Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Só pra constar… 1º e março de 2012

Rimas transitórias...

“Gracias á La Vida que me há dado tanto!”; cantou Violeta Parra num pleito de gratidão, esses versos oração; Dos mais lindos que já li, ouvi e compreendi seus sentidos…

Hoje, 1º de março de 2012, estou aqui degustando emoções e sabores nascidos da vida, do tempo e do destino. Num mesmo dia de março em 1951 de braçadas com o parto eu surgia nas mãos da parteira, lá em Queluz…

O tempo escorreu na ampulheta da vida, subi os degraus permitidos e atrevido fui contra o sistema… Amei como qualquer criança que se engana com o designer da flor, cresci como bicho solto sob os olhares atento e corrigendos da mamãe…

E já se foi à infância, a adolescência e ficou a maturidade cujos degraus são mais densos, íngremes como a reputação que é só um jeitão de se apresentar… E de teimosa a maturidade permanece, feito prece impregnada nos sonhos e nos medos, nos enredos e conquistas e também nas pistas das frustrações, decepções… Ah! Mas, no mosaico do destino eu vejo pessoas, amores, amigos, afetos e também os desafetos e agradeço á Vida…

Eu vejo a Doutrina Espírita

A maior ideologia igualitária que conheci

Ideologia da alma, da evolução, oportuna e misericordiosa,

Alecrim, rosa e arnica,

Rimas, emoções e aromas,

Perfumes divinos de todas as estações

A minha Cristina, ideologia de um amor,

As dores dos meus tropeços,

Mediunizando meus versos, desvirginando a intuição,

Cauterizando provação, abrindo caminhos em meio ás minhas sombras.

João Bosco escreveu em uma de suas canções em tributo ao Tiradentes, (alferes Joaquim José Xavier):

“Só mesmo um louco pra sonhar assim/

Sonhar com a liberdade”

E a liberdade não é iguaria á ser degustada num banquete de fantasias personalistas, onde trogloditas de ideais transitórios, se locupletam dos sonhos indormidos de um povo imberbe…

E o Gonzaguinha cantou do seu jeito malandro e sonhador: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz!”

“E a vida o que é? 

Diga lá meu irmão!

Há quem diga que a vida da gente é um nada no mundo

Há quem diga que é o sopro do Criador,

Numa atitude repleta de amor!”

É ai que percebemos que a infância é a semente da maturidade, mas que não guarda em si uma solução de continuidade, e, precisa á despeito dos percalços do caminho, continuar sendo a essência do ser, mesmo nos outros degraus da vida. Ou seja, a ‘velhice’ tem que ser a infância amadurecida, assim como cicatriz ou tatuagem das emoções vividas guardada na memória da alma.

“Eu fico com a beleza da resposta das crianças/

E a vida é bonita, é bonita e é bonita”

Simples assim…

E ele, Gonzaguinha disse num outro samba de sua autoria:

“Seu moleque acabou de chegar,

Eh! Mãe

No seu colo é que eu quero dormir e sonhar,

Amanhã boto as pernas no mundo,

Pois o mundo é que é meu lugar!”

É isso!

Nascemos sozinhos e morremos sozinhos.

Pensamos sozinhos e também sentimos sozinhos

A individualidade é nossa razão

A parceria nossa emoção!

E nessa relação de flor e ventos, cada um no seu momento, ir e vir é um direito espiritual.

Beija-flor encantado com perfumes e cores

Nesse caminho a infância meio que se perde nos conflitos da adolescência, e ás vezes até se nega, se castra, não se permite a inocência, como se fora pecado o encantamento…

Amar a professora das primeiras letras

Se apaixonar desastradamente por aquela menina, cujo status é um tremendo obstáculo.

Renegar matemática e orações