Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A saudade!

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Hoje eu sei que a saudade é uma poesia

Que mesmo sem versos encantos ou rimas

Porque traz no adverso à separação

Ela é  um tempo, um semblante ou um coração,

Que o poeta rabisca na sua insistência

Ciente de que o pretérito continua imperfeito

E o amor é o silêncio que emudece a razão

Segue a alma pisando nas pedras da teimosia

E a fé é a própria oração dessa agonia

Mero costume de subjuntivo

Amor de ontem que continua vivo

Saudade é um amor ausente

Que vive a conjugar o verso

No futuro do presente

São tantos sonhos misturados com crendices

Que diria o poeta em causa e desespero

Que o amor dessa saudade

É uma verdade que o coração somente

Acredita no que cultiva e no que pensa

A saudade é sombra da ausência!

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Ademário da Silva

21 de junho de 2015

 

Percepção!

Percepção! 

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Abre um sorriso pra falar da vida

Seque a tristeza como lágrima perdida

Deixe o coração viver por si na mais lúcida emoção

Reclamação não tem razão e nem terá sentido

O que fazes por ti é pérola na solidão

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É entre tu e Deus toda e qualquer solução

Toda e qualquer reza tem que ser como um diálogo

Se assim não for o seu prefácio não será vivido

Não,… Não chores, pois, errar faz parte do aprendizado.

Não se condene antes de ser julgado

Suave é o juízo, e uma pluma o seu próprio fardo.

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Olha o horizonte sempre se desenha livre

Ir e vir sempre será um direito comum

Não se detenha em qualquer deficiência

A alma tem ciências que precisas conquistar.

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Aquele Reino de lições repetidas sempre vai te chamar

Se brilhar em ti a paz, o amor, a consciência e a vida.

O impermanente ainda é uma ferida

Que a alma cura, cicatriza e vai embora.

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Por isso mesmo que a tristeza é uma teimosia

E a alegria pode balsamizar a dor

Não ponha âncora numa vida transitória

Que toda glória é a humildade quem decora

A luz é mesmo o primogênito da experiência

A mãe ciência pra sobreviver

É hora mesmo de outra lente de contato

Pois sobre os fatos a história não pode nem se desculpar

Tire a tua caneta da mão de mentes alheias

Põe cores cheias na sua poesia

Rime trabalho, qualidade e emoção,

Sendo cada verso a sua alegria e evolução!

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Ademário da Silva

16 de junho de 2017.

 

 

 

 

 

 

BOA NOVA Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS

Francisco Cândido Xavier

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 OS DISCÍPULOS

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Não tardou, porém, que ele compusesse o seu reduzido colégio de discípulos. Depois de uma das suas pregações do novo reino, chamou os doze companheiros que, desde então, seriam os intérpretes de suas ações e de seus ensinos. Eram eles os homens mais humildes e simples do lago de Genesaré. Pedro, André e Filipe eram filhos de Betsaida, de onde vinham igualmente Tiago e João, descendentes de Zebedeu. Levi, Tadeu e Tiago, filhos de Alfeu e sua esposa Cleofas, parenta de Maria, eram nazarenos e amavam a Jesus desde a infância, sendo muitas vezes chamados “os irmãos do Senhor”, à vista de suas profundas afinidades afetivas. Tomé descendia de um antigo pescador de DaImanuta e Bartolomeu nascera de uma família laboriosa de Canaã da Galileia. Simão, mais tarde denominado “o Zelote”, deixara a sua terra de Canaã para dedicar-se à pescaria, e somente um deles, Judas, destoava um pouco desse concerto, pois nascera em Iscariotes e se consagrara ao pequeno comércio em Cafarnaum, onde vendia peixes e quinquilharias.

O reduzido grupo de companheiros do Messias experimentou a princípio certas dificuldades para harmonizar-se.

Levi continuava nos seus trabalhos da coletoria local, enquanto Judas prosseguia nos seus pequenos negócios, embora se reunissem diariamente aos demais companheiros.

