Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendi, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Arquivo para 17/08/2018

A vida depois que o corpo silencia…

A LUTA CONTINUA

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ENSINAMENTOS ESPÍRITAS, EXTRAÍDOS DO LIVRO “VOLTEI” DO IRMÃO JACOB, PSICOGRAFADO POR FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

 

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IRMÃO JACOB.

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Sobre a morte do corpo…

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*Enquanto no corpo, não formulamos a ideia exata do que seja a realidade, além da morte. Ainda mesmo quando o Espiritismo nos ajuda a pensar seriamente no assunto, debalde tentaremos calcular relativamente ao futuro, depois do sepulcro.

Os quadros sublimes ou terríveis no plano externo correspondem de alguma sorte, à nossa expectativa; contudo, os fenômenos morais, dentro de nós, são sempre fortes e inesperados.*

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*Antes da passagem, tudo me parecia infinitamente simples!

Não passaria a morte de mera libertação do Espírito e mais nada. Seguiria nossa alma para esferas de julgamento, de onde voltaria a reencarnar, caso não se transferisse aos Mundos Felizes.*

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*Compreendo hoje que aceitar esta fórmula seria o mesmo que menoscabar a existência humana, declarando-se que o homem apenas renascerá na Terra, respirará entre as criaturas e, em seguida, se libertará do corpo de baixa condensação fluídica.*

*Quantos conflitos, porém, entre o aparecimento e a desagregação do veículo carnal?*

Quantas lições; entre a infância e o declínio das forças físicas?*

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*Reconheço, presentemente, que as dificuldades não são menores para a alma liberta dos mais pesados impedimentos do plano material. Entre o ato de perder a carcaça de ossos e a iniciativa de reencarnação ou de elevação, temos o tempo, e o

conteúdo desse tempo reside em nós mesmos. Quantos óbices a vencer, quantos enigmas a solucionar?*

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*Acreditei que o fim das limitações corporais trouxesse inalterável paz no coração, mas não é bem assim.

No fundo, em nossas organizações religiosas, somos uma espécie de combatentes prontos a batalhar a distância de nossa moradia e, quando nos julgamos de posse da vitória final, tornamos ao círculo doméstico para enfrentar, individualmente, a mesma guerra, dentro de casa. Vestimos a roupa de carne, a fim de lutar e aprender e, se muitas vezes sorvemos o desencanto da derrota, em muitas ocasiões nos sentimos triunfadores. Somos, então, filhos da turba distraída, companheiros de mil companheiros, cooperadores de mil cooperadores.*

 

*Chegou, no entanto, o momento em que a morte nos reconduz à intimidade do lar interior. E se não houve de nossa parte a preocupação de construir, aí dentro, um santuário para as determinações divinas, quantos dias gastamos na limpeza, no reajustamento e na iluminação?*

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Oh! Meus amigos do Espiritismo, que amamos tanto!

 

*É para você – membros da grande família que tanto desejei servir – que grafei estas páginas, sem a presunção de convencer! Não se acreditem quitados com a Lei, por haverem atendido a pequeninos deveres de solidariedade humana, nem se

suponham habilitados ao paraíso, por receberem a manifesta proteção de um amigo espiritual! Ajudem a si mesmos, no desempenho das obrigações evangélicas! Espiritismo não é somente a graça recebida, é também a necessidade de nos espiritualizarmos para as esferas superiores.*

 

*Falo-lhes hoje com experiência mais dilatada.

Depois de muitos anos, nas lides da Doutrina, estou recompondo a aprendizagem, a fim de não ser o companheiro inadequado ou o servo inútil. Guardem a certeza de que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo não é apenas um conjunto brilhante de ensinamentos sublimes para ser comentado em nossas doutrinações – é Código da Sabedoria Celestial, cujos dispositivos não podemos confundir.

Agradeço, sensibilizado; a colaboração de Emmanuel e de André Luiz, nos registros humildes de meu refazimento espiritual, nestas páginas que endereço aos irmãos de ideal e serviço.

