mesa.

 

  1. Vimos à mesa mover-se, elevar-se, dar pancadas sob a influência de um ou de vários médiuns. O primeiro efeito inteligente que se observou foi precisamente o de obediência às ordens dadas. Sem mudar de lugar, a mesa se erguia sobre os pés que lhes eram indicados. Depois, ao abaixar-se, dava um determinado número de pancadas para responder a uma pergunta. De outras vezes, sem o contato de ninguém, a mesa passeava sozinha pelo aposento, avançando para a direita ou a esquerda, para frente ou para trás e executando diversos movimentos que os assistentes ordenavam.

 

 É claro que afastamos qualquer suspeita de fraude, aceitando a perfeita lealdade dos assistentes, atestada por sua honorabilidade e absoluto desinteresse. Trataremos logo mais das fraudes contra as quais é prudente prevenir-se (1).

 

*O problema das fraudes, que tanta celeuma provoca ainda hoje, decorre apenas da falta de observação criteriosa do processo de desenvolvimento dos fenômenos. Numa sessão preparada segundo as indicações de Kardec e realizada por pessoas sérias, os próprios resultados demonstram a impossibilidade de fraudes e ilusões. (N. do T.)*

 

  1. *Por meio de pancada, e principalmente dos estalidos no interior da madeira, de que já tratamos, obtém-se efeitos ainda mais inteligentes, como a imitação do rufar dos tambores, da fuzilaria de descarga por fila ou de pelotão, de canhoneios, e também a do ruído de uma serra, das batidas de um martelo, dos ritmos de diversas músicas, etc. Todo um vasto campo, portanto, aberto à investigação.*

 

Observou-se que, se havia uma inteligência oculta, ela podia responder a perguntas. E realmente ela respondeu, por sim ou por não, segundo o número de pancadas convencionado. Sendo essas respostas de pouca significação, lembrou-se de estabelecer um sistema de pancadas correspondentes às letras do alfabeto, para a formação de palavras e de frases.

  1. *Repetidos à vontade por milhares de pessoas, em todos os países, esses fatos não podiam deixar dúvidas sobre a natureza inteligente das manifestações. Foi então que surgiu um novo sistema de interpretação, atribuindo a inteligência manifestante ao próprio médium, ao interrogante e mesmo aos assistentes. A dificuldade estava em explicar de que maneira essa inteligência podia refletir-se na mesa e traduzir-se por meio de pancadas. Verificando-se que os golpes não eram dados pelo médium, deviam ser dados pelo pensamento. Mas o pensamento dando pancadas seria um fenômeno ainda mais prodigioso do que todos os que se haviam observado.*

*A experiência não tardou a demonstrar que essa opinião era inadmissível. Com efeito, as respostas se mostravam muito frequentemente em completa oposição ao pensamento dos assistentes fora do alcance intelectual do médium e até mesmo em idiomas ignorados por ele ou relatando fatos desconhecidos de todos.*

São tão numerosos esses exemplos, que é quase impossível alguém se haver ocupado de comunicações espíritas sem os ter muitas vezes testemunhado. Citaremos apenas um, que nos foi relatado por uma testemunha ocular.

  1. Num navio da Marinha Imperial Francesa, nos mares da China, toda a equipagem, dos marinheiros até o comando, ocupava-se das mesas falantes. Resolveram evocar o Espírito de um tenente do mesmo navio, morto há dois anos. Ele atendeu, e após diversas comunicações que espantaram a todos, disse o seguinte por meio de pancadas: “Peço-vos insistentemente que paguem ao capitão a soma de … (indicou a quantia) que lhe devo e que lamento não ter podido pagar antes de morrer”. Ninguém sabia do fato. O próprio capitão havia esquecido-se da dívida, que aliás era mínima. Mas, verificando nas suas contas, encontrou o registro da dívida do tenente, na exata importância indicada. Perguntamos: do pensamento de quem essa indicação podia ter sido refletida? (2)

(2) 0 problema do inconsciente deu margem no passado, e continua a dá-la ainda hoje, a numerosas hipóteses fantásticas sobre a possibilidade de serem telepáticas essas transmissões. Mas os fatos são mais complicados do que o citado acima e essas hipóteses não abrangem a todos. As pesquisas parapsicológicas atuais, longe de beneficiarem essas hipóteses fantásticas, como querem os adversários do Espiritismo, vêm confirmando progressivamente a explicação espírita. O estudante deve precaver-se contra os explicadores tendenciosos e prosseguir seriamente o estudo para obter respostas mais positivas. (N. do T.)

  1. Aperfeiçoou-se essa arte de comunicação pelo sistema alfabético de pancadas, mas o meio era sempre muito moroso. Não obstante, obtiveram-se algumas de certa extensão, assim como interessantes revelações sobre o Mundo dos Espíritos. Desse meio surgiram outros, e assim se chegou ao de comunicações escritas.

As primeiras comunicações desse gênero foram obtidas por meio de uma pequena e leve mesa a que se adaptava um lápis, colocando-a sobre uma folha de papel. Movimentada sob a influência do médium, essa mesinha começou traçando algumas letras, e depois escreveu palavras e frases. Esse processo foi gradualmente simplificado com a utilização de mesas ainda menores, feitas especialmente, do tamanho da mão, a seguir de cestinhas, de caixas de papelão, e por fim de simples pranchetas. (3)

(3) Esse desenvolvimento gradual do processo de psicografia representa um dos episódios mais significativos da Ciência Espírita, mostrando a naturalidade do fenômeno.

A prancheta, como se vê não é mais do que uma miniatura da mesa-girante, conservando-se assim a forma do instrumento primitivo através da evolução para a escrita manual. O aparecimento da cesta e da caixa de papelão assinala o momento de transição dos meios materiais para o meio psíquico. Aliás, o fenômeno da psicografia é reconhecido pela Psicologia como escrita automática, estudado principalmente por Pierre Janet. (N. do T.)

 

A escrita era tão fluente, rápida e fácil como a manual, mas reconheceu-se mais tarde que todos esses objetos serviam apenas de apêndices da mão, verdadeiros porta-lápis, que podiam ser dispensados.

 

De fato, a própria mão do médium, impulsionada de maneira involuntária, escrevia sob a influência do Espírito, sem o concurso da vontade ou do pensamento daquele.

 

 

Desde então as comunicações de além-túmulo não têm mais dificuldades do que a correspondência habitual entre os vivos.

 

Voltaremos a tratar desses diferentes meios, para explicá-los com detalhes. Fizemos um rápido esboço para mostrar a sucessão dos fatos que levaram à constatação da interferência, nesses fenômenos, de inteligências ocultas, ou seja, dos Espíritos.

Livro os Médiuns…

Allan Kardec.

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Agenda Cristã

 

Francisco C. Xavier (André Luiz)

                                                                                                       Agenda Cristã

Resumo das doza primeiras páginas…

 

O homem renovado para o bem é a garantia substancial da felicidade humana. Eis por que, an­tes de tudo, é imprescindível o engrandecimento do ser, diante da vida e do Universo, invariavelmente tocados, nos menores ângulos, pelas maravilhas di­vinas.

 

No entanto, se não é lícito menosprezar o favor, não devemos viciar a proteção.

o mila­gre da perfeição é obra de esforço, conhecimento, dis­ciplina, elevação, serviço e aprimoramento no templo do próprio “eu”.

 

Ajude sem exigência para que outro o auxilie, sem reclamações.

 

Se você considerar excessivamente as críticas do inferior, suporte sem mágoa as injunções do plano a que se precipitou.

 

Habitue-se à serenidade e à fortaleza, nos círculos da luta humana; sem essas con­quistas dificilmente sairá você do vaivém das reencarnações inferiores.

 

Não se agaste com o ignorante; certa­mente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.

 

Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e, se você tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar.

 

Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.

 

Perdoe ao mau; a vida se encarregará dele.

 

Os que descobrem pareceres inteligen­tes e bons conselhos para todas as pessoas, distraídos dos problemas que lhes são pró­prios.

 

Evite os assuntos desconcertantes para o ouvinte. Todos temos zonas nevrálgicas no destino, sobre as quais precisamos fazer si­lêncio.

 

Não pergunte a esmo. Quem muito inter­roga, muito fere.

 

Use calma. A vida pode ser um bom es­tado de luta, mas o estado de guerra nunca uma vida boa.

 

Não delibere apressadamente. As circunstâncias, filhas dos Designios Superiores, modificam-nos a experiência, de minuto a minuto.                    

 

Tenha paciência. Se você não chega a dominar-se, debalde buscará o entendimen­to de quem não o compreende ainda.

 

Seja comedido nas resoluções e atitu­des. Nos instantes graves, nossa realidade espiritual é mais visível.

 

. Lembre-se de que a vir­tude não é uma voz que fala, e, sim, um po­der que irradia.

verdadeiras, são veículos de perturbação e desânimo.

 

Observe os seus métodos de cultivar a verdade. Muitas pessoas que se presumem verdadeiras, são veículos de perturbação e desânimo.  

 

Proceda com inteligência em todas as situações. Não se esqueça, porém, de que muitos homens inteligentes são meros velhacos.

 

Seja forte na luta de cada dia. Não ol­vide, contudo, que muitos companheiros va­lentes são suicidas inconscientes.

 

Não enfrente perigos, sem recursos para anulá-los. O que consignamos por desassom­bro, muita vez é loucura.

 

Guarde valor em suas atitudes. Recorde, entretanto, que o valor não consiste em ven­cer, de qualquer modo, mas em conquistar o adversário no trabalho pacífico.

 

Atenda à afabilidade e à doçura em seu caminho. Não perca, porém, o seu tempo em conversas inúteis.

André Luiz.

 

*&*

Ademário da Silva

14 de setembro de 2018.

 

Falando de amor…

*&*

Num estranho e lindo lance de um amor que é de verdade

Entre o céu e a tempestade a saudade é meu remanso

Eu não me canso de amar mesmo á distância

O infinito é a circunstância

Que me abriga o coração e a consciência

Não tem ciência que explique os sentimentos

O amor é semente de um momento

Que a afinidade fez poema

Não tem drama, abandono ou dilema,

Serenata, canção pequena á somar todas as vidas.

Aqui, nesse chão tão imperfeito,

Entre prova e expiação o amor só tem defeitos

Vive de atração e de libido

E o coração num sustenido á cantar as suas mágoas

E a poesia na tristeza e desencanto faz das rimas doce pranto

Onde a dor é um acalanto fruto de insatisfação

E depois dos devaneios, arremedos e receios,

O amor interrogação, tentativas da ilusão…

Sem respostas, sem caminhos, sem suas rimas e seus carinhos.

Um poema em silêncio, o que penso e o que sinto

O amor um labirinto a clamar evolução…

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Ademário da Silva

13 de setembro de 2018. Falando de amor

II CAPÍTULO II

LIVRO DOS MÉDIUNS  // ALLAN KARDEC.

