Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Arquivo para a categoria ‘Pensamentos’

Graças ao Criador!

Gratidão

*&*

Na sintonia de um sabiá felicidade é,

Um verso de caramanchão

A luz do sol que acaricia flores é a

Energia da renovação

Gotas de chuva que despencam de mansinho

São os carinhos da germinação

Cheiro de rosas e maracujás

São oferendas do Supremo Criador

Lobo que uiva e as tartarugas

Cães e coelhos, e o suricato preparado para a fuga.

A natureza é mãe da vida

Mulher estrela sempre aguerrida

O firmamento e os oceanos, os horizontes,

Diversos planos

A liberdade é uma avenida

A humildade é poesia

Homem e Mulher se amando a luz do dia

O amor da vida e também da paz,

Toda alegria sempre será bem vinda!

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Ademário da Silva

20 de abril de 2018. Gratíssimo!

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Frente a frente consigo.

Enfrentamento!

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A chuva molhando as ideias

A ceia esfriando na mesa

Os pés calejados de chão

E o pão construído de areia

A meia que perdeu um quarto

E o pé que perdeu o caminho

A velhice é mesmo um desalinho

Num mundo que não respeita a experiência e o saber

O ontem tá sempre querendo amanhecer

O amanhã na boca da noite tem parto fórceps

O sol observa de longe o nervosismo da tempestade

Raios chicoteiam mudanças

Tranças adolescentes sentadas na soleira

O sonho inscrito no olhar e o mar marulhando mistérios

Os corações preferindo o ócio

E o próximo é o ser mais distante de mim

A religião não equaciona as interrogações

Promessas e indulgências secas emoções

O dom é a dádiva e o milagre

Mesmo que não entendas a vida

O Criador mora na oração

Por mais que consagres a ilusão

A impermanência é dotada de reticências

A ciência de estar é a humildade de ser

O para sempre é preciso consagrar

Fora da curva das etiquetas

Enfrente á si mesmo

O rumo da evolução

É o tesouro á ser encontrado

Na confluência entre o coração e a consciência

Enfrente de mente aberta

Conserte os estragos da sombra e da inércia

A festa da consagração é a simplicidade.

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Ademário da Silva

20 de abril de 2018.

 Enfrentamento!

Renovar é a palavra de ordem eterna…

O Espiritismo pergunta

Cap. I – Não Vim destruir a Lei.

 Item 9: A Nova Era

 

Meu irmão, não te permitas impressionar apenas com as alterações que convulsionam hoje todas as frentes de trabalho e descobrimentos na Terra.

Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro.

O teu corpo físico define a atualidade do teu corpo espiritual.

Já viveste, quanto nós mesmos, vidas incontáveis e trazes, no bojo do espírito, as conquistas alcançadas em longo percurso de experiências na ronda de milênios.

Tua mente já possui, nas criptas da memória, recursos enciclopédicos da cultura de todos os grandes centros do Planeta.

Teu perispírito já se revestiu com porções da matéria de todos

os continentes.

Tuas irradiações, através das roupas que te serviram, já marcaram todos os salões da aristocracia e todos os círculos de penúria do plano terrestre.

Tua figura já integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as nações.

Tuas energias genésicas e afetivas já plasmaram corpos na configuração morfológica de todas as raças.

Teus sentidos já foram arrebatados ao torvelinho de todas as diversões.

Tua voz já expressou o bem e o mal em todos os idiomas.

Teu coração já pulsou ao ritmo de todas as paixões.

Teus olhos já se deslumbraram diante de todos os espetáculos conhecidos, das trevas do horrível às magnificências do belo.

Teus ouvidos já registraram todos os tipos de sons e linguagens existentes no mundo.

Teus pulmões já respiraram o ar de todos os climas.

Teu paladar já se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos.

Tuas mãos já retiveram e dissiparam fortunas, constituídas por todos os padrões da moeda humana.

Tua pele, em cores diversas, já foi beijada pelo Sol de todas as latitudes.

Tua emoção já passou por todos os transes possíveis de renascimentos e mortes.

Eis por que o Espiritismo te pergunta:

– Não julgas que já é tempo de renovar?

Sem renovação, que vale a vida humana?

Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo e de nova existência – prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim de cadáveres.

Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito.

A reencarnação é o caminho da Grande Luz.

Ama e trabalha. Trabalha e serve.

Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar.

Militão Pacheco

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*Do Livro O ESPÍRITO DA VERDADE (Autores diversos)

Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

Um estudo feito pelos Espíritos sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo

*09 de outubro de 1961.

