Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Arquivo para a categoria ‘Pensamentos’

A família e a paternidade…

Meu pai…

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Pai…

No aconchego dos seus braços

O sensor dos nossos laços

Orienta minha vida

Avenida evolução

A relação pai e filhos

Quase sempre é a trilha do perdão!

Espelho dos meus passos

Olho do meu caminho

Carinho em meu regaço

Abraço que conforta

Porta estreita que se abre

No tempo que preciso!

Pai…

Vê se nunca te ausenta

A dor do abandono

Vai doer o tempo inteiro

Sem você pra proteger

Sou o teu menino, amanhã serei eu homem,

Pai…

Pai sua vida é meu destino

Meu destino sua reza

O Evangelho há tempo prega

O amor que nos agrega

O amor reconciliação

Perdão

Sou o teu menino

Amanhã serei teu homem…

Teu homem… Meu pai…

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Ademário da Silva.

24 de julho de 2017.

 

 minha família

Com a cara e a coragem!

A cara da coragem…

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A lenha está úmida e fumacenta

A fome parece tormenta misturada com a tentação

Encoste os dedos na brasa mirrada e pequena e quase apaga

Assopra as cinzas e fustiga as brasas e o cabelo e o rosto fica acinzentado

O peixe fica mal assado e o tempero se concentra na parte que queimou

Lá fora o frio castiga toda ideia de conforto, alguém pode amanhecer fora do corpo,

A água não ferve a plenitude e o café parece remédio sem açúcar

A água do chuveiro parece pular por sobre a resistência e não aquece o suficiente

O cobertor que puseste no tanque para lavar, agora o frio não deixa secar,

Aquela moeda que completava o valor dos pães para o dia seguinte, escapou de suas mãos e caiu no bueiro.

Tudo parece conspirar, estragar-se, complicar-se; tudo parece tomar o rumo da contrariedade pelo simples prazer de nos molestar, enfraquecer, irritar, fazer com que nossa fé seja um papel amarelado, no qual as letras desgastadas pelo tempo nos faz esquecer o conteúdo daquela oração.

Nosso filho ou filha chora e por debaixo das lágrimas enxergamos sua tristeza e frustração, e os seus olhos combalidos caem sobre nossa alma como se fora um trapo em desuso…

Então misturamos lágrimas, ódio e decepção ao caldo grosso da oração mal pronunciada, porque esquecida e pedimos, ou melhor, bradamos á Deus que dê um jeito em nossas vidas…

Para atravessar esse túnel temos que ter desenvolvido a luz pra nos guiar, mas perdemos tempo e oportunidade nos jardins das ociosidades, temperamos de vaidades nossas falas e maquiamos nossa imagem, talvez até para se esconder de Deus, porque nos mais recôndito da consciência sabemos que Ele nos observa; então reserva perdão e paciência, tempo e misericórdia para reavivar nossas esperanças, que guardamos no bolso do desespero e nem nos demos conta que o tecido puiu…

Aquele livrinho de orações que a Vovó sempre nos fazia ler, ou o capitulo das preces no Evangelho segundo o Espiritismo, que nos ensina diversas maneiras de falarmos com Deus, provavelmente, esse livro se encontra empoeirado…

Todas as vezes que fomos á casa espírita, ou adentramos os umbrais de uma catedral, ou aquela capela do bairro onde moramos, lá estamos para pedir a Deus que nos resolva, que afaste de nós todos os males, todas as dores e sofrimentos e se possível que Ele não deixe morrer nenhum de nossos ‘entes queridos’, porque senão não aguentaremos essas ‘provas’, que na verdade são apenas as primeiras páginas de um ‘Caminho Suave’, posto que seja nossa obrigação tirar as pedras do caminho, aplainá-lo e delineá-lo por ser a rota de nossa própria evolução…

Vivemos a reclamar de chuvas, frio e poeira, do salário que é pouco, do serviço que é muito e agora reclamamos porque o serviço nem tem mais… Queremos o muito pelo menor esforço, sobre o nosso dorso, de preferência as suaves brisas de encantadoras paisagens litorâneas.