 

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES

  1. *Chamam-se manifestações físicas as que se traduzem por efeitos sensíveis, como os ruídos, o movimento e a deslocação de corpos sólidos. Umas são espontâneas, independentes da vontade humana, e outras podem ser provocadas. Trataremos inicialmente apenas das últimas. *

 

O efeito mais simples, e um dos primeiros a serem observados, foi o do movimento circular numa mesa. Esse efeito se produz igualmente em qualquer outro objeto.

 

*Mas sendo a mesa o mais empregado, por ser o mais cômodo, o nome de mesas girantes prevaleceu na designação desta espécie de fenômenos.*

 

Quando dizemos que este efeito foi um dos primeiros a serem observados, referimo-nos aos últimos tempos, pois é certo que todos os gêneros de manifestações são conhecidos desde os tempos mais distantes, e nem podia ser de outra maneira. Desde que são efeitos naturais, teriam de produzir-se em todas as épocas.

 Tertuliano refere-se de maneira clara às mesas girantes e falantes. (1)

(1) Tertuliano, famoso doutor da Igreja, nascido em Cartago, considerado grande apologista, mas que acabou caindo em heresia, depois de havê-las condenado ardentemente. Viveu entre 160 a 240 da nossa época. (N. do T.)

 

*Este fenômeno entreteve durante algum tempo a curiosidade dos salões, que depois se cansaram e passaram a outras distrações, porque servia apenas nesse sentido. Dois foram os motivos do abandono das mesas girantes: para os frívolos, a moda, que raramente lhes permite o mesmo divertimento em dois invernos, e que prodigiosamente lhe dedicaram três ou quatro! Para as pessoas sérias e observadoras foi um motivo sério: abandonaram as mesas girantes para ocupar-se das consequências muito mais importantes que delas resultavam. Deixaram o aprendizado do alfabeto pela Ciência, eis todo o segredo desse aparente abandono, de que fazem tanto barulho os zombadores.*

 

*Seja como for, as mesas girantes não deixam de ser o ponto de partida da Doutrina Espírita e por isso devemos tratá-las com maior desenvolvimento.*

 

E tanto mais quanto apresentando esses fenômenos na sua simplicidade, o estudo das causas será mais fácil e a teoria, uma vez estabelecida, nos dará a chave dos efeitos mais complicados.

  1. *Para a produção do fenômeno é necessária a participação de uma ou muitas pessoas dotadas de aptidão especial e designadas pelo nome de médiuns.*

O número dos participantes é indiferente, a menos que entre eles se encontrem alguns médiuns ainda ignorados.

*Quanto às pessoas cuja mediunidade é nula, sua presença não dá qualquer resultado, podendo mesmo ser mais prejudicial do que útil, pela disposição de espírito com que frequentemente se apresentam.*

*A observação de Kardec sobre as pessoas “cuja mediunidade é nula” se explica pela referência final à “disposição de Espírito” com que participam. Mesmo pessoas sem essa mediunidade específica, mas sinceras e convictas, podem participar de experiências, como adiante se verá. O que torna as pessoas negativas são as vibrações negativas do seu pensamento, que afeiam prejudicialmente a reunião. (N. do T.)*

*Os médiuns gozam de maior ou menor poder na produção dos fenômenos, produzindo efeitos mais ou menos pronunciados. Um médium possante quase sempre produz muito mais do que vinte outros reunidos, bastando pôr as mãos na mesa para que ela no mesmo instante se movimente, se eleve, revire, salte ou gire com violência.*

62.* Não há nenhum indício da faculdade mediúnica e somente a experiência pode revelá-la. Quando se quer fazer uma experiência, numa reunião, basta simplesmente sentar-se em torno de uma mesa e colocar as mãos espalmadas sobre ela, sem pressão nem contenção muscular.*

 

No princípio, como as causas do fenômeno eram ignoradas, indicavam-se numerosas precauções, depois reconhecidas como inúteis. Por exemplo: a alternância de sexos, o contato dos dedos mínimos das pessoas para formar uma cadeia ininterrupta. Esta última precaução parecia necessária porque se acreditava na ação de uma espécie de corrente elétrica, mas a experiência mostrou a sua inutilidade.

*A única prescrição realmente obrigatória é a do recolhimento, do silêncio absoluto, e, sobretudo a paciência, quando o efeito demora. Pode acontecer que ele se produza em alguns minutos, como pode tardar meia hora ou uma hora. Isso depende da capacidade mediúnica dos participantes.*

63.* Acrescentamos que a forma da mesa, o material de que é feita, a presença de metais, da seda nas vestes dos assistentes, os dias, as horas, a obscuridade, a luz, etc., são tão indiferentes como a chuva e o bom tempo. Só o peso da mesa pode ter alguma importância, mas apenas nos casos em que a potência mediúnica não seja suficiente para movê-la. Noutros casos, basta uma pessoa, até mesmo uma criança, para erguer uma mesa de cem quilos, enquanto em condições menos favoráveis doze pessoas não fariam mover-se uma mesinha de centro.*

(3) A expressão francesa é guérídon, que corresponde a uma mesinha antiga de centro, redonda, com uma perna central única e três pés na ponta. (N. do T.)

Assim preparada a experiência, quando o efeito começa a produzir-se é muito frequente ouvir-se um pequeno estalo na mesa, sente-se um estremecimento como prelúdio do movimento, a mesa parece lutar para se desamarrar, depois o movimento de rotação se inicia e se acelera a tal ponto que os assistentes se veem em apuros para segui-lo.

Desencadeado assim o movimento, pode-se mesmo deixar a mesa livre que ela continua a mover-se sem contato em várias direções.

 

De outras vezes a mesa se ergue e se firma, ora num pé, ora noutro, e depois retoma suavemente sua posição natural. De outras, ainda, ela se balança para frente e para trás e de um lado para outro, imitando o balanço de um navio. E de outras, por fim, mas sendo necessária para isso considerável potência mediúnica, ela se levanta inteiramente do soalho e se mantém em equilíbrio no espaço, sem qualquer apoio, chegando mesmo em certas ocasiões até o forro, de maneira que se pode passar por baixo; a seguir desce lentamente, balançando-se no ar como uma folha de papel, ou cai violentamente e se quebra. Isso prova, de maneira evidente, que não houve uma ilusão de ótica.

 

  1. Outro fenômeno que se produz com muita frequência, conforme a natureza do médium é o das pancadas no cerne da madeira, no seu interior, sem provocar qualquer movimento da mesa. Esses golpes, que às vezes são bem fracos e outros muito fortes, estendem-se a outros móveis do aposento, às portas, às paredes e ao forro. Voltaremos logo a este caso. Quando se produzem na mesa, provocam uma vibração que se percebe muito bem pelos dedos e que se torna, sobretudo, muito distinta se aplicarmos o ouvido contra a mesa.

*&*

Livro dos Médiuns // Allan Kardec

ESTUDOS DO LIVRO: LIÇÕES PARA A FELICIDADE

(Divaldo Franco Joanna de Ângelis /=/ Espírito)

  1. INSTINTO E INTELIGÊNCIA

Pergunta – 74 do Livro dos Espíritos

Pode estabelecer-se uma linha de separação entre o instinto e a inteligência, isto é, precisar onde um acaba e começa a outra?

“Não, porque muitas vezes se confundem. Mas, muito bem se pode distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência”.

 

Herdeiro das próprias experiências, o Espírito vem se desenvolvendo ao largo dos milênios, alcançando patamares de evolução mais elevados e ricos de conhecimentos, assim como dos sentimentos.

Simples e ignorante nos seus primórdios, é portador de dos tesouros divinos que nele jazem adormecidos, despertando lentamente durante o pélago das reencarnações até atingir a angelitude, que lhe está reservado.

A princípio, nesse psiquismo sem experiências, apresentam-se os impulsos que são o surgimento dos instintos, predominando aqueles que fazem parte da sobrevivência para a conservação da vida, tais como a nutrição, a reprodução, o repouso. Concomitantemente têm início às manifestações primárias da luta para conseguir o atendimento dessas necessidades básicas, logo resvalando para a agressividade e a violência, que exteriorizam os desejos ainda infrenes que são predominantemente em essa natureza fortemente animal.

À medida que se ampliam as áreas do relacionamento social, despontam as disputas pela posse, surgem as paixões dominadoras, aparecendo ao lado da competitividade, o ódio, o rancor, o desejo de vingança quando se encontra contrariado, o ciúme, a inveja, a astúcia para enganar, e as torpes condutas para disfarçar a inferioridade.

De igual modo, despontam os primeiros sentimentos de afetividade, de compaixão, de amparo e apoio aos seus – grupo social e consanguíneo – que se dilatarão através das futuras experiências aos enobrecidos devotamento e abnegação que convidam a doação da própria vida, se necessário, em favor do seu próximo.

Desponta espontaneamente a inteligência, no início como manifestação do instinto que não discerne, apresentando-se com a complexidade de valores que a constituem e se desenvolvem ao largo das necessidades evolutivas e dos desafios ambientais, sociais, morais e espirituais.

A inteligência passa a comandar as ações, sendo vítima, muitas vezes, das artimanhas dos instintos, que a municiam de recursos para serem atingidos os fins que elaboram, especialmente na predominância das suas paixões.

Assim deu-se no desenvolvimento das forças guerreiras, que equiparam o ser de armas cada vez mais poderosas e portadoras de forças de extermínio mais rápido e violento, até o momento da construção dos denominados mísseis inteligentes conduzidos por computadores.

Somente pelas consequências lamentáveis que se dão quando utilizada para o crime e para o egoísmo, é que a inteligência se direciona para os valores éticos e as emoções enobrecidas, trabalhando o potencial inato em favor do progresso e da felicidade.

No dia em que se unam os tesouros de alguns dos instintos transformados em sentimentos e de outros convertidos em inteligência lúcida, será adquirida a sabedoria, que os harmonizará em um todo de paz.

Toda vez que o indivíduo reage, dominado por qualquer tipo de violência, os atos que disso de correm são manifestações dos instintos agressivos que nele predominam.

Quando, ao invés do revide ou autodefesa, age com equilíbrio e compaixão pelo opositor, é um resultado de expressão da inteligência.

O instinto impõe, enquanto a inteligência expõe.

O primeiro é imperioso e dominador, enquanto a segunda se exterioriza através de argumentos claros e lógicos, predispondo á aceitação.

O instinto é manifestação automática do organismo, entretanto a inteligência é expressão do pensamento  que, á medida que se ilumina, mais lúcido e dinâmico se apresenta.

O instinto sempre se exterioriza armado, em mecanismo de autodefesa, preservando a própria vida. A inteligência desarma-o de agressividade, porque reconhece que a melhor maneira de manter-lhe a existência é trabalhar a paz e o desenvolvimento ético.

O instinto leva ao desespero, e suas reações produzem desarmonia mental, intoxicando a razão toda que se exalta e se acredita em risco, perseguido ou não. Por sua vez, a inteligência, quando liberada dos artifícios do instinto, aclara a situação, mesmo quando desagradável, propondo soluções de bem-estar e de efeitos saudáveis.

Um sempre tirânico, porque não raciocina, enquanto a outra, que se pode apresentar cruel e perversa, pode ser ainda mais iníqua, exatamente porque pensa e pode elaborar instrumentos de vingança, de destruição, de maldade e de crueza…

Nesse conturbar de emoções entre o instinto e a inteligência, os sentimentos, forjado no sofrimento ou nas aspirações do amor enobrecido, tornam-se responsáveis pela conduta de ambos na exteriorização das funções na vida.

Os instintos são essenciais á existência, porque preservam as heranças do desenvolvimento antropológico do ser e continuam agindo com seus automatismos para preservação do corpo.

A inteligência é-lhe fundamental para a conquista do infinito, em razão de facultar-lhe recursos que tornam a qualidade de vida muito melhor e abrem espaço para as conquistas tecnológicas, artísticas, culturais, religiosas e espirituais, respondendo-lhe pelas realizações sociopsicológicas.

Os instintos, pois, e a inteligência, são os dois fatores que, harmonizados, transformam o homem em anjo e o bruto em santo.

O instinto, quando desenvolvido e educado, torna-se um sentido a mais, vigilante no organismo em defesa de sua estrutura biológica, e a inteligência é a luz balsâmica a conduzi-lo no labirinto das agressões externas que o ser deve enfrentar.

Judas, por instinto infeliz, de medo e de ambição desmedida, enganou-se, traindo Jesus.

Maria Madalena, guiada pela inteligência que a induziu a libertar-se dos instintos vis que a dominavam, encontrou Jesus e liberou-se do vício, sublimando os sentimentos em que chafurdava.

Átila, guiado pela fúria do instinto perverso, assolou grande parte do mundo do seu tempo e sucumbiu devorado pelo ódio.

Agostinho de Hipona, reconhecendo, pela inteligência, a grandeza de Jesus e de Sua mensagem, superou os tormentos íntimos do instinto sexual e fez-se modelo de equilíbrio para si mesmo e para a posteridade.

Pilatos, lavou as mãos, por instinto, evitando envolver-se na trama da covardia farisaica e, por falta de inteligência lúcida, comprometeu-se vilmente, perdendo a oportunidade feliz que se lhe deparara.  

Guiado pela inteligência iluminada pelo sentimento de amor, o instinto se transforma em instrumento de felicidade.

Mediante, portanto, os atos que decorrem da conduta humana, pode-se saber quando são procedentes do instinto ou da inteligência.

 

 

Vocabulário:

Instinto: Impulso natural: instinto de conservação. Por instinto, por uma espécie de intuição; sem reflexão: ele agiu por instinto.

Inteligência: Faculdade de conhecer, de compreender: a inteligência distingue o homem do animal. Compreensão; conhecimento profundo: Destreza, habilidade: Boa convivência, união de sentimentos: viver em perfeita inteligência com.

Primórdios: O que foi organizado de antes dos demais; aquilo que se arruma primeiro. O momento relacionado à origem ou surgimento de…

Pélago: [Marinha] profundo, longe das costas. Abismo.[Figurado] Imensidade; profundidade.

Pélago é sinônimo de: profundidade, abismo, voragem, pego

Concomitantemente: Simultaneamente; ao mesmo tempo; de maneira simultânea: participava concomitantemente da escola e do coral. Produzido em simultâneo com outra coisa: empresa produz conteúdos para sites e para a rede concomitantemente. Concomitantemente é sinônimo de: simultaneamente

Infrenes: adj. Sem freio; desenfreado, descomedido.

Astúcia: Esperteza; habilidade de quem não se deixa enganar. Astúcia; qualidade de quem age de modo a buscar benefícios e vantagens às custas de outras pessoas; característica da pessoa astuta, ardilosa, velhaca.[Por Extensão] Traquinice; comportamento de quem é travesso ou traquinas.(Etm. do latim: astutia.ae)Astúcia é sinônimo de: esperteza, subtileza, manha, ardil, traquinice, solércia, sagacidade, lábia, finura, artifício, argúcia, agudeza, paleio, tropelia

Torpes: adj. Depravado; que insulta os bons costumes: motivo torpe. Asqueroso; que causa nojo; que é nojento: ação torpe. Enodoado; que…

Discerne: Discerne vem do verbo discernir. O mesmo que: compreende, diferencia, diferença, discrimina, distingue. Demonstrar entendimento em relação a; ter a capacidade para entender (algo ou alguém); compreender: sempre soube discernir os resultados de seus atos. Entender alguma coisa com propriedade: o perito consegue discernir uma obra de arte.

