Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendi, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Arquivo para agosto, 2018

Saudadeando ainda…

A saudade é um silencio!
*&*
O silêncio e a saudade
Trocam versos em segredos
Rimam sonhos já vividos,
Nos vagidos da emoção
Um refrão não esquecido
Eu te amo por opção!
Se falam, mas não se envolvem no mesmo bordão
O silêncio não é mudo quem lhe ouve é o coração
A saudade é uma distância entre a vida e a sensação
O sentimento é o eco da nossa evolução
A saudade é o silencio da distancia
E o silencio é a saudade do abraço
O toque, o sorriso e o contato,
*&*

Silencie a saudade que a eternidade não revela
A saudade é uma reza, o silencio é oração,
O dia olha a noite pelas frestas da gratidão
Quando a noite vê o dia o orvalho é uma razão
O sereno é a osmose entre o antes e o depois
A saudade asserena quando o silencio compreende
O silencio fala em versos a oração de uma saudade
O silencio é uma saudade
E a saudade um silencio,
Que revela a poesia pelas rimas do que penso!
*&*
Ademário da Silva
28 de agosto de 2018.Eduardinho

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livro: Humorismo no Além – Chico Xavier.

Trovas...

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Livro: Humorismo no Além

sem choro

Jesus, o Cristo, um Mestre por excelência…

Jesus, o amigo!

&

Nos seus passos o caminho milenar é decidido

No seu ninho uma luz que a perfeição tem definido

Nos seus versos consciência da ciência do amor

No coração a liberdade e a verdade de viver

Compreender os seus ensinos da semente até o fruto

Ver a morte sem ser luto consagrar eternidade

E a verdade de então ser

Ser do amor e ser fraterno

Viver bem naquele Reino onde a dor não tem sentido

O perdão constituinte é o requinte de se dar e compreender

Bem ao próximo e á si mesmo.

Seguir a luz que por amor se identifica

Encontrar a diretriz espiritual e infinita

Abandonar a sombra e o mal e ser da alma o próprio sal

Temperar amor e luz, amizade e afinidade,

Na verdade é o Amigo, o Irmão bem mais vivido…

Tanto tempo se passou e a sua luz é a memória

A vida é uma sala de aulas onde o tempo leciona experiências

Morando na caridade e no amor, o templo não me faz nenhum favor,

O jardim já semeado e aberto em tons e flores, eis que amadurece essa Doutrina.

Lança as tuas dores, os teus dramas e desatinos na poeira do horizonte,

Que chamastes de destino

Se aqui na Terra não tem bem que sempre dure

Não se ature e bem menos se demore nas curvas dessa sombra de masmorra

Lembre-se que se meu jugo é suave

A trave em seus olhos não pode permanecer

Porque meu fardo será sempre leve

Pois é composto de luz pra você não mais sofrer!

&

Ademário da Silva

21 de agosto de 2018.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Mestre Jesus Cristo

Estudando a mediunidade com Kardec…

RESUMO…

MÉTODO

Capítulo III = Livro dos Médiuns.

MÉTODO

 

 

*Dissemos que o Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia. Quem desejar conhecê-lo seriamente deve, pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando.*

 

*O Espiritismo, já o dissemos, se relaciona com todos os problemas da Humanidade. Seu campo é imenso e devemos encará-lo, sobretudo quanto às suas consequências.*

 

*A crença nos Espíritos constitui sem dúvida a sua base, mas não basta para fazer um espírita esclarecido, como a crença em Deus não basta para fazer um teólogo. Vejamos, pois, de que maneira convém proceder no seu ensino, para levar-se com mais segurança à convicção.*

 

A que se deve isso? É o que tentaremos demonstrar.

 

*No Espiritismo, a questão dos Espíritos está em segundo lugar, não constituindo o seu ponto de partida. E é esse, precisamente, o erro em que se cai e que acarreta o fracasso com certas pessoas.*

*Sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é então a existência da alma.*

*Como pode o materialista admitir a existência de seres que vivem fora do mundo material, quando ele mesmo se considera apenas material?*

*Como pode crer na existência de Espíritos ao seu redor, se não admite seu próprio Espírito?*

*Todo ensino metódico deve participar do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido é a matéria. Parti, pois, da matéria e tratai de lhe demonstrar, antes de tudo, que há nele próprio alguma coisa que escapa às leis materiais. Numa palavra: antes de torná-lo espírita procurai fazê-lo ESPIRITUALISTA.*

*Se a resposta for negativa, será tempo perdido falar-lhe dos Espíritos. Eis a regra.*

*A maioria se obstina nessa opinião por orgulho e acha que deve mantê-la por amor-próprio.*

 

*Persistem nela apesar de todas as provas contrárias porque não querem ficar por baixo.* *Nada se tem a fazer com eles.*

*já que o materialismo real é um sentimento antinatural.*

*Não o são deliberadamente e o que mais desejam é crer, pois a incerteza os atormenta.*

*Com os primeiros, não faleis de revelação, nem de anjos ou do Paraíso, pois, não compreenderiam. Mas colocai-vos no seu próprio terreno e provai-lhes, primeiro, que as leis da Filosofia não podem explicar tudo: o resto virá depois. A situação é outra quando não se trata de incredulidade preconcebida, pois nesse caso a crença não foi totalmente anulada e permanece como germe latente, asfixiado pelas ervas daninhas, que uma centelha pode reanimar. É o cego a que se restitui a vista e que se alegra de rever a luz, é o náufrago a que se atira uma tábua de salvação.*

22.*Ao lado dos materialistas propriamente ditos há uma terceira classe de incrédulos que, embora espiritualistas, pelo menos no nome, não são menos refratários ao Espiritismo: são os incrédulos de má vontade. Esses não querem crer, porque isso lhes perturbaria o gozo dos prazeres materiais. Temem encontrar a condenação de sua ambição, do seu egoísmo e das vaidades humanas com que se deliciam. Fecham os olhos para não ver e tapam os ouvidos para não ouvir. Só podemos lamentá-los.*

*os incrédulos por escrúpulo religioso, que um ensino esclarecido fará ver que o Espiritismo se apoia nos próprios fundamentos da Religião e respeita todas as crenças, tendo como um de seus efeitos despertar os sentimentos religiosos nos descrentes, fortalecendo-os nos vacilantes; os incrédulos por orgulho, por espírito de contradição, por negligência, por leviandade, etc. etc.*

*Aquele que é mistificado por Espíritos, geralmente é porque lhes fez perguntas indevidas ou que eles não podiam responder, ou porque não estavam bastante esclarecidos para distinguir a verdade da impostura. Muitos, aliás, só veem o Espiritismo como uma nova forma de adivinhação e pensam que os Espíritos existem para ler a buena-dicha. Ora, os Espíritos levianos e brincalhões não perdem a oportunidade de se divertirem à sua custa: é assim que anunciarão casamentos para as moças; honrarias, heranças e tesouros ocultos para os ambiciosos, e assim por diante. Disso resultam, frequentemente, desagradáveis decepções, de que o homem sério e prudente sabe sempre se preservar.*

*Uma classe muito numerosa*,

*O Espiritismo aparece-lhes como um raio de luz: é a claridade que afugenta as névoas.*

27.*Se lançarmos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os espíritas sem o saber. São uma variedade ou uma subdivisão da classe dos vacilantes. Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Espírita, têm o sentimento inato dos seus grandes princípios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os filósofos antigos e modernos.*