Queremos um Deus que nos atenda os caprichos e não nos peça recompensa. Descobrir os efeitos contundentes da reencarnação e também seus efeitos benéficos é sempre tarefa pra depois…

Mas, a dor e o sofrimento parecem espíritos bulhentos sempre querendo nos obsidiar, não se afastam de nós por mais sejam fortes nossas rezas e promessas, e nossos tratos de afogadilhos na incansável ânsia de soluções imediatas.

“Não há fardos pesados sobre ombros fracos”, o que existe são tarefas pertinentes e compatíveis com as nossas forças e responsabilidades…

O filho inquieto e até bulhento, o desemprego e o marido desatento, as contas da sobrevivência, que não abandona nossa escrivaninha…

A preocupação com a filha adolescente que chega de madrugada e ás vezes com o sol nas costas…

Sempre probleminhas caseiros, e nos damos ao luxo de querermos ser espíritos evoluídos, ou pelo menos muito bem assistidos por espíritos de luz…

Que Jesus venha ao nosso encontro e nos carregue no colo porque nossos pés não suportam as pedras e espinhos no chão do nosso aprendizado…

Kardec anotou em o livro dos Espíritos a afirmativa do Espírito da Verdade: “Cada consciência evolui por si”, no ano de 1857, o que nos demonstra que já estamos necessitados de assumir a nós mesmo e buscarmos desenvolver a coragem, a fé que raciocina e o amor que não seleciona, isso apenas para passarmos no vestibular de nossas próprias provações e expiações, visando alcançar o próximo degrau do caminho.

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Ademário da Silva //\\ 11 de agosto de 2017. Doutrina Espírita!

Estudos com Humberto de Campos…

BOA NOVA

Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS

Francisco Cândido Xavier *

 JOANA DE CUSA

Entre a multidão que invariavelmente acompanhava a Jesus nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação e nobre caráter, das mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, consorte de Cusa, intendente de Antipas, na cidade onde se conjugavam interesses vitais de comerciantes e de pescadores. Joana possuía verdadeira fé; contudo, não conseguiu forrar-se às amarguras domésticas, porque seu companheiro de lutas não aceitava as claridades do Evangelho. Considerando seus dissabores íntimos, a nobre dama procurou o Messias, numa ocasião em que ele descansava em casa de Simão, e lhe expôs a longa série de suas contrariedades e padecimentos. O esposo não tolerava a doutrina do Mestre. Alto funcionário de Herodes, em perene contato com os representantes do Império, repartia as suas preferências religiosas, ora com os interesses da comunidade judaica, ora com os deuses romanos, o que lhe permitia viver em tranquilidade fácil e rendosa. Joana confessou ao Mestre os seus temores, suas lutas e desgostos no ambiente doméstico, expondo suas amarguras em face das divergências religiosas existentes entre ela e o companheiro. Após ouvir-lhe a longa exposição, Jesus lhe ponderou:

 – Joana, só há um Deus, que é o Nosso Pai, e só existe uma fé para as nossas relações com o seu amor. Certas manifestações religiosas, no mundo, muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Todos os templos da Terra são de pedra; eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Entre o sincero discípulo do Evangelho e os erros milenários do mundo, começa a travar-se o combate sem sangue da redenção espiritual.

Agradece ao Pai o haver-te julgado digna do bom trabalho, desde agora. Teu esposo não te compreende a alma sensível? Compreender-te-á um dia leviano e indiferente? Ama-o, mesmo assim. Não te acharias ligada a ele se não houvesse para isso razão justa. Servindo-o com amorosa dedicação, estarás cumprindo a vontade de Deus. Falas-me de teus receios e de tuas dúvidas. Deves, pelo Evangelho, amá-lo ainda mais. Os sãos não precisam de médico. Além disso, não poderemos colher uvas nos abrolhos, mas podemos amanhar o solo que produziu cardos envenenados, a fim de cultivarmos nele mesmo a videira maravilhosa do amor e da vida. Joana deixava entrever no brilho suave dos olhos a íntima satisfação que aqueles esclarecimentos lhe causavam; mas, patenteando todo o seu estado d’alma, interrogou:

 – Mestre, vossa palavra me alivia o espírito atormentado; entretanto, sinto dificuldade extrema para um entendimento recíproco no ambiente do meu lar. Não julgais acertado que lute por impor os vossos princípios? Agindo assim, não estarei reformando o meu esposo para o céu e para o vosso reino? O Cristo sorriu serenamente e retrucou: – Quem sentirá mais dificuldade em estender as mãos fraternas, será o que atingiu as margens seguras do conhecimento com o Pai, ou aquele que ainda se debate entre as ondas da ignorância ou da desolação, da inconstância ou da indolência do espírito? Quanto à imposição das idéias – continuou Jesus, acentuando a importância de suas palavras -, por que motivo Deus não impõe a sua verdade e o seu amor aos tiranos da Terra? Por que não fulmina com um raio o conquistador desalmado que espalha a miséria e a destruição, com as forças sinistras da guerra? A sabedoria celeste não extermina as paixões: transforma-as. Aquele que semeou o mundo de cadáveres desperta, às vezes, para Deus, apenas com uma lágrima.

O Pai não impõe a reforma a seus filhos: esclarece-os no momento oportuno. Joana, o apostolado do Evangelho é o de colaboração com o céu, nos grandes princípios da redenção. Sê fiel a Deus, amando o teu companheiro do mundo, como se fora teu filho. Não percas tempo em discutir o que não seja razoável. Deus não trava contendas com as suas criaturas e trabalha em silêncio, por toda a Criação.

 Vai!… Esforça-te também no silêncio e, quando convocada ao esclarecimento, fala o verbo doce ou enérgico da salvação, segundo as circunstâncias! Volta ao lar e ama o teu companheiro como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de vida, sabedoria e amor!… Joana de Cusa experimentava um brando alívio no coração. Enviando a Jesus um olhar de carinhoso agradecimento, ainda lhe ouviu as últimas palavras: – Vai, filha!… Sê fiel! *

Desde esse dia, memorável para a sua existência, a mulher de Cusa experimentou na alma a claridade constante de uma resignação sempre pronta ao bom trabalho  e sempre ativa para a compreensão de Deus.

Como se o ensinamento do Mestre estivesse agora gravado indelevelmente em sua alma, considerou que, antes de ser esposa na Terra, já era filha daquele Pai que, do Céu, lhe conhecia a generosidade e os sacrifícios. Seu espírito divisou em todos os labores uma luz sagrada e oculta.

Procurou esquecer todas as características inferiores do companheiro, para observar somente o que possuía ele de bom, desenvolvendo, nas menores oportunidades, o embrião vacilante de suas virtudes eternas. Mais tarde, o céu lhe enviou um filhinho, que veio duplicar os seus trabalhos; ela, porém, sem olvidar as recomendações de fidelidade que Jesus lhe havia feito, transformava suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia. Os anos passaram e o esforço perseverante lhe multiplicou os bens da fé, na marcha laboriosa do conhecimento e da vida. As perseguições políticas desabaram sobre a existência do seu companheiro. Joana, contudo, se mantinha firme. Torturado pelas idéias odiosas de vingança, pelas dívidas insolváveis, pelas vaidades feridas, pelas moléstias que lhe verminaram o corpo, o ex-intendente de Antipas voltou ao plano espiritual, numa noite de sombras tempestuosas. Sua esposa, todavia, suportou os dissabores mais amargos, fiel aos seus ideais divinos edificados na confiança sincera.

Premida pelas necessidades mais duras, a nobre dama de Cafarnaum procurou trabalho para se manter com o filhinho que Deus lhe confiara. Algumas amigas lhe chamaram a atenção, tomadas de respeito humano. Joana, no entanto, buscou esclarecê-las, alegando que Jesus igualmente havia trabalhado, calejando as mãos nos serrotes de modesta carpintaria e que, submetendo-se ela a uma situação de subalternidade no mundo, se dedicara primeiramente ao Cristo, de quem se havia feito escrava devotada.