Iniciando-se, entretanto, o período de trabalhos ativos pela difusão da nova doutrina, o Mestre reuniu os doze em casa de Simão Pedro e lhes ministrou as primeiras instruções referentes ao grande apostolado.

Amados entrou Jesus a dizer-lhes, com mansidão extrema —, não tomareis o caminho largo por onde anda toda gente, levada pelos interesses fáceis e inferiores; buscareis a estrada escabrosa e estreita dos sacrifícios pelo bem de todos. Também não penetrareis nos centros de discussões estéreis, à moda dos samaritanos, nos das contendas que nada aproveitam às edificações do verdadeiro reino nos corações com sincero esforço.  Ide antes em busca das ovelhas perdidas da casa de nosso Pai que se encontram em aflição e voluntariamente desterradas de seu divino amor. Reuni convosco todos os que se encontram de coração angustiado e dizei-lhes, de minha parte, que é chegado o reino de Deus. Trabalhai em curar os enfermos, limpar os leprosos, ressuscitar os que estão mortos nas sombras do crime ou das desilusões ingratas do mundo, esclarecei todos os espíritos que se encontram em trevas, dando de graça o que de graça vos é concedido. Não exibais ouro ou prata em vossas vestimentas, porque o reino do céu reserva os mais belos tesouros para os simples. Não ajunteis o supérfluo em alforjes, túnicas ou alpercatas para o caminho, porque digno é o operário do seu sustento. Em qualquer cidade ou aldeia onde entrardes, buscai saber quem deseje aí os bens do céu, com sinceridade e devotamento a Deus, e reparti as bênçãos do Evangelho com os que sejam dignos, até que vos retireis. Quando penetrardes nalguma casa, saudai-a com amor. Se essa casa merecer as bênçãos de vossa dedicação, desça sobre ela a vossa paz; se, porém, não for digna, torne essa mesma paz aos vossos corações. Se ninguém vos receber, nem desejar ouvir as vossas instruções, retirai-vos sacudindo o pó de vossos pés, isto é, sem conservardes nenhum rancor e sem vos contaminardes da alheia iniquidade. Em verdade vos digo que dia virá em que menos rigor haverá para os grandes pecadores, do que para quantos procuram a Deus com os lábios da falsa crença, sem a sinceridade do coração, por essa razão que vos envio como ovelhas ao antro dos lobos, recomendando-vos a simplicidade das pombas e a prudência das serpentes. Acautelai-vos, pois, dos homens, nossos irmãos, porque sereis entregues aos seus tribunais e sereis açoitados nos seus templos suntuosos, de onde está exilada a ideia de Deus. Sereis conduzidos, como réus, à presença de governadores e reis, de tiranos e descrentes, a fim de testemunhardes a minha causa. Mas, nos dias dolorosos da humilhação, não vos dê cuidado como haveis de falar, porque minha palavra estará convosco e sereis inspirados, quanto ao que houverdes de dizer. Porque não somos nós que falamos; o espírito amoroso de Nosso Pai é que fala em todos nós. Nesses dias de sombra, em que se lutará no mundo por meu nome, o irmão entregará à morte o próprio irmão, o pai os filhos, espalhando-se nos caminhos o rastro sinistro dos lobos da iniquidade. Os que me seguirem serão desprezados e odiados por minha causa, mas aquele que perseverar, até o fim, será salvo. Quando, pois, fordes perseguidos numa cidade, transportai-vos para outra, porque em verdade vos afirmo que jamais estareis nos caminhos humanos sem que vos acompanhe o meu pensamento. Se tendes de sofrer, considerai que também eu vim à Terra para dar o testemunho e não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais que o seu senhor. Se o adversário da luz vai reunir contra mim as tentações e as zombarias, o ridículo e a crueldade, que não fará aos meus discípulos?  Todavia, sabeis que acima de tudo está o Nosso Pai e que, portanto, é preciso não temer, pois um dia toda a verdade será revelada e todo o bem triunfará. O que vos ensino em particular, difundi-o publicamente; porque o que agora escutais aos ouvidos será o objeto de vossas pregações de cima dos telhados. Trabalhai pelo reino de Deus e não temais os que matam o corpo, mas não podem aniquilar a alma; temei antes os sentimentos malignos que mergulham o corpo e a alma no inferno da consciência. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? Entretanto, nenhum deles cai dos seus ninhos sem a vontade do nosso Pai. Até mesmo os cabelos de nossas cabeças estão contados. Não temais, pois, porque um homem vale mais que muitos passarinhos. Empregai-vos no amor do Evangelho e qualquer de vós que me confessar, diante dos homens, eu o confessarei igualmente diante de meu Pai que está nos céus.

