Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendi, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

ESTUDOS DO LIVRO: LIÇÕES PARA A FELICIDADE

(Divaldo Franco Joanna de Ângelis /=/ Espírito)

  1. INSTINTO E INTELIGÊNCIA

Pergunta – 74 do Livro dos Espíritos

Pode estabelecer-se uma linha de separação entre o instinto e a inteligência, isto é, precisar onde um acaba e começa a outra?

“Não, porque muitas vezes se confundem. Mas, muito bem se pode distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência”.

 

Herdeiro das próprias experiências, o Espírito vem se desenvolvendo ao largo dos milênios, alcançando patamares de evolução mais elevados e ricos de conhecimentos, assim como dos sentimentos.

Simples e ignorante nos seus primórdios, é portador de dos tesouros divinos que nele jazem adormecidos, despertando lentamente durante o pélago das reencarnações até atingir a angelitude, que lhe está reservado.

A princípio, nesse psiquismo sem experiências, apresentam-se os impulsos que são o surgimento dos instintos, predominando aqueles que fazem parte da sobrevivência para a conservação da vida, tais como a nutrição, a reprodução, o repouso. Concomitantemente têm início às manifestações primárias da luta para conseguir o atendimento dessas necessidades básicas, logo resvalando para a agressividade e a violência, que exteriorizam os desejos ainda infrenes que são predominantemente em essa natureza fortemente animal.

À medida que se ampliam as áreas do relacionamento social, despontam as disputas pela posse, surgem as paixões dominadoras, aparecendo ao lado da competitividade, o ódio, o rancor, o desejo de vingança quando se encontra contrariado, o ciúme, a inveja, a astúcia para enganar, e as torpes condutas para disfarçar a inferioridade.

De igual modo, despontam os primeiros sentimentos de afetividade, de compaixão, de amparo e apoio aos seus – grupo social e consanguíneo – que se dilatarão através das futuras experiências aos enobrecidos devotamento e abnegação que convidam a doação da própria vida, se necessário, em favor do seu próximo.

Desponta espontaneamente a inteligência, no início como manifestação do instinto que não discerne, apresentando-se com a complexidade de valores que a constituem e se desenvolvem ao largo das necessidades evolutivas e dos desafios ambientais, sociais, morais e espirituais.

A inteligência passa a comandar as ações, sendo vítima, muitas vezes, das artimanhas dos instintos, que a municiam de recursos para serem atingidos os fins que elaboram, especialmente na predominância das suas paixões.

Assim deu-se no desenvolvimento das forças guerreiras, que equiparam o ser de armas cada vez mais poderosas e portadoras de forças de extermínio mais rápido e violento, até o momento da construção dos denominados mísseis inteligentes conduzidos por computadores.

Somente pelas consequências lamentáveis que se dão quando utilizada para o crime e para o egoísmo, é que a inteligência se direciona para os valores éticos e as emoções enobrecidas, trabalhando o potencial inato em favor do progresso e da felicidade.

No dia em que se unam os tesouros de alguns dos instintos transformados em sentimentos e de outros convertidos em inteligência lúcida, será adquirida a sabedoria, que os harmonizará em um todo de paz.

Toda vez que o indivíduo reage, dominado por qualquer tipo de violência, os atos que disso de correm são manifestações dos instintos agressivos que nele predominam.

Quando, ao invés do revide ou autodefesa, age com equilíbrio e compaixão pelo opositor, é um resultado de expressão da inteligência.

O instinto impõe, enquanto a inteligência expõe.

O primeiro é imperioso e dominador, enquanto a segunda se exterioriza através de argumentos claros e lógicos, predispondo á aceitação.

O instinto é manifestação automática do organismo, entretanto a inteligência é expressão do pensamento  que, á medida que se ilumina, mais lúcido e dinâmico se apresenta.

O instinto sempre se exterioriza armado, em mecanismo de autodefesa, preservando a própria vida. A inteligência desarma-o de agressividade, porque reconhece que a melhor maneira de manter-lhe a existência é trabalhar a paz e o desenvolvimento ético.

O instinto leva ao desespero, e suas reações produzem desarmonia mental, intoxicando a razão toda que se exalta e se acredita em risco, perseguido ou não. Por sua vez, a inteligência, quando liberada dos artifícios do instinto, aclara a situação, mesmo quando desagradável, propondo soluções de bem-estar e de efeitos saudáveis.