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Se a vigília se tornara menos agradável, o sono fizera-se-me doloroso.

* “O Senhor é nosso Pastor; nada nos faltará. Deitar-nos faz em refúgio de esperança, guia-nos suavemente águas do repouso”.

Refrigera-nos a alma, conduz-nos pelas veredas da justiça, na qual confiamos por amor ao seu nome.

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Ainda que andemos pelo vale da sombra e da morte, não temeremos mal algum, porque Ele está conosco; a sua vontade e a sua vigilância nos consolam.

Prepara-nos mesa farta de bênçãos, ainda mesmo na presença dos inimigos que trazemos dentro de nós, unge-nos a cabeça de bom ânimo e o nosso coração transborda de júbilo.

 

Certamente que a bondade e a compaixão do Senhor nos seguirão em todos os dias da vida e habitaremos na sua Casa Divina, por longo tempo.

Assim seja “”.*

 

À medida que sua voz pronunciava o texto antigo, multiplicando-me as lágrimas abundantes e espontâneas, dores cruéis me assaltavam a região torácica.

Vim saber, mais tarde, que aqueles sofrimentos provinham da extração de resíduos fluídicos que ainda me enlaçavam à zona do coração.

 

Enquanto nos debatemos na lida material, quase nunca nos recordamos de que somos seguidos pelo testemunho do plano espiritual, nos mínimos atos da existência.

 

Com gentilezas, explicou-me Bezerra que o processo liberatório corria normal, que me não preocupasse com as delongas, porque a existência que eu desfrutara fora dilatada e ativa. Não era possível – disse, bondoso – efetuar a separação de organismo espiritual com maior rapidez. Esclareceu também que o ambiente doméstico estava impregnado de certa substância que classificou por “fluídos gravitantes”, desfavorecendo-me a libertação.

 

Dentro em pouco, no entanto, o coração se refez, equilibrou-se a respiração e Bezerra surgiu, sorridente, a indagar se o desligamento ocorrera normal.

Abraçaram-me os três, satisfeitos.

Explicou-me o respeitável benfeitor que, até ali, meu corpo espiritual fora como que um “balão cativo”, mas doravante disporia de real liberdade interior. Pensaria com clareza, movimentar-me-ia sem obstáculos e deteria faculdades mais precisas.

 

Com efeito, não obstante sentir-me enfraquecido e sonolento, guardava mais segurança. Meus olhos e ouvidos, principalmente, registravam imagens e sons, com relativa exatidão. As perturbações da hora não me afetavam com intensidade de minutos antes.

 

Esclareceu Bezerra que, na maioria dos casos, não seria possível libertar os desencarnados tão apressadamente, que a rápida solução do problema liberatório dependia, em grande parte, da vida mental e dos ideais a que se liga ao homem na experiência terrestre.

 

O Irmão Andrade acentuou que, livre dos últimos remanescentes do corpo carnal, eu conseguiria aproximar-me dos amigos, sem choques de maior importância, aconselhando, porém, a não me avizinhar em demasia das vísceras cadavéricas, em cuja contemplação, talvez fosse acometido por impressões desequilibrantes.

 

Quantas vezes; julguei que morrer constituísse mera libertação, que a alma, ao se desvencilhar dos laços carnais, voejaria em plena atmosfera usando as faculdades volitivas! Entretanto, se é fácil alijar o veículo físico, é muito difícil abandonar a velha morada do mundo.

 

Posso hoje dizer que os elos morais são muito mais fortes que os liames da carne e, se o homem não se preparou, convenientemente, para a renúncia aos hábitos antigos e comodidades dos sentidos corporais, demorar-se-á preso ao mesmo campo de luta em que a veste de carne se decompõe e desaparece. E se esse homem  complicou o destino, assumindo graves compromissos à frente dos semelhantes, através de ações criminosas, debater-se-á, chorará e reclamará embalde, porque as leis que mantêm coesos os astros do Céu e as células da Terra lhe determinam o encarceramento nas próprias criações inferiores.

 

Se o bem salva e ilumina, o mal perde e obscurece.

Livremo-nos do débito, para que não venhamos a mergulhar no resgate laborioso, e corrijamos o erro, enquanto a hora é favorável, evitando a retificação muita vez dolorosa.

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O Espírito demasiadamente ligado aos interesses humanos acusa a necessidade de amplo mergulho na inconsciência quase total, depois da morte. A ausência de motivos nobres, nos impulsos da individualidade, estabelece profunda incompreensão na alma liberta das teias fisiológicas, que se porta, ante a grandeza da espiritualidade superior, à maneira do selvagem recém-vindo da floresta perante uma assembleia de inteligências consagradas às realizações artísticas; quase nada entende do que vê e do que ouve, demonstrando a necessidade de compulsório regresso à tribo da qual se desligará vagarosamente para adaptar-se à civilização.

Não ocorre o mesmo com o Espírito médio, portador de regular cultura filosófico-religioso e, sem compromissos escuros na experiência material; quanto maior o esforço das almas dessa espécie por atenderam aos desígnios divinos, no campo físico, mais vasta é a lucidez de que se fizeram dotadas nas esferas de além-túmulo.

 

O descanso, pois, além da morte, para as criaturas de condição mais elevada, deixa, assim, de ser imersão mental nas zonas obscuras do mundo para ser voo de acesso aos domínios superiores da vida.

 Vivendo encarnados no Planeta quase dois bilhões de individualidades humanas, esclareceu o benfeitor que mais de um bilhão é constituído por Espíritos semicivilizados ou bárbaros e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passam de seiscentos milhões, divididas pelas várias famílias continentais. (informações colhidas via mediunidade em 1948)

 

Podemos simbolizar a mente numa casa suscetível de povoar-se com valores legítimos ou transitórios, quando não esteja atulhada de inutilidades e viciações.

Alimentando-se na Crosta da Terra com muitas idéias e paixões não perduráveis, aproveitadas pelo Espírito apenas por material didático, a não ser em processo expiatório, para esvaziar-se do mal ou da ilusão, não lhe é possível o mergulho indiscriminado no pretérito, medida essa que lhe seria ruinosa, mormente na ocasião em que se desenfaixa do corpo denso, de carne.

 

Explicou que alguns companheiros usam excitações e processos magnéticos para adquirirem a lembrança avançada no tempo; no entanto, de acordo com a própria experiência, aconselhava a submissão aos recursos da Natureza, de modo a retomarmos o pretérito com vagar, sem alterações de consequências deploráveis, até que, um dia, plenamente iluminados, possamos conquistar a memória integral nos círculos divinos.

 

*Primeiras vivências no mundo espiritual*…

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Atravessávamos extensas e formosas avenidas marginadas por vegetação caprichosa e linda, quando tive o contentamento de ver alguns pássaros marcados por peregrina beleza. Cantavam extáticos, quais se fossem minúsculos seres conscientes, glorificando a Divindade.

 

A plumagem luminosa impunha-me assombro.

Trinavam junto de nós, sem temer-nos. Disse-me, então, o amigo Andrade que os seres inferiores, onde quer que se encontrem, refletem, de algum modo, as qualidades dos seres superiores que os cercam e afirmou que os irracionais da esfera carnal poderiam exibir outras condições de aprimoramento, na posição de consciências iniciantes, se os homens adotassem atitude mental mais elevada, perante a vida.

A harmonia do ambiente lembrava uma pastoral divina.

Perguntei a Marta, de súbito, com a aspereza que me é própria, se me seria possível avistar as autoridades administrativas ali sediadas, mas a filha, amorosa e convincente, me pediu aguardasse mais tempo. Reparei o halo de luz que a envolvia e os traços brilhantes que cercavam o Andrade, fixando-me, em seguida, num demorado autoexame.

 

Meu corpo espiritual jazia tão obscuro, quanto o veículo denso de carne.

Compreendi o conselho e, por pouco, não me despenhei no desânimo lamentável. Não trazia ainda comigo suficiente bagagem de luz para buscar, confiante, a aproximação dos espíritos superiores.

A velha ideia de que os desencarnados dormem narcotizados de prazer barato, entre sonhos de incenso contemplativo, perde-se completamente para o Espírito de boa vontade que atravessa as fronteiras do sepulcro.

 

Se há juízes e administradores na Terra que alvejam os cabelos e se cobrem de rugas, na atividade difícil em favor do bem e da paz dos semelhantes; se há homens e mulheres que já experimentam no mundo a coragem serena de abandonar as flores do sangue, colocando-se ao encontro da Humanidade, através dos espinhos do sacrifício e da renúncia, como aceitar um céu, onde os escolhidos sorriem e gozam, ante o infortúnio alheio? Como entender um éden delicioso em que ninguém cogite

de melhorar o purgatório infernal, se um simples político se preocupa em drenar o pântano que lhe prejudica a cidade?

 

Salientou que não vale morrer sem a regeneração íntima, porque ninguém avança um palmo no caminho da eternidade, sem luz própria. Daí continuar acreditando que o maior serviço prestado à Doutrina é, ainda, o da própria conversão ao Infinito Bem.

 

Era tão comum renascer na matéria física, quanto morrer nela e, se a paisagem das esferas felizes era uma realidade atingível, não é menos imperiosa e verdadeira a obrigação de nos aprimorarmos, a fim de merecê-las.

Quando o homem compreender a grandeza da vida e a retidão da justiça, então o quadro terrestre se modificará, orientando-se invariavelmente para o Bem Supremo.

Guillon, robustecido e bem-humorado, aconselhou-me estabelecer paralelo entre o veículo que usávamos, ali, e o pesado corpo de carne que abandonáramos ao solo terrestre e, porque alcançássemos a estação de destino, em minutos breves, afirmou-me que, se há rotas aéreas para os pássaros metálicos da aviação planetária, há rotas espirituais definidas que favorecem a instantânea condução de entidades menos chumbadas às sensações da vida física.

 

Pousando no chão, senti estranha diferença. O contato com a terra; semelhava-se ao de um magneto, o que me obrigou a concluir que a volitação só é possível, com facilidade, na Crosta do Mundo, aos Espíritos mais envolvidos e adestrados na movimentação de certas forças fluídicas.

Comentou Schutel as surpresas dos primeiros dias do homem desencarnado, na vida extracorpórea, alegando que os decênios transcorridos no corpo carnal imprimem hábitos que, efetivamente, passam a constituir uma “segunda natureza” para a individualidade.

 

O que mais me espantava era a expressão espiritual de cada pessoa que me cruzava o caminho. Observei que muitas criaturas permaneciam acompanhadas por

Espíritos benignos ou por sinais luminosos, que me deixavam perceber o grau de elevação que já haviam atingido, mas o número de entidades gozadoras das baixas sensações da vida física, a seguirem suas vítimas, de perto, era francamente incalculável.

 

Dipsomania (necessidade incontrolável de ingerir bebida alcoólica.).                                                                                                        

 O quadro mais inquietante, porém, era constituído por um morfinômano e pelas entidades em desequilíbrio que se lhe jungiam. Parecia um homem subjugado por tentáculos de polvos enormes. Vendo-o aprisionado em cordões escuros, perguntei ao amigo Andrade como interpretar a visão que tínhamos sob os olhos, esclarecendo-me ele, então, que os hipnóticos, mormente aos mais violentos, afetam os delicados tecidos do perispírito, proporcionando doces venenos aos amantes da ociosidade; os fios negros são fluídos de ligação entre as “lampreias” invisíveis e os plexos da vítima encarnada.

a fraternidade é o caminho da salvação.

Reparei, então, com mágoa, a diferença que existia entre mim e os abençoados companheiros que me haviam trazido. Ao passo que nenhum deles era visível aos irmãos ignorantes e perturbados, não obstante as irradiações brilhantes que lhes marcavam a individualidade, notavam-me a presença, aos cursos preparatórios de espiritualidade superior.

 

Se um europeu precisa cuidado ao comunicar-se com um esquimó, de modo a não lhe ferir a posição mental e a fim de não ser tomado por mentiroso, que dizer das medidas que um Espírito desencarnado deverá adotar em face de um amigo ainda enclausurado num corpo terrestre?

 

Por mais que tentem os mensageiros espirituais descrever a grandeza das demonstrações da alma eterna aos ouvidos do homem que se demora no mundo, jamais encontrarão recursos com que expressem a realidade.

Submetido a salutares limitações, o Espírito encarnado é incapaz de traduzir a beleza celeste. A sensibilidade educada na ciência ou na virtude percebe-a qual relâmpago fugaz, tentando aprisiona-la no verbo, no som ou na cor, acessíveis à apreciação humana; todavia, os artifícios da inteligência não bastam para a fixação da claridade divina.

 

A Infinita Sabedoria instala tribunais para julgar aqueles que não a conhecem, porque a ignorância reclama lições, às vezes rudes, dos planos exteriores, mas os filhos do conhecimento santificante condenam ou salvam a si mesmos.

 

Somos células da humanidade militante em busca da Humanidade redimida.

Os círculos de vida que povoamos, agora, são de prosseguimento.

Na experiência humana, temos a semeadura.

Na vida espiritual que nos é acessível começa a colheita.

O favoritismo não existe para o Governo Universal.

A Infinita Sabedoria somente nos assinala, através da Lei.

 

-Há Espíritos que se preparam no mundo para a bendita primavera de trabalho pacífico na esfera superior e há outros que se encaminha, voluntariamente, para o inverso de angústias e trevas, em seguida à perda do corpo.

Impressionamo-nos com o Salvador, nas claridades sublimes da Ressurreição, mas ignoramos o Mestre Crucificado.

 

Agrada-nos dispor, aborrece-nos obedecer.

Buscamos a autoridade, desdenhamos a disciplina.

Exercemos severo exame sobre os atos alheios, sem qualquer vigilância ao próprio coração.

Entendemo-nos perfeitamente com o ruído e com a leviandade do mundo que nos cerca os sentidos inferiores, mas raramente nos comunicamos com o Espírito Sublime do Cristo, na própria consciência.

Sabemos cair depressa, contudo, dificilmente nos decidimos a levantar.

 

Adornamo-nos com as flores de um dia e perdemos os frutos da eternidade.

Sem as qualidades que nos santifique o caráter, dignifique a personalidade, espiritualizem o raciocínio e iluminem o coração, é impraticável a felicidade nos mais gloriosos mundos.

A herança do “círculo consanguíneo”, da “simpatia incondicional”, do “grupo sectário” ou do “impulso preferencial” ainda nos acompanha intensamente à esfera em que me reajusto.

 

O homem agarrado ao prazer fácil de um minuto perde a bendita sementeira da eternidade. Somente por isso é que não extrai do obstáculo, da dor e da dificuldade o conteúdo de alegria imperecível que oferecem à alma.

“Cada Espírito é um mundo vivo com movimento próprio, atendendo às causas que o criou para si mesmo, no curso do Tempo, gravitando em torno da Lei Eterna que rege a Vida Cósmica”.

 

“Dois terços das criaturas humanas encarnadas na Crosta da Terra demoram-se em jornada evolutiva da Irracionalidade para a Inteligência ou da Inteligência para a Razão; a terça parte restante acha-se em trânsito da Razão para a Humanidade”.

 

“Fora do corpo terrestre, mas ligados ao mesmo plano, evoluem bilhões de seres pensantes nas mesmas condições”.

 

“Em esferas mais elevadas do Planeta, outros bilhões de almas caminham da  Humanidade para a Angelitude”.

 

“O processo de educação do Ser para a Divindade tem sua base no reencarnacionismo e no trabalho incessante”.

“O instituto das compensações funciona igualmente para todos”.

 

“Ninguém ilude as leis universais”.

