Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

INTRODUÇÃO: José Herculano Pires

Livro dos Médiuns // Allan Kardec

*Diariamente a experiência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários. Sentimo-nos felizes ao verificar que foi eficiente o nosso trabalho para prevenir os adeptos para os perigos do aprendizado, e que muitos puderam evitá-los, com a leitura atenta desta obra.*

 

Muito natural o desejo dos que se dedicam ao Espiritismo, de entrarem pessoalmente em comunicação com os Espíritos. Esta obra destina-se lhes facilitar isso, permitindo-lhes aproveitar os frutos de nossos longos e laboriosos estudos. Pois bem errado andaria quem julgasse que, para tornar-se perito no assunto, bastaria aprendera pôr os dedos numa mesa para fazê-la girar ou pegar um lápis para escrever.

 

*Igualmente se enganaria quem pensasse encontrar nesta obra uma receita universal infalível para fazer médiuns. Embora cada qual já traga em si mesmo os germes das qualidades necessárias, essas qualidades se apresentam em graus diversos, e o seu desenvolvimento depende de causas estranhas à vontade humana. Não fazemos poetas, nem pintores ou músicos com as regras dessas artes, que servem apenas para orientar os dons de quem possui os respectivos talentos.*

 

*Sua finalidade é indicar os meios de desenvolvimento da mediunidade em quem a possui, segundo as possibilidades de cada um, e, sobretudo orientar o seu emprego de maneira proveitosa. Mas não é esse o nosso único objetivo.*

 

*Aumenta todos os dias, ao lado dos médiuns, o número de pessoas que se dedica a manifestações espíritas. Orientá-las nas suas observações, apontar-lhes as dificuldades que certamente encontrarão, ensinar-lhes a maneira de se comunicarem com os Espíritos, obtendo boas comunicações, é o que também devemos fazer para completar o nosso trabalho.

Ninguém estranhe, pois, se encontrar ensinamentos que poderão parecer descabidos. A experiência mostrará que são úteis.

 

O estudo atencioso deste livro facilitará a compreensão dos fatos a observar. A linguagem de certos Espíritos parecerá menos estranha, Como instrução prática ele não se dirige exclusivamente aos médiuns, mas a todos que querem observar os fenômenos espíritas.

Desejariam alguns que publicássemos um manual prático mais sucinto, indicando em poucas palavras como entrar em comunicação com os Espíritos. Entendem que um livrinho assim, mais barato, podendo ser difundido com mais profusão, seria poderoso meio de propaganda, multiplicando o número de médiuns. Pensamos que isso seria mais nocivo que útil, pelo menos no momento.

*A prática espírita é difícil, apresentando escolhos que somente um estudo sério e completo pode prevenir.*

*Uma exposição sucinta poderia facilitar experiências levianas, que levariam a decepções. São coisas com as quais não se deve brincar, e acreditamos que seria inconveniente pô-las ao alcance de qualquer estouvado que inventasse conversar com os mortos. Dirigimo-nos aos que veem no Espiritismo um objetivo sério, compreendendo toda a sua gravidade, e não pretendem brincar com as comunicações do outro mundo.*

 

Chegamos a publicar uma Instrução Prática para os médiuns, que se encontra esgotada. Fizemo-la com objetivo sério e grave, mas apesar disso não a reimprimiríamos, pois já não corresponde à necessidade de esclarecimento completo das dificuldades que podem ser encontradas. Preferimos substituí-la por esta, em que reunimos todos os dados de uma longa experiência e de um estudo consciencioso.

 

*Ela contribuirá, esperamos, para mostrar caráter sério do Espiritismo, que é a essência, e para afastar a ideia e frivolidade e divertimento.*

 

*Acrescentaremos uma importante consideração: a de que as experiências feitas com leviandade, sem conhecimento de causa, provocam péssimas impressões nos principiantes ou pessoas mal preparadas, tendo o inconveniente de dar uma ideia bastante falsa do mundo dos Espíritos, favorecendo a zombaria e dando motivos a críticas quase sempre bem fundadas.*

 

É por isso que os incrédulos saem dessas reuniões raramente convencidos e pouco dispostos a reconhecerem o aspecto sério do Espiritismo.

 

*A ignorância e a leviandade de certos médiuns têm causado maiores prejuízos do que se pensa na opinião de muita gente.*

 

*Vem progredindo bastante o Espiritismo, desde alguns anos, mas o seu maior progresso se verifica depois que entrou no rumo filosófico, porque despertou a atenção de pessoas esclarecidas. Hoje não é mais uma diversão, mas uma doutrina de que não riem os que zombavam das mesas-girantes.*

 

Esforçando-nos por sustentá-lo nesse terreno, estamos certos de conquistar adeptos mais úteis do que através de manifestações levianas. Temos a prova disso todos os dias, pelo número de adeptos resultante da simples leitura de O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

Depois da exposição do aspecto filosófico da ciência espírita em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, damos nesta obra a sua parte prática, para aqueles que desejarem ocupar-se das manifestações, seja pessoalmente, seja pela observação de experiências alheias.

 

*Verão aqui os escolhos que poderão encontrar e estarão em condições de evitá-los.*

 

*Essas duas obras, embora se completem, são até certo ponto independentes uma da outra. Mas a quem quiser tratar seriamente do assunto, recomendamos primeiramente a leitura de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, porque contém os princípios fundamentais, sem os quais talvez seja difícil a compreensão de algumas partes desta obra.*

 

*Esta segunda edição foi bem melhorada, apresentando-se mais completa do que a primeira. Foi corrigida com especial cuidado pelos Espíritos, que lhe acrescentaram grande número de observações e instruções do mais alto interesse. Como eles reviram tudo, aprovando ou modificando à vontade, podemos dizer que ela é, em grande parte, obra deles. Mesmo porque não se limitaram a intervir em algumas comunicações assinadas.*

 

*Só indicamos os nomes, quando isso nos pareceu necessário para caracterizar algumas exposições mais extensas, como feitas textualmente por eles. De outra maneira, teríamos de mencioná-los quase em cada página, particularmente nas respostas dadas as nossas perguntas, o que nos pareceu inútil. Os nomes pouco importam, como se sabe, neste assunto. O essencial é que o trabalho corresponda, no seu conjunto, aos objetivos propostos.*

 

Esperamos assim que esta edição, mais perfeita que a primeira, seja tão bem recebida como aquela.

Como acrescentamos muitas coisas, e muitos capítulos inteiros, assim também suprimimos alguns trechos repetidos, como o da ESCALA ESPÍRITA, que já se encontra em O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

 

Suprimimos ainda do vocabulário o que não se refere propriamente a esta obra, substituindo-o por coisas mais úteis. Esse vocabulário, aliás, não está completo, e pretendemos publicá-lo mais tarde, em separado, na forma de um pequeno dicionário da filosofia espírita. Conservamos nesta obra, tão somente, as palavras novas ou específicas, relativas ao assunto de que nos ocupamos.(1)

 

(1) A segunda edição, que serviu para esta tradução, constitui o texto definitivo do livro. As características que se notam entre este final do prefácio e o das nossas de mais traduções de O Livro dos Médiuns decorrem de modificações nas edições francesas posteriores à morte de Kardec. É de particular interesse doutrinário a referência do Codificador ao seu desejo de publicar um Pequeno Dicionário da Filosofia Espírita, obra que continua a fazer falta na bibliografia doutrinária. (N. do T.)

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INTRODUÇÃO (Ao Estudo do Livro dos Médiuns)

*Todos os dias  a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos,  com  que  muitos  topam  na  prática  do  Espiritismo,  se  originam  da ignorância  dos  princípios  desta  ciência  e  feliz  nos  sentimos  de  haver  podido comprovar que o nosso trabalho, feito com o objetivo de precaver os adeptos contra os escolhos de um noviciado, produziu frutos e que à leitura desta obra devem muitos o terem logrado evitá-los.*

Natural é, que entre os que se ocupam com o Espiritismo, o desejo de poderem pôr-se em comunicação com os Espíritos. Esta obra se destina a lhes facilitar o caminho,  levando-os  a  tirar  proveito  dos  nossos  longos  e  laboriosos  estudos, porquanto muito falsa ideia formaria aquele que pensasse bastar, para se considerar perito nesta matéria, saber colocar os dedos sobre uma mesa, a fim de fazê-la mover- se, ou segurar um lápis, a fim de escrever.

Enganar-se-ia igualmente quem supusesse encontrar nesta obra uma receita universal e infalível para formar médiuns.

*Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade.*

As regras da poesia, da pintura e da música não fazem que se tornem poetas, pintores, ou músicos os que não têm o gênio de alguma dessas artes.

Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais. O mesmo sucede com o  nosso  trabalho. 

*Seu objetivo consiste  em  indicar  os  meios  de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de modo útil, quando ela exista.*

Esse, porém, não constitui o fim único a que nos propusemos.

*De par com os médiuns propriamente ditos, há, a crescer diariamente, uma multidão de pessoas que se ocupam com as manifestações espíritas. Guiá-las nas suas observações,  assinalar-lhes  os  obstáculos  que  podem  e  hão  de  necessariamente encontrar,  lidando  com  uma  nova  ordem  de  coisas,  iniciá-las  na  maneira  de confabularem   com   os   Espíritos,   indicar-lhes   os   meios   de   conseguirem   boas comunicações, tal o círculo que temos de abranger, sob pena de fazermos trabalho incompleto.*

Ninguém, pois, se surpreenda de encontrar nele instruções que, à primeira vista, pareçam descabidas; a experiência lhes realçará a utilidade. Quem quer que o estude  cuidadosamente  melhor  compreenderá  depois  os  fatos  de  que  venha  a  ser testemunha; menos estranha lhe parecerá a linguagem de alguns Espíritos.

*Como repositório de instrução prática, portanto, a nossa obra não se destina exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estejam em condições de ver e observar os fenômenos espíritas.*

Não faltará quem desejara publicássemos um manual prático muito sucinto, contendo em poucas palavras a indicação dos processos que se devam empregar para entrar em comunicação com os Espíritos. Pensarão esses que um livro desta natureza, dada a possibilidade de se espalhar profusamente por módico preço,  representaria  um  poderoso  meio  de  propaganda,  pela  multiplicação  dos médiuns. Ao nosso ver, semelhante obra, em vez de útil, seria nociva, ao menos por enquanto.

*De muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar.*

Fora, pois, de temer que uma indicação muito resumida animasse experiências levianamente tentadas, das quais viessem os experimentadores a arrepender-se. Coisas são estas com que não é conveniente, nem prudente, se brinque e mau serviço acreditamos que prestaríamos,  pondo-as  ao  alcance  do  primeiro  estouvado  que  achasse  divertido conversar com os mortos.

*Dirigimo-nos aos que veem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo.*

*Havíamos publicado uma  Instrução Prática  com o fito de guiar os médiuns. Essa obra está hoje esgotada e, embora a tenhamos feito com um fim grave e sério, não a reimprimiremos, porque ainda não a consideramos bastante completa para esclarecer acerca de todas as dificuldades que se possam encontrar. Substituímo-la por  esta,  em  a  qual  reunimos  todos  os  dados  que  uma  longa  experiência  e conscienciosos estudos nos permitiram colher.*

Ela contribuirá, pelo menos assim o esperamos, para imprimir ao Espiritismo o caráter sério que lhe forma a essência e para evitar que haja quem nele veja objeto de frívola ocupação e de divertimento.

*A  essas  considerações  ainda  aditaremos  outra,  muito  importante:  a  má impressão  que  produzem  nos  novatos  as  experiências  levianamente  feitas  e  sem conhecimento de causa, experiências que apresentam o inconveniente de gerar idéias falsas acerca do mundo dos Espíritos e de dar azo à zombaria e a uma crítica quase sempre  fundada.* 

De  tais  reuniões,  os  incrédulos  raramente  saem  convertidos  e dispostos a reconhecer que no Espiritismo haja alguma coisa de sério.

*Para a opinião errônea de grande número de pessoas, muito mais do que se pensa têm contribuído a ignorância e a leviandade de vários médiuns.*

Desde alguns anos, o Espiritismo há realizado grandes progressos: imensos, porém, são os que conseguiu realizar, a partir do momento em que tomou rumo filosófico, porque entrou a ser apreciado pela gente instruída. Presentemente, já não é um espetáculo: é uma doutrina de que não mais riem os que zombavam das mesas girantes. Esforçando-nos por levá-lo para esse terreno e por mantê-lo aí, nutrimos a convicção de que lhe granjeamos mais adeptos úteis, do que provocando a torto e a direito, manifestações que se prestariam a abusos. Disso temos cotidianamente a prova em o número dos que se hão tornado espíritas unicamente pela leitura de “O Livro dos Espíritos”.

Depois de havermos exposto, nesse livro, a parte filosófica da ciência espírita, (L dos E.) damos  nesta  obra  a  parte  prática,  para  uso  dos  que  queiram  ocupar-se  com  as manifestações,  quer  para  fazerem  pessoalmente,  quer  para  se  inteirarem  dos fenômenos que lhes sejam dados observar. Verão, aí, os óbices com que poderão deparar e terão também um meio de evitá-los. Estas duas obras, se bem a segunda constitua seguimento da primeira, são, até certo ponto, independentes uma da outra. Mas, a quem quer que deseje tratar seriamente da matéria, diremos que primeiro leia “O Livro dos Espíritos”, porque contém princípios básicos, sem os quais algumas partes deste se tornariam talvez dificilmente compreensíveis.

Importantes alterações para melhor foram introduzidas nesta segunda edição, muito mais completa do que a primeira. Acrescentando-lhe grande número de notas e instruções  do  maior  interesse,  os  Espíritos  a  corrigiram,  com  particular  cuidado. Como reviram tudo, aprovando-a, ou modificando-a à sua vontade, pode dizer-se que ela é, em grande parte, obra deles, porquanto a intervenção que tiveram não se limitou aos artigos que trazem assinaturas. São poucos esses artigos, porque apenas apusemos nomes quando isso nos pareceu necessário, para assinalar que algumas citações um tanto extensas provieram deles textualmente. A não ser assim, houvéramos de citá-los quase que em todas as páginas, especialmente em seguida a todas as respostas dadas às perguntas que lhes foram feitas, o que se nos afigurou de nenhuma utilidade.

*Os nomes, como se sabe, importam pouco, em tais assuntos. O essencial é que o conjunto do  trabalho  corresponda  ao  fim  que  colimamos.* 

O  acolhimento  dado  à  primeira edição, posto que imperfeita, faz-nos esperar que a presente não encontre menos receptividade. Como lhe acrescentamos muitas coisas e muitos capítulos inteiros, suprimimos alguns  artigos,  que  ficariam  em  duplicata,  entre  outros  o  que  tratava  da  Escala espírita, que já se encontra em “O Livro dos Espíritos”. Suprimimos igualmente do “Vocabulário”  o  que  não  se  ajustava  bem  no  quadro  desta  obra,  substituindo vantajosamente o que foi supresso por coisas mais práticas. Esse vocabulário, além do mais, não estava completo e tencionamos publicá-lo mais tarde, em separado, sob o formato de um pequeno dicionário de filosofia espírita. Conservamos nesta edição apenas as palavras novas ou especiais, pertinentes aos assuntos de que nos ocupamos.

Maternidade!

