Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Estudando o cérebro.

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Todo o campo nervoso da criatura constitui a representação das potências perispiríticas, vagarosamente conquistadas pelo ser, através de milênios e milênios.

Em renascendo en­tre as formas perecíveis, nosso corpo sutil, que se caracteriza, em nossa esfera menos densa, por ex­trema leveza e extraordinária plasticidade, subme­te-se, no plano da Crosta, às leis de recapitulação, hereditariedade e desenvolvimento fisiológico, em conformidade com o mérito ou demérito que trazemos e com a missão ou o aprendizado neces­sários.

O selvagem apresen­ta um cérebro perispiritual com vibrações muito diversas das do órgão do pensamento no homem civilizado. Sob este ponto de vista, o encéfalo de um santo emite ondas que se distinguem das que despende a fonte mental de um cientista.

A escola acadêmica, na Crosta Planetária, prende-se à con­ceituação da forma tangível, em trânsito para as transformações da enfermidade, da velhice ou da morte. Aqui, porém, examinamos o organismo que modela as manifestações do campo físico, e reco­nhecemos que todo o aparelhamento nervoso é de ordem sublime.

A célula nervosa é entidade de natureza elétrica, que diariamente se nutre de com­bustível adequado. Há neurônios sensitivos, moto­res, intermediários e reflexos. Existem os que re­cebem as sensações exteriores e os que recolhem as impressões da consciência.Em todo o cosmo celular agitam-se interruptores e condutores, ele­mentos de emissão e de recepção. A mente é a orientadora desse universo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se consagram a seu serviço. Dela emanam as corren­tes da vontade, determinando vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas in­teriores. Colocada entre o objetivo e o subjetivo, é obrigada pela Divina Lei a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, enri­quecer-se, iluminar-se, progredir sempre. Do plano objetivo, recebe-lhe os atritos e as influências da luta direta; da esfera subjetiva, absorve-lhe a inspiração, mais ou menos intensa, das inteligências desencarnadas ou encarnadas que lhe são afins, e os resultados das criações mentais que lhe são peculiares. Ainda que permaneça aparentemente estacionária, a mente prossegue seu caminho, sem recuos, sob a indefectível atuação das forças visí­veis ou das invisíveis.

 

No corpo físico, diferençiam-se as células de maneira surpre­endente. Apresentam determinada personalidade no fígado, outra nos rins e ainda outra no sangue. Modificam-se infinitamente, surgem e desaparecem, aos milhares, em todos os domínios da química or­gânica, prôpriamente dita.

 No cérebro, porém, ini­cia-se o império da química espiritual. Os elemen­tos celulares, aí, são dificilmente substituíveis. A paisagem delicada e superior é sempre a mesma, porque o trabalho da alma requer fixação, aprovei­tamento e continuidade.

O estômago pode ser um alambique, em que o mundo infinitésimo se revele, em tumultuária animalidade, aproximando-se dos quadros inferiores da vida, porqüanto o estômago não necessita recordar, compulsoriamente, que subs­tância alimentícia lhe foi dada a elaborar na vés­pera, O órgão de expressão mental, contudo, re­clama personalidades químicas de tipo sublimado, por alimentar-se de experiências que devem ser registradas, arquivadas e lembradas sempre que oportuno ou necessário. Intervém, então, a química superior, dotando o cérebro de material insubs­tituível em muitos departamentos de seu laborató­rio íntimo.

Quero dizer, André, que o princípio espiritual, des­de o obscuro momento da criação, caminha sem detença para frente. Afastou-se do leito oceânico, atingiu a superfície das águas protetoras, moveu-se em direção à lama das margens, debateu-se no charco, chegou à terra firme, experimentou na flo­resta copioso material de formas representativas, ergueu-se do solo, contemplou os céus e, depois de longos milênios, durante os quais aprendeu a pro­criar, alimentar-se, escolher, lembrar e sentir, con­quistou a inteligência…

Viajou do simples impulso para a irritabilidade, da irritabilidade para a sen­sação, da sensação para o instinto, do instinto para a razão.

Nessa penosa romagem, inúmeros milê­nios decorreram sobre nós. Estamos, em todas as épocas, abandonando esferas inferiores, a fim de escalar as superiores.

O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da anima­lidade primitiva para a espiritualidade humana.

        Em síntese, o homem das últimas dezenas de séculos representa a humanidade vitoriosa, emer­gindo da bestialidade primária. Desta condição par­ticipamos nós, os desencarnados, em número de muitos milhões de espíritos ainda pesados, por não havermos, até o momento, alijado todo o conteúdo de qualidades inferiores de nossa organização pe­rispiritual; tal circunstância nos compele a viver, após a morte física, em formações afins, em socie­dades realmente avançadas, mas semelhantes aos agrupamentos terrestres. Oscilamos entre a libe­ração e a reencarnação, aperfeiçoando-nos, burilan­do-nos, progredindo, até conseguir, pelo refinamen­to próprio, o acesso a expressões sublimes da Vida Superior, que ainda não nos é dado compreender. Nos dois lados da existência, em que nos movimen­tamos e dentro dos quais se encontram o nasci­mento e a morte do corpo denso, como portas de comunicação, o trabalho construtivo é a nossa bên­ção, aparelhando-nos para o futuro divino. A ati­vidade, na esfera que ora ocupamos, é, para quan­tos se conservam quites com a Lei, mais rica de beleza e de felicidade, pois a matéria é mais ra­refeita e mais obediente às nossas solicitações de índole superior. Atravessado, contudo, o rio do renascimento, somos surpreendidos pelo duro traba­lho de recapitulação para a necessária aprendiza­gem.

