Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

 

BOA NOVA

Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS

Francisco Cândido Xavier *

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 OS QUINHENTOS DA GALILÉIA

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Depois do Calvário, verificadas as primeiras manifestações de Jesus no cenáculo singelo de Jerusalém, apossara-se de todos os amigos sinceros do Messias uma saudade imensa de sua palavra e de seu convívio. A maioria deles se apegava aos discípulos, como querendo reter as últimas expressões de sua mensagem carinhosa e imortal. O ambiente era um repositório vasto de adoráveis recordações. Os que eram agraciados com as visões do Mestre se sentiam transbordantes das mais puras alegrias. Os companheiros inseparáveis e íntimos se entretinham em longos comentários sobre as suas reminiscências inapagáveis. Foi quando Simão Pedro e alguns outros salientaram a necessidade do regresso a Cafarnaum, para os labores indispensáveis da vida. Em breves dias, as velhas redes mergulhavam de novo no Tiberíades, por entre as cantigas rústicas dos pesca- dores. Cada onda mais larga e cada detalhe do serviço sugeriam recordações sempre vivas no tempo. As refeições ao ar livre lembravam o contentamento de Jesus ao partir o pão; o trabalho, quando mais intenso, como que avivava a sua recomendação de bom ânimo; a noite silenciosa reclamava sua bênção amiga. Embebidos na poesia da Natureza, os apóstolos organizavam os mais elevados projetos, com relação ao futuro do Evangelho. A residência modesta de Cefas, obedecendo às tradições dos primitivos ensinamentos, continuava a ser o parlamento amistoso, onde cada um expunha os seus princípios e as suas confidências mais recônditas. Mas, ao pé do monte onde o Cristo se fizera ouvir algumas vezes, exalçando as belezas do Reino de Deus e da sua justiça, reuniam-se invariavelmente todos os antigos seguidores mais fiéis, que se haviam habituado ao doce alimento de sua palavra inesquecível. Os discípulos não eram estranhos a essas rememorações carinhosas e, ao cair da tarde, acompanhavam a pequena corrente popular pela via das recordações afetuosas. Falava-se vagamente de que o Mestre voltaria ao monte para despedir-se. Alguns dos apóstolos aludiam às visões em que o Senhor prometia fazer de novo ouvida a sua palavra num dos lugares prediletos das suas pregações de outros tempos. Numa tarde de azul profundo, a reduzida comunidade de amigos do Messias, ao lado da pequena multidão, reuniu-se em preces, no sítio solitário. João havia comentado as promessas do Evangelho, enquanto na encosta se amontoava a assembleia dos fiéis seguidores do Mestre. Viam-se, ali, algumas centenas de rostos embevecidos e ansiosos. Eram romanos de mistura com judeus desconhecidos, mulheres humildes conduzindo os filhos pobres e descalços, velhos respeitáveis, cujos cabelos alvejavam da neve dos repetidos invernos da vida. * Nesse dia, como que a antiga atmosfera se fazia sentir mais fortemente. Por instinto, todos tinham a impressão de que o Mestre voltaria a ensinar as bem aventuranças celestiais. Os ventos recendiam suave perfume, trazendo as harmonias do lago próximo. Do céu muito azul, como em festa para receber a claridade das primeiras estrelas, parecia descer uma tranquilidade imensa que envolvia todas as coisas. Foi nesse instante, de indizível grandiosidade, que a figura do Cristo assomou no cume iluminado pelos derradeiros raios do Sol. Era Ele. Seu sorriso desabrochava tão meigo como ao tempo glorioso de suas primeiras pregações, mas de todo o seu vulto se irradiava luz tão intensa que os mais fortes dobraram os joelhos. Alguns soluçavam de júbilo, presas das emoções mais belas de sua vida. As mãos do Mestre tomaram a atitude de quem abençoava, enquanto um divino silêncio parecia penetrar a alma das coisas. A palavra articulada não tomou parte naquele banquete de luz imaterial; todos, porém, lhe perceberam a amorosa despedida e, no mais íntimo da alma, lhe ouviram a exortação magnânima e profunda:

 “Amados a cada um se afigurou escutar na câmara secreta do coração —, eis que retomo a vida em meu Pai para regressar à luz do meu Reino!…

Enviei meus discípulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho. Depois deles, é a vós que confio a tarefa sublime da redenção pelas verdades do Evangelho. Eles serão os semeadores, vós sereis o fermento divino. Instituo-vos os primeiros trabalhadores, os herdeiros iniciais dos bens divinos. Para entrardes na posse do tesouro celestial, muita vez experimentareis o martírio da cruz e o fel da ingratidão… Em conflito permanente com o mundo, estareis na Terra, fora de suas leis implacáveis e egoístas, até que as bases do meu Reino de concórdia e justiça se estabeleçam no espírito das criaturas. Negai-vos a vós mesmos, como neguei a minha própria vontade na execução dos desígnios de Deus, e tomai a vossa cruz para seguir-me.

