Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

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Remexendo no tempo!  

***

Abri uma gaveta como quem procura o não perdido

Olhei o tempo e a poeira e um vento velho meio esquecido

Eu vi brinquedos e correrias e vi o rosto da mamãe na barra do dia

Vi suas noites mal dormidas e os seus olhos embaciados

Noutro instante eu vi seu riso numa alegria escancarada

Me vi moleque, me vi adulto e me vi sonhando

***

E aquele tempo era a raiz da minha vida  

Gaveta longa e desgastada de lembranças amareladas

E o pó do tempo, sentinela do já vivido, protegendo o quase esquecido

Eram revistas e piões, bodoques e talentos, pequenos momentos

Livros, bolas de gude que eu nunca soube abandonar

Tinham sonhos e desejos, roubados beijos, rimas cadentes

Eram retratos, velhos fatos que o inconsciente não se desfaz

***

Gaveta gorda de velhas meias, linhas de pipas e canivete

Eu fui pivete, eu fui Zé preto e fui moleque

Tinha cartilha de aprender ler e até livro de matemática

Réguas carcomidas, lápis sem ponta e apontador

Foto esquecida, menina linda e aquele tal de primeiro amor

Rascunhos de coisa alguma e carrinho de rolimã

Camisa velha, bola de futebol, par de chuteiras, sonho pisado no amanhã

***

Gaveta velha na estante da alma que um dia cresce

 E se vacila vira vigia de divã

Gaveta amiga que abro e fecho quando preciso

E descubro elixir do tempo que não se apaga

Eu sei que tem dores e sofrimentos, saudades sem unguentos

Mas, tem emoções e lembranças de moleque e de medos

Um cheiro de sombras e fantasmas, picumãs e pragas

Uma casa antiga de tijolo assentado com barro

Telhado sem forro de duas águas e a luz da lua pra alumiar

Lampião e lamparina e muita história pra imaginar

Quintal de terra batida e muita garoa pra enfrentar

O vento espalhando a chuva fazendo goteira pra gente escutar

O dia era comprido e tinha um sol de rachar mamonas

A noite vestindo sombra trazia estrelas no penteado

Milho assado e mungunzá, iguarias pra alimentar

Virado de bananas pra deleitar

Água de poço com sarilho e passarinho á cantarolar

***

Nessa gaveta do coração 

Tinha segredos que por tão bem guardados não conto não

Mas, tinha infância, choros e risos, tinha meus manos e a mamãe

Roupas e remendos, dedão sem unha e desmedida inocência

Gaveta antiga esconde ainda muita emoção.

Férias da escola e o dia todo pra vadiar

Rios e lagoas era preciso saber nadar

Nadar no tempo dessa gaveta só pra sonhar!

***

Ademário da Silva /*/*/ 16/ janeiro/ 2014.

 

 

 

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