Cheia de alegria sincera, a viúva de Cusa esqueceu o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão. Mais tarde, quando a neve das experiências do mundo lhe alvejou os primeiros anéis da fronte, uma galera romana a conduzia em seu bojo, na qualidade de serva humilde. * No ano 68, quando as perseguições ao Cristianismo iam intensas, vamos encontrar, num dos espetáculos sucessivos do circo, uma velha discípula do Senhor amarrada ao poste do martírio, ao lado de um homem novo, que era seu filho. Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações. – Abjura!… – exclama um executor das ordens imperiais, de olhar cruel e sombrio. A antiga discípula do Senhor contempla o céu, sem uma palavra de negação ou de queixa. Então o açoite vibra sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas: – “Repudia a Jesus, minha mãe!… Não vês que nos perdemos?! Abjura!. .. Por mim, que sou teu filho!. . Pela primeira vez, dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas. As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o coração. – Abjura!… Abjura! Joana ouve aqueles gritos, recordando a existência inteira. O lar risonho e festivo, as horas de ventura, os desgostos domésticos, as emoções maternais, os fracassos do esposo, sua desesperação e sua morte, a viuvez, a desolação e as necessidades mais duras… Em seguida, ante os apelos desesperados do filhinho, recordou que Maria também fora mãe e, vendo o seu Jesus crucificado no madeiro da infâmia, soubera conformar-se com os desígnios divinos. Acima de todas as recordações, como alegria suprema de sua vida, pareceu-lhe ouvir ainda o Mestre, em casa de Pedro, a lhe dizer: – “Vai filha! Sê fiel!” Então, possuída de força sobre-humana, a viúva de Cusa contemplou a primeira vítima ensanguentada e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente: – Cala-te, meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as felicidades transitórias do mundo, é preciso ser fiel a Deus! A esse tempo, com os aplausos delirantes do povo, os verdugos lhe incendiavam, em derredor, achas de lenha embebidas em resina inflamável. Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido. Joana de Cusa contemplou com serenidade a massa de povo que lhe não entendia o sacrifício. Os gemidos de dor lhe morriam abafados no peito opresso. Os algozes da mártir cercaram-lhe de impropérios a fogueira: – O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer? – perguntou um dos verdugos. A velha discípula, concentrando a sua capacidade de resistência, teve ainda forças para murmurar: – Não apenas a morrer, mas também a vos amar!… Nesse instante, sentiu que a mão consoladora do Mestre lhe tocava suavemente os ombros, e lhe escutou a voz carinhosa e inesquecível: tem bom ânimo!… Juana Eu aqui estou!…

A primeira pregação e os escolhidos…

PRIMEIRAS PREGAÇÕES

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BOA NOVA

Pelo Espírito HUMBERTO DE CAMPOS

Francisco Cândido Xavier *

 PRIMEIRAS PREGAÇÕES

Nos primeiros dias do ano 30, antes de suas gloriosas manifestações, avistou-se Jesus com o Batista, no deserto triste da Judéia, não muito longe das areias ardentes da Arábia. Ambos estiveram juntos, por alguns dias, em plena Natureza, no campo ríspido do jejum e da penitência do grande precursor, até que o Mestre Divino, despedindo-se do companheiro, demandou o oásis de Jericó, uma bênção de verdura e águas entre as inclemências da estrada agreste. De Jericó dirigiu-se então a Jerusalém, onde repousou, ao cair da noite. Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi notado por um grupo de sacerdotes e pensadores ociosos, que se sentiram atraídos pelos seus traços de formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido e profundo. Alguns deles se afastaram, sem maior interesse, mas Hanã, que seria, mais tarde, o juiz inclemente de sua causa, aproximou-se do desconhecido e dirigiu-se-lhe com orgulho:

Galileu, que fazes na cidade?

Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! Exclamou o Cristo, com modesta nobreza.  Reino de Deus?

Tornou o sacerdote com acentuada ironia.

E que pensas tu venha a ser isso?

Esse Reino é a obra divina no coração dos homens! Esclareceu Jesus, com grande serenidade. Obra divina em tuas mãos?

Revidou Hanã, com uma gargalhada de desprezo. E, continuando as suas observações irônicas, perguntou:

Com que contas para levar avante essa difícil empresa?

Quais são os teus seguidores e companheiros?…

Acaso terás Conquistado o apoio de algum príncipe desconhecido e ilustre, para auxiliar-te na execução de teus planos?

Meus companheiros hão de chegar de todos os lugares respondeu o Mestre com humildade.

Sim observou Hanã —, os ignorantes e os tolos estão em toda parte na Terra. Certamente que esse representará o material de tua edificação.

Entretanto, propões-te realizar uma obra divina e já viste alguma estátua perfeita modelada em fragmentos de lama? 

Sacerdote replicou-lhe Jesus, com energia serena —, nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e nenhum cinzel é superior ao da boa-vontade. Impressionado com a resposta firme e inteligente, o famoso juiz ainda interrogou:

Conheces Roma ou Atenas?

Conheço o amor e a verdade disse Jesus convictamente.

Tens ciência dos códigos da Corte Provincial e das leis do Templo?

 Inquiriu Hanã, inquieto.

 Sei qual é a vontade de meu Pai que está nos céus respondeu o Mestre, brandamente. O sacerdote o contemplou irritado e, dirigindo-lhe um sorriso de profundo desprezo, demandou a Torre Antônia, em atitude de orgulhosa superioridade.

No dia seguinte, pela manhã, o mesmo formoso peregrino foi ainda visto a contemplar as maravilhas do santuário, antes alguns minutos de internar-se pelas estradas banhadas de sol, a caminho de sua Galileia distante. * Daí a algum tempo, depois de haver passado por Nazaré, descansando igualmente em Caná, Jesus se encontrava nas circunvizinhanças da cidadezinha de Cafarnaum, como se procurasse, com viva atenção, algum amigo que estivesse à sua espera. Em breves instantes, ganhou as margens do Tiberíades e se dirigiu, resolutamente, a um grupo alegre de pescadores, como se, de antemão, os conhecesse a todos. A manhã era bela, no seu manto diáfano de radiosas neblinas. As águas transparentes vinham beijar os eloendros da praia, como se brincassem ao sopro das virações perfumadas da Natureza. Os pescadores entoavam uma cantiga rude e, dispondo inteligentemente as barcaças móveis, deitavam as redes, em meio de profunda alegria.

Jesus aproximou-se do grupo e, assim que dois deles desembarcaram em terra, falou-lhes com amizade:

Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a trabalhar pela instituição de seu reino na Terra!

André lembrou-se de já o ter visto, nas cercanias de Betsaida, e do que lhe haviam dito a seu respeito, enquanto que Simão, embora agradavelmente surpreendido, o contemplava, enleado.

Mas, quase a um só tempo, dando expansão aos seus temperamentos acolhedores e sinceros, exclamaram respeitosamente:

Sede bem-vindo!…

Jesus então lhes falou docemente do Evangelho, com o olhar incendido de júbilos divinos.

Estando muitos outros companheiros do lago a observar de longe os três, André, manifestando a sua tocante ingenuidade, exclamou comovido:

Um rei?

Mas em Cafarnaum existem tão poucas casas!… Ao que Pedro obtemperou, como se a boa-vontade devesse suprir todas as deficiências: O lago é muito grande e há várias aldeias circundando estas águas, O reino poderá abrangê-las todas! Isso dizendo, fixou em Jesus o olhar perquiridor, como se fora uma grande criança meiga e sincera, desejosa de demonstrar compreensão e bondade, O Senhor esboçou um sorriso sereno e, como se adiasse com prazer as suas explicações para mais tarde, inquiriu generosamente:

Quereis ser meus discípulos?