“Séculos de luta vos esperam na estrada universal.

É preciso imunizar o coração contra todos os enganos da vida transitória, para a soberana grandeza da vida imortal.

Vossas sendas estarão repletas de fantasmas de aniquilamento e de visões de morte.

O mundo inteiro se levantará contra vós, em obediência espontânea às forças tenebrosas do mal, que ainda lhe dominam as fronteiras. Sereis escarnecidos e aparentemente desamparados; a dor vos assolará as esperanças mais caras; andareis esquecidos na Terra, em supremo abandono do coração. Não participareis do venenoso banquete das posses materiais, sofrereis a perseguição e o terror, tereis o coração coberto de cicatrizes e de ultrajes. A chaga é o vosso sinal, a coroa de espinhos o vosso símbolo, a cruz o recurso ditoso da redenção. Vossa voz será a do deserto, provocando, muitas vezes, o escárnio e a negação da parte dos que dominam na carne perecível. “Mas, no desenrolar das batalhas incruentas do coração, quando todos os horizontes estiverem abafados pelas sombras da crueldade, dar-vos-ei da minha paz, que representa a água viva. Na existência ou na morte do corpo, estareis unidos ao meu Reino. O mundo vos cobrirá de golpes terríveis e destruidores, mas, de cada uma das vossas feridas, retirarei o trigo luminoso para os celeiros infinitos da graça, destinados ao sustento das mais ínfimas criaturas!…

Até que o meu Reino se estabeleça na Terra, não conhecereis o amor no mundo;

eu, no entanto, encherei a vossa solidão com a minha assistência incessante. Gozarei em vós, como gozareis em mim, o júbilo celeste da execução fiel dos desígnios de Deus. Quando tombardes, sob as arremetidas dos homens ainda pobres e infelizes, eu vos levantarei no silêncio do caminho, com as minhas mãos dedicadas ao vosso bem.

Sereis a união onde houver separatividade, sacrifício onde existir o falso gozo, claridade onde campearem as trevas, porto amigo, edificado na rocha da fé viva, onde pairarem as sombras da desorientação. Sereis meu refúgio nas igrejas mais estranhas da Terra, minha esperança entre as loucuras humanas, minha verdade onde se perturbar a ciência incompleta do mundo!…

“Amados, eis que também vos envio como ovelhas aos caminhos obscuros e ásperos. Entretanto, nada temais! Sede fiéis ao meu coração, como vos sou fiel, e o bom ânimo representará a vossa estrela! Ide ao mundo, onde teremos de vencer o mal! Aperfeiçoemos a nossa escola milenária, para que aí seja interpretada e posta em prática a lei de amor do Nosso Pai, em obediência feliz à sua vontade augusta!” Sagrada emoção senhoreara-se das almas em êxtase de ventura. Foi então que observaram o Mestre, rodeado de luz, como a elevar-se ao céu, em demanda de sua gloriosa esfera do Infinito.

* Os primeiros astros da noite brilhavam no alto, como flores radiosas do Paraíso. No monte galileu, cinco centenas de corações palpitavam, arrebatados por intraduzível júbilo. Velhos trêmulos e encarquilhados desceram a encosta, unidos uns aos outros, como solidários, para sempre, no mesmo trabalho de grandeza imperecível. Anciãs de passo vacilante, coroadas pela neve das experiências da vida, abraçavam-se às filhas e netas, jovens e ditosas, tomadas de indefinível embriaguez d’alma. Romanos e judeus, ricos e pobres confraternizavam, felizes, adivinhando a necessidade de cooperação na tarefa santa.

Os antigos discípulos, cercando a figura de Simão Pedro, choravam de contentamento e esperança. Naquela noite de imperecível recordação, foi confiado aos quinhentos da Galiléia o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus-Cristo. Mal sabiam eles, na sua mísera condição humana, que a palavra do Mestre alcançaria os séculos do porvir.