*&*

Ao pisar nesse chão de terra batida

Depois de nove meses naquela barriga

Sem lembrar que era um mundo de prova e expiação

Chorou como cria que não sabe o rumo

E nas suas retinas o rosto da mãe era o próprio prumo

Ela então lhe aconchega sobre o próprio peito

Garantindo o direito ao calor e a amamentação

E a lei do esquecimento era uma brandura viva

Todo tempo de consciência e de vida antiga

Veio morar no olhar emocionado dessa mãe tão linda

Ela tinha então a pele e a beleza de uma alegre idade

Eram medos, eram sonhos e uma insegurança,

É a criança que tira do ventre outra criança

Tinha o tempo, tinha abrigo e amor no coração,

Seus olhares se cruzaram numa transversal eterna

Suas mamas, a cesária e a dor punham peso em suas pernas,

E aquela alma revestindo tão diminuto corpo

Era seu par no seu colo neste novo caminho

Era linda essa alma de afinidade

Tinha o riso da mais antiga amizade

Era um filho, era um sonho e uma preocupação,

Era Deus quem controlava as batidas do seu coração

Adolescente, mulher feita e agora mãe,

Já rezava á cada choro pedindo proteção

Só o tempo que reinava sobre seu destino

É quem diria do amor e da parceria desse menino

Uma semente de urucum e baobá

Que essa mãe fez andar, escrever e até versar,

E o Evangelho ela fez ele soletrar…

Hoje um laço, uma saudade que já sabe até psicografar!

*&*

Ademário da Silva!

27 de julho de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 

DúhCristina

Identidade…

*&*

Se eu soubesse,

A receita pra costurar a saudade no mais lindo refrão

E se pudesse,

Abrir as cortinas da eternidade com a voz do coração

Se eu soubesse,

A moral que mora no verdadeiro perdão

Dividiria,

A luz que emana do Evangelho como quem reparte o pão

Se eu soubesse,

Que a dor que agride, entristece e enfraquece é a mais pura equação.

Se eu cantasse,

Todo verso e rima, melodia e cantiga tal a mais profunda oração

Se eu tivesse,

Humildade e simplicidade no gesto, conduta e na emoção,

Se compreendesse,

Que a leitura e o estudo são as ferramentas que quebram grilhões

Se eu tivesse,

A mansuetude de quem confia em Deus sem titubear

Conseguiria,

Um tesouro de certezas, virtudes e sorrisos reais,

E então teria,

Gestos firmes, passos certos, mão que ajuda, conserta e cria.

Todo dia,

Eu teria gratidão, paciência e resignação,

Pra saldar toda dor, toda sombra e desilusão.

Eu faria,

A mudança, a reforma e a renovação,

Se eu soubesse então poria o bom senso na pauta da teimosia

Se eu pudesse não transgredia

Se eu quisesse,

Rasgava toda dor em versos de alegria

Pra descobrir,

Que a perfeição que me encanta depende de mim

Que a mediunidade é ferramenta que eu pego emprestado dos céus

Que toda luz e conhecimento  são flores e frutos nascidos no coração de Jesus…

Mas eu nem sei nem quem sou,

Mas o caminho da evolução é eterno, infinito e misterioso.

O Pai é Justo,  Bondoso, Amorável e Misericordioso,

A deficiência do corpo ou da alma é a dor que incide sobre orgulho e a vaidade

Identidade imortal só se conquista com a chancela da simplicidade!

*&*

Ademário da Silva

20 de julho de 2018.

 

 

 roxas

DEDICATÓRIA

 

Num belo apólogo conta Rabindranath Tagore que um lavrador, a caminho de casa, com a colheita do dia, notou que, em sentido contrário, vinha suntuosa carruagem, revestida de estrelas. Contemplando-a, fascinado, viu-a estacar, junto dele, e, semi-estarrecido, reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas.

 

O quê? – refletiu espantado – o Senhor da Vida a rogar-me auxílio, a mim, que nunca passei de mísero escravo, na aspereza do solo?

 

Conquanto excitado e mudo, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga.

O Senhor agradeceu e partiu.

Quando, porém, o pobre homem do campo tornou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento. O grânulo de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola, transformado em pepita de ouro luminescente.

 

Deslumbrado, gritou:

– Louco que fui! . Porque não dei tudo o que tenho ao Soberano da Vida?