André e Simão se interrogaram a si mesmos, permutando sentimentos de admiração embevecida.

Refletia Pedro: que homem seria aquele?

Onde já lhe escutara o timbre carinhoso da voz íntima e familiar?

Ambos os pescadores se esforçavam por dilatar o domínio de suas lembranças, de modo a encontrá-lo nas recordações mais queridas, Não sabiam, porém, como explicar aquela fonte de confiança e de amor que lhes brotava no âmago do espírito e, sem hesitarem, sem uma sombra de dúvida, responderam simultaneamente: Senhor, seguiremos os teus passos. Jesus os abraçou com imensa ternura e, como os demais companheiros se mostrassem admirados e trocassem entre si ditérios ridicularizadores, o Mestre, acompanhado de ambos e de grande grupo de curiosos, se encaminhou para o centro de Cafarnaum, onde se erguia a Intendência de Antipas. Entrou calmamente na coletoria e, avistando um funcionário culto, conhecido publicano da cidade, perguntou-lhe:

Que fazes tu, Levi? O interpelado fixou-o com surpresa; mas, seduzido pelo suave magnetismo de seu olhar, respondeu sem demora:

Recolho os impostos do povo, devidos a Herodes. Queres vir comigo para recolher os bens do céu?

Perguntou-lhe Jesus, com firmeza e doçura. Levi, que seria mais tarde o apóstolo Mateus, sem que pudesse definir as santas emoções que lhe dominaram a alma, atendeu comovido:

Senhor estou pronto!…

Então, vamos disse Jesus, abraçando-o.

Em seguida, o numeroso grupo se dirigiu para a casa de Simão Pedro, que oferecera ao Messias, acolhida sincera em sua residência humilde, onde o Cristo fez a primeira exposição de sua consoladora doutrina, esclarecendo que a adesão desejada era a do coração sincero e puro, para sempre, às claridades do seu reino.

Iniciou-se naquele instante a eterna união dos inseparáveis companheiros.

* Na tarde desse mesmo dia, o Mestre fez a primeira pregação da Boa Nova na praça ampla, cercada de verdura e situada naturalmente junto às águas. No céu, vibravam harmonias vespertinas, como se a tarde possuísse também uma alma sensível. As árvores vizinhas acenavam os ramos verdes ao vento do crepúsculo, como mãos da Natureza que convidassem os homens à celebração daquele primeiro ágape.  As aves ariscas pousavam de leve nas alcaparreiras mais próximas, como se também desejassem senti-lo, e na praia extensa se acotovelava a grande multidão de pescadores rústicos, de mulheres aflitas por continuadas flagelações, de crianças sujas e abandonadas, misturados publicanos pecadores com homens analfabetos e simples, que haviam acorrido ansiosos por ouvi-lo. Jesus contemplou a multidão e enviou-lhe um sorriso de satisfação. Contrariamente às ironias de Hanã, ele aproveitaria o sentimento como mármore precioso e a boa- -vontade como cinzel divino. Os ignorantes do mundo, os fracos, os sofredores, os desalentados, os doentes e os pecadores seriam em suas mãos o material de base para a sua construção eterna e sublime. Converteria toda miséria e toda dor num cântico de alegria e, tomado pelas inspirações sagradas de Deus, começou a falar da maravilhosa beleza do seu reino. “Meu Reino não é deste Mundo”: Jesus!

Magnetizado pelo seu amor, o povo o escutava num grande transporte de ventura. No céu havia uma vibração de claridade desconhecida. Ao longe, no firmamento de Cafarnaum, o horizonte se tornara um deslumbramento de luz e, bem no alto, na cúpula dourada e silenciosa, as nuvens delicadas e alvas tomavam a forma suave das flores e dos arcanjos do Paraíso. Jesus, o Amigo de todos nós

Dores, soluções e mudanças necessárias…

A Gênese

 

OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO

 

“Por mim mesmo juro disse o Senhor Deus que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva.”

(EZEQUIEL, 33: 11.)