E foi assim que, representando o fermento renovador do mundo, eles reencarnaram em todos os tempos, nos mais diversos climas religiosos e políticos do planeta, ensinando a verdade e abrindo novos caminhos de luz, através dos bastidores eternos do Tempo.

Foram eles os primeiros a transmitir a sagrada vibração de coragem e confiança aos que tombaram nos campos do martírio, semeando a fé no coração pervertido das criaturas. Nos circos da vaidade humana, nas fogueiras e nos suplícios, ensinaram a lição de Jesus, com resignado heroísmo. Nas artes e nas ciências, plantaram concepções novas de desprendimento do mundo e de belezas do céu e, no seio das mais variadas religiões da Terra, continuam revelando o desejo do Cristo, que é de união e de amor, de fraternidade e concórdia. Na qualidade de discípulos sinceros e bem-amados, desceram aos abismos mais tenebrosos, redimindo o mal com os seus sacrifícios purificadores, convertendo, com as luzes do Evangelho, à corrente da redenção, os espíritos mais empedernidos. Abandonados e desprotegidos na Terra, eles passam, edificando no silêncio as magnificências do Reino de Deus, nos países dos corações e, multiplicando as notas de seu cântico de glória por entre os que se constituem instrumentos sinceros do bem com Jesus-Cristo, formam a caravana sublime que nunca se dissolverá.

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Facilitador…

Ademário da Silva

14 de novembro de 2017.

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Palavras menores…

O plano de evangelização da humanidade semeado por Jesus nos bastidores da eternidade é muito maior do que imagina nossa imaturidade espiritual.

Um plano de luz e liberdade que não depende do berço das religiões instituídas pela homem, não se demora nas pretensões inúteis da vaidade humana. A liberdade espiritual não paira sobre templos e igrejas, como não se demorou nas antigas iniciações do conhecimento espiritual.

Posto que voltado para a evolução do espírito esse plano engloba os mais diversos níveis de reencarnações num mundo de provas e expiações  tal como o nosso planeta Terra. Kardec nos informa no estudo da Doutrina Espírita que a evolução do ser humano é imperceptível num ângulo raso de um século; e aí o pensamento do Cristo é magnânimo quando assevera que somos ‘deuses’, posto que filhos de Deus.

Agora atingir a plenitude luminífera e amorável demanda tempo, aplicação, disciplina, dedicação, a fé que raciocina, estudo e amor ao próximo em níveis crísticos… 

Olhemos para o Evangelho segundo o Espiritismo em sua introdução e lá estão alguns dos ‘quinhentos da Galileia’: Sócrates, Platão, quais precursores, desbravadores das sombras humanas sofrendo as arremetidas da ignorância do espírito aprendiz e necessitado, na condição ainda de trocar o Cristo por Barrábas, onde quer que eles se encontrem.

E desde a passagem de Jesus neste mundo de expiações e provas até os dias atuais, nós vemos em nossa própria história, o quanto aqueles que optaram por vocação os caminhos da espiritualidade e da espiritualização humana, o quanto sofreram e foram rechaçados por nós…

Á ponto de chegarmos nas fronteiras da transição planetária sem o preparo adequado ás mudanças que ocorreram em todos os sentidos, requerendo de nós nova conduta, comportamento e visão espiritual da vida…

Por isso, faz-se urgente o estudo e a conscientização de que realmente somos espíritos eternos fazendo uma experiência humana, quais alunos seguindo as graduações escolares segundo suas possibilidades…

Assim cabe-nos assumirmos trabalho, esforço e atitude em benefício próprio em busca de nos melhorarmos e sairmos das filas dos chamados e alcançarmos a condição de escolhidos para os trabalhos de Jesus no mundo.

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Ademário da Silva

14 de novembro de 2017.Jesus e Maria!

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Em outubro de 2017 completamos dez anos de Blog Espírita, agradecemos aqui a Jesus o Cristo pelo legado de luz e espelho, aos amigos espirituais, tutores, protetores, familiares e afins, espíritos poetas e pensadores, amores no meu caminho. Kardec, o imediato de Jesus, mais lúcido, a minha gratidão imensa. E também aos amigos e amigas nesta dimensão humana, que direta ou indiretamente estiveram comigo neste pequeno trabalho… E a minha família amada, Silvana Cristina minha esposa, Janaína, Daniela, Vanessa e Eduardo, minhas filhas e meu filho que hoje está na outra dimensão espiritual, e aos meus netos Mylena, Matheus e Vinícius… E á minha amiga Rafaela Tonim que desenhou esse magnífico Jesus sereno e sem espinhos…

Eu não sito outros nomes porque não conheço a identidade eterna dos amigos e amigas que me presenteiam com suas amizades e até amor…

Frank, o amigo lá de Brasília que me presenteou com esse blog pronto que só me cabia preenche-lo… Candeias e Rimas Espíritas.

E a todos aqueles que adentraram o meu blog, o meu sincero agradecimento.

Tempo de vida vivida…

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Versos rústicos modelados ás pressas nas pedras do tempo

Davam um tom místico ás paisagens do amor vivido

Dispersos quais pingentes pendurados nas paredes de um coração silente

Em cada rima além da lembrança uma cicatriz da dor que pretendia ser feliz

Mas, a memória não se engana guarda o bom e o iludido,

Quem sabe o amanhã seja lembrado como tentativa imatura

Da cura que o tempo trouxe como licor que ora doce, mas antes amargo,

No letargo de sentimentos pueris que agora são risos silentes da compreensão segura

Imagens desgastadas pelo esquecido, cores esmaecidas no tempo vertido,

Viver é mais que conquistas,  e sim experiências enriquecedoras, porque até,

As lágrimas se tornam diamantes quando não esparramadas pelo ódio

Por que no pódio das impossibilidades momentâneas o coração pede á alma

Metamorfoses em doses deglutíveis

E a alma enquanto ser pensante e imortal descostura o aparente mal e depois ri desbragadamente porque se descobre mais intensa, mais rica espiritualmente rimando,…

E as dores serão apenas versos, trechos da vida necessária aos aprendizes, nutrizes de si mesmos no caminho da evolução.

E a alma segue no tempo esquecendo Pandora da mitologia, porque novos e reais dias surgem á sua frente, pedindo atenção, atitude e renovação.

Não é mais e nunca serão ampulhetas nem mesmo os atuais relógios tão tecnológicos á medir nosso tempo e saúde existencial…

Mas, a nossa vontade e capacidade de sair de abismos ilusórios criados por nossa própria carência, porque imaturos, para subir pelas encostas dos deslizes, superar declives e olhar os horizontes, não mais como crianças teimosas ou forasteiros inadimplentes, mas como gente, filhos do universo tecido por Deus…

Aliás, ninguém chega á luz tendo um caso de amor irrefletido com as sombras…

Dê uma volta redonda e saia do si para o incondicional e todo mal se torna pueril, lições rejeitadas quando surgidas e que ficaram impregnadas no jeito de ser, de pensar e de “amar”, que hoje a maturidade desprega, trocando carapuças pela realidade…

O Mestre asseverou: “Sois deuses”, Sócrates afirmou: “Conheça-te a ti mesmo”, Kardec em o Espiritismo afirma á pouco tempo atrás: “Cada consciência evolui por si”; a felicidade está em nós, em nossa coragem e destemor comedido de se compreender, enriquecer-se espiritualmente, perceber que os valores humanos são realmente transitórios, impermanentes…

Só a alma serve ao Eterno e a eternidade…

A poesia da alma é a luz com rimas e sextilhas de caridade permanentemente umedecidas no amor incondicional…

Vivamos o impermanente, cientes de que o amanhã sempre chega e pra que não sejamos pegos de surpresa amemos, porque o amor será a trilha respingada de luz marcando nossas pegadas no caminho da vida!

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Ademário da Silva

11 de novembro de 2017.

 

 

 

 

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Vida, amor e luz…

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Voltou como luz distraída que não tinha endereço

E o apreço era o sorriso que trazia na alma

Como a paz num crepúsculo de tarde e ainda arde o calor no seu peito

Alguns hão de chamar-te afinidade

E na verdade sem saber definir-te o sentimento

E com certeza tua intenção não é uma lenda

Mas, uma prenda que preenche o coração,

E, portanto, não havia desatenção, e onde o verso te põe distraída,  

É a vida brincando num pingente de emoção

E se juntássemos a intuição, o talento e a mediunidade,

Perceberíamos que o verbo protege a razão

E qual sentinela de acordes, compassos, faz do momento um abraço de oração,

Mesmo sem saber se eras o sonho, recordação ou a inspiração,  

Lembrou que a relação poliniza sementes

Vidente é o coração que semeia amizade

Que mesmo que um dia venha a viver de saudades

Sabe que a alma é eterna e o reencontro é fatal

E quando isso se der a poesia rima o contato

Entre o que foi o que é e o que ainda  vai ser…

Pois o amor é a essência da vida

Traz a irreverência de envolver a qualquer um

Assim é o amor que se dá sem pedir nada de troco

Que de repente ajusta o impulso do teu coração

Que se infiltra na sombra sonhando transformação

Ai amor, amar, recriar o contato e o relacionar,

E quebrar a corrente das sombras, se libertar…

Amar como o Cristo ensinou no seu modo de ser

Amar, saber fazer, criar, fazer saber, se dar,

Como lua pro mar e o vento a levar a brisa

A vida é a luz, amor e paz também,

E todo bem fazer para igualar a voz

A vida é a voz de todo amor que há…

E se quiser calar a voz

É só permitir que a dor deite sentenças á sós…

Se quiser viver melhor é só fazer como o girassol

Que sempre busca a luz mesmo com céu nublado

O tempo não tem trocados pra sustentar o inerte

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Ademário da Silva

10 de novembro de 2017.e se quiser calar a voz

 

 

 

 

 

 

 vida, amor e luz...

Essa é a questão!

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Ali onde a luz semeia vidas

E a vida é uma placenta tão infinda

E o amor corre livre nas veias do tempo

E o templo da fé é o próprio universo

É a força da mente quem tece esperança

Mudanças para um sonho real

O livro da sua história, memória da reencarnação,

Cada página uma vida e cada tempo é a sentença de si mesmo

A liberdade é a luz que não se apaga mais

Aliás, a eternidade é um pensamento divino,

E tem não tem sino que ecoe mais alto

Ali onde a saudade não se entristece e é prece de telepatia

A alegria uma oração poesia da afinidade

A paz e o amor são versículos do Testamento da verdade

E só por si evolui a consciência de universalidade

A verdade ecoa pelos ares e pelos aromas

Genoma da metamorfose a luz se multiplica nos braços da caridade

A compreensão é a base de toda e qualquer relação

 A consciência é o pergaminho onde se encontram as leis divinas

Do primata ao angelizado o enredo é a evolução

A morte é vida na mais linda configuração

Jesus resolveu essa questão

Ao consagrar a vida na plenitude da ressurreição

É nossa obrigação pisar no chão da imortalidade

Pensar pelos canais da intuição

Lembrar-se de versos como se fossem blues

Com sabores de saudades ancestrais

Rimas faiscantes nas vibrações do firmamento

Viver um tempo em que a dor não é bem vinda

Muitas moradas na paisagem do infinito

E a vida ainda bem oferece flores de luz

Viver ali onde o amor é a lei e a poesia…

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Ademário da Silva

09 de novembro de 2017.

 

 

 

 

 

 questão...

BOA NOVA

Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS

Francisco Cândido Xavier *

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 JESUS NA SAMARIA

Descendo Jesus, de Jerusalém para Cafarnaum, seguido de alguns dos discípulos, nas suas habituais jornadas a pé, alcançou a Samaria, quando o crepúsculo já se fazia mais sombrio. Filipe, André e Tiago, estando com muita fome, deixaram o Mestre a repousar junto de urna pequena herdade e demandaram o lugarejo mais próximo, em busca de alimentos. O Messias, olhando em torno de si, reconheceu que se encontrava ao lado da fonte de Jacó. Envolvida nos revérberos do Sol que ia ceder lugar às sombras da noite que se aproximavam, uma mulher acercou-se do antigo poço e observou que o Mestre lhe ia ao encontro, com a bela e costumeira placidez do seu semblante, e lhe pedia de beber.

 – Como, sendo tu judeu, me pedes um favor a mim, que sou samaritana?

– interrogou, surpreendida. Jesus descansou na interlocutora o olhar tranquilo e redarguiu:

– Os judeus e samaritanos terão, porventura, necessidades diversas entre si?

Bem se vê que não conheces os dons de Deus, porquanto, se houvesses guardado os mandamentos divinos, compreenderias que te posso dar da água viva.