Foi quando Judas Iscariotes, como que despertando, antes de todos os companheiros, daquelas profundas emoções de encantamento, se adiantou para o Messias, declarando em termos respeitosos e resolutos: Senhor, os vossos planos são justos e preciosos; entretanto, é razoável considerarmos que nada poderemos edificar sem a contribuição de algum dinheiro. Jesus contemplou-o serenamente e redarguiu: Será que Deus precisou das riquezas precárias para Construir as belezas do mundo? Em mãos que saibam dominá-lo, o dinheiro é um instrumento útil, mas nunca será tudo, porque, acima dos tesouros perecíveis, está o amor com os seus infinitos recursos. Em meio da surpresa geral, Jesus, depois de uma pausa, Continuou: No entanto, Judas, embora eu não tenha qualquer moeda do mundo, não posso desprezar o primeiro alvitre dos que contribuirão comigo para a edificação do reino de meu Pai no espírito das criaturas. Põe em prática a tua lembrança, mas tem cuidado com a tentação das posses materiais. Organiza a tua bolsa de cooperação e guarda-a contigo; nunca, porém, procures o que ultrapasse o necessário. Ali mesmo, pretextando a necessidade de incentivar os movimentos iniciais da grande causa, o filho de Iscariotes fez a primeira coleta entre os discípulos. Todas as Possibilidades eram mínimas, mas alguns pobres denários foram recolhidos com interesse. O Mestre observava a execução daquela primeira providência, com um sorriso cheio de apreensões, enquanto Judas guardava cuidadosamente o fruto modesto de sua lembrança material. Em seguida, apresentando a Jesus a bolsa minúscula, que se perdia nas dobras de sua túnica, exclamou, satisfeito: Senhor, a bolsa é pequenina, mas constitui o primeiro passo para que se possa realizar alguma coisa… Jesus fitou-o serenamente e retrucou em tom profético: Sim, Judas, a bolsa é pequenina; contudo, permita Deus que nunca sucumbas ao seu peso!

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São Paulo, 15 de junho de 2017.

Ademário da Silva.

Minha amiga Débora!

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Jesus, nosso amigo maior, há um bocado de tempo nos ensinou que “o espírito sopra onde quer”, e o que quer dizer isso?

Que temos em nós duas forças básicas que nos sustentam e direcionam a vida conforme nossas tendências e ideais…

O pensamento é a própria essência de ser de cada um de nós, que expressa-nos a alma, o caráter, as tendências, sentimentos, jeitos e trejeitos do jeito que a gente quer e sabe, consciente e inconscientemente.

Os nossos sonhos nada mais são do que a expressão da alma em suas viagens astrais, ou seja, a condição humana, a mescla entre o humano e o espiritual e a mais aprimorada que é totalmente espiritual, aquele tipo de sonho que amanhecemos num estado inexplicável de euforia, de gratidão ou de pressentimentos, se, no entanto decifrar a equação do ocorrido.

Na primeira versão onírica ficamos no absurdo das confusões psicológicas oriundas das preocupações materiais; a segunda nos mostra paisagens e pessoas, conversas e sentimentos incomuns ao nosso dia a dia, mas também nos provocam emoções e sensações mais sutis, daquelas que encontramos com entes queridos que já desapareceram de nossas vistas humanas, mas que o instinto imortal e eterno nos diz que estão em algum lugar, que por motivos humanos muito de nós não sabemos definir, mas ao senti-las guardamos no íntimo a felicidade de ser um espírito em tramitações terrenas, cursando um aprendizado de vida, segundo o que nos ensinou Jesus: “Aquele que não nascer de novo, não verá o Reino dos Céus”; foi quando o Nicodemos perguntou Mestre, tenho eu que voltar ao ventre de minha mãe para alcançar esse glorioso desiderato, ao que o Meigo Rabi respondeu questionando, tu que és doutor de leis desconheces essas coisas que muito importam a alma?

Pergunta cuja resposta mora na interrogação!  Essa é a terceira opção, que nos remete ao tottum de nossa condição espiritual, e tudo que nela vemos ou ouvimos não pertence ao mundo terreno, por isso só guardamos impressões e sensações indefiníveis desse tipo de sonho. É uma questão de bom mais do que de fé, até porque a fé enquanto aura espiritual passava pelo parto Crístico naquele momento, porque antes era exp0ectativas e esperanças nas palavras dos profetas, entre eles João Batista.

Jesus “inaugura” por assim dizer, o mundo espiritual e no caso dele o celeste, quando diz ao Tomé, não me toques porque ainda não fui ao Pai. E o pensamento é a ferramenta que o Pai nos outorga para que avancemos neste aprendizado humano para na verdade enriquecermos a alma, posto que tudo que aqui adquirimos de moldura e solidez material, aqui abandonamos quando também vamos ao Pai, ou seja, á vida espiritual. Enquanto essa hora não chega vamos utilizando essa ferramenta em benefício próprio, pois que ‘cada consciência evolui por si’, se auto inseminando a luz que emana de Deus e que nos chega através de Jesus.

E nós enquanto sensitivos existenciais, fazemos do Espiritismo e do Catolicismo as vias de captação de influências, inspirações e até intuições, e onde as verdades se encontram, se mostram compatíveis, descobrimos nossas afinidades, então o “Amar ao próximo como a si mesmo”, revela-nos o caráter e a essência da nossa amizade.

Valendo, portanto a assertiva do Cristo sobre o pensamento do espírito soprando aonde quer, que hoje recebe a ajuda da tecnologia utilizada para o bem e bem utilizada permite-nos o reencontro na versão amor fraterno à distância.

No seio da poesia do ser!

Versos silentes da vida!

No seio do poema,… Uma alma, uma palavra e uma brasa,

Na palma de um verso,… Um sorriso abrigo da força.

Na palavra que rima,… A vida, semente, flor e raiz…

Na vida que ensina,… Um cortejo.

Na boca que canta… Pragas, rezas e beijos.

Na mão que recria o destino… Atitudes, dores e solfejos,

No sonho da alma… Um canto, o éter como se fora um acalanto,

Na inocência do sonho… A fantasia e a ilusão qual um estribilho,

Estrela cadente… Andarilho.

Cicatrizes e espinhos… Um manto. 

Na imagem que cria a rima,… Um sentido.

No sentido da rima,… Um vestido.

No vestido da vida,… Uma mulher.

Na mulher da vida,… Um destino.

Na vida da mulher,… Um menino.

Jesus sacrifício,… Um Cristo de Luz…

Beijos no teu coração!

Do amigo Ademário da Silva

São Paulo, 10 de agosto de 2017.

 Débora Siqueira mora em Passa Quatro, mas já morou na Itanhandu mineira…

 

 

O pirilampo e a lamparina!