 

A Gênese                                                                                                                                                     

 

Por ALLAN KARDEC ( Autor de “O Livro dos Espíritos”.)

 

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A GERAÇÃO NOVA

 

  1. Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores,

outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar.

 

Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade.

A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.

Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.

 

Muito menos, pois, se trata de uma nova geração corpórea, do que de uma nova geração de Espíritos. Sem dúvida, neste sentido é que Jesus entendia as coisas, quando declarava: “Digo-vos, em verdade, que esta geração não passará sem que estes fatos tenham ocorrido.” Assim, decepcionados ficarão os que contem ver a transformação operar-se por efeitos sobrenaturais e maravilhosos.

 

  1. A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares.

Têm idéias e pontos de vista opostos às duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém, sobretudo das disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

 

Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.

 

O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados é, em primeiro lugar, a revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos; a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos anti-fraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de ciúme; enfim, o apego a tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza.

Desses vícios é que a Terra tem de ser expurgada pelo afastamento dos que se obstinam em não emendar-se; porque são incompatíveis com o reinado da fraternidade e porque o contato com eles constituirá sempre um sofrimento para os homens de bem. Quando a Terra se achar livre deles, os homens caminharão sem óbices para o futuro melhor que lhes está reservado, mesmo neste mundo, por prêmio de seus esforços e de sua perseverança, enquanto esperem que uma depuração mais completa lhes abra o acesso aos mundos superiores.

 

  1. Não se deve entender que por meio dessa emigração de Espíritos sejam expulsos da Terra e relegados para mundos inferiores todos os Espíritos retardatários. Muitos, ao contrário, aí voltarão, porquanto muitos há que o são porque cederam ao arrastamento das circunstâncias e do exemplo.

Nesses, a casca é pior do que o cerne. Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos prejuízos do mundo corporal, eles, em sua maioria, verão as coisas de maneira inteiramente diversa daquela por que as viam quando em vida, conforme os múltiplos casos que conhecemos.

 

Para isso, têm a auxiliá-los Espíritos benévolos que por eles se interessam e se dão pressa em esclarecê-los e em lhes mostrar quão falso era o caminho que seguiam. Nós mesmos, pelas nossas preces e exortações, podemos concorrer para que eles se melhorem, visto que entre mortos e vivos há perpétua solidariedade.

É muito simples o modo por que se opera a transformação, sendo, como se vê, todo ele de ordem moral, sem se afastar em nada das leis da Natureza.

 

  1. Sejam os que componham a nova geração Espíritos melhores, ou Espíritos antigos que se melhoraram, o resultado é o mesmo. Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação. Assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam duas categorias: de um lado, os retardatários, que partem; de outro, os progressistas, que chegam. O estado dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias que preponderar.

 

  1. Uma comparação vulgar ainda melhor dará a compreender o que se passa nessa circunstância. Figuremos um regimento, composto na sua maioria de homens turbulentos e indisciplinados, os quais ocasionarão nele constantes desordens que a lei penal terá por vezes dificuldades em reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque mais numerosos do que os outros. Eles se amparam, animam e estimulam pelo exemplo. Os poucos bons nenhuma influência exercem; seus conselhos são desprezados; sofrem com a companhia dos outros, que os achincalham e maltratam.

 

Não é essa uma imagem da sociedade atual?

Suponhamos que esses homens são retirados um a um, dez a dez, cem a cem, do regimento e substituídos gradativamente por iguais números de bons soldados, mesmo por alguns dos que, já tendo sido expulsos, se corrigiram.

Ao cabo de algum tempo, existirá o mesmo regimento, mas transformado. A boa ordem terá sucedido à desordem.

 

  1. As grandes partidas coletivas, entretanto, não têm por único fim ativar as saídas; têm igualmente o de transformar mais rapidamente o espírito da massa, livrando-a

das más influências e o de dar maior ascendente às idéias novas.