– Que vem a ser essa água viva?

– inquiriu a samaritana, impressionada.

– Onde a tens, se a água aqui existente é apenas a deste poço?

Acaso serias maior do que o nosso pai Jacó que no-lo deu desde o princípio?

 – Mulher, a água viva é aquela que sacia toda sede; vem do amor infinito de Deus e santifica as criaturas. E, envolvendo a samaritana no doce magnetismo de seu olhar, continuou: – Este poço de Jacó secará um dia. No leito de terra, onde agora repousam suas águas claras, a serpente poderá fazer seu ninho.

Não sentes a verdade de minhas afirmativas, ante a tua sede de todos os dias?

Não obstante levares cheio o cântaro, voltarás logo mais ao poço, com uma nova sede. Entretanto, os que beberem da água viva estarão eternamente saciados. Para esses não mais haverá a necessidade material que se renova a cada instante da vida. Perene conforto lhes refrescará os corações, através dos caminhos mais acidentados, sob o Sol ardente dos desertos do mundo!… A mulher escutava, presa de funda impressão, aquelas palavras que lhe chegavam ao santuário do espírito, com a solenidade de uma nova revelação.  

– Senhor, dá-me dessa água! – exclamou interessada. Mas, ouve! – disse-lhe Jesus. E o Mestre passou a esclarecê-la sobre fatos e circunstâncias íntimas de sua vida particular, explicando-lhe o que se fazia necessário para que a sagrada emoção do amor divino lhe iluminasse a alma, afastando-a de todas as necessidades penosas da existência material.

 – Observando que não havia segredos para Jesus, a samaritana chorou e respondeu: – Senhor, agora vejo que és de fato um profeta de Deus. Meu espírito está cheio de boa-vontade e, desde muito, penso na melhor maneira de purificar minha vida e santificar os meus atos. Entretanto, é tal a confusão que observo em torno de mim, que não sei como adorar a Deus. Os meus familiares e vizinhos afirmam que é indispensável celebrar o culto ao Todo-Poderoso neste monte; os judeus nos combatem e asseveram que nenhuma cerimônia terá valor fora dos muros de Jerusalém. As discórdias nesta região têm chegado ao cúmulo. Ainda há pouco tempo, um judeu feriu um dos nossos, por causa das suas opiniões acerca da comida impura. Já que tenho a felicidade de ouvir as tuas palavras, ensina-me o melhor caminho. O Mestre observou-a, compadecido, e exclamou: – Tens razão. As divergências religiosas têm implantado a maior desunião entre os membros da grande família humana. Entretanto, o Pastor vem ao redil para reunir as ovelhas que os lobos dispersaram. Em verdade, afirmo-te que virá um tempo em que não se adorará a Deus nem neste monte, nem no templo suntuoso de Jerusalém, porque o Pai é Espírito e só em espírito deve ser adorado. Por isso, venho abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e o seu Criador!

Suave silêncio se fez entre ambos. Enquanto Jesus parecia sondar o invisível com o seu luminoso olhar, a samaritana meditava. * Daí a alguns instantes, acompanhados de grande número de populares, chegavam os discípulos, admirando-se todos de encontrarem o Messias em conversação íntima com uma mulher*. Nenhum deles, todavia, aventurou qualquer observação menos digna ou imprudente. Observando que o Messias se preparava para retirar-se em busca da aldeia mais próxima, a samaritana, eminentemente impressionada com as suas revelações, solicitou a presença de todos os seus familiares e vizinhos, a fim de que o conhecessem e lhe ouvissem a palavra. Tiago e André haviam trazido pão e algumas frutas e insistiam com Jesus para que se alimentasse. O Mestre, porém, aproveitou o instante para mais uma vez ensinar o caminho do Reino, com as suas palavras amigas, compondo parábolas singelas. Muita gente se aglomerara para ouvi-lo. Eram viajantes que demandavam regiões diferentes, a par de grande grupo de samaritanos de opiniões exaltadas. A enorme assembleia se pôs a caminho, mas o Messias continuou espalhando as suas promessas de esperança e de consolação.

Nesse ínterim, Filipe consultou os companheiros e, aproximando-se de Jesus, rogou-lhe carinhosamente: – Mestre, por favor, aceitai um pouco de pão! È indispensável cuidardes do sustento! Descansai e comei!… – Não te preocupes, Filipe – disse o Messias, com reconhecimento -, não tenho fome. Aliás, recebo um alimento que talvez os meus próprios discípulos ainda não puderam conhecer.

– Qual?  – atalhou o apóstolo, com interesse.

 – Antes de tudo, meu alimento é fazer a vontade daquele Pai misericordioso e justo que a este mundo me enviou, a fim de ensinar o seu amor e a sua verdade. Meu sustento é realizar a sua obra.

 – È verdade – observou o discípulo, olhando a multidão que os acompanhava -, vedes melhor os corações e não podemos perder esta oportunidade de divulgação da Boa Nova. Levaremos para Cafarnaum mais este triunfo, porque é incontestável que obtivestes aqui, entre os samaritanos, um dos nossos maiores êxitos!… Tiago e André ouviam, silenciosos, o diálogo. Às palavras entusiásticas do apóstolo, o Mestre sorriu e acrescentou: – Não é isso propriamente o que me interessa. O êxito mundano pode ser uma ondulação de superfície. O de que necessitamos, em todas as situações, é entender o que o Pai deseja de nós. Como todo o seu anelo é o do bem, eu trabalho, mas sem me prender ao anseio das vitórias imediatas. E, dirigindo o olhar para a turba compacta de seus seguidores, exclamou para os companheiros: –

Acaso poderemos admitir que já somos compreendidos?

Calemo-nos por alguns instantes, a fim de ouvirmos a opinião dos que nos seguem os passos. Fez-se silêncio entre ele e os três discípulos, de modo que podiam ouvir distintamente os diálogos travados entre os que os acompanhavam.

– Acreditas que seja este homem o Cristo prometido?

Perguntava um samaritano de boa figura aos seus amigos. – De minha parte, não aceito semelhante impostura. Este nazareno é um explorador da piedade popular. – É certo – concordava o interpelado -, mesmo porque, em sua terra, não chega a valer um denário. Pelos próprios parentes é tido como inimigo do trabalho e há quem duvide da sua preguiçosa cabeça. – É um louco de boa aparência – dizia uma mulher idosa para a filha -, pelo menos essa é a opinião que já ouvi de habitantes de Cafarnaum; entretanto, cá para mim, acredito seja um grande velhaco.

Por que se meteu com pescadores, quando alega ser tão sábio?

 Por que não se transfere para Jerusalém, ou mesmo para o Tiberíades?

Bem sabe a razão disso. Lá encontraria homens cultos que lhe confundiriam a presunção. Mais próximo de Jesus, um rapaz sentenciava em voz discreta: – Quando chegamos, foi ele achado sozinho com uma mulher.

 Que te parece esta circunstância?

– perguntava a um companheiro de caminhada. – Certamente desejava salvá-la a seu modo. . . – replicou com malicioso riso o inquirido. Num grupo vizinho, falava-se acaloradamente: – Este homem é um espertalhão orgulhoso – dizia, convicto, um velhote -, só faz milagres junto das grandes multidões, para que sintam virtudes sobrenaturais nas suas mágicas. – E não tem caridade – acrescentou outro -, pois ainda há pouco tempo, quando o procuraram em Cafarnaum para um sinal do céu, fugiu para o monte, sob o pretexto de fazer orações.

A noite começava a cair de todo. No alto já brilhavam as primeiras estrelas. Jesus sentou-se com os discípulos, à margem do caminho, para um momento de repouso. André, Tiago e Filipe estavam espantados com o que tinham visto e ouvido. Aparentemente o Mestre fora aureolado de imenso êxito; entretanto, verificaram a profunda incompreensão do povo. Foi então que Jesus, com a serenidade de todos os instantes, os esclareceu cheio da sua bondade imperturbável: – Não vos admireis da lição deste dia. Quando veio, o Batista procurou o deserto, nutrindo-se de mel selvagem. Os homens alegaram que em sua companhia estava o  espírito de Satanás. A mim, pelo motivo de participar das alegrias do Evangelho, chamam-me glutão e beberrão. Esta é a imagem do campo onde temos de operar. Por toda parte encontraremos samaritanos discutidores, atentos aos êxitos e referências do mundo. Observai a estrada para não cairdes, porque o discípulo do Evangelho não se pode preocupar senão com a vontade de Deus, com o seu trabalho sob as vistas do Pai e com a aprovação da sua consciência.

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Facilitador: Ademário da SilvaMestre Jesus...

Saudade e vida!

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Se a morte existe,

Porque a saudade insiste em permanecer no coração

Talvez seja uma contradição?!?

Cultivar amores, amizades e relações impermanentes,

Se o grande amor se ausenta e deixa uma tormenta de herança

Como deglutir essa pimenta que surge no meio da vida?

Não há saudade eterna se a esperança aguarda na cisterna

A hora de saciar a sede do reencontro

Sentir num abraço que transcende o escorrer da angustia, da espera,

Mesmo que a primavera não esvazie todos os perfumes

Clamo que o verão acenda todos os lumes

E a noite vestida de estrelas chame a lua cheia pra ceia espiritual

Pra iluminar o amor que ficou na retaguarda

Como semente de mostarda acreditando em si

A montanha talvez seja o tempo que lentamente se remove

Que me enruga a pele e põe tremores na voz e nas mãos e não se comove

Mas, não tira a emoção, a verdade e o amor do coração,

Quando a mamãe e o papai surgem em meus sonhos

Não há conjecturas ou alucinações…

É a mais pura poesia, rimas de alegria brotam dos olhares,

Crescem nos abraços, vertem nas lágrimas e nos suores.

São tantas almas na outra dimensão á provocar inspiração

Sementes de amor e de amizades, sementes de afinidades,

A vicejarem nos pomares da saudade, nos jardins de uma verdade,

A morte é uma ilusão dos sentidos

É onde eu não posso enxergar, não posso tocar…

Mas, posso sentir do meu filho o sorriso, sua presença,…

Nunca foi uma sentença do escuro, uma fantasia das sombras,  

Á desenhar fantasmas na imaginação

Suas emoções, seus sentimentos, seu momento, sua irradiação,

São os versos dessa minha oração

Saudades do Eduardo não é mais um fardo a pesar no destino

Meu menino é o ser tão vivo na minha intuição

Que emociona a lembrança, a poesia e a nossa saudade,

A verdade é que a morte não me engana por mais que ela seja insana

Ela não apaga a vida, mas vive brincando com a saudade,

Que talvez seja uma cicatriz na mente ou uma tatuagem no coração!

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Alô Eduardo, alô papai, alô mamãe e todos que viveram comigo e hoje são as rimas da minha saudade…

Almas amigas da minha poesia… Até um dia…

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Não apague a lua porque o poeta não dorme

Talvez a eternidade te informe que a saudade não é só poesia

Mas, a luz de todos os nossos dias,

É oração que exala no templo de todas as certezas

A imortalidade… Bendita sejas tu Saudade!

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Ademário da Silva

02 de novembro de 2017.saudades. nov.2017.

Assim que era… E continuará sendo… *&* O que era nem tinha E o que tinha já era Pensava a criatura Naquela savana severa Todo perfume da primavera Sensações reais e fugidias Aliás, o dia dormia na noite, Como se não tivesse mais nada pra fazer… E o que fazer se assim é que era Mudanças na espera, pura quimera, A lenda tecera guerreiras na fábula E a távola mais quadrada que a crença Que nada media virou sentença de agonia E o firmamento instigante que o horizonte tinha Se nos montes muita erva daninha crescia Berço e túmulo era o cúmulo da medida rasa Mas, e o ciúme qual chorume da secreção, Lágrimas do amor em desequilíbrio Depender da matéria é investir no nada… Valores transitórios e fugazes Tenazes da fantasia humana Leis imutáveis que desaguam na alma Espelhando necessidades infinitas, duradouras… Claro e escuro no tempero da luz Assim como luz e sombra acentuando curvas e fisionomias Eis que se faz necessário a alma enxergar suas qualidades Ser ou não ser é só a indecisão da filosofia Não precisa ser levada a sério E nem despencar de impropérios O veneno que cura não é afrodisíaco Pensava o homem recostado em sua alma É necessário calma e paciência A vida é mesmo uma ciência a ser desnudada O ar que respiramos infla pulmões, corações e palma, O espírito carece de outros crivos Poemas, canções, artes e livros, Ele voa nas asas das rimas e faz horizontes na criação Evolução é a equação de si mesmo nas pegadas de Deus Por isso é preciso estar sendo E sendo o que se é a cada decisão em que reencarna… Refletir, reconstruir e seguir… *&* Ademário da Silva 23 de outubro de 2017.