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Luzes estranhas entre si

A lamparina e o pirilampo

Trocavam versos embevecidos

Um era luz em movimento

E o outro o sofrimento incendiado

E o pirilampo então cansado

Do acende e apaga dessa vida

Pousou na saia dessa noite

A tagarelar com a lamparina

Uma menina iluminada

Com sua luz então parada

Trocando versos faiscantes

Como sonhos de artifícios

Era mesmo um sacrifício

Luzes pela natureza diferenciadas

Evitavam a proximidade

Mas, mesmo assim traziam os olhos ardentes

Pois que a lamparina de hálito quente

Mesmo contra a própria vontade

Punha então distante o pirilampo adolescente

Que como todo ser vivo

Tinha o instinto atuante

E entre o amor e uma tal mortalha

O pirilampo deu adeus

A labareda encantada que nunca falha

E as faíscas que o valha

Pôs–se a caminho da floresta

Desencantado e cabisbaixo

Olhando estrelas de soslaio

Que sorriam do estranho encontro encanto

Cantando ao pisca-pisca silencioso refrão

Pirilampo assanhado

Corre o risco de ser beijado

E morrer de amor assado!

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Rimas infantis…

Ademário da Silva

10 de junho de 2017

 

4 A FAMILIA ZEBEDEU

Na manhã que se seguiu à primeira manifestação da sua palavra defronte do Tiberíades, o Mestre se aproximou de dois jovens que pescavam nas margens e os convocou para o seu apostolado. Filhos de Zebedeu, disse bondoso —, desejais participar das alegrias da Boa Nova? Tiago e João, que já conheciam as pregações do Batista e que o tinham ouvido na véspera, tomados de emoção se lançaram para ele, transbordantes de alegria: Mestre! Mestre! Exclamavam felizes. Como se fossem irmãos bem-amados que se encontrassem depois de longa ausência, tocados pela força do amor que se irradiava do Cristo, fonte inspiradora das mais profundas dedicações, falaram largamente da ventura de sua união perene, no futuro, das esperanças com que deveriam avançar para o porvir, proclamando as belezas do esforço pelo Evangelho do Reino. Os dois rapazes galileus eram de temperamento apaixonado. Profundamente generosos, tinham carinhosas e simples, ardentes e sinceras as almas. João tomou das mãos do Senhor e beijou-as afetuosamente, enquanto Jesus lhe acariciava os anéis macios dos cabelos. Tiago, como se quisesse hipotecar a sua solidariedade inteira, aproximou-se do Messias e lhe colocou a destra sobre os ombros, em amoroso transporte. Os dois novos apóstolos, entretanto, eram ainda muito jovens e, em regressando a casa, com o espírito arrebatado por imensa alegria, relataram a sua mãe o que se passara. Salomé, a esposa de Zebedeu, apesar de bondosa e sensível, recebeu a notícia com certo cuidado. Também ela ouvira o profeta de Nazaré nas suas gloriosas afirmativas da véspera. Pôs-se então a ponderar consigo mesma: não estaria próximo aquele reino prometido por Jesus? Quem sabe se o filho de Maria não falava na cidade em nome de algum príncipe? Ah! O Cristo deveria ser o intérprete de algum desconhecido ilustre que recrutava adeptos entre os homens trabalhadores e mais fortes. A quem seriam confiados os postos mais altos, dentro da nova fundação? Seus filhos queridos bem os mereciam. Precisava agir, enquanto era tempo. O povo, de há muito, falava em revolução contra os romanos e os comentadores mais indiscretos anteviam a queda próxima dos Antipas. O novo reinado estava próximo e, alucinada pelos sonhos maternais, Salomé procurou o Messias no círculo dos seus primeiros discípulos. Senhor, disse atenciosa —, logo após a instituição do teu reino, eu desejaria que os meus filhos se sentassem um à tua direita e outro à tua esquerda, como as duas figuras mais nobres do teu trono. Jesus sorriu e obtemperou com gesto bondoso: Antes de tudo, é preciso saber se eles quererão beber do meu cálice!… A genitora dos dois jovens embaraçou-se. Além disso, o grupo que rodeava o Messias a observava com indiscrição e manifesta curiosidade. Reconhecendo que o instante não lhe permitia mais amplas explicações, retirou-se apressada, colocando o seu velho esposo ao corrente dos fatos. * Ao entardecer, cessado o labor do dia, Zebedeu acompanhado pelos dois filhos procurou o Mestre em casa de Simão. Jesus lhes recebeu a visita com extremo carinho, enquanto o velho galileu expunha as suas razões, humilde e respeitoso. Zebedeu respondeu-lhe Jesus —, tu, que conheces a lei e lhe guardas os preceitos no coração, sabes de algum profeta de Deus que, no seu tempo, fosse amado pelos homens do mundo? Não, Senhor. Que fizeram de Moisés, de Jeremias, de Jonas? Todos os emissários da verdade divina foram maltratados e trucidados, ou banidos do berço em que nasceram. Na Terra, o preço do amor e da verdade tem sido o martírio e a morte. O pai de Tiago e de João ouvia-o humilde e repetia: Sim, Senhor. E Jesus, como se aproveitasse o momento para esclarecer todos os pontos em dúvida, continuou: O reino de Deus tem de ser fundado no coração das criaturas; o trabalho árduo é o meu gozo; o sofrimento o meu cálice; , mas, o meu Espírito se ilumina da sagrada certeza da vitória. Então, Senhor exclamou Zebedeu, respeitoso —, o vosso reino é o da paz e da resignação que os crentes de Elias esperavam! Jesus com um sorriso de benignidade acrescentou:

