Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Atmosfera espiritual, ou simplesmente clima mediúnico.

O foco de luz que a harmonia engendra é simplesmente a raiz da paz que todos almejamos, precisamos e vamos em busca; às vezes de um modo empírico, atabalhoado, impregnado de clichês e condutas perfiladas exteriormente. Claro que tudo isso é decorrente de uma educação condicionada milenarmente por um entendimento sobre a vida, por que desenvolvemos uma relação imediatista e velocista, eivada ainda das mais sutis as mais grotescas formas de contatos superficiais. Isso por si não nos permite enfronharmos de modo mais profundo em nossas relações humanas, sociais, afetivas e amorosas, e o que se dirá das relações mediúnicas…

Em nos orientando sobre a atmosfera espiritual que se nos envolve e com a qual nos relacionamos e somos parte integrante e atuante, Kardec nos mostra, a partir desse estudo na Revista Espírita de maio/1867 – nº 5, a imensa responsabilidade que nos compete desenvolver, amadurecer e aprimorar em nossas relações mediúnicas.

Cientes de que a Fluídica enquanto lei natural é o mecanismo que regula por assim dizer as trocas mentais, emocionais que ocorrem no ponto de contato entre o mundo invisível e o mundo material, deveríamos estudar com mais propriedade e seriedade os frutos mentais que depositamos no intercâmbio mediúnico, pois que se nos interessa de perto e de fundo o resultado que se alcança no modo moral em que em que fazemos essas trocas, conscientes ou não dos seus efeitos.

Efeitos esses que afetam, por usos, costumes e condutas todo nosso ser, o nosso discernimento, o nosso raciocínio e em muito nossas conclusões sobre essas relações.

A densidade moral que podemos encontrar em determinada ambiência, com a nossa gratuita e despretensiosa contribuição, configura a valia e o bem estar que se pode alcançar no trato com os espíritos. Trazidos ao ambiente pelos canais psicofônicos ou não, pois que basta estar presente, vibrando, pensando e direcionando intenções positivas e negativas, os desencarnados naturalmente atraídos pelas emanações humanas, pelos objetivos que a ambos conduzem na mesma direção e, poderemos entender a quantidade e a qualidade dos fenômenos espíritas que aturdem-nos o entendimento e os que se nos beneficiam nesse intercâmbio…

Kardec nos ensina em o Livro dos Médiuns sobre a influência oculta dos espíritos em nossa vida, em nossas lides patenteando o pensamento como veículo principal nessa relação. Afirma como nesse artigo em a Revista Espírita que nos acotovelamos com os espíritos…

Na dinâmica dos pensamentos trocados surgem os tons da inspiração a configurar falas e condutas. A telepatia é o fio condutor de mensagens e orientações, ensinos que brotam no ambiente mediúnico trazendo consolo e paz, conforto e corrigendas necessárias a consolidação de afinidades e afeições, traduzindo preocupações recíprocas, vertidas nas telas sutis das trocas mentais.

Toda e qualquer modalidade mediúnica tem no pensamento intercambiado o seu epicentro, com base de relações afins em moldura de luz, solidariedade e harmonia; ou transfiguram-se nos esgares de conflitos perniciosos à saúde espiritual e física.

Assim é que a preocupação do medianeiro iniciante e do mais experiente deve ser com seu pensamento, com seu sentimento e conduta, deve ser prioridade cotidiana, escoltada pelas meditações evangélicas e filosóficas que a Doutrina Espírita propicia.

Pela força do pensamento o espírito atua onde quer, respaldado em sua condição moral, tendo o médium e o sensitivo como pontos de contato e interação entre os dois mundos, o físico e o espiritual. Razão essa que dá sustentação e permanência saudável ou desarmonizada ao fenômeno mediúnico.

Assim como a natureza física requer a compatibilização, interação e harmonia entre as forças do sol da chuva e dos ventos, que são produzidas pelas estações climáticas na razão direta dos movimentos de translação e rotação do planeta, que permitem a semeadura, a germinação, florescência e frutescência, maturação e colheita, segundo o calor e a friagem e a aragem, todos temperando e agindo também com suas forças individuais, extraindo da ambiência natural cada grão, cada fruto e hortaliça, para que a aplicação de esforços resultem em efeitos adequados a alimentação das massas populares. Também a relação entre a natureza espiritual e a natureza física exigem condições compatíveis a essa interação de forma que todos os envolvidos possam ser beneficiados nessa relação.

O pensamento humano e o pensamento espiritual corre, soa, toa, agrega, se entrega e repercute e também se dispersa no fluido universal; assim a compatibilização mental se consuma pela lei de afinidade a qual todos estamos sujeitos. E a ela se nos adequamos, nos conformamos pelas nossas vibrações morais, afetivas, fraternas, ou belicosas, preguiçosas, fantasiosas ou desequilibradas entre outros atributos e deficiências que guardamos nos escrínios da consciência maturada pela experiência, ou perdida ainda nas dissimulações de vaidades e orgulhos falsamente guarnecidos por uma conduta superficial.

Conduta superficial, no que tange ao envolvimento doutrinário religioso, é quando nos deixamos levar por clichês e posturas exteriores, numa tentativa de desviar o foco do trabalho, que na verdade é de renovação de valores, e não de uniformização de atitudes e falas. O que vai redundar numa ambiência mediúnica que se fragiliza por melindres e intenções veladas, obstando o relacionamento em suas feições transparentes, lúcidas.

Mediunidade não requer desenvolvimento no modo de entendimento popular, mas exige educação no relacionamento espiritual. Essa educação pede o conhecimento como base dessa relação, por que o médium precisa entender, decodificar e configurar um pensamento que não é o seu. E como ensina Léon Denis em o livro ‘No Invisível’, existem diferenças na velocidade do pensamento, no modo exteriorização das mensagens orientadoras e doutrinárias que se nos chegam pelas mãos da mediunidade. É nesse ponto que a atmosfera espiritual adquire importância fundamental nessa relação, por que é da harmonia dos sentimentos, das intenções, das vibrações mentais é que se constitui o ambiente mediúnico.

E ao pensarmos em atmosfera espiritual o conhecimento nos alerta que essa atmosfera não se circunscreve às quatro paredes de uma casa espírita, mas é condição constitutiva das influências recíprocas entre dois mundos, diferentes entre si cujas trocas mentais, emocionais, morais, intelectuais interferem de modo oculto ou ostensivo no dia a dia da humanidade. Pesando é claro sobre a moldura psicológica de médiuns e sensitivos e até dos mais refratários no campo da sensibilidade espiritual.

É aqui que a leitura sadia, principalmente das obras doutrinárias que são a base do Espiritismo, e outras de nível edificante; a música de qualidade, a conversação espiritualizada, devem constituir buscas que se tornem hábitos aos espíritas, e principalmente aos médiuns.

Por que se a influência em a maioria dos casos é oculta, o comportamento do médium tem que ser lúcido e precavido e o mais transparente possível para não deixar margens a interpretações dúbias, do tipo segredos e mistérios. Principalmente por que sabemos que espíritos bons não incomodam, mas os desorientados e bulhentos podem sim desarmonizar a nossa consciência no templo individual. O que deixa patente que é responsabilidade de cada um as amizades de todos os dias e de todo o tempo.

 

Ademário da Silva –

17/agosto/2008

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: