Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

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Venho lá dos descaminhos que o tempo põe na estrada da vida, e devo dizer que quase nada mudou…

Encontrei o “para sempre” sentado numa esquina da mesmice, reclamando de cansaço e tédio, posto que ninguém chegasse até ele.

Ele parecia um papai Noel punk, carregado de promessas não cumpridas, de atalhos e labirintos, de sonhos retorcidos pela miséria, de esperanças mal vestidas e sonhos analfabetos entre outras coisas estranhas…  Era o “para sempre” fazendo tratos com o “quase nunca” nos bastidores da inércia…

Lembrei-me do calendário humano despencando pelos dias como oportunidades perdidas, alegrias alcançadas, estranhas correrias pelas ruas do sonhado e suado almejar de quimeras imediatistas…

Como se realmente cada um de nós pudesse reconfigurar os fatos, as circunstâncias e ocorrências comuns, que parecem desmentir os sonhos. Sonhos, ás vezes mal dormidos nos lençóis de ociosas expectativas em densas noites lentas.

Avançamos como as ondas do amor e recuamos com medo das mudanças.

E o tempo vestido de fantasias impermanentes escoa pelos vãos dos dedos ativos ou inertes, posto que não distingue valores de agregadas ilusões…

E assim, 2013 envelhecido pela velocidade já se esvai nos corredores da u.t.i, que significa unidade de tempo indefinido, mal vivido ou não aproveitado em si mesmo. E uma grande maioria da humanidade deságua nas praias de dezembro, apenas então somente esbaforida, resfolegante e entontecida e de mãos vazias…

Enquanto alma que a si mesma se esquece nos turbilhões sombrios e enfumaçados dos suores indevidos, das reclamações repetidas contra os sistemas econômicos e políticos administrativos dos países, das cidades e ou comunidades… E daí mergulha nas promessas com a mesma pressa de tudo resolver num átimo de tempo mágico. E na retrospectiva da memória os fatos da vida cotidiana desfilam como calos emocionais e espirituais, pois não resolvidos no momento em que as portas das atitudes se abrem como flores mutantes no jardim do destino…  

E o tempo rola nas vias da vida e passa e nem diz até logo. Amar á si mesmo é enfrentar as próprias deficiências, desvalorizando as aparências, desapegando de vaidades e orgulho como quem seleciona as pedras do caminho para reconstruir-se, reconhecendo literalmente sem dor e sofrimento, que somos uma alma e temos um corpo e que os valores á serem adquiridos são imponderáveis e por isso mesmo imensuráveis. Se não conseguimos medir uma pessoa que transita na impermanência dos nossos destinos, o que diremos de mensurar almas que compõe o nosso grupo familiar, as nossas amizades e até mesmo inimizades, pois que não se agrada á gregos e troianos na pauta dos relacionamentos, até por que é a afinidade que dita nossos reencontros…

Por mais que religiões tentem desfigurar a realidade da existência imortal da alma, também não conseguem contrapor alternativas plausíveis que satisfaçam o pensamento humano.  Jesus, na verdade não ressuscita, retorna em corpo espiritual, segundo Paulo o apóstolo, ou perispírito, segundo o Espiritismo, consagrando a imortalidade, cumprindo objetivos de conscientização de que não estamos aqui ao acaso, mas com planos de evolução definido pelas cores da liberdade que a luz moral se nos outorga pelas mãos do trabalho, do esforço e da atitude individual, de desenvolvimento espiritual que todos temos que alcançar.

E somos todos nós visitados por dores e alegrias no tempo que não deambula pelos calendários, mas que pode ser sentido não pelas rugas em nossas mãos e rostos, mas por nossa percepção mais aguda, pela inteligência que já não estaciona nas agruras do não conseguido, que já não se espanta com os ecos do externo, posto que enquanto alma adquirimos a calma e a paciência que a juventude descarta por entender ela, a paciência, vive á perder tempo sentada na soleira das expectativas…

Lições repetidas, experiências idênticas como um pêndulo que desde o primeiro movimento se repete em três pontos, início, meio e chegada. E com certeza a vida é mais que isso.

Cap. III – Item 6

“Existem contrastes tecendo contradições.

Tudo prova a presença do Criador no Universo; todavia, mentes recheadas de conhecimento não crêem na Realidade Divina…

 

Todos podemos dar algo em favor do próximo; no entanto, muitos possuem em abundância e nada oferecem a ninguém…

 

Temos a apologia da paz onipresente; contudo, extensa maioria forja a guerra dentro de si mesma…

 

Existem contrastes gravando ensinamentos.

Há direitos idênticos e deveres semelhantes; contudo, há vontades diferentes, experiências diversas e méritos desiguais…

 

A caridade mais oculta aos homens é, no entanto, a mais conhecida por Deus…

 

A vida humana constitui cópia imperfeita da Vida Espiritual; todavia, a perfeição das grandes Almas desencarnadas da Terra foi adquirida no solo rude do planeta”…

 

André Luiz 36 – Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira (Espíritos Diversos)do livro: O Espírito a Verdade.

 

“Existem contrastes tecendo contradições.

 

A dor e a miséria, a opulência e o prazer embora contraditórios entre si, são frutos do mesmo caminhar a milênios. Eis a contradição confundindo esmola com caridade, mesmo cientes de que a Justiça do Pai não nos desampara.

Há direitos idênticos e deveres semelhantes; contudo, há vontades diferentes, experiências diversas e méritos desiguais…

A caridade mais oculta aos homens é, no entanto, a mais conhecida por Deus…

***

Eis a condição humana em seu retrato espiritual. Sofrendo o próprio desencontro, instalando vaidades e fantasias na performance de asas fechadas ainda, em sua grande maioria para o trabalho de evolução individual e coletiva. Mas, egressa por essa própria condição nas refregas necessárias, oriundas dos efeitos reencarnacionistas.

Mas, vejamos de novo o calendário humano.

Os dias de alegria nos deixam saudades

Momentos amorosos o coração não esquece

A luz do aprendizado a memória utiliza e arquiva

Os dons da experiência a inteligência reusa

As dores quando se esvai não lembramos seu início

O sofrimento impermanente, quando deixa resquícios é teimosia da sombra

E tudo parece, desse modo, ser uma saudade imensa

O que não queremos nos dar conta é que tudo são lições

Amargas ou doces, tempestuosas e passageiras

Ás vezes duram um pouco mais, por que fixamos os olhares no calendário

Dias somam semanas, meses alcançam anos

Anos viram décadas e o relógio continua na mesma batida

E o calendário não interfere na vida!

O tempo mais parece uma ilusão dos sentidos

Que traça em seu seio diretriz

A impermanência é a lei nutriz

Negar o que se desconhece, por se não encontrar à altura de compreender o que se nega, é insânia incompatível com os dias atuais.(do livro Memórias de um suicida/ Yvonne do Amaral Pereira)

A vida de fato não é movida pelo tempo cantado pelos relógios, ultrapassa dimensões, se não o que seria de nossas saudades, dos nossos laços e afinidades.

Assim novamente é tempo de natal, de ano novo. E eu quero desejar as amigas e aos amigos, assim como também aos que não me amam e a minha família, doces dias de reflexão, lembrando que a caridade é a essência da atitude de quem “ama o próximo como á si mesmo”.

***

Ademário da Silva

16/dezembro/2013.

 

A saudade é a luz viva que ilumina a estrada do passado…

 

 

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