Artimanhas:  Ações, comportamentos ou maneira de se portar que pode levar alguém ao erro; maneira de enganar (alguém) para conseguir…

 

Predominância: Caráter do que é predominante; predomínio. Predominância é sinônimo de: preponderância, preeminência, hegemonia, supremacia

 

Mísseis: Mísseis é uma palavra derivada de míssil
Míssil: s.m. Projétil de propulsão própria e dirigível durante todo o trajeto ou parte dele. (Os mísseis são balísticos ou não, conforme sejam ou não dependentes de sua própria gravitação. Conforme seu ponto de lançamento e seu objetivo, os mísseis são classificados em míssil ar-ar, disparado de um avião contra alvos aéreos; ar-solo ou, mais geralmente, ar-superfície, lançado de um avião contra alvos de superfície, em terra ou no mar; mísseis-alvos, destinados às experiências dos mísseis ar-ar ou ar-solo, ou ao treinamento do pessoal; míssil solo-ar, ou mais geralmente superfície-ar, lançado do solo ou de um navio contra alvos aéreos; míssil solo-solo ou, mais geralmente, superfície-superfície, lançado de um ponto da superfície terrestre ou de um navio contra um alvo terrestre ou marítimo. Distinguem-se os mísseis táticos, destinados a substituir ou a prolongar a ação das armas tradicionais, e os mísseis estratégicos [de 2.000 a 14.000 km de alcance]. Os mísseis podem ser munidos de uma ogiva atômica.) (V. também ASTRONÁUTICA e FOGUETE.)

Mísseis inteligentes são comandados por computadores.

Inato: Que faz parte do indivíduo desde o seu nascimento; que nasce com o indivíduo; inerente ou congênito. [Filosofia] De acordo com o cartesianismo, o que tem sua origem na mente, sem que isso esteja relacionado com a imaginação criadora e/ou com a experiência sensível. [Por Extensão] Filosofia Moderna. Cuja origem e/ou derivação se baseia no que está inerente à mente e/ou ao desenvolvimento da inteligência (entendimento), ao invés de ser construído a partir da experiência (prática).

Dinâmico: Que se altera de modo contínuo; que tende a evoluir; em que há movimento e mudança; que se adapta com facilidade: personalidade dinâmica.[Figurado] Empreendedor; que expressa criatividade, agilidade ou diligência.[Figurado] Enérgico; que está cheio de energia, de iniciativa, de atividade.

Tirânico: Déspota; que demonstra ou pratica tirania; que usa de um poder soberano e injusto para governar: ditador tirânico. Cruel; capaz de tiranizar; que pratica atos de maldade; que age violentamente e sem piedade.[Figurado] Que exerce uma influência impossível de se resistir: a tirania da beleza.(Etm. do grego: turannikós)

Iníqua: iníquo adj. Injusto; que se opõe à equidade, ao que é justo. Mau; que revela perversidade; característica de quem é malévolo. (Etm. do…

Forjado: Característica do que se forjou, do que foi moldado em forja para adquirir um determinado aspecto ou uma determinada forma. Expresso ou revelado de maneira verdadeira e genuína.[Figurado] Fictício ou inventado: o bandido havia forjado as provas do crime.(Etm. Part. de forjar)

Automatismos: Caráter do que é automático. Falta de vontade própria. Diz-se de uma atividade literária, em que o autor se deixa levar exclusivamente pelo subconsciente.

  • Sociopsicológicas: psicossociológico  adj (psico+sociológico) Relativo à psicossociologia.
  • idiopsicológico adj (idio+psicológico) Concernente às idéias próprias.
  • biopsicológico adj. Biologia. Psicologia. Que possui elementos biológicos e/ou psicológicos (ao mesmo tempo); que se refere a biologia e/ou a…
  • psicofisiológico adj (psico+fisiológico) Relativo à psicofisiologia; fisiopsicológico.

Psico: [Medicina] Termo que indica alma, espírito, mente.

Estrutura: Modo como alguma coisa é construída, organizada ou está disposta: a estrutura de uma empresa. Aquilo que serve de base para;…

Biológica: se refere a            Ciência da vida. Biologia animal, estudo dos organismos animais. Biologia celular, estudo do funcionamento da célula. Biologia vegetal, estudo dos organismos vegetais.

Chafurdava: Chafurdava vem do verbo chafurdar. O mesmo que: atascava, atolava, enchafurdava. Deitar ou deitar-se na lama (chafurda); revolver-se no chão: os selvagens chafurdavam (no lamaçal); não se chafurdavam na lama.[Figurado] Colocar mancha em; lançar mácula a; macular: chafurdaram uma reputação inteira; chafurdou o pai na desonestidade.[Figurado] Estar envolto por vícios ou baixaria; render-se à indignidade; corromper: chafurdava na baixaria.

Ademário da Silva

09 de outubro de 2016.

 

 

 

 

 

I CAPÍTULO I

AÇÀO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA = I

SEGUNDA PARTE

Das Manifestações Espíritas

CAPÍTULO l

AÇÀO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA

*52. Excluída a interpretação materialista, ao mesmo tempo rejeitada pela razão e pelos fatos, resta apenas saber se a alma, após a morte, pode manifestar-se aos vivos.*

*&*

*Assim reduzida à sua mais simples expressão, torna-se a questão bastante fácil. Poderíamos perguntar primeiro, por que motivo os seres inteligentes, que de alguma maneira vivem entre nós, embora naturalmente invisíveis, não poderiam demonstrar-nos a sua presença por algum meio? O simples raciocínio mostra que isto nada tem de impossível, o que já é alguma coisa. Essa crença, aliás, tem a seu favor a aceitação de todos os povos, pois a encontramos em toda parte e em todas as épocas. Ora, uma intuição não poderia ser tão generalizada, nem sobreviver através dos tempos, sem ter alguma razão. Ela é ainda sancionada pelo testemunho dos livros sagrados e dos Pais da Igreja, e foi necessário o ceticismo e o materialismo do nosso século para relegá-la ao campo das superstições. Se estamos, pois, em erro, essas autoridades também estão.*

