Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A perfeição dos sentidos imortais: o Perispírito!!!

REVISTA ESPIRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS- 1866

COLETÂNEA FRANCESA

CONTENDO

Os fatos de manifestação dos Espíritos, assim como todas as notícias relativas ao Espiritismo. – O ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do mundo invisível, sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e seu futuro. – A história do Espiritismo na antigüidade; suas relações com o magnetismo e o sonambulismo; a explicação das lendas e crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc.

PUBLICADA SOB A DIREÇÃO

DE ALLAN KARDEC

Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.

O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito

NONO ANO. – 1866

INSTITUTO DE DIFUSÃO ESPIRITA

CABELOS EMBRANQUECIDOS SOB A IMPRESSÃO DE UM SONHO.

Lê-se no Petit Journal de 14 de maio de 1866: O Sr. Émile Gaboriau, comentando o fato atribuído a esse marido que teria assassinado a sua mulher sonhando, conta no Pays o dramático episódio que se vai ler:

***

“Mas eis que é mais forte, e devo dizer que dou fé a esse fato cuja autenticidade me foi afirmada sob juramento pelos heróis em pessoa.

***

“Esse herói, meu colega de colégio, é um engenheiro de uns trinta anos, homem de espírito e de talento, de um caráter metódico, de um temperamento frio.

“Como ele percorria a Bretânia há dois anos, encontrou-se de passar uma noite numa estalagem isolada, a algumas centenas de metros de uma mina que se propunha visitar no dia seguinte. “Ele estava cansado; colocou-se no leito e não tardou a dormir.

***

“Logo sonhou. Vinha de colocar-se à frente da exploração dessa mina vizinha.

“Ele vigiava os obreiros, quando chegou o proprietário. “Esse homem, brutal e mal educado, censurou-o de permanecer fora, os braços cruzados, enquanto que deveria estar no interior, ocupado em traçar o plano.

“- Está bem! eu desço, respondeu o jovem engenheiro. “Ele desceu, com efeito, percorreu as galerias e delas levou um esboço.

“Essa tarefa terminada, se colocou no cesto que deveria reconduzi-lo à luz. Um cabo enorme servia para erguer essa cesta.

“Sendo a mina extraordinariamente profunda, o engenheiro calculou que a ascensão duraria bem um quarto de hora, assim se instalou o mais comodamente que pôde.

“Subia já há dois ou três minutos quando, levantando seus olhos por acaso, acreditou ver que o cabo ao qual se encontrava suspensa sua vida, estava cortado a alguns pés acima de sua cabeça, muito alto para que pudesse alcançar a ruptura.

“Primeiramente seu medo foi tal que esteve prestes a desmaiar. Depois tentou restabelecer-se, tranqüilizar-se. Não se enganara, não tinha visto mal? Teve necessidade de fazer um enérgico apelo a toda a sua coragem para ver de novo.

“Não, não tinha se enganado. O cabo tinha  sido dilacerado por alguma lasca de rocha, e, lentamente, mas visivelmente, se destorcia. Não estava nesse lugar mais grosso do que o dedo polegar.

“O infortunado se sentiu perdido. Um frio mortal gelou-o até a medula. Quis gritar, impossível. Aliás, para quê? estava agora roto pela metade.

“No fundo, numa profundidade vertiginosa, percebia, menos brilhantes  do  que vagalumes na grama, as lâmpadas dos operários.

“No alto, a abertura do poço lhe aparecia tão estreitada que parecia não ter o diâmetro do gargalo de uma garrafa.

“Ele subia sempre, e um a um os fios de cânhamo estalavam.

“E nenhum meio de evitar a queda horrível, porque, ele o via, o sentia bem, o cabo estaria rompido bem antes que o cesto tivesse alcançado o alto.

“Tal era a sua angústia mortal, que teve a idéia de abreviar o suplício em se precipitando.

“Ele hesitava, quando o cesto chegou à flor do solo. Estava salvo. Foi dando um grito formidável que saltou a terra.

“Esse grito despertou-o. A horrível aventura não era senão um sonho. Mas ele estava num estado horrível, banhado de suor, respirando com dificuldade, incapaz do menor movimento.

“Enfim, pôde soar a campainha e vieram em seu socorro. Mas as pessoas da estalagem quase se recusavam a reconhecê-lo. Seus cabelos negros tinham se tornado grisalhos.

“Ao pé de sua cama se encontrava, esboçado por ele, o plano dessa mina que não conhecia. Esse plano estava maravilhosamente exato.”

***

Não temos outra garantia de autenticidade desse fato senão o relato acima; sem nada prejulgar a esse respeito, diremos que tudo o que relata está nas coisas possíveis. O plano da mina, traçado pelo engenheiro durante seu sono, não é mais surpreendente do que os trabalhos que certos sonâmbulos executam.

Para fazê-lo exato, deve ter visto; uma vez que não pôde ver pelos olhos do corpo, viu pelos da alma; durante seu sono, seu Espírito explorou a mina: o plano disto é a prova material, quanto ao perigo, é evidente que ele nada teve de real; não foi, pois, senão um pesadelo.

O que é mais singular, é que, sob a impressão de um perigo imaginário, seus cabelos tenham podido embranquecer.

Esse fenômeno se explica pelos laços fluídicos que transmitem ao corpo as impressões da alma, quando dela está longe.