32 A paz da consciência pura e a resignação suprema à vontade de meu Pai são do meu reino; mas os homens costumam falar de uma paz que é ociosidade de espírito e de uma resignação que é vício do sentimento. Trago comigo as armas para que o homem combata os inimigos que lhe subjugam o coração e não descansarei enquanto não tocarmos o porto da vitória. Eis por que o meu cálice, agora, tem de transbordar de fel, que são os esforços ingentes que a obra reclama. E, como se quisesse pormenorizar os esclarecimentos, prosseguiu: Há homens poderosos no mundo que morrem comodamente em seus palácios, sem nenhuma paz no coração, transpondo em desespero e com a noite na consciência os umbrais da eternidade; há lutadores que morrem na batalha de todos os momentos, muita vez vencidos e humilhados, guardando, porém, completa serenidade de espírito, porque, em todo o bom combate, repousaram o pensamento no seio amoroso de Deus. Outros há que aplaudem o mal, numa falsa atitude de tolerância, para lhe sofrer amanhã os efeitos destruidores. Os verdadeiros discípulos das verdades do céu, esses não aprovam o erro, nem exterminam os que os sustentam. Trabalham pelo bem, porque sabem que Deus também está trabalhando. O Pai não tolera o mal e o combate, por muito amar a seus filhos. Vê, pois, Zebedeu, que o nosso reino é de trabalho perseverante pelo bem real da Humanidade inteira. Enquanto os dois apóstolos fitavam em Jesus os olhos calmos e venturosos, Zebedeu o contemplava como se tivesse à sua frente o maior profeta do seu povo. Grande reino! Exclamou o velho pescador e, dando expansão ao entusiasmo que lhe enchia o coração, disse, ditoso: Senhor! Senhor! Trabalharemos convosco, pregaremos o vosso Evangelho, aumentaremos o número dos vossos seguidores!… Ouvindo estas últimas palavras, o Mestre elucidou, pondo ênfase nas suas expressões: Ouve Zebedeu! Nossa causa não é a do número; é a da verdade e do bem. É certo que ela será um dia a causa do mundo inteiro, mas, até lá, precisamos esmagar a serpente do mal sob os nossos pés. Por enquanto, o número pertence aos movimentos da iniquidade. A mentira e a tirania exigem exércitos e monarcas, espadas e riquezas imensas para dominarem as criaturas. O amor, porém, essência de toda a glória e de toda a vida, pede um coração e sabe ser feliz. A impostura reclama interminável fileira de defensores, para espalhar a destruição; basta, no entanto, um homem bom para ensinar a verdade de Deus e exaltar-lhe as glórias eternas, confortando a infinita legião de seus filhos. Quem será maior perante Deus? A multidão que se congrega para entronizar a tirania, esmagando os pequeninos, ou um homem sozinho e bem -intencionado que com um simples sinal salva uma barca cheia de