Se Jesus não veio destruir a Lei, nós já devíamos estar cansados de tentar ludibriar essas leis divinas e Naturais. Somos espíritos fazendo uma experiência humana, então em face da condição original de princípio espiritual, nascidos simples e ignorantes temos que urgentemente alinharmos nossos sentidos imortais com as luzes da eternidade.18424685_1488152991224387_81285786_n

Lições naturais…

A lenda do peixinho vermelho…

Ante as portas livres

 

       Ante as portas livres de acesso ao trabalho cristão e ao conhecimento salutar que André Luiz vai desvelando, recordamos prazerosamente a an­tiga lenda egípcia do peixinho vermelho.

       No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.

       Alimentado por diminuto canal de pedra, es­coava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.

       Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comu­nidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satis­feitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente des­preocupados, entre a gula e a preguiça.

       Junto deles, porém, havia um peixinho verme­lho, menosprezado de todos.        Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos.

       Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, dis­plicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.

       O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.        Não encontrando pouso no vastíssimo domi­cilio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.

Fêz o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.

Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro.

A frente da imprevista oportunidade de aven­tura benéfica, refletiu consigo: — “Não será melhor pesquisar a vida e co­nhecer outros rumos?”

Optou pela mudança.

Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.

Pronunciando votos renovadores, avançou, oti­mista, pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança …

Em breve, alcançou grande rio e fêz inúmeros conhecimentos.

Encontrou peixes de muitas famílias diferen­tes, que com ele simpatizaram, Instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.

Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.

Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.

Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo. De Inicio, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.

Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes ma­rinhas. O pequeno viajante, agradecido e feliz, pro­curou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.

Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais es­tranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quan­to ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.

Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu co­meço laborioso, veio a saber que sômente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude conti­nuariam a correr para o oceano.

O peixinho pensou, pensou… e sentindo imen­sa compaixão daqueles com quem convivera na in­fância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.

Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações? Não hesitou.

Fortalecido pela generosidade de irmãos ben­feitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.

Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.

Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entu­siasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe cele­braria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, prote­gidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.

Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porqüanto ninguém, ali, ha­via dado pela ausência dele.

Ridicullzado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.

O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo liquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma Insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobra­vam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreen­dente.

Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqüalos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praiei­ras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tran­quilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. De­veriam todos emagrecer, convenientemente, absten­do-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.

Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.

Ninguém acreditou nele.

Alguns oradores tomaram a palavra e afirma­ram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossí­vel, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles ünicamente.

O soberano da comunidade, para melhor iro­nizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, tentando, de longe, a tra­vessia, exclamou, borbulhante:

— “Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar… Nosso lago é o centro do Universo… Ninguém possui vida igual à nossa! ..

Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho rea­lizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.

Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devas tadora seca.

As águas desceram de nivel. E o poço onde vi­viam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama…

 

O esforço de André Luis, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho.

Encantado com as descobertas do caminho in­finito, realizadas depois de muitos conflitos no so­frimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a traves­sia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.

       Fala, informa, prepara, esclarece …

       Há, contudo, muitos peixes humanos que sor­riem e passam, entre a mordacidade e a Indiferença, procurando locas passageiras ou pleiteando larvas temporárias.

       Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos depois da morte do corpo.

       Mas, sem André Luiz e sem nós, humildes ser­vidores de boa vontade, para todos os caminheiros da vida humana pronunciou o Pastor Divino as in­deléveis palavras: — “A cada um será dado de acordo com as suas obras.”

                                                                      

                                                                       EMMANUEL                                 

 

Prefácio do livro Libertação : André Luiz

 

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Droga Nacional…

Biqueira política

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Eu trago a trégua e o trigo

Desse desantigo

Eu calo, me esfolo e até me desabrigo

Eu falo, eu falho e até me entendo,

O curso, o discurso e o tenso percurso,

Recurso de urso na boca do inverno

E o inferno o papa desvalorizou

Catraca da casa grande

Estreita a passagem do povo

De novo não há que o Nero não tenha feito

O pão, a promessa e o circo,

Sem lona, abona a escravidão,

O cargo é o fardo da corrupção

O voto é hóstia da enganação

 Sem voto o troço estatela no espaço

O povo semeia e a meia continua no prego

Arrego é moeda do desemprego

E a urna descarga de todos os medos

Não se deixe drogar

Não consuma as balas perdidas

Porque a vida ainda vai reiniciar

Não tema que o trema já vai anular

O circunflexo é chapéu de roubar

A casa descasa Donãna 

Que bebe a água mais suja de Mariana

A bica intriga o malote

O Rio que sofre o artifício que mata

A gripe, a febre insana mais que amarela,

Sequela de hospitais em desuso

Abuso, estupro e que se dane as mulheres,

Alferes de nada adianta

A liberdade santa morreu no esquartejo

Revejo a bastilha no reflexo do azulejo

E o espartilho com pão de queijo

E o filho sem leite, sem beijo e sem caderno,

E o papa perdoou o inferno

Sem terno o povo não tem hábito

De alcova, de ovas e trovas por insepultas.