Um sempre tirânico, porque não raciocina, enquanto a outra, que se pode apresentar cruel e perversa, pode ser ainda mais iníqua, exatamente porque pensa e pode elaborar instrumentos de vingança, de destruição, de maldade e de crueza…

Nesse conturbar de emoções entre o instinto e a inteligência, os sentimentos, forjado no sofrimento ou nas aspirações do amor enobrecido, tornam-se responsáveis pela conduta de ambos na exteriorização das funções na vida.

Os instintos são essenciais á existência, porque preservam as heranças do desenvolvimento antropológico do ser e continuam agindo com seus automatismos para preservação do corpo.

A inteligência é-lhe fundamental para a conquista do infinito, em razão de facultar-lhe recursos que tornam a qualidade de vida muito melhor e abrem espaço para as conquistas tecnológicas, artísticas, culturais, religiosas e espirituais, respondendo-lhe pelas realizações sociopsicológicas.

Os instintos, pois, e a inteligência, são os dois fatores que, harmonizados, transformam o homem em anjo e o bruto em santo.

O instinto, quando desenvolvido e educado, torna-se um sentido a mais, vigilante no organismo em defesa de sua estrutura biológica, e a inteligência é a luz balsâmica a conduzi-lo no labirinto das agressões externas que o ser deve enfrentar.

Judas, por instinto infeliz, de medo e de ambição desmedida, enganou-se, traindo Jesus.

Maria Madalena, guiada pela inteligência que a induziu a libertar-se dos instintos vis que a dominavam, encontrou Jesus e liberou-se do vício, sublimando os sentimentos em que chafurdava.

Átila, guiado pela fúria do instinto perverso, assolou grande parte do mundo do seu tempo e sucumbiu devorado pelo ódio.

Agostinho de Hipona, reconhecendo, pela inteligência, a grandeza de Jesus e de Sua mensagem, superou os tormentos íntimos do instinto sexual e fez-se modelo de equilíbrio para si mesmo e para a posteridade.

Pilatos, lavou as mãos, por instinto, evitando envolver-se na trama da covardia farisaica e, por falta de inteligência lúcida, comprometeu-se vilmente, perdendo a oportunidade feliz que se lhe deparara.  

Guiado pela inteligência iluminada pelo sentimento de amor, o instinto se transforma em instrumento de felicidade.

Mediante, portanto, os atos que decorrem da conduta humana, pode-se saber quando são procedentes do instinto ou da inteligência.

 

 

Vocabulário:

Instinto: Impulso natural: instinto de conservação. Por instinto, por uma espécie de intuição; sem reflexão: ele agiu por instinto.

Inteligência: Faculdade de conhecer, de compreender: a inteligência distingue o homem do animal. Compreensão; conhecimento profundo: Destreza, habilidade: Boa convivência, união de sentimentos: viver em perfeita inteligência com.

Primórdios: O que foi organizado de antes dos demais; aquilo que se arruma primeiro. O momento relacionado à origem ou surgimento de…

Pélago: [Marinha] profundo, longe das costas. Abismo.[Figurado] Imensidade; profundidade.

Pélago é sinônimo de: profundidade, abismo, voragem, pego

Concomitantemente: Simultaneamente; ao mesmo tempo; de maneira simultânea: participava concomitantemente da escola e do coral. Produzido em simultâneo com outra coisa: empresa produz conteúdos para sites e para a rede concomitantemente. Concomitantemente é sinônimo de: simultaneamente

Infrenes: adj. Sem freio; desenfreado, descomedido.

Astúcia: Esperteza; habilidade de quem não se deixa enganar. Astúcia; qualidade de quem age de modo a buscar benefícios e vantagens às custas de outras pessoas; característica da pessoa astuta, ardilosa, velhaca.[Por Extensão] Traquinice; comportamento de quem é travesso ou traquinas.(Etm. do latim: astutia.ae)Astúcia é sinônimo de: esperteza, subtileza, manha, ardil, traquinice, solércia, sagacidade, lábia, finura, artifício, argúcia, agudeza, paleio, tropelia

Torpes: adj. Depravado; que insulta os bons costumes: motivo torpe. Asqueroso; que causa nojo; que é nojento: ação torpe. Enodoado; que…

Discerne: Discerne vem do verbo discernir. O mesmo que: compreende, diferencia, diferença, discrimina, distingue. Demonstrar entendimento em relação a; ter a capacidade para entender (algo ou alguém); compreender: sempre soube discernir os resultados de seus atos. Entender alguma coisa com propriedade: o perito consegue discernir uma obra de arte.