Por estarem muitos, apesar de suas imperfeições, maduros para a transformação, é que muitos partem, a fim de apenas se retemperarem em fonte mais pura. Enquanto se conservassem no mesmo meio e sob as mesmas influências, persistiriam nas suas opiniões e nas suas maneiras de apreciar as coisas. Uma estada no mundo dos Espíritos bastará para lhes descerrar os olhos, por isso que aí veem o que não podiam ver na Terra.

 

O incrédulo, o fanático, o absolutista, poderão, conseguintemente, voltar com idéias

inatas de fé, tolerância e liberdade. Ao regressarem, acharão mudadas as coisas e experimentarão a influência do novo meio em que houverem nascido. Longe de se oporem às novas idéias, constituir-se-ão seus auxiliares.

 

  1. A regeneração da Humanidade, portanto, não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo.

Assim, nem sempre os que voltam são outros Espíritos; são com frequência os mesmos Espíritos, mas pensando e sentindo de outra maneira.

 

Quando insulado e individual, esse melhoramento passa despercebido e nenhuma influência ostensiva alcança sobre o mundo. Muito outro é o efeito, quando a melhora se produz simultaneamente sobre grandes massas, porque, então, conforme as proporções que assuma numa geração, pode modificar profundamente as idéias de um povo ou de uma raça.

 

É o que quase sempre se nota depois dos grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem corpos, não atingem o Espírito; ativam o movimento de vaivém entre o mundo corporal e o mundo

espiritual e, por conseguinte, o movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que em todas as épocas da História, às grandes crises sociais se seguiu uma era de progresso.

 

  1. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da Humanidade. A multiplicidade das causas de destruição constitui sinal característico dos tempos, visto que elas apressarão a eclosão dos novos germens. São as folhas que caem no outono e às quais sucedem outras folhas cheias de vida, porquanto a Humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm

suas várias idades.

 

As folhas mortas da Humanidade caem batidas pelas rajadas e pelos golpes de vento, porém, para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.

 

  1. Para o materialista, os flagelos destruidores são calamidades carentes de compensação, sem resultados aproveitáveis, pois que, na opinião deles, os aludidos flagelos aniquilam os seres para sempre. Para aquele, porém, que sabe que a morte unicamente destrói o envoltório, tais flagelos não acarretam as mesmas consequências e não lhe causam o mínimo pavor; ele lhes compreende o objetivo e não ignora que os homens não perdem mais por morrerem juntos, do que por morrerem isolados, dado que, duma forma ou doutra, a isso hão de todos sempre chegar.

Os incrédulos rirão destas coisas e as qualificarão de quiméricas; mas, digam o que disserem, não fugirão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, que lhes acontecerá? Eles dizem: Nada! Viverão, no entanto, a despeito de si próprios e se verão, um dia, forçados a abrir os olhos.

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Allan Kardec

No rastro da saudade…

Rastros no chão

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Me leve nessa melodia

Até que a luz do novo dia não se esconda mais

Ouça-me nessa oração que a intenção é recriar a paz

Explique-me toda essa leitura que a magistratura é Jesus quem traz

Ensine-me o que o Evangelho diz pra eu ser feliz e enxergar melhor

Cuidado com toda palavra que a alma é brasa de não se apagar

Nem vento, brisa ou tempestade, estrago podem lhe causar,  

O olho mostra todo espinho que protege a flor

O tato traz as sensações, verte emoções que o amor analgesia,

Os odores são simples sensores do que se pode apreciar

 O Pai oferece o tempo, oferece a casa e o rio pra pescar,

A lua e todas as estrelas não deixam a noite se apagar 

Me leve pela estrada a fora como se a hora fosse imortal

E volte numa poesia raiz da alegria de se libertar

Acenda o amor nessa viagem que toda paisagem vai se recriar

A sombra já não tem arresto e nem mais ajuíza cobrança antiga

Marca o passo nesse chão que o compasso não mais desafina

Intuição pra mediunizar o tom, livro pra explicar o dom,

Amor pra resolver equações do coração!

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Ademário da Silva

29 de julho de 2017.

 

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