1°) *Os que acreditam pura e simplesmente nas manifestações. Consideram o Espiritismo como uma simples ciência de observação, apresentando uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: espíritas experimentadores.*

2°) *Os que não se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influência da Doutrina sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Não modificam em nada os seus hábitos e não se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insensível, o orgulhoso cheio de amor-próprio, o invejoso e o ciumento sempre agressivos. Para eles, a caridade cristã não passa de uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.*

3°) Os que não se contentam em admirar apenas a moral espírita, mas a praticam e aceitam todas as suas consequências. Convictos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar na senda do progresso, única que pode elevá-los de posição no Mundo dos Espíritos, esforçando-se para fazer o bem e reprimir as suas más tendências. Sua amizade é sempre segura, porque a sua firmeza de convicção os afasta de todo mau pensamento. A caridade é sempre a sua regra de conduta. São esses os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.*

*Sendo o Espiritismo uma doutrina eminentemente cristã, essa designação de espírita cristão pode parecer redundante. Por outro lado, poderia sugerir a existência de uma forma de Espiritismo não-cristão, que na verdade não existe. Kardec a emprega, porém, como designação do verdadeiro espírita, para distinguir estes daqueles que não seguem, como se vê acima, os princípios do Espiritismo*. (N. do T.)

4°) *Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega e frequentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo. São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as consequências o mal seria menor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional, sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.*

  1. *Os meios de convicção variam extremamente, segundo os indivíduos. O que persuade a uns não impressiona a outros. Se um se convence por meio de certas manifestações materiais, outro por comunicações inteligentes, a maioria é pelo raciocínio.* Podemos mesmo dizer que, para a maior parte dos que não estão em condições de apreciá-los pelo raciocínio, os fenômenos materiais são de pouca significação.* Quanto mais extraordinários são esses fenômenos, afastando-se bastante das leis conhecidas maior oposição encontram. E isso por um motivo muito simples: *é que somos naturalmente levados a duvidar daquilo que não tem uma sanção racional.* *Cada qual o encara a seu modo e dá sua explicação particular: o materialista descobre uma causa física ou uma trapaça; o ignorante e o supersticioso, uma causa diabólica ou sobrenatural.* *Entretanto, uma explicação antecipada tem o efeito de destruir as idéias preconcebidas e mostrar, se não a realidade, pelo menos a possibilidade do fato.* *Compreende-se antes de ver, pois desde que aceitamos a possibilidade, três quartos da convicção foram realizados.*

 

*Aquele que não se convence pelo raciocínio nem pelos fatos, deve ainda sofrer a prova da incredulidade.*

*Há muita gente que só deseja receber a luz, para estarmos perdendo tempo com os que a repelem.*

*Ao verdadeiro espírita nunca faltará oportunidade de fazer o bem. Há corações aflitos a aliviar, consolações a dispensar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar.* Essa é a sua missão e nela encontrará a verdadeira satisfação. *O Espiritismo impregna a atmosfera: expande-se pela própria força das circunstâncias

e porque torna felizes aqueles que o professam.* *Quando os seus adversários sistemáticos o ouvirem ressoando ao seu redor, entre os seus próprios amigos,

compreenderão o isolamento em que se encontram e serão forçados a calar ou a se renderem.*

*31. Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se faz nas ciências ordinárias, seria necessário passar em revista toda a série de fenômenos que podem produzir-se, a começar dos mais simples até chegar, sucessivamente, aos mais complicados. Ora, isso é impossível, porque não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de Física ou de Química. Nas Ciências Naturais opera-se sobre a matéria bruta, que se manipula à vontade e quase sempre se consegue determinar os efeitos. No Espiritismo, tem-se de lidar com inteligências dotadas de liberdade e que provam, a cada instante, não estarem sujeitas aos nossos caprichos. É necessário, pois, observar, esperar os resultados e colhê-los na ocorrência.*

*Por isso declaramos energicamente que: todo aquele que se vangloriar de obtê-los

à vontade não passa de ignorante ou impostor. Eis porque o verdadeiro Espiritismo jamais servirá para exibições nem subirá jamais aos palcos. É mesmo ilógico supor que os Espíritos se entreguem a exibições e se submetam à pesquisa como objetos de curiosidade. Os fenômenos, por isso mesmo, podem não ocorrer quando mais os desejamos ou apresentar-se de maneira muito diversa da que pretendíamos. Acrescentemos ainda que, para obtê-los, necessitamos de pessoas dotadas de faculdades especiais, que variam ao infinito, segundo a aptidão de cada indivíduo. Ora, sendo extremamente raro que uma mesma pessoa tenha todas as aptidões, a dificuldade aumenta, pois, seria necessário dispormos sempre de uma verdadeira coleção de médiuns, o que não é possível. É muito simples o meio de evitar estes inconvenientes. Basta começar pela teoria. Nela, todos os fenômenos são passados em revista, são explicados e se pode conhecê-los e compreender a sua possibilidade, as condições em que podem ser produzidos e os obstáculos que podem encontrar.* Dessa maneira, qualquer que seja a ordem em que as circunstâncias nos fizerem vê-los, nada terão que possa surpreender-nos. *E há ainda outra vantagem: a de evitar muitas decepções ao experimentador. Prevenido quanto às dificuldades, pode manter-se vigilante e poupar-se das experiências à própria custa.*

*Falamos, portanto, por experiência, e por isso afirmamos que o melhor método de ensino espírita é o que se dirige à razão e não aos olhos. É o que seguimos em nossas lições, do que só temos que nos felicitar.*

*“Nosso ensino teórico e prático é sempre gratuito”.*

*32. O estudo prévio da teoria tem ainda a vantagem de mostrar imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta Ciência.*

*Acentuamos sempre que os que creem sem ter visto, porque leram e compreenderam, ao invés de superficiais são os mais ponderados. Ligando-se mais ao fundo que à forma, o aspecto filosófico é para eles o principal, e os fenômenos propriamente ditos são apenas o acessório. Chegam mesmo a dizer que se os fenômenos não existissem, nem por isso esta filosofia deixaria de ser a única que resolve tantos problemas até hoje insolúveis; a única que oferece ao passado e ao futuro humano a teoria mais racional. Preferem, assim, uma doutrina que realmente explica, àquelas que nada explicam ou que explicam mal.*

*Quem refletir a respeito compreenderá claramente que se pode fazer abstração das manifestações, sem que a doutrina tenha por isso de desaparecer. As manifestações corroboram, a confirmam, mas não constituem um fundamento essencial. O observador sério não as repele, mas espera as circunstâncias favoráveis para observá-las. A prova disso é que antes de ouvirem falar das manifestações muitas pessoas tiveram a intuição dessa doutrina, que veio apenas corporificar num conjunto as suas idéias.*

*A teoria vem lhes dar explicação, e consideramos esses fatos de grande importância, quando se apoiam em testemunhos irrecusáveis, porque não se pode atribuir-lhes qualquer preparação ou conivência. Se os fenômenos provocados não existissem, nem por isso os espontâneos deixariam de existir, e se o Espiritismo só servisse para dar-lhes uma explicação racional, isto já seria bastante. Assim, a maioria dos que leem previamente referem os princípios a esses fatos, que são para eles uma confirmação da teoria.*

*34. Seria absurdo supor que aconselhamos a negligenciar os fatos, pois foi pelos fatos que chegamos à teoria. É verdade que isso nos custou um trabalho assíduo de muitos anos e milhares de observações.*

*Sustentamos apenas que, sem o raciocínio, eles não bastam para levar à convicção.*

*Para estas, esse conhecimento servirá de controle e nada as surpreenderá, nem mesmo o insucesso, pois saberão em que condições os fatos se produzem e que não

se lhes deve pedir o que eles não podem dar.*

*São esses os motivos que nos levam a só admitir em nossas sessões experimentais pessoas suficientemente preparadas para compreender o que se passa, pois sabemos que as outras perderiam o seu tempo ou nos fariam perder o nosso.*

*35. Para aqueles que desejarem adquirir esses conhecimentos preliminares através das nossas obras, aconselhamos a seguinte ordem:*

*1°) O QUE É O ESPIRITISMO: esta brochura, de apenas uma centena de páginas, apresenta uma exposição sumária dos princípios da Doutrina Espírita, uma visão geral que permite abranger o conjunto num quadro restrito.*

*2°) O LIVRO DOS ESPÍRITOS: contém a doutrina completa ditada pelos Espíritos, com toda a sua Filosofia e todas as suas consequências morais.*

*3°) O LIVRO DOS MÉDIUNS: destinado a orientar na prática das manifestações, proporcionando o conhecimento dos meios mais apropriados de nos comunicarmos com os Espíritos. É um guia para os médiuns e para os evocadores e o complemento de O Livro dos Espíritos.*

*4°) A REVISTA ESPÍRITA: uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e mais compreensível sobretudo após a de O Livro dos Espíritos.*

*Isso no que nos concerne. Mas os que desejam conhecer completamente uma ciência devem ler necessariamente tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler os prós e os centras, as críticas e as apologias, iniciar-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela comparação. Neste particular, não indicamos nem criticamos nenhuma obra, pois não queremos influir em nada na opinião que se possa formar. Levando nossa pedra ao edifício, tomamos apenas o nosso lugar.*

*Cabe aqui acrescentar os demais livros da codificação, ou seja, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno (ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo), A Gênese (Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo) e Obras Póstumas. (N. da E.)*

 

 

A vida depois que o corpo silencia…

A LUTA CONTINUA

*&*

 

ENSINAMENTOS ESPÍRITAS, EXTRAÍDOS DO LIVRO “VOLTEI” DO IRMÃO JACOB, PSICOGRAFADO POR FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

 

&

 

IRMÃO JACOB.

&

Sobre a morte do corpo…

&

*Enquanto no corpo, não formulamos a ideia exata do que seja a realidade, além da morte. Ainda mesmo quando o Espiritismo nos ajuda a pensar seriamente no assunto, debalde tentaremos calcular relativamente ao futuro, depois do sepulcro.

Os quadros sublimes ou terríveis no plano externo correspondem de alguma sorte, à nossa expectativa; contudo, os fenômenos morais, dentro de nós, são sempre fortes e inesperados.*

&

*Antes da passagem, tudo me parecia infinitamente simples!

Não passaria a morte de mera libertação do Espírito e mais nada. Seguiria nossa alma para esferas de julgamento, de onde voltaria a reencarnar, caso não se transferisse aos Mundos Felizes.*

&

*Compreendo hoje que aceitar esta fórmula seria o mesmo que menoscabar a existência humana, declarando-se que o homem apenas renascerá na Terra, respirará entre as criaturas e, em seguida, se libertará do corpo de baixa condensação fluídica.*

*Quantos conflitos, porém, entre o aparecimento e a desagregação do veículo carnal?*

Quantas lições; entre a infância e o declínio das forças físicas?*

&

*Reconheço, presentemente, que as dificuldades não são menores para a alma liberta dos mais pesados impedimentos do plano material. Entre o ato de perder a carcaça de ossos e a iniciativa de reencarnação ou de elevação, temos o tempo, e o

conteúdo desse tempo reside em nós mesmos. Quantos óbices a vencer, quantos enigmas a solucionar?*

&

*Acreditei que o fim das limitações corporais trouxesse inalterável paz no coração, mas não é bem assim.

No fundo, em nossas organizações religiosas, somos uma espécie de combatentes prontos a batalhar a distância de nossa moradia e, quando nos julgamos de posse da vitória final, tornamos ao círculo doméstico para enfrentar, individualmente, a mesma guerra, dentro de casa. Vestimos a roupa de carne, a fim de lutar e aprender e, se muitas vezes sorvemos o desencanto da derrota, em muitas ocasiões nos sentimos triunfadores. Somos, então, filhos da turba distraída, companheiros de mil companheiros, cooperadores de mil cooperadores.*

 

*Chegou, no entanto, o momento em que a morte nos reconduz à intimidade do lar interior. E se não houve de nossa parte a preocupação de construir, aí dentro, um santuário para as determinações divinas, quantos dias gastamos na limpeza, no reajustamento e na iluminação?*

&

Oh! Meus amigos do Espiritismo, que amamos tanto!

 

*É para você – membros da grande família que tanto desejei servir – que grafei estas páginas, sem a presunção de convencer! Não se acreditem quitados com a Lei, por haverem atendido a pequeninos deveres de solidariedade humana, nem se

suponham habilitados ao paraíso, por receberem a manifesta proteção de um amigo espiritual! Ajudem a si mesmos, no desempenho das obrigações evangélicas! Espiritismo não é somente a graça recebida, é também a necessidade de nos espiritualizarmos para as esferas superiores.*

 

*Falo-lhes hoje com experiência mais dilatada.

Depois de muitos anos, nas lides da Doutrina, estou recompondo a aprendizagem, a fim de não ser o companheiro inadequado ou o servo inútil. Guardem a certeza de que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo não é apenas um conjunto brilhante de ensinamentos sublimes para ser comentado em nossas doutrinações – é Código da Sabedoria Celestial, cujos dispositivos não podemos confundir.

Agradeço, sensibilizado; a colaboração de Emmanuel e de André Luiz, nos registros humildes de meu refazimento espiritual, nestas páginas que endereço aos irmãos de ideal e serviço.

&

Se a vigília se tornara menos agradável, o sono fizera-se-me doloroso.

* “O Senhor é nosso Pastor; nada nos faltará. Deitar-nos faz em refúgio de esperança, guia-nos suavemente águas do repouso”.

Refrigera-nos a alma, conduz-nos pelas veredas da justiça, na qual confiamos por amor ao seu nome.

&

Ainda que andemos pelo vale da sombra e da morte, não temeremos mal algum, porque Ele está conosco; a sua vontade e a sua vigilância nos consolam.

Prepara-nos mesa farta de bênçãos, ainda mesmo na presença dos inimigos que trazemos dentro de nós, unge-nos a cabeça de bom ânimo e o nosso coração transborda de júbilo.

 

Certamente que a bondade e a compaixão do Senhor nos seguirão em todos os dias da vida e habitaremos na sua Casa Divina, por longo tempo.

Assim seja “”.*

 

À medida que sua voz pronunciava o texto antigo, multiplicando-me as lágrimas abundantes e espontâneas, dores cruéis me assaltavam a região torácica.

Vim saber, mais tarde, que aqueles sofrimentos provinham da extração de resíduos fluídicos que ainda me enlaçavam à zona do coração.

 

Enquanto nos debatemos na lida material, quase nunca nos recordamos de que somos seguidos pelo testemunho do plano espiritual, nos mínimos atos da existência.

 

Com gentilezas, explicou-me Bezerra que o processo liberatório corria normal, que me não preocupasse com as delongas, porque a existência que eu desfrutara fora dilatada e ativa. Não era possível – disse, bondoso – efetuar a separação de organismo espiritual com maior rapidez. Esclareceu também que o ambiente doméstico estava impregnado de certa substância que classificou por “fluídos gravitantes”, desfavorecendo-me a libertação.