A  alma  não  se  dava  conta  dessa separação; seu corpo perispiritual lhe fazia o efeito de seu corpo  material, assim como ocorre, freqüentemente, após a morte em certos Espíritos  que se crêem ainda vivos, e pensam dedicar-se às suas ocupações habituais.

***

O Espírito do engenheiro, embora vivo, se encontrava numa ocupação análoga; tudo era tão real em seu pensamento quanto se tivesse seu corpo de carne e de osso. Daí o sentimento de pavor que sentiu em se vendo prestes a ser precipitado no abismo.

De onde veio essa imagem fantástica? Ele mesmo criou, pelo seu pensamento, um quadro fluídico, uma cena da qual era o autor, exatamente como a senhora Cantianille e a irmã Elmérich das quais falamos, no número precedente, p. 240.

A diferença provém da natureza das preocupações habituais.

O engenheiro pensava, naturalmente, nas minas, ao passo que a senhora Cantianille, em seu convento, pensava no inferno. Sem dúvida, ela se acreditava em estado de pecado mortal por alguma infração à regra confiada à instigação dos demônios; ela disto exagerava as conseqüências, e já se via em seu poder, estas palavras: “Não tenho senão muito bem conseguido merecer a sua confiança,” prova que sua consciência não  estava tranqüila. De resto,  a descrição que ela faz do inferno tem alguma coisa de sedutora para certas pessoas, uma vez que, quem consente em blasfemar contra Deus, em louvar o diabo, e que tem coragem de desafiar o medo das chamas, disso são recompensadas pelo gozos inteiramente mundanos. Pode-se notar, nesse quadro, um reflexo das provas maçônicas, que, sem dúvida, se lhe tinha mostrado como o vestíbulo do inferno. Quanto à irmã Elmérich, suas preocupações são mais doces; ela se comprazia na beatitude e na veneração das coisas santas; também suas visões disto são a reprodução.

Na visão do engenheiro, há duas partes distintas: uma real e positiva, constatada pela exatidão do plano da mina; a outra puramente fantástica: a do perigo que correu. Esse é talvez o efeito da lembrança de um  acidente real dessa natureza, do qual teria sido vítima em sua precedente existência. Pôde ser provocado como advertência de ter que tomar as precauções desejadas. Estando encarregado da direção da mina, depois de um semelhante alerta, ele não negligenciará as medidas de prudência.

Eis um exemplo da impressão que se pode conservar das sensações experimentadas numa outra existência.

Não sabemos se já o citamos em alguma parte; não tendo o tempo de pesquisá-lo, o lembramos, com o risco de fazer uma repetição, porque vem em apoio do que acabamos de dizer.

Uma senhora de nosso conhecimento pessoal, havia sido aluna num pensionato de Rouen. Quando os alunos saíam para ir seja à igreja, seja a passeio, em um certo lugar da rua ela era presa de uma emoção e de  uma apreensão extraordinárias; parecia-lhe que iria ser precipitada num abismo; e isto se renovava cada vez que ela passava nesse lugar, e todo o tempo que ela fosse nessa pensão. Tinha deixado Rouen há mais de vinte anos, e ali tendo retornado há poucos anos, teve a curiosidade de ir rever a casa que tinha morado, e passando pela mesma rua, sentiu a mesma sensação. Mais tarde, essa senhora tendo se tornado Espírita, esse fato lhe retornando à memória, dele pediu a explicação, e lhe foi respondido que, outrora, • nesse lugar, se encontravam muralhas com profundas fossas cheias de água; que ela fazia parte de um grupo de mulheres que concorreram para a defesa da cidade contra os Ingleses, e que todas foram precipitadas nessas fossas onde pereceram. Este fato está narrado na história de Rouen.

Assim, depois de vários séculos, a terrível impressão desta catástrofe não tinha se apagado ainda de seu Espírito. Se ela não  tinha mais o mesmo corpo carnal, tinha sempre o mesmo corpo fluídico, ou perispiritual, que tinha recebido a primeira impressão, e  reagido  sobre  seu  corpo  atual.  Um  sonho  teria,  pois,  podido  disso  retraçar-lhe  a imagem, e produzir uma emoção semelhante à do engenheiro.

Quantas coisas nos explicam o grande princípio da perpetuidade do Espírito, e do laço que une o Espírito à matéria!

Jamais, talvez, os jornais, em negando o Espiritismo, não narraram tantos fatos em apoio das verdades que ele proclama.

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Comentários:

“Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos e a extensão da visão e das idéias”; (LAMENNAIS.)

Estudar é descobrir…

“O perispírito é a perfeição dos sentidos e a extensão da visão e das idéias”

E poderemos acrescentar á essa definição de Lamennais, que ele o perispírito é também a extensão dos pensamentos e dos sentimentos…

Mergulhados na matéria pelas vias da reencarnação somos guiados pelas leis naturais ao vértice do esquecimento transitório afim de que nos esqueçamos de nós mesmos e de nosso passado e todas as suas conseqüências e implicações.

Na vida errátil ou de seres humanos desencarnados, a relação do espírito com a matéria quintessenciada, se dá por todos os seus “poros” de percepção, através de todo seu ser:

O perispírito é a idéia Divina para sustentar a imortalidade em todas suas conseqüências e implicações…

***

Ademário da Silva /*/*/*/*/* 21/04/2010

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