Artimanhas:  Ações, comportamentos ou maneira de se portar que pode levar alguém ao erro; maneira de enganar (alguém) para conseguir…

 

Predominância: Caráter do que é predominante; predomínio. Predominância é sinônimo de: preponderância, preeminência, hegemonia, supremacia

 

Mísseis: Mísseis é uma palavra derivada de míssil
Míssil: s.m. Projétil de propulsão própria e dirigível durante todo o trajeto ou parte dele. (Os mísseis são balísticos ou não, conforme sejam ou não dependentes de sua própria gravitação. Conforme seu ponto de lançamento e seu objetivo, os mísseis são classificados em míssil ar-ar, disparado de um avião contra alvos aéreos; ar-solo ou, mais geralmente, ar-superfície, lançado de um avião contra alvos de superfície, em terra ou no mar; mísseis-alvos, destinados às experiências dos mísseis ar-ar ou ar-solo, ou ao treinamento do pessoal; míssil solo-ar, ou mais geralmente superfície-ar, lançado do solo ou de um navio contra alvos aéreos; míssil solo-solo ou, mais geralmente, superfície-superfície, lançado de um ponto da superfície terrestre ou de um navio contra um alvo terrestre ou marítimo. Distinguem-se os mísseis táticos, destinados a substituir ou a prolongar a ação das armas tradicionais, e os mísseis estratégicos [de 2.000 a 14.000 km de alcance]. Os mísseis podem ser munidos de uma ogiva atômica.) (V. também ASTRONÁUTICA e FOGUETE.)

Mísseis inteligentes são comandados por computadores.

Inato: Que faz parte do indivíduo desde o seu nascimento; que nasce com o indivíduo; inerente ou congênito. [Filosofia] De acordo com o cartesianismo, o que tem sua origem na mente, sem que isso esteja relacionado com a imaginação criadora e/ou com a experiência sensível. [Por Extensão] Filosofia Moderna. Cuja origem e/ou derivação se baseia no que está inerente à mente e/ou ao desenvolvimento da inteligência (entendimento), ao invés de ser construído a partir da experiência (prática).

Dinâmico: Que se altera de modo contínuo; que tende a evoluir; em que há movimento e mudança; que se adapta com facilidade: personalidade dinâmica.[Figurado] Empreendedor; que expressa criatividade, agilidade ou diligência.[Figurado] Enérgico; que está cheio de energia, de iniciativa, de atividade.

Tirânico: Déspota; que demonstra ou pratica tirania; que usa de um poder soberano e injusto para governar: ditador tirânico. Cruel; capaz de tiranizar; que pratica atos de maldade; que age violentamente e sem piedade.[Figurado] Que exerce uma influência impossível de se resistir: a tirania da beleza.(Etm. do grego: turannikós)

Iníqua: iníquo adj. Injusto; que se opõe à equidade, ao que é justo. Mau; que revela perversidade; característica de quem é malévolo. (Etm. do…

Forjado: Característica do que se forjou, do que foi moldado em forja para adquirir um determinado aspecto ou uma determinada forma. Expresso ou revelado de maneira verdadeira e genuína.[Figurado] Fictício ou inventado: o bandido havia forjado as provas do crime.(Etm. Part. de forjar)

Automatismos: Caráter do que é automático. Falta de vontade própria. Diz-se de uma atividade literária, em que o autor se deixa levar exclusivamente pelo subconsciente.

  • Sociopsicológicas: psicossociológico  adj (psico+sociológico) Relativo à psicossociologia.
  • idiopsicológico adj (idio+psicológico) Concernente às idéias próprias.
  • biopsicológico adj. Biologia. Psicologia. Que possui elementos biológicos e/ou psicológicos (ao mesmo tempo); que se refere a biologia e/ou a…
  • psicofisiológico adj (psico+fisiológico) Relativo à psicofisiologia; fisiopsicológico.

Psico: [Medicina] Termo que indica alma, espírito, mente.

Estrutura: Modo como alguma coisa é construída, organizada ou está disposta: a estrutura de uma empresa. Aquilo que serve de base para;…

Biológica: se refere a            Ciência da vida. Biologia animal, estudo dos organismos animais. Biologia celular, estudo do funcionamento da célula. Biologia vegetal, estudo dos organismos vegetais.

Chafurdava: Chafurdava vem do verbo chafurdar. O mesmo que: atascava, atolava, enchafurdava. Deitar ou deitar-se na lama (chafurda); revolver-se no chão: os selvagens chafurdavam (no lamaçal); não se chafurdavam na lama.[Figurado] Colocar mancha em; lançar mácula a; macular: chafurdaram uma reputação inteira; chafurdou o pai na desonestidade.[Figurado] Estar envolto por vícios ou baixaria; render-se à indignidade; corromper: chafurdava na baixaria.

Ademário da Silva

09 de outubro de 2016.

 

 

 

 

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