 

Dentro em pouco, no entanto, o coração se refez, equilibrou-se a respiração e Bezerra surgiu, sorridente, a indagar se o desligamento ocorrera normal.

Abraçaram-me os três, satisfeitos.

Explicou-me o respeitável benfeitor que, até ali, meu corpo espiritual fora como que um “balão cativo”, mas doravante disporia de real liberdade interior. Pensaria com clareza, movimentar-me-ia sem obstáculos e deteria faculdades mais precisas.

 

Com efeito, não obstante sentir-me enfraquecido e sonolento, guardava mais segurança. Meus olhos e ouvidos, principalmente, registravam imagens e sons, com relativa exatidão. As perturbações da hora não me afetavam com intensidade de minutos antes.

 

Esclareceu Bezerra que, na maioria dos casos, não seria possível libertar os desencarnados tão apressadamente, que a rápida solução do problema liberatório dependia, em grande parte, da vida mental e dos ideais a que se liga ao homem na experiência terrestre.

 

O Irmão Andrade acentuou que, livre dos últimos remanescentes do corpo carnal, eu conseguiria aproximar-me dos amigos, sem choques de maior importância, aconselhando, porém, a não me avizinhar em demasia das vísceras cadavéricas, em cuja contemplação, talvez fosse acometido por impressões desequilibrantes.

 

Quantas vezes; julguei que morrer constituísse mera libertação, que a alma, ao se desvencilhar dos laços carnais, voejaria em plena atmosfera usando as faculdades volitivas! Entretanto, se é fácil alijar o veículo físico, é muito difícil abandonar a velha morada do mundo.

 

Posso hoje dizer que os elos morais são muito mais fortes que os liames da carne e, se o homem não se preparou, convenientemente, para a renúncia aos hábitos antigos e comodidades dos sentidos corporais, demorar-se-á preso ao mesmo campo de luta em que a veste de carne se decompõe e desaparece. E se esse homem  complicou o destino, assumindo graves compromissos à frente dos semelhantes, através de ações criminosas, debater-se-á, chorará e reclamará embalde, porque as leis que mantêm coesos os astros do Céu e as células da Terra lhe determinam o encarceramento nas próprias criações inferiores.

 

Se o bem salva e ilumina, o mal perde e obscurece.

Livremo-nos do débito, para que não venhamos a mergulhar no resgate laborioso, e corrijamos o erro, enquanto a hora é favorável, evitando a retificação muita vez dolorosa.

38

O Espírito demasiadamente ligado aos interesses humanos acusa a necessidade de amplo mergulho na inconsciência quase total, depois da morte. A ausência de motivos nobres, nos impulsos da individualidade, estabelece profunda incompreensão na alma liberta das teias fisiológicas, que se porta, ante a grandeza da espiritualidade superior, à maneira do selvagem recém-vindo da floresta perante uma assembleia de inteligências consagradas às realizações artísticas; quase nada entende do que vê e do que ouve, demonstrando a necessidade de compulsório regresso à tribo da qual se desligará vagarosamente para adaptar-se à civilização.

Não ocorre o mesmo com o Espírito médio, portador de regular cultura filosófico-religioso e, sem compromissos escuros na experiência material; quanto maior o esforço das almas dessa espécie por atenderam aos desígnios divinos, no campo físico, mais vasta é a lucidez de que se fizeram dotadas nas esferas de além-túmulo.

 

O descanso, pois, além da morte, para as criaturas de condição mais elevada, deixa, assim, de ser imersão mental nas zonas obscuras do mundo para ser voo de acesso aos domínios superiores da vida.

 Vivendo encarnados no Planeta quase dois bilhões de individualidades humanas, esclareceu o benfeitor que mais de um bilhão é constituído por Espíritos semicivilizados ou bárbaros e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passam de seiscentos milhões, divididas pelas várias famílias continentais. (informações colhidas via mediunidade em 1948)

 

Podemos simbolizar a mente numa casa suscetível de povoar-se com valores legítimos ou transitórios, quando não esteja atulhada de inutilidades e viciações.

Alimentando-se na Crosta da Terra com muitas idéias e paixões não perduráveis, aproveitadas pelo Espírito apenas por material didático, a não ser em processo expiatório, para esvaziar-se do mal ou da ilusão, não lhe é possível o mergulho indiscriminado no pretérito, medida essa que lhe seria ruinosa, mormente na ocasião em que se desenfaixa do corpo denso, de carne.

 

Explicou que alguns companheiros usam excitações e processos magnéticos para adquirirem a lembrança avançada no tempo; no entanto, de acordo com a própria experiência, aconselhava a submissão aos recursos da Natureza, de modo a retomarmos o pretérito com vagar, sem alterações de consequências deploráveis, até que, um dia, plenamente iluminados, possamos conquistar a memória integral nos círculos divinos.

 

*Primeiras vivências no mundo espiritual*…

&

Atravessávamos extensas e formosas avenidas marginadas por vegetação caprichosa e linda, quando tive o contentamento de ver alguns pássaros marcados por peregrina beleza. Cantavam extáticos, quais se fossem minúsculos seres conscientes, glorificando a Divindade.

 

A plumagem luminosa impunha-me assombro.

Trinavam junto de nós, sem temer-nos. Disse-me, então, o amigo Andrade que os seres inferiores, onde quer que se encontrem, refletem, de algum modo, as qualidades dos seres superiores que os cercam e afirmou que os irracionais da esfera carnal poderiam exibir outras condições de aprimoramento, na posição de consciências iniciantes, se os homens adotassem atitude mental mais elevada, perante a vida.

A harmonia do ambiente lembrava uma pastoral divina.

Perguntei a Marta, de súbito, com a aspereza que me é própria, se me seria possível avistar as autoridades administrativas ali sediadas, mas a filha, amorosa e convincente, me pediu aguardasse mais tempo. Reparei o halo de luz que a envolvia e os traços brilhantes que cercavam o Andrade, fixando-me, em seguida, num demorado autoexame.

 

Meu corpo espiritual jazia tão obscuro, quanto o veículo denso de carne.

Compreendi o conselho e, por pouco, não me despenhei no desânimo lamentável. Não trazia ainda comigo suficiente bagagem de luz para buscar, confiante, a aproximação dos espíritos superiores.

A velha ideia de que os desencarnados dormem narcotizados de prazer barato, entre sonhos de incenso contemplativo, perde-se completamente para o Espírito de boa vontade que atravessa as fronteiras do sepulcro.

 

Se há juízes e administradores na Terra que alvejam os cabelos e se cobrem de rugas, na atividade difícil em favor do bem e da paz dos semelhantes; se há homens e mulheres que já experimentam no mundo a coragem serena de abandonar as flores do sangue, colocando-se ao encontro da Humanidade, através dos espinhos do sacrifício e da renúncia, como aceitar um céu, onde os escolhidos sorriem e gozam, ante o infortúnio alheio? Como entender um éden delicioso em que ninguém cogite

de melhorar o purgatório infernal, se um simples político se preocupa em drenar o pântano que lhe prejudica a cidade?

 

Salientou que não vale morrer sem a regeneração íntima, porque ninguém avança um palmo no caminho da eternidade, sem luz própria. Daí continuar acreditando que o maior serviço prestado à Doutrina é, ainda, o da própria conversão ao Infinito Bem.

 

Era tão comum renascer na matéria física, quanto morrer nela e, se a paisagem das esferas felizes era uma realidade atingível, não é menos imperiosa e verdadeira a obrigação de nos aprimorarmos, a fim de merecê-las.

Quando o homem compreender a grandeza da vida e a retidão da justiça, então o quadro terrestre se modificará, orientando-se invariavelmente para o Bem Supremo.

Guillon, robustecido e bem-humorado, aconselhou-me estabelecer paralelo entre o veículo que usávamos, ali, e o pesado corpo de carne que abandonáramos ao solo terrestre e, porque alcançássemos a estação de destino, em minutos breves, afirmou-me que, se há rotas aéreas para os pássaros metálicos da aviação planetária, há rotas espirituais definidas que favorecem a instantânea condução de entidades menos chumbadas às sensações da vida física.

 

Pousando no chão, senti estranha diferença. O contato com a terra; semelhava-se ao de um magneto, o que me obrigou a concluir que a volitação só é possível, com facilidade, na Crosta do Mundo, aos Espíritos mais envolvidos e adestrados na movimentação de certas forças fluídicas.

Comentou Schutel as surpresas dos primeiros dias do homem desencarnado, na vida extracorpórea, alegando que os decênios transcorridos no corpo carnal imprimem hábitos que, efetivamente, passam a constituir uma “segunda natureza” para a individualidade.

 

O que mais me espantava era a expressão espiritual de cada pessoa que me cruzava o caminho. Observei que muitas criaturas permaneciam acompanhadas por

Espíritos benignos ou por sinais luminosos, que me deixavam perceber o grau de elevação que já haviam atingido, mas o número de entidades gozadoras das baixas sensações da vida física, a seguirem suas vítimas, de perto, era francamente incalculável.

 

Dipsomania (necessidade incontrolável de ingerir bebida alcoólica.).                                                                                                        

 O quadro mais inquietante, porém, era constituído por um morfinômano e pelas entidades em desequilíbrio que se lhe jungiam. Parecia um homem subjugado por tentáculos de polvos enormes. Vendo-o aprisionado em cordões escuros, perguntei ao amigo Andrade como interpretar a visão que tínhamos sob os olhos, esclarecendo-me ele, então, que os hipnóticos, mormente aos mais violentos, afetam os delicados tecidos do perispírito, proporcionando doces venenos aos amantes da ociosidade; os fios negros são fluídos de ligação entre as “lampreias” invisíveis e os plexos da vítima encarnada.

a fraternidade é o caminho da salvação.

Reparei, então, com mágoa, a diferença que existia entre mim e os abençoados companheiros que me haviam trazido. Ao passo que nenhum deles era visível aos irmãos ignorantes e perturbados, não obstante as irradiações brilhantes que lhes marcavam a individualidade, notavam-me a presença, aos cursos preparatórios de espiritualidade superior.

 

Se um europeu precisa cuidado ao comunicar-se com um esquimó, de modo a não lhe ferir a posição mental e a fim de não ser tomado por mentiroso, que dizer das medidas que um Espírito desencarnado deverá adotar em face de um amigo ainda enclausurado num corpo terrestre?

 

Por mais que tentem os mensageiros espirituais descrever a grandeza das demonstrações da alma eterna aos ouvidos do homem que se demora no mundo, jamais encontrarão recursos com que expressem a realidade.

Submetido a salutares limitações, o Espírito encarnado é incapaz de traduzir a beleza celeste. A sensibilidade educada na ciência ou na virtude percebe-a qual relâmpago fugaz, tentando aprisiona-la no verbo, no som ou na cor, acessíveis à apreciação humana; todavia, os artifícios da inteligência não bastam para a fixação da claridade divina.

 

A Infinita Sabedoria instala tribunais para julgar aqueles que não a conhecem, porque a ignorância reclama lições, às vezes rudes, dos planos exteriores, mas os filhos do conhecimento santificante condenam ou salvam a si mesmos.

 

Somos células da humanidade militante em busca da Humanidade redimida.

Os círculos de vida que povoamos, agora, são de prosseguimento.

Na experiência humana, temos a semeadura.

Na vida espiritual que nos é acessível começa a colheita.

O favoritismo não existe para o Governo Universal.

A Infinita Sabedoria somente nos assinala, através da Lei.

 

-Há Espíritos que se preparam no mundo para a bendita primavera de trabalho pacífico na esfera superior e há outros que se encaminha, voluntariamente, para o inverso de angústias e trevas, em seguida à perda do corpo.

Impressionamo-nos com o Salvador, nas claridades sublimes da Ressurreição, mas ignoramos o Mestre Crucificado.

 

Agrada-nos dispor, aborrece-nos obedecer.

Buscamos a autoridade, desdenhamos a disciplina.

Exercemos severo exame sobre os atos alheios, sem qualquer vigilância ao próprio coração.

Entendemo-nos perfeitamente com o ruído e com a leviandade do mundo que nos cerca os sentidos inferiores, mas raramente nos comunicamos com o Espírito Sublime do Cristo, na própria consciência.

Sabemos cair depressa, contudo, dificilmente nos decidimos a levantar.

 

Adornamo-nos com as flores de um dia e perdemos os frutos da eternidade.

Sem as qualidades que nos santifique o caráter, dignifique a personalidade, espiritualizem o raciocínio e iluminem o coração, é impraticável a felicidade nos mais gloriosos mundos.

A herança do “círculo consanguíneo”, da “simpatia incondicional”, do “grupo sectário” ou do “impulso preferencial” ainda nos acompanha intensamente à esfera em que me reajusto.

 

O homem agarrado ao prazer fácil de um minuto perde a bendita sementeira da eternidade. Somente por isso é que não extrai do obstáculo, da dor e da dificuldade o conteúdo de alegria imperecível que oferecem à alma.

“Cada Espírito é um mundo vivo com movimento próprio, atendendo às causas que o criou para si mesmo, no curso do Tempo, gravitando em torno da Lei Eterna que rege a Vida Cósmica”.

 

“Dois terços das criaturas humanas encarnadas na Crosta da Terra demoram-se em jornada evolutiva da Irracionalidade para a Inteligência ou da Inteligência para a Razão; a terça parte restante acha-se em trânsito da Razão para a Humanidade”.

 

“Fora do corpo terrestre, mas ligados ao mesmo plano, evoluem bilhões de seres pensantes nas mesmas condições”.

 

“Em esferas mais elevadas do Planeta, outros bilhões de almas caminham da  Humanidade para a Angelitude”.

 

“O processo de educação do Ser para a Divindade tem sua base no reencarnacionismo e no trabalho incessante”.

“O instituto das compensações funciona igualmente para todos”.

 

“Ninguém ilude as leis universais”.

 

“Os recursos de dignificação da individualidade permanecem ao dispor da comunidade planetária nas diversas escolas religiosas da Terra, escolas que se diferenciam no culto externo, de acordo com os impositivos de espaço e tempo, mas que, no fundo e em essência, se irmanam na Fonte da Eterna Verdade, em que a integração da Alma com a Luz Divina se realiza por intermédio do Supremo Bem”.

 

“Jesus é o Ministro do Absoluto, junto às coletividades que progridem nos círculos terrestres; os grandes instrutores do mundo, fundadores de variados sistemas de fé,  representam mensageiros d’Ele, que nos governa desde o princípio”.

&

“Toda criatura humana possui consigo as sementes da Sabedoria e do Amor; quando ambientar esses divinos germes, dentro de si mesma, e desenvolve-los amplamente, através dos séculos incessantes, conquistará as qualidades do Sábio e do Anjo, que se revelam na sublime personalidade dos Filhos de Deus, em maioridade divina”.

 

Os Espíritos preguiçosos atrasarão sua marcha, detendo-se na revolta, na inércia ou na rebeldia e serão aproveitados na obra regeneradora ou evolutiva, à maneira dos      corrosivos que servem às tarefas de limpeza, utilizados por mãos hábeis; todavia, os filhos do arrependimento e da boa-vontade encontrarão mil meios de agir e servir, no extenso campo do bem.

 

Assembleias veneráveis de benfeitores congregar-se-ão nos altos cimos em favor de milhões de seres, mas Espírito algum se sentará num trono que não edificou, nem brilhará com alheia lâmpada.

 

Apelos e consolos do campo mais nobre não devem ser interpretados exclusivamente como simples reconforto da proteção afetiva, mas, acima de tudo, por valiosas ferramentas de serviço redentor. Este é um ensinamento que estou aprendendo à

custa de muito esforço e que os amigos esclarecidos da Terra possivelmente evitarão, valendo-se das oportunidades de elevação e aprimoramento que o mundo lhes  oferece.

 

Suas condições psíquicas virão à superfície do rosto e do verbo. Não se deixe abater.

-Jacob; em toda parte seremos defrontados pela própria consciência. Se louvarmos nossos amigos pelo incentivo e pelo júbilo que nos proporcionam, agradeçamos aos nossos adversários gratuitos a ousadia com que nos demonstram as nossas necessidades. Os que nos amam destacam-nos as qualidades excelentes do serviço já feito, na individualidade imperecível, e aqueles que nos desestimam indicam, com franqueza rude, as imperfeições que ainda conservamos conosco. Os afeiçoados e simpatizantes silenciam a respeito das sombras que nos rodeiam, mas os contendores e desafetos as desvendam em nosso proveito, quando encontramos suficiente serenidade para buscar os interesses do Senhor e não os nossos.

 

Pela primeira vez, compreendi que assim como chega um momento em que os juízes do mundo são julgados pelas obras que realizaram, surge também o minuto em que os doutrinadores da Terra são doutrinados pelos serviços que deixaram de fazer.

 

Aprender será sempre valioso trabalho para o coração.

Ama sem paixão, espera sem angústia, trabalha sem expectativa de recompensa, serve a todos sem perguntar, aprende as lições da vida sem revolta, humilha-te sem ruído ante os desígnios superiores, renuncia aos teus próprios desejos, sem lágrimas tempestuosas, e a vontade justa e compassiva do Pai iluminar-te-á constantemente o coração fraterno e o caminho redentor!

 

Aprende a esperar nos serviço edificante, impessoalizando as boas obras. Guarda-te dos maus desejos de tudo dizer indiscriminadamente a um só minuto.

 

O trabalho é das maiores bênçãos de Deus no campo das horas. Em suas dádivas de realização para o bem, o triste se reconforta, o ignorante aprende, o doente se refaz, o criminoso se regenera.

Cada qual tolera a carga que lhe é própria.

Fardos existem de todos os tamanhos e de todos os feitios. 

 Emmanuel

Ademário da Silva

16 de agosto de 2018.

 

 

 

Livro dos Médiuns – cap. II

O Maravilhoso

CAPÍTULO II

O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL

*7. Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia com certa razão ser suspeita de ilusória. Mas quem nos diria então porque ela se encontra tão viva entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas?*

*Isso, dizem alguns críticos, é porque o homem, em todos os tempos, teve amor ao maravilhoso. — Mas que é o maravilhoso, segundo vós? — Aquilo que é sobrenatural. — E que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário às leis da Natureza. — Então conheceis tão bem essas leis que podeis marcar limites ao poder de Deus? Muito bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que elas não são e não podem ser uma dessas leis.*

Observai a Doutrina Espírita e vereis se no seu encadeamento elas não apresentam todas as características de uma lei admirável, que resolve tudo o que os princípios filosóficos até agora não puderam resolver.

 

*O pensamento é um atributo do Espírito. A possibilidade de agir sobre a matéria, de impressionar os nossos sentidos e, portanto de transmitir-nos o seu pensamento, é uma consequência, podemos dizer, da sua própria constituição fisiológica.*

 

Não há, pois, nesse fato, nada de sobrenatural, nada de maravilhoso. (1) Mas que um homem morto e bem morto possa ressuscitar corporalmente, que os seus membros dispersos se reúnam para restabelecer-lhe o corpo, eis o que é maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Isso, sim, seria uma verdadeira derrogação, que Deus só poderia fazer através de um milagre. Mas não há nada de semelhante na Doutrina Espírita.

(1) A Parapsicologia confirma hoje, cientificamente, através de pesquisas de laboratório, a naturalidade desses fenômenos. (N. do T.)

*8. Não obstante, dirão, admitis que um Espírito possa elevar uma mesa e sustentá-la no espaço sem um ponto de apoio. Isso não é uma derrogação da lei da gravidade? — Sim, da lei conhecida; mas a Natureza já vos disse a última palavra?*

*Antes das experiências com a força ascensional de certos gases quem diria que uma pesada máquina, carregando muitos homens, poderia vencer a força de atração?*

*Aos olhos do vulgo, isso não deveria parecer maravilhoso, diabólico?*

Aquele que se propusesse a transmitir, há um século, uma mensagem a quinhentas léguas de distância e obter a resposta em alguns minutos passaria por louco. Se o fizesse, acreditariam que tinha o Diabo às suas ordens, pois então só o Diabo era capaz de andar tão ligeiro.

*Por que, pois, um fluido desconhecido não poderia, em dadas circunstâncias, contrabalançar o efeito da gravidade, como o hidrogênio contrabalança o peso do balão?*

Isto note de passagem, é apenas uma comparação, feita unicamente para mostrar, por analogia, que o fato não é fisicamente impossível. Não se trata de identificar uma coisa à outra. Ora, foi precisamente quando os sábios, ao observarem estas espécies de fenômenos, quiseram proceder por identificação, que acabaram se enganando a respeito. De resto, o fato existe e todas as negações não poderiam destruí-lo, porque negar não é provar. Para nós, não há nada de sobrenatural e é tudo quanto podemos dizer por agora.

  1. Se o fato está provado, dirão, nós o aceitamos. E aceitamos até mesmo a causa que lhe atribuis, ou seja, a de um fluido desconhecido. Mas quem prova a intervenção dos Espíritos? É nisso que está o maravilhoso, o sobrenatural.

Seria necessário, neste caso, toda uma demonstração que não seria cabível e constituiria, aliás, uma redundância, porque ela ressalta de todo o ensino. Entretanto, para resumi-la em duas palavras, diremos que teoricamente ela se funda neste princípio:

 

*todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Praticamente: sobre a observação de que os fenômenos ditos espíritas, tendo dado provas de inteligência, não podem ter sua causa na matéria; que essa inteligência, não sendo a dos assistentes, – o que resultou das experiências – devia ser independente deles; e desde que não se via o ser que os produzia, devia tratar-se de um ser invisível, ao qual se deu o nome de Espírito, não é mais do que a alma dos que viveram corporalmente e aos quais a morte despojou de seu grosseiro envoltório visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à mais simples expressão.*

 

Constatada a existência dos seres invisíveis, sua ação sobre a matéria resulta da natureza do seu envoltório fluídico. Esta ação é inteligente, porque, ao morrer, eles perderam apenas o corpo, conservando a inteligência que constitui a sua existência. Esta a chave de todos esses fenômenos considerados erroneamente sobrenaturais.