Sem chuva a caatinga respinga no escoteiro

 Meeiro, cocadeiro versus etanol,

Eu agro, destrago a poluição

Me engasgo sem  rasgo de inspiração

O jato não lava a conspiração…

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Ademário da Silva

 

 

 

 

 

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De olhos e sentidos abertos…

Desperta!

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Desperta que a luz não te espera

O dia é porta aberta aos seus anseios

Os meios nem sempre consagram os fins

De fato as aparências nos enganam

Num mundo de provas e expiações

Razões o imperfeito não dispõe

O amor tem mais valor pra quem sabe servir

Desperta a tua própria eternidade

Que a verdade não é colcha de retalhos

Atalho não configura um caminho

Destino só pra quem não tem liberdade de ser

Evolução tem um princípio, mas não se sabe como termina,

Celeste, anjo, arcanjo ou querubim,

Desperta que a vida é muito mais que um designer de paisagem

Impermanente aqui, intermitente ali, translúcida acolá,

Desperta e viva sem se margear a dor e a sombra

Até que a voz de um anjo ecoe em seus arranjos

Que o banjo saiba os versos de um bandolim

 Tempestades, virações e até miragens,

Imagens de saudades tão humanas

Rimas esparsas num livro existencial

Onde o bem e o mal, são convergências da sua atitude,

Desperta que só o saber não gera angelitude…

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Ademário da Silva

01 de abril de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 Despertar!

Visão Retrospectiva : Estudos… 1866.

Visão Retrospectiva

 

Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – 1866 > Junho > Visão retrospectiva das várias encarnações de um Espírito

 

(Sono dos Espíritos) Pelo Dr. Cailleux

(Sociedade espírita de Paris, 11 de maio de 1866 – Médium: Sr. Morin)

 

Vosso bom acolhimento e as boas preces que fizestes em minha intenção obrigam-me a vos agradecer vivamente e vos assegurar o meu eterno devotamento. Desde a minha entrada na verdadeira vida, bem depressa familiarizei-me com todas as novidades, nas muito suaves exigências de minha situação atual. Hoje me chamam de todos os lados, não mais, como outrora, para dar meus cuidados aos corpos doentes, mas para levar alívio às doenças da alma.

A tarefa é suave para desempenhar, e com mais rapidez do que outrora eu chegava à cabeceira dos doentes, hoje atendo ao chamado das almas sofredoras. Posso mesmo ─ e isto nada tem de admirável para mim ─ transportar-me quase que instantaneamente de um a outro ponto, com a mesma facilidade com que o meu pensamento passa de um a outro assunto.

Apenas o que me admira é que eu possa fazê-lo, eu mesmo!…

Meus bons amigos tenho que vos falar de um fato espiritual que me acontece, e que venho submeter ao vosso julgamento, para que me ajudeis a reconhecer o meu erro, se eu estiver enganado em minhas apreciações a respeito. Sabeis que como médico, em minha última encarnação, eu tinha-me dedicado com ardor aos estudos de minha profissão. Tudo quanto se referia à Medicina era para mim assunto de observação. Devo dizer, sem orgulho, que tinha adquirido alguns conhecimentos, talvez porque nem sempre seguisse ao pé da letra a rota traçada pela rotina. Muitas vezes buscava no moral o que pudesse trazer perturbação ao físico; talvez seja por isto que eu conhecia minha profissão um pouco melhor do que certos colegas. Enfim, eis o caso: Há alguns dias senti uma espécie de torpor apoderar-se de meu Espírito, e embora conservando a consciência de mim mesmo, senti-me transportado no espaço; quando cheguei a um lugar que para vós não tem nome encontrei-me numa reunião de Espíritos que em vida tinham adquirido alguma celebridade pelas descobertas que haviam feito.

Lá fiquei muito surpreso ao reconhecer nesses anciãos de todas as idades, nesses nomes de todas as épocas, uma semelhança perispiritual comigo. Perguntei-me o que tudo aquilo significava; dirigi-lhes as perguntas que me sugeria a minha posição, mas minha admiração foi ainda maior, ouvindo-me responder a mim mesmo. Voltei-me, então, para eles, e encontrei-me só. Eis minhas deduções…

DR. CAILLEUX

NOTA: Tendo parado aí, o Espírito continuou na sessão seguinte.