 

“Os recursos de dignificação da individualidade permanecem ao dispor da comunidade planetária nas diversas escolas religiosas da Terra, escolas que se diferenciam no culto externo, de acordo com os impositivos de espaço e tempo, mas que, no fundo e em essência, se irmanam na Fonte da Eterna Verdade, em que a integração da Alma com a Luz Divina se realiza por intermédio do Supremo Bem”.

 

“Jesus é o Ministro do Absoluto, junto às coletividades que progridem nos círculos terrestres; os grandes instrutores do mundo, fundadores de variados sistemas de fé,  representam mensageiros d’Ele, que nos governa desde o princípio”.

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“Toda criatura humana possui consigo as sementes da Sabedoria e do Amor; quando ambientar esses divinos germes, dentro de si mesma, e desenvolve-los amplamente, através dos séculos incessantes, conquistará as qualidades do Sábio e do Anjo, que se revelam na sublime personalidade dos Filhos de Deus, em maioridade divina”.

 

Os Espíritos preguiçosos atrasarão sua marcha, detendo-se na revolta, na inércia ou na rebeldia e serão aproveitados na obra regeneradora ou evolutiva, à maneira dos      corrosivos que servem às tarefas de limpeza, utilizados por mãos hábeis; todavia, os filhos do arrependimento e da boa-vontade encontrarão mil meios de agir e servir, no extenso campo do bem.

 

Assembleias veneráveis de benfeitores congregar-se-ão nos altos cimos em favor de milhões de seres, mas Espírito algum se sentará num trono que não edificou, nem brilhará com alheia lâmpada.

 

Apelos e consolos do campo mais nobre não devem ser interpretados exclusivamente como simples reconforto da proteção afetiva, mas, acima de tudo, por valiosas ferramentas de serviço redentor. Este é um ensinamento que estou aprendendo à

custa de muito esforço e que os amigos esclarecidos da Terra possivelmente evitarão, valendo-se das oportunidades de elevação e aprimoramento que o mundo lhes  oferece.

 

Suas condições psíquicas virão à superfície do rosto e do verbo. Não se deixe abater.

-Jacob; em toda parte seremos defrontados pela própria consciência. Se louvarmos nossos amigos pelo incentivo e pelo júbilo que nos proporcionam, agradeçamos aos nossos adversários gratuitos a ousadia com que nos demonstram as nossas necessidades. Os que nos amam destacam-nos as qualidades excelentes do serviço já feito, na individualidade imperecível, e aqueles que nos desestimam indicam, com franqueza rude, as imperfeições que ainda conservamos conosco. Os afeiçoados e simpatizantes silenciam a respeito das sombras que nos rodeiam, mas os contendores e desafetos as desvendam em nosso proveito, quando encontramos suficiente serenidade para buscar os interesses do Senhor e não os nossos.

 

Pela primeira vez, compreendi que assim como chega um momento em que os juízes do mundo são julgados pelas obras que realizaram, surge também o minuto em que os doutrinadores da Terra são doutrinados pelos serviços que deixaram de fazer.

 

Aprender será sempre valioso trabalho para o coração.

Ama sem paixão, espera sem angústia, trabalha sem expectativa de recompensa, serve a todos sem perguntar, aprende as lições da vida sem revolta, humilha-te sem ruído ante os desígnios superiores, renuncia aos teus próprios desejos, sem lágrimas tempestuosas, e a vontade justa e compassiva do Pai iluminar-te-á constantemente o coração fraterno e o caminho redentor!

 

Aprende a esperar nos serviço edificante, impessoalizando as boas obras. Guarda-te dos maus desejos de tudo dizer indiscriminadamente a um só minuto.

 

O trabalho é das maiores bênçãos de Deus no campo das horas. Em suas dádivas de realização para o bem, o triste se reconforta, o ignorante aprende, o doente se refaz, o criminoso se regenera.

Cada qual tolera a carga que lhe é própria.

Fardos existem de todos os tamanhos e de todos os feitios. 

 Emmanuel

Ademário da Silva

16 de agosto de 2018.

 

 

 

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