 

*A existência dos Espíritos não decorre, pois, de um sistema preconcebido, de uma hipótese imaginada para explicar os fatos, mas é o resultado de observações e a consequência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a alma e os seus atributos.*

 

(2) Os que pensarem que podem encontrar para esses efeitos inteligentes uma solução mais racional, podendo, sobretudo explicar a razão de todos os fatos, queiram fazê-lo, e então poder-se-á discutir o mérito de ambas. (3)

* Hoje, os parapsicólogos chegam a essa mesma conclusão: o prol. Rhine afirma que o pensamento é extrafísico e age sobre a matéria; os profs. Carington, Soai, Price e outros admitem a ação de mentes desencarnadas na produção dos fenômenos psikapa (efeitos físicos). (N. do T.)* (3)

 

O prof. Ernesto Bozzano chama a isto “convergência das provas”, mostrando a necessidade cientifica de uma hipótese explicar todos os fenômenos da mesma natureza e não apenas alguns deles. (N. do T.)

 

*10. Aos olhos daqueles que veem na matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis materiais é maravilhoso ou sobrenatural e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição.*

 

*Dessa maneira a religião, que se funda na existência de um princípio imaterial, é um tecido de superstições. Eles não ousam dizê-lo em voz alta, mas o dizem baixinho. E pensam salvar as aparências ao conceber que é necessária uma religião para o povo e para tornar as crianças acomodadas. Ora, de duas, uma: ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso. Se for verdadeiro, o é para todos; se é falso não é melhor para os ignorantes do que para os esclarecidos.*

 

  1. Os que atacam o Espiritismo em nome do maravilhoso se apoiam, portanto, em geral, no princípio materialista, desde que negando todo efeito de origem extra material, negam consequentemente a existência da alma. Sondai o futuro de seu pensamento, perscrutai o sentido de suas palavras e encontrareis quase sempre esse princípio que, se não se mostra categoricamente formulado, transparece sob a capa de uma pretensa filosofia moral com que eles se disfarçam.

 

*Rejeitando como maravilhoso tudo quanto decorre da existência da alma, eles são, portanto, consequentes consigo mesmos. Não admitindo a causa, não podem admitir o efeito. Daí o preconceito que os impede de julgar com isenção o Espiritismo, pois partem da negação de tudo o que não seja material. Quanto a nós, pelo fato de admitirmos os efeitos decorrentes da existência da alma, teríamos de aceitar todos os fatos qualificados de maravilhosos, teríamos de ser os campeões dos visionários, os adeptos de todas as utopias, de todos os sistemas excêntricos? Seria necessário conhecer bem pouco do Espiritismo para assim pensar. Mas os nossos adversários não se importam com isso; a necessidade de conhecer aquilo de que falam é o que menos lhes interessa.*

Segundo eles, o maravilhoso é absurdo; ora, o Espiritismo se apoia em fatos maravilhosos; logo, o Espiritismo é absurdo: isto é para eles um julgamento inapelável. Creem apresentar um argumento sem resposta quando, após eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint- Médard, os camisards das Cévennes ou as religiosas de Loudun, chegam à descoberta de evidentes trapaças que ninguém contesta. Mas essas histórias são, por acaso, o evangelho do Espiritismo? Seus partidários teriam negado que o charlatanismo explorou alguns fatos em proveito próprio? Que a imaginação os tenha engendrado? Que o fanatismo tenha exagerado a muitos deles? *O Espiritismo não é mais responsável pelas extravagâncias que se possam cometer em seu nome, do que a verdadeira Ciência pelos abusos da ignorância ou a verdadeira Religião pelos excessos do fanatismo. Muitos críticos só julgam o Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que são apenas as formas da sua ficção. O mesmo seria julgar a História pelos romances históricos ou pelas tragédias.*

 

  1. Na lógica mais elementar, para discutir uma coisa é necessário conhecê-la porque a opinião de um crítico só tem valor quando ele fala com conhecimento de causa. Somente assim, a sua opinião, embora errônea, pode ser levada em consideração. Mas que peso ela pode ter, quando emitida sobre matéria que ele desconhece?

 

*A verdadeira crítica deve dar provas, não somente de erudição, mas de conhecimento profundo do objeto tratado, de isenção no julgamento e de absoluta imparcialidade. A não ser assim, qualquer violeiro poderia se arrogar o direito de julgar Rossini e qualquer pintor de paredes de censurar Rafael.*

 

*13.0 Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles e o ridículo de algumas crenças que constituem, propriamente falando, a superstição.*

 

É verdade que entre os fatos por ele admitidos há coisas que, para os incrédulos, são inegavelmente do maravilhoso, o que vale dizer da superstição. Que seja. Mas, pelo menos, que limitem a eles a discussão, pois em relação aos outros nada têm que dizer e pregarão no deserto. Criticando o que o próprio Espiritismo refuta, demonstram ignorar o assunto e argumentam em vão. Mas até onde vai a crença do Espiritismo, perguntarão. Lede e observai, que o sabereis.

 

*A aquisição de qualquer ciência exige tempo e estudo. Ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves questões da Filosofia, em todos os setores da ordem social, que abrange ao mesmo tempo o homem físico e o homem moral, é em si mesmo toda uma Ciência, toda uma Filosofia, que não podem ser adquiridas em apenas algumas horas. Há tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como em ver toda a Física em algumas experiências infantis.*

 

Para quem não quiser ficar na superfície, não são horas, mas meses e anos que terá de gastar para sondar todos os seus arcanos. Que se julgue, diante disso, o grau de conhecimento e o valor da opinião dos que se arrogam o direito de julgar porque viram uma ou duas experiências, quase sempre realizadas como distração ou passatempo. Eles dirão, sem dúvida que não dispõem do tempo necessário para esse estudo. Que seja, mas nada os obriga a isso. E quando não se tem tempo para aprender uma coisa, não se pode falar dela, e menos ainda julgá-Ia, se não se quiser ser acusado de leviandade. Ora, quanto mais elevada é a posição que se ocupe na Ciência, menos desculpável será tratar-se levianamente um assunto que não se conhece.

 

*14. Resumimos nossa opinião nas proposições seguintes:

1- Todos os fenômenos espíritas têm como princípio a existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo e suas manifestações;

2- Decorrendo de uma lei da Natureza, esses fenômenos nada têm de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras;

3- Muitos fatos são considerados sobrenaturais porque a sua causa não é conhecida; ao determinar-lhes a causa, o Espiritismo os devolve ao domínio dos fenômenos naturais;

4- Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, o Espiritismo demonstra a impossibilidade de muitos e os coloca entre as crenças supersticiosas;

5- Embora o Espiritismo reconheça um fundo de verdade em muitas crenças populares, ele não aceita absolutamente que todas as estórias fantásticas criadas pela imaginação sejam da mesma natureza;

6- Julgar o Espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância e desvalorizar por completo a própria opinião;

7- A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, de suas causas e suas consequências morais, constituem toda uma Ciência e toda uma Filosofia que exigem estudo sério, perseverante e aprofundado;

8- O Espiritismo só pode considerar como crítico sério aquele que tudo viu e estudou, em tudo se aprofundando com paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que tenha tanto conhecimento do assunto como adepto mais esclarecido; que não haja, portanto, adquirido seus conhecimentos nas ficções literárias da ciência; ao qual não se possa opor nenhum fato por ele desconhecido, nenhum argumento que ele não tenha meditado e que não tenha refutado apenas por meio da negação, mas por outros argumentos mais decisivos; aquele enfim, que pudesse apontar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico ainda está para aparecer.*

 

*Realmente, esse crítico, ainda em nossos dias, está por aparecer. Basta uma rápida leitura dos livros e artigos publicados hoje contra o Espiritismo, para nos mostrar que a situação não mudou.*

 

Cientistas, filósofos, teólogos, sacerdotes, pastores e intelectuais, inclusive adeptos de instituições espiritualistas procedentes do antigo Ocultismo, continuam a criticar levianamente o Espiritismo, sem se darem ao trabalho preliminar de estudá-lo, a não ser ligeiramente e com segundas intenções. (N. do T.) 15. Referimo-nos há pouco à palavra milagre; uma breve observação sobre o assunto não estará deslocada num Capítulo sobre o maravilhoso.

Na sua acepção primitiva e por sua etimologia a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver.

 

Mas essa palavra, como tantas outras, desviou-se do sentido original e hoje se diz (segundo a Academia): de um ato da potência divina contrário às leis comuns da Natureza.

 

Essa é, com efeito, a sua acepção usual, e só por comparação ou metáfora se aplica às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa desconhecemos.

*Não temos absolutamente a intenção de examinar se Deus poderia julgar útil, em certas circunstâncias, derrogar as leis por ele mesmo estabelecidas. Nosso objetivo é somente o de demonstrar que os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que sejam, não derrogam de maneira alguma essas leis e não têm nenhum caráter miraculoso, tanto mais que não são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não tem explicação; os fenômenos espíritas, pelo contrário, são explicados da maneira mais racional. Não são, portanto, milagres, mas, simples efeitos que têm sua razão de ser nas leis gerais. O milagre tem ainda outro caráter: o de ser insólito e isolado. Ora, desde que um fato se reproduz, por assim dizer, à vontade, e por meio de pessoas diversas, não pode ser um milagre.*

 

A Ciência faz milagres todos os dias aos olhos dos ignorantes: eis porque antigamente os que sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros, e como se acreditava que toda ciência sobre-humana era diabólica, eles eram queimados. Hoje, que estamos muito mais civilizados, basta enviá-los para os hospícios.

Que um homem realmente morto, como dissemos no início, seja ressuscitado por uma intervenção divina e teremos um verdadeiro milagre, porque isso é contrário às leis da Natureza. Mas se esse homem tem apenas a aparência da morte, conservando ainda um resto de vitalidade latente, e a Ciência ou uma ação magnética consegue reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas isso é um fenômeno natural. Entretanto, aos olhos do vulgo ignorante o fato passará por milagroso e o seu autor será rechaçado a pedradas ou será venerado, segundo o caráter dos circunstantes. Que um físico solte um papagaio elétrico num meio rural, fazendo cair um raio sobre uma árvore, e esse novo Prometeu será certamente encarado como detentor de um poder diabólico. Aliás, diga-se de passagem, Prometeu nos parece sobretudo um antecessor de Franklin; mas Josué, fazendo parar o Sol, ou antes a Terra, nos daria o verdadeiro milagre, pois não conhecemos nenhum magnetizador dotado de tanto poder para operar esse prodígio.

*De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários é indiscutivelmente o da escrita direta, um dos que demonstram da maneira mais evidente a ação das inteligências ocultas.*

 

Mas por ser produzido pelos seres ocultos, esse fenômeno não é mais miraculoso do que todos os demais, também devidos a agentes invisíveis.

*Porque esses seres invisíveis, que povoam os espaços, são uma das potências da Natureza, potência que age incessantemente sobre o mundo material, tão bem como sobre o mundo moral.*

 

O Espiritismo, esclarecendo-nos a respeito dessa potência, dá-nos a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio, e que em tempos distantes puderam passar como prodígios. Ele revela, como aconteceu com o magnetismo, uma lei desconhecida ou pelo menos mal compreendida; ou, dizendo melhor, uma lei cujos efeitos eram conhecidos, porque produzidos em todos os tempos, mas ela mesma sendo ignorada, isso deu origem à superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos se reintegram na ordem das coisas naturais.

 

*Eis porque os espíritas, fazendo mover uma mesa ou com que os mortos escrevam, não fazem mais milagres do que o médico ao reviver um moribundo ou o físico ao provocar um raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta Ciência, fazer milagres, seria um ignorante da doutrina ou um trapaceiro.*

 

*16. Os fenômenos espíritas, como os fenômenos magnéticos, passaram por prodígios antes de lhes conhecerem a causa. Ora, os céticos, os espíritos fortes, que têm o privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não creem naquilo que não podem compreender. Eis porque todos os fatos considerados prodigiosos são objeto de suas zombarias. Como a Religião está cheia de fatos desse gênero, eles não creem na Religião, e disso à incredulidade absoluta vai apenas um passo. O Espiritismo, explicando a maioria desses fatos, justifica a sua existência. Vem, portanto, em auxílio da Religião, ao demonstrar a possibilidade de alguns fatos que, por não serem milagrosos, não são menos extraordinários. E Deus não é maior nem menos poderoso por não haver derrogado as suas leis.*

 

*De quantos gracejos não foram objeto as levitações de São Cupertino! Entretanto, a suspensão etérea dos corpos graves é um fato explicado pela lei espírita. Fomos testemunha ocular desse fato, e o Sr. Home, além de outras pessoas nossas conhecidas, repetiram muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Esse fenômeno, portanto, enquadra-se na ordem das coisas naturais.*

 

  1. No número dos fenômenos desse gênero temos de colocar em primeira linha as aparições, que são os mais frequentes. A da Salette, que dividiu o próprio clero, não tem para nós nada de insólito. Não podemos afirmar com segurança a realidade do fato, porque não temos nenhuma prova material, mas o consideramos possível, em vista dos milhares de fatos semelhantes e recentes que conhecemos. Acreditamos neles, não somente porque verificamos a sua realidade, mas, sobretudo porque sabemos perfeitamente como se produzem. Queiram reportar-se à teoria das aparições, que damos mais adiante, e verão que esse fenômeno se torna tão simples e plausível como uma infinidade de fenômenos físicos que só parecem prodigiosos quando não temos a chave de sua explicação.

Quanto à personagem que se apresentou na Salette, é outra questão. Sua identidade não nos foi absolutamente demonstrada. Aceitamos apenas que uma aparição possa ter ocorrido; o resto não é de nossa competência. Cada qual pode guardar, a esse respeito, as suas convicções.

 

*O Espiritismo não tem de se ocupar com isso. Dizemos apenas que os fatos produzidos pelo Espiritismo revelam novas leis e nos dão a chave de uma infinidade de coisas que pareciam sobrenaturais. Se alguns desses fatos considerados miraculosos encontram assim uma explicação lógica, isso é motivo para que não se apressem a negar o que não compreendem.*

 

Os fenômenos espíritas são contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem escapar às leis comuns e não podem ser explicados. Dai-lhes uma base racional e a dúvida cessa. A explicação, neste século em que ninguém se satisfaz com palavras, é, portanto, um poderoso motivo de convicção. Assim vemos, todos os dias, pessoas que não presenciaram nenhum fato, não viram uma mesa mover-se nem um médium escrever, e que se tornaram tão convictas como nós unicamente porque leram e compreenderam. Se só devêssemos crer no que vemos com os nossos próprios olhos, nossas convicções seriam reduzidas a bem pouca coisa.