*Mas estas são apenas considerações lógicas. Uma causa, acima de tudo, contribui para fortalecer a dúvida, numa época tão positiva como a nossa, em que tudo se quer conhecer, onde se quer saber o porquê e o como de todas as coisas: a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais podem manifestar-se. Conquistado esse conhecimento, o fato das manifestações nada apresenta de surpreendente e entra na ordem dos fatos naturais.*

*53. A ideia que geralmente se faz dos Espíritos torna a princípio incompreensível o fenômeno das manifestações. Elas não podem ocorrer sem a ação do Espírito sobre a matéria. Por isso, os que consideram o Espírito completamente desprovido de matéria perguntam, com aparente razão, como pode ele agir materialmente. E nisso precisamente está o erro. Porque o Espírito não é uma abstração, mas um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado é a alma do corpo; quando o deixa pela morte, não sai desprovido de qualquer envoltório. Todos eles nos dizem que conservam a forma humana e, com efeito, quando nos aparecem, é sob essa forma que os reconhecemos.*

*Observamo-los atentamente no momento em que acabavam de deixar a vida. Acham-se perturbados; tudo para eles é confuso; veem o próprio corpo perfeito ou mutilado, segundo o gênero de morte; por outro lado, veem a si mesmo e se sentem vivos. Alguma coisa lhes diz que aquele corpo lhes pertencia e não compreendem como possam estar separados. Continuam a se ver em sua forma anterior, e essa visão provoca em alguns, durante certo tempo, uma estranha ilusão: julgam-se ainda vivos.*

*Falta-lhes a experiência desse novo estado para se convencerem da realidade.*

*Dissipando-se esse primeiro momento de perturbação, o corpo lhes aparece como velha roupa de que se despiram e que não querem mais. Sentem-se mais leves e como livres de um fardo. Não sofrem mais as dores físicas e são felizes de poderem elevar-se e transpor o espaço, como faziam muitas vezes em vida nos seus sonhos. Ao mesmo tempo, apesar da falta do corpo constatam a inteireza da personalidade: têm uma forma que não os constrange nem os embaraça e têm consciência do eu, da individualidade. Que devemos concluir disso? Que a alma não deixa tudo no túmulo, mas leva com ela alguma coisa.*

 

*Quem se reportar ao que dissemos em O Livro dos Espíritos sobre os sonhos e o estado do Espírito durante o sono (n.º 400 a 418), compreenderá que os sonhos que quase todos têm, vendo-se transportados através do espaço e como que voando, são a lembrança da sensação do Espírito durante o seu desprendimento do corpo, levando o corpo fluídico, o mesmo que conservará após a morte. Esses sonhos podem pois nos dar a  ideia do estado do Espírito quando se desembaraçar dos entraves que o retêm na Terra. (Nota de Kardec).*

 

  1. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que trataremos mais tarde, demonstraram a existência no homem de três componentes:

 

*(1°) a alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral;*

 

*(2°) o corpo, invólucro material e grosseiro de que é revestido temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais;*

 

*(3°) o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de liame entre a alma e o corpo.*

 

*A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro que a alma abandona. O outro envoltório desprende-se e vai com a alma, que dessa maneira tem sempre um instrumento. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós em seu estado normal, é também material, apesar de não termos, até o presente, podido captá-lo e submetê-lo à análise.

Este segundo envoltório da alma ou perispírito existe, portanto, na própria vida corpórea. É o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe, e através do qual o Espírito transmite a sua vontade ao exterior, agindo sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento.*

 

É, enfim, esse agente misterioso, inapreensível, chamado fluido nervoso, que desempenha tão importante papel na economia orgânica e que ainda não se considera suficientemente nos fenômenos fisiológicos e patológicos. A Medicina, considerando apenas o elemento material ponderável, priva-se do conhecimento de uma causa permanente de ação, na apreciação dos fatos. Mas não é aqui o lugar de examinar essa questão; *lembraremos somente que o conhecimento do perispírito é a chave de uma infinidade de problemas até agora inexplicáveis.*

 O desenvolvimento da Psicoterapêutica, e mais recentemente da Medicina psicossomática, confirmam o acerto de Kardec nesta observação. (N. do T.)

O perispírito não é uma dessas hipóteses a que se recorre nas ciências para explicação de um fato. Sua existência não foi somente revelada pelos Espíritos, pois resulta também de observações, como teremos ocasião de demonstrar.

 

*Por agora, e para não antecipar questões que teremos de tratar, nos limitaremos a dizer que, seja durante a sua união com o corpo ou após a separação, a alma jamais se separa do seu perispírito.*

*55. Já se disse que o Espírito é uma flama, uma centelha.(3) Isto se aplica ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não saberíamos dar uma forma determinada. Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. Dessa maneira, a ideia de forma é para nós inseparável da ideia de Espírito, a ponto de não concebermos este sem aquela. O perispírito, portanto, faz parte integrante do espírito, como o corpo faz parte integrante do homem. Mas o perispírito sozinho não é o homem, pois o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o Homem: o agente ou instrumento de sua atividade.*

(3) Livro dos Espíritos, n° 88. Respondendo a uma pergunta de Kardec sobre a forma dos Espíritos, os seus instrutores espirituais disseram: *“Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea.” (N. do T.)*