pescadores? Empolgado pela sabedoria daquelas considerações, Zebedeu perguntou: Senhor, então o Evangelho não será bom para todos? Em verdade replicou o Mestre —, a mensagem da Boa Nova é excelente para todos; contudo, nem todos os homens são ainda bons e justos para com ela. É por isso que o Evangelho traz consigo o fermento da renovação e é ainda por isso que deixarei o júbilo e a energia como as melhores armas aos meus discípulos. Exterminando o mal e cultivando o bem, a Terra será para nós um glorioso campo de batalha. Se um companheiro cair na luta, foi o mal que tombou, nunca o irmão que, para nós  outros, estará sempre de pé. Não repousaremos até ao dia da vitória final. Não nos deteremos numa falsa contemplação de Deus, à margem do caminho, porque o Pai nos falará através de todas as criaturas trazidas à boa estrada; estaremos juntos na tempestade, porque aí a sua voz se manifesta com mais retumbância. Alegrar-nos-emos nos instantes transitórios da dor e da derrota, porque aí o seu coração amoroso nos dirá: “Vem, filho meu, estou nos teus sofrimentos com a luz dos meus ensinos! Combateremos os deuses dos triunfos fáceis, porque sabemos que a obra do mundo pertence a Deus, compreendendo que a sua sabedoria nos convoca para completá-la, edificando o seu reino de venturas sem-fim no íntimo dos corações. Jesus guardou silêncio por instantes. João e Tiago se lhe aproximaram, magnetizados pelo seu olhar enérgico e carinhoso. Zebedeu, como se não pudesse resistir à própria emotividade, fechara os olhos, com o peito oprimido de júbilo. Diante de si, num vasto futuro espiritual, via o reino de Jesus desdobrar-se ao infinito. Parecia ouvir a voz de Abraão e o eco grandioso de sua posteridade numerosa. Todos abençoavam o Mestre num hino glorificador. Até ali, seu velho coração conhecera a lei rígida e temera Jeová com a sua voz de trovão sobre as sarças de fogo; Jesus lhe revelara o Pai carinhoso e amigo de seus filhos, que acolhe os velhos, os humildes e os derrotados da sorte, com uma expressão de bondade sempre nova. O velho pescador de Cafarnaum soltou as lágrimas que lhe rebentavam do peito e ajoelhou-se. Adiantando-se-lhe, Jesus exclamou: Levanta-te, Zebedeu! os filhos de Deus vivem de pé para o bom combate! Avançando, então, dentro da pequena sala, o pai dos apóstolos tomou a destra do Mestre e a umedeceu com as suas lágrimas de felicidade e de reconhecimento murmurando: Senhor, meus filhos são vossos. Jesus, atraindo-o docemente ao coração, lhe afagou os cabelos brancos, dizendo: Chora, Zebedeu! porque as tuas lágrimas de hoje o formosas e benditas!.. . Temias a Deus; agora o amas; estavas perdido nos raciocínios humanos sobre a lei; agora , tens no coração a fonte da fé viva!

Humberto de Campos /\ = Francisco Cândido Xavier

Mestre JESUS E O PRECURSOR /\ 19

BOA NOVA Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS Francisco Cândido Xavier *

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Após a famosa apresentação de Jesus aos doutores do Templo de Jerusalém, Maria e

Isabel na casinha pobre de Nazaré, as duas primas entraram a falar de ambas as crianças, cujos nascimentos fora antecipado por acontecimentos singulares e cercado de estranhas circunstâncias.

O que me espanta dizia Isabel com caricioso sorriso é o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da sua pouca idade. Não raro, procuro-o inutilmente em casa, para encontrá-lo, quase sempre, entre as figueiras bravas, ou caminhando ao longo das estradas adustas, como se a pequena fronte estivesse dominada por graves pensamentos. Essas crianças, a meu ver respondeu-lhe Maria, intensificando o brilho suave de seus olhos —, trazem para a Humanidade a luz divina de um caminho novo. 20 Meu filho também é assim, envolvendo-me o coração numa atmosfera de incessantes cuidados. Por vezes, vou encontrá-lo a sós, junto das águas, e, de outras, em conversação profunda com os viajantes que demandam a Samaria ou as aldeias mais distantes, nas adjacências do lago. Quase sempre, surpreendo-lhe a palavra caridosa que dirige às lavadeiras, aos transeuntes, aos mendigos sofredores… Fala de sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca encontrei nas observações dos nossos doutores e, constantemente, ando a cismar, em relação ao seu destino.

Maria continuou: Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações costumeiras, e a facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos da pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel.

De regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus receios… Conversei com José…

Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu! Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida…

Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor. No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio concluiu a palavra materna com singeleza

* Nazaré, com a sua paisagem, das mais belas de toda a Galileia, é talvez o mais formoso recanto da Palestina. Suas ruas humildes e pedregosas, suas casas pequeninas, suas lojas singulares se agrupam numa ampla concavidade em cima das montanhas, ao norte do Esdrelon.

Ante seus olhos surgiam as montanhas de Samaria, o cume de Magedo, as eminências de Gelboé, a figura esbelta do Tabor, onde, mais tarde, ficaria inesquecível o instante da Transfiguração, o vale do rio sagrado do Cristianismo

Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira combinação entre o amor e a verdade, para a conquista do mundo.

Maria continuou: Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações costumeiras, e a facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos da pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel.

de regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus receios… Conversei com José…

Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu! Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida…

Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor. No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio concluiu a palavra materna com singeleza

* Nazaré, com a sua paisagem, das mais belas de toda a Galileia, é talvez o mais formoso recanto da Palestina. Suas ruas humildes e pedregosas, suas casas pequeninas, suas lojas singulares se agrupam numa ampla concavidade em cima das montanhas, ao norte do Esdrelon.

Ante seus olhos surgiam as montanhas de Samaria, o cume de Magedo, as eminências de Gelboé, a figura esbelta do Tabor, onde, mais tarde, ficaria inesquecível o instante da Transfiguração, o vale do rio sagrado do Cristianismo

Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira combinação entre o amor e a verdade, para a conquista do mundo.

Ao que o pequeno carpinteiro de Nazaré respondeu, profeticamente, com inflexão de profunda bondade: “João partirá primeiro.

João, de fato, partiu primeiro, a fim de executar as operações iniciais para grandiosa conquista. Vestido de peles e alimentando-se de mel selvagem, esclarecendo com energia e deixando-se degolar em testemunho à Verdade, ele precedeu a lição da misericórdia e da bondade

João Batista um dos mais belos de todos os símbolos imortais do Cristianismo. Salomé representa a futilidade do mundo, Herodes e sua mulher o convencionalismo político e o interesse particular. João era a verdade, e a verdade, na sua tarefa de aperfeiçoamento, dilacera e magoa, deixando-se levar aos sacrifícios extremos.

João Batista foi a voz clamante do deserto. Operário da primeira hora, é ele o símbolo rude da verdade que arranca as mais fortes raízes do mundo, para que o reino de Deus prevaleça nos corações.

Foi por essa razão que dele disse Jesus: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior de todos.

Assinado: Jesus, o Cristo nosso Mestre de Luz.

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Ademário da Silva

02 de junho de 2017