Nós mesmos, em nossa relativa condição de espiritua­lidade, ainda não possuímos o processo de remi­niscência integral dos caminhos perlustrados. Não estamos, por enquanto, munidos de suficiente luz para descer com proveito a todos os ângulos do abismo das origens;

Com­parando, entretanto, a nossa situação com o es­tado menos lúcido de nossos irmãos encarnados, importa não nos esqueçamos que os nervos, o córtex motor e os lobos frontais, que ora examinamos, constituem apenas regulares pontos de contacto en­tre a organização perispiritual e o aparelho físico, indispensáveis, uma e outro, ao trabalho de enri­quecimento e de crescimento do ser eterno. Em linguagem mais simples, são respiradouros dos im­pulsos, experiências e noções elevadas da perso­nalidade real que não se extingue no túmulo, e que não suportariam a carga de uma dupla vida.

Em verdade, não há total esquecimento na Crosta Terrestre, nem restauração imediata da memória nas províncias de existência, que se seguem, naturais, ao campo da atividade física. Todos os homens conservam tendências e faculdades, que quase equivalem a efetiva lembran­ça do passado; e nem todos, ao atravessarem o sepulcro, podem readquirir, repentinamente, o pa­trimônio de suas reminiscências. Quem demasiado se materialize, demorando-se em baixo padrão vi­bratório, no campo de matéria densa, não pode reacender, de pronto, a luz da memória. Despen­derá tempo a desfazer-se dos pesados envoltórios a que inadvertidamente se prendeu. Dentro da luta humana, também, é indispensável que os neurônios se façam de luvas, mais ou menos espessas, a fim de que o fluxo das recordações não modere o es­forço edificante da alma encarnada, empenhada em nobres objetivos de evolução ou resgate, aprimora­mento ou ministério sublime.

Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui age no organismo perispirítico, com poderes muito mais extensos, mercê da singular natureza e elasticidade da ma­téria que presentemente nos define a forma.

—        Nervos, zona motora e lobos frontais, no corpo carnal, traduzindo impulsividade, experiência e noções superiores da alma, constituem campos de fixação da mente encarnada ou desencarnada. A demora excessiva num desses planos, com as ações que lhe são consequentes, determina a des­tinação do cosmo individual. A criatura estacio­nária na região dos impulsos perde-se num labi­rinto de causas e efeitos, desperdiçando tempo e energia; quem se entrega, de modo absoluto, ao esforço maquinal, sem consulta ao passado e sem organização de bases para o futuro, mecaniza a existência, destituindo-a de luz edificante; os que se refugiam exclusivamente no templo das noções superiores sofrem o perigo da contemplação sem as obras, da meditação sem trabalho, da renúncia sem proveito.

E, como nos encontramos indissoluvelmente liga­dos aos que se afinam conosco, em obediência a indefectíveis desígnios universais, quando nos de­sequilibramos, pelo excesso de fixação mental, num dos mencionados setores, entramos em contacto com as inteligências encarnadas ou desencarnadas em condições análogas às nossas.

—        Segundo verificamos, Jesus-Cristo tinha so­bradas razões recomendando-nos o amor aos inimi­gos e a oração pelos que nos perseguem e caluniam. Não é isto mera virtude, senão princípio científico de libertação do ser, de progresso da alma, de am­plitude espiritual: no pensamento residem as cau­sas.

—       Porque, se o conhecimento auxilia por fora, só o amor socorre por dentro — acrescentou o instrutor tranqüilamente. Com a nossa cultura re­tificamos os efeitos, quanto possível, e só os que amam conseguem atingir as causas profundas.  

 

Não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, con­quistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio. Não há favoritismo no Tem­plo Universal do Eterno, e todas as forças da Cria­ção aperfeiçoam-se no Infinito. A crisálida de cons­ciência, que reside no cristal a rolar na corrente do rio, aí se acha em processo liberatório; as ár­vores que por vezes se aprumam centenas de anos, a suportar os golpes do Inverno e acalentadas pe­las carícias da Primavera, estão conquistando a memória; a fêmea do tigre, lambendo os filhinhos recém-natos, aprende rudimentos do amor; o símio, guinchando, organiza a faculdade da palavra. Em verdade, Deus criou o mundo, mas nós nos con­servamos ainda longe da obra completa. Os seres que habitam o Universo ressumbrarão suor por muito tempo, a aprimorá-lo. Assim também a in­dividualidade. Somos criação do Autor Divino, e devemos aperfeiçoar-nos integralmente. O Eterno Pai estabeleceu como lei universal que seja a per­feição obra de cooperativismo entre Ele e nós, os seus filhos.

 

Capitulo 4 do livro: No mundo maior,

André Luis// Francisco Cândido Xavier

***

Facilitador: Ademário da Silva/

26/setembro/2013.

 

 

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