*56. A forma do perispírito é a forma humana, e quando ele nos aparece é geralmente a mesma sob a qual conhecemos o espírito na vida física. Poderíamos crer, por isso, que o perispírito, desligado de todas as partes do corpo, se modela de alguma maneira sobre ele e lhe conserva a forma. Mas não parece ser assim. A forma humana, com algumas diferenças de detalhes e as modificações orgânicas exigidas pelo meio em que o ser tem de viver, é a mesma em todos os globos. É pelo menos, o que dizem os Espíritos. E é também a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só possuem o perispírito. A mesma sob a qual em todos os tempos foram representados os anjos ou Espíritos puros. De onde devemos concluir que a forma humana é a forma típica de todos os seres humanos, em qualquer grau a que pertençam.*

*Mas a matéria sutil do perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta do corpo. Ela é, se assim podemos dizer, flexível e expansível. Por isso, a forma que ela toma, mesmo que decalcada do corpo, não é absoluta. Ela se molda à vontade do espírito, que pode lhe dar a aparência que quiser, enquanto o invólucro material lhe ofereceria uma resistência invencível.*

*Desembaraçado do corpo que o comprimia, o perispírito se distende ou se contrai, se transforma, em uma palavra: presta-se a todas as modificações, segundo a vontade que o dirige. É graças a essa propriedade do seu invólucro fluídico que o Espírito pode fazer-se reconhecer, quando necessário, tomando exatamente a aparência que tinha na vida física, e até mesmo com os defeitos que possam servir de sinais para o reconhecimento. Os Espíritos, portanto, são seres semelhantes a nós, formando ao nosso redor toda uma população que é invisível no seu estado normal.*

 

E dizemos no estado normal porque, como veremos essa invisibilidade não é absoluta.

 

*57. Voltemos a tratar da natureza do perispírito, que é essencial para a explicação que devemos dar. Dissemos que, embora fluídico, ele se constitui de uma espécie de matéria, e isso resulta dos casos de aparições tangíveis, aos quais voltaremos. Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser apalpadas, oferecendo a resistência dos corpos sólidos, e que de repente se esvaneciam como sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade ao executar certos movimentos, até mesmo ao tocar músicas num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. Sua tangibilidade, sua temperatura, a impressão sensorial que produzem, chegando mesmo a deixar marcas na pele, a dar pancadas dolorosas, a acariciar delicadamente, provam que são materialmente constituídas. Sua desaparição instantânea prova, entretanto, que essa matéria é extremamente sutil e se comporta como algumas substâncias que podem, alternativamente, passar do estado sólido ao fluídico e vice-versa.*

 

*58. A natureza íntima do Espírito propriamente dito, ou seja, do ser pensante, é para nós inteiramente desconhecida. Ele se revela a nós pelos seus atos, e esses atos só podem tocar os nossos sentidos por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para agir sobre a matéria. Seu instrumento direto é o perispírito, como o do homem é o corpo. O perispírito, como acabamos de ver, constitui-se de matéria. Vem a seguir o fluido universal, agente intermediário, espécie de veículo sobre o qual ele age como nós agimos sobre o ar para obter certos efeitos através da dilatação, da compressão, da propulsão ou das vibrações.*

 

*Assim considerada, a ação do Espírito sobre a matéria é fácil de admitir-se. Compreende-se então que os efeitos pertencem à ordem dos fatos naturais e nada têm de maravilhoso. Só pareciam sobrenaturais porque sua causa era desconhecida.*

 

*Desde que a conhecemos, o maravilhoso desaparece, pois a causa se encontra inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito.*

 

Trata-se de uma nova ordem de coisas, que novas leis vêm explicar. Dentro em pouco ninguém mais se espantará com esses fatos, como ninguém hoje se espanta de poder comunicar-se à distância, em apenas alguns minutos, por meio da eletricidade.

 

*59. Talvez se pergunte como pode o Espírito, com a ajuda de uma matéria tão sutil, agir sobre corpos pesados e compactos, erguer mesas etc. Certamente não será um homem de ciências que fará essa objeção, porque, sem falar das propriedades desconhecidas que esse novo agente pode ter, não vimos com os próprios olhos exemplos semelhantes? Não é nos gases mais rarefeitos, nos fluidos imponderáveis, que a indústria encontra as mais poderosas forças motrizes? Quando vemos o ar derrubar edifícios, o vapor arrastar massas enormes, a pólvora gaseificada elevar rochedos, a eletricidade despedaçar árvores e perfurar muralhas, que há de estranho em admitir que o Espírito, servindo-se do perispírito, possa erguer uma mesa, sobretudo quando se sabe que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?* 

Allan Kardec.

&

Ademário da Silva

19 de agosto de 2018.

Eterno momento!

*&*

Ainda outro dia

Numa esquina do tempo

Na Palestina,

Um monumento eivado de luz,

Que foi barganhado, num indulto infeliz

E a luz que Ele trazia

Sem sofrer de azia

Cresceu pelo chão

 Por não causar má digestão moral

E o seu coração pousado na cruz

Falou de Maria e falou de João,

Perdoou os incautos e acendeu outra luz

 A luz imortal que o ódio não mata

Imprimiu no lençol a identidade da alma

Por cumprir toda lei

Aprimorar os sentidos

Em três dias de volta

Ratificou o vivido

Sem ter culpa na prova

Demandou o infinito

Reescrito o Evangelho

Criticou os costumes

Reescreveu mandamentos

 E fez dez por um cento

E o templo da luz,

Do amor e da paz,

Coração tão vivaz

Fez eterno o momento…

De harmonia e perdão

E até hoje no leme

No comando da nave

Tira a luz do alqueire

E dos olhos à trave!

*&*

Ademário da Silva

04 de setembro de 2018.

 Jesus e Kardec