 

Na atualidade da Terra, quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, sabemos que o Cristo pede cooperação para a sementeira do Evangelho Redivivo que a Doutrina Espírita veicula. E, entregando este livro humilde à circulação das idéias renovadoras – trabalho despretensioso que não chega a valer um grão de trigo da verdade -, imagino nestas cartas e crônicas, que passo às mãos de leitor amigo, um punhado de acendalhas para o lume da Nova Revelação, e repito reverente, ante a bondade do Eterno Amigo:

 

– Ah! Senhor! . Compreendo a significação de teus apelos e a grandeza de tua magnificência, mas perdoa ao pequenino servo que sou, se nada mais tenho de mim para te dar!

 

Espírito: Irmão X.

 

Uberaba, 18 de abril de 1966.

 

Comentários meus…

O que Jesus nos pede não está fora do nosso alcance ou capacidade, aliás, como na parábola da viúva e seu óbolo, verificamos que o Mestre valoriza o pouco dado com desprendimento, amor e caridade. Lembro-me de mamãe que nos dizia, enquanto éramos crianças, e sobejamente: “O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus não é nada”.

Então podemos acreditar fundamente no conceito: “O bem que faças aqui, será teu advogado em toda parte, tempo e distância”. E ao nos depararmos com a parábola de Tagore, fica-nos extremamente claro a partilha dos pães pode literalmente alimentar muitos, mas também trará de retorno bens espiritualmente saudáveis que serão multiplicados “á cento por um”, segundo á afirmação evangélica.

Mas, de ordinário agimos com egoísmo em nome  de uma previdência cheirando á usura e mesquinhez, como se a ganância fosse lei natural a acobertar nossa maldade, posto que o Evangelho segundo o Espiritismo nos mostra que não fazer o bem, já um mal em si mesmo. Porque o mal só tagarela onde mal não dialoga, ou seja, a ausência do bem abre campo á proliferação do mal; posto que onde o bem não age o mal é o pai da miséria e de todo descuido.

Conquanto a maioria de nós mesmo, vivemos aqui á tudo pedir ao Pai e ao Mestre Jesus, quem nos pede que façamos algo na erradicação da miséria, da dor e do sofrimento é o próprio Cristo que ainda nos devolve o pouco bem que fizermos em pepitas de luz, moedas que nos faltam na completude da riqueza espiritual que devemos construir ao longo de todas as vidas que as reencarnações nos permitem.

E olha que nós, ou melhor, toda a humanidade, carregamos preciosa carga no trajeto evolutivo que nos compete percorrer; vejamos: enquanto encarnados um corpo físico, qual perfeito instrumento dotado de cérebro que nos ajuda á pensar, raciocinar, planejar, imaginar e criar…

Um coração, dístico conceitual do amor que veiculamos em cada expressão do pensamento, em cada gesto e atitude…

Um par de olhos que nos permite enxergar a vida, a natureza e os seres humanos como nós mesmos… Juntando em manifestações o cérebro e os olhos, temos as ferramentas ideais de aprendizados, culturais, escolares e espirituais…

Braços, pernas e mãos que nos ensejam oportunidades de caminhar, dançar, construir, fazer e se sustentar no equilíbrio do tempo e da vida…

As mãos que trabalham e fazem artes de todos os gêneros, escrevem os versos da poesia da vida, acariciam os amores e afetos e ainda podem amparar os desvalidos…

Todo sistema respiratório e também o digestivo na sustentação da vida do corpo. Com eles respiramos os ares do mundo em toda latitude e longitude; e desfrutamos de alimentos e acepipes, guloseimas e licores de todos os sabores e diversidades gustativas…

E tantos outros recursos trazemos em nós mesmos, que reclamar ou malbaratar a oportunidade é decretar sentenças de sombras e desamores por muito tempo em nossas vidas…

Haja vista, o lavrador protagonista da apologia supracitada, por ser avarento, embora trabalhador, desacreditou da possiblidade de o Mestre Jesus lhe pedir algo, por se considerar insignificante na estrutura existencial desenvolvida por Deus, e cedeu muito pouco do que tinha em mãos, sem se dar conta de que tudo que ofertarmos á Jesus, Ele multiplica por valores espirituais ainda em desconhecimento aqui na Terra. Assim sendo, espantou com o pouco resultado de sua caridade mesquinha e ainda demonstrou avareza maior por calcular que se mais tivesse dado mais teria recebido, sem entender que os óbolos oferecidos por Jesus ás nossas atitudes de amor, são configurados por valores espirituais sem uso aqui na Terra.