A questão dos fluidos, que constitui o fundo dos vossos estudos, representou um papel muito grande no fato que eu vos relatava na última sessão. Hoje posso explicar-vos melhor o que aconteceu e, em vez de vos dizer quais eram as minhas conjecturas, posso dizer-vos o que me revelaram os bons amigos que me guiam no mundo dos Espíritos.

Quando meu Espírito sofreu uma espécie de entorpecimento, eu estava, por assim dizer, magnetizado pelo fluido de meus amigos espirituais; por uma permissão de Deus, daí devia resultar uma satisfação moral que, dizem eles, é a minha recompensa e, ademais, um encorajamento para marchar num caminho que meu Espírito percorre há um bom número de existências.

Eu estava, pois, adormecido num sono magnético-espiritual; vi o passado formar-se num presente fictício; reconheci individualidades desaparecidas na esteira do tempo, ou melhor, que tinham sido um mesmo indivíduo.

Vi um ser começar uma obra médica; um outro, mais tarde, continuar a obra que o primeiro deixara esboçada, e assim por diante. Cheguei a ver em menos tempo do que levo para vos dizer, de geração em geração, formar-se, crescer e tornar-se ciência, o que, no princípio, não passava dos primeiros ensaios de um cérebro ocupado em estudos para o alívio da Humanidade sofredora.

Vi tudo isso, e quando cheguei ao último desses seres que sucessivamente tinham trazido um complemento à obra, então me reconheci.

Então tudo se extinguiu e eu voltei a ser o Espírito ainda atrasado do vosso pobre doutor. Ora, eis aqui a explicação. Não vo-la dou para me envaidecer, longe disso, mas principalmente para vos fornecer um assunto de estudo, falando-vos do sono espiritual que, sendo elucidado por vossos guias, só me pode ser útil, pois assisto a todos os vossos trabalhos.

Nesse sono, vi os diferentes corpos que meu Espírito animou em algumas encarnações e todos trabalharam na ciência médica, sem jamais se afastar dos princípios que o primeiro havia elaborado. Esta última encarnação não era para aumentar o conhecimento, mas simplesmente para praticar o que ensinava a minha teoria.

Com tudo isto, fico sempre vosso devedor. Mas, se o permitirdes, virei pedir-vos lições, e eventualmente dar minha opinião pessoal sobre certas questões.

DR. CAILLEUX

Estudo

Há aqui um duplo ensinamento: para começar, há o fato da magnetização de um Espírito por outros Espíritos, e do sono que se lhe segue; e, em segundo lugar, da visão retrospectiva dos diferentes corpos que ele animou.

Há, pois, para os Espíritos, uma espécie de sono, o que é um ponto de contato a mais entre o estado corporal e o estado espiritual. É verdade que aqui se trata de um sono magnético; mas existiria para eles um sono natural semelhante ao nosso?

Isto nada teria de surpreendente, quando se veem ainda Espíritos de tal modo identificados com o estado corporal que tomam seu corpo fluídico por um corpo material, que creem trabalhar como o faziam na Terra, e que sofrem fadiga. Se sentem fadiga, devem experimentar a necessidade de repouso, e podem crer deitar-se e dormir, como creem trabalhar e viajar em estrada de ferro.

Dizemos que eles o creem, para falar do nosso ponto de vista, porque tudo é relativo, e em relação à sua natureza fluídica, a coisa é tão real quanto às coisas materiais o são para nós.

Não são senão Espíritos de ordem inferior que têm semelhantes ilusões; quanto menos avançados, mais o seu estado se aproxima do estado corporal.

Ora, este não pode ser o caso do Dr. Cailleux, Espírito adiantado que tem perfeita noção de sua situação. Mas não é menos verdade que ele teve consciência de um entorpecimento análogo ao sono, durante o qual viu suas diversas individualidades.

Um membro da Sociedade explica esse fenômeno da seguinte maneira:

No sono humano, só o corpo repousa, mas o Espírito não dorme. Deve dar-se o mesmo no estado espiritual; o sono magnético, ou outro, só deve afetar o corpo espiritual ou perispírito, e o espírito deve achar-se num estado relativamente análogo ao do Espírito encarnado durante o sono do corpo, isto é, conservar a consciência de seu ser.

As diferentes encarnações do Sr. Cailleux, que os seus guias espirituais queriam fazê-lo ver, para sua instrução, puderam apresentar-se a ele como lembrança, da mesma maneira que as imagens se oferecem nos sonhos.

Essa explicação é perfeitamente lógica. Ela foi confirmada pelos Espíritos que, provocando o relato do Dr. Cailleux, quiseram dar-nos a conhecer uma nova fase da vida de além-túmulo.

Allan Kardec

Revista Espírita 1866.