Precisamos compreender urgentemente que tudo que oferecermos ao Senhor da Vida, é riqueza espiritual garantida como resultado da caridade moral aplicada.

*&*

Ademário da Silva

21 de julho de 2018.Amigo Jesus.1

Intuições…

Andando…

*&*

No firmamento coalhado de estrelas

Estrelas respingadas de azuis

Azuis que realçam os tons de prata e

Ouro esverdeado, boreais em tons mesclados,

Luzes da manhã que sugerem oração

O Cristo Amigo Irmão, poeta da emoção,

Emoção pura e cristalina

Sementes de verdades

Que brotaram em Doutrina

No firmamento, bem de perto,

As estrelas são azuis

E por certo os sentimentos também o são

Oração mais colorida que a simplicidade emite

Canções, acordes e bordões,

Ações que a caridade exige

Na brisa boreal de um novo tempo

Ando sobre versos, reversos da mudez,

Piso sobre rimas espargidas sobre o éter

Ouço a eternidade em seu silêncio tão Divino

Me guiam as canções da amizade

Nas tardes tão azuis do firmamento

Faça da canção oração que se decide

Que o amor em sons incide

Pleno como se fosse uma oração!

*&*

Ademário da Silva

17 de julho de 2018.

 

 aurora boreal

Seis anos de saudades do nosso filho que foi embora em 12 julho de 2012.

Eduardo Ademário Pizindin

*&*

Trancei versos de intuição

Chamei a lua na rimação pra descobrir

Que a saudade tem sempre razão

Quando o amor é raiz do tempo

Sementes dos passos

Flores de abraços

Até que a vida exige um sentido

Intrometido no enredo

Um tal de medo na perspectiva

Vinte e três de março uma equação transitiva

A marrentice reencarnou de mim,

Da Cristina e do amor de nós

Na saída do ventre o teu choro me fazia contente

E o dia revelava a alma entrelaçada na afinidade

E foram tantos marços nos teus calcanhares

Tantas conversas recheadas de risos

Que meu coração acreditou no tempo

A infância, adolescência e maturidade,

Na velocidade de um cometa

Sonhavas risos numa partida de futsal

O mal dos sonhos são os maus humores

Riscastes versos numa batida de funk

Aulas, namoradas e noites,

E um açoite costurava dores, dessas que não tem explicações,

Na contramão da vida a morte silenciou tua voz e nós

Vinte e três de março o abraço da vida

Doze de julho uma estranha viagem

E a tua ausência uma sentença de saudade

E bem verdade que a separação doeu, doeu, doeu…

Como uma noite sem luz, uma rua sem sonhos,

Intransitiva sentença na rima de uma oração silente

O fato chocou como um desacato aos corações amados

O calendário revelou dois mil e treze

A psicografia cicatrizou a dor

E hoje novamente é julho do dia doze

Quero te dizer que mesmo assim Deus sempre anda certo

Não temos você por perto no trato, no tato e no teto,

E mesmo neste tempo incerto a fé traçou outro enredo

E a saudade perdeu o medo, já não vive na incerteza,

A realeza foi viver contigo por vinte anos, três meses e toda amizade,

E o nosso amor ainda imperfeito sonha com o direito de viver de novo

No mesmo passo, no velho sonho versando os ideais,

Nossa saudade é uma rima viva que Deus permite pela eternidade

E pra você Eduardo Ademário todo vocabulário do nosso amor

Em vibrações, de paz, compreensão, amizade e muito respeito!

*&*

Um beijo do pai e da Dona Silvana

Dos sobrinhos, da sobrinha e das manas!

12 de julho de 2018.

Ademário da Silva.

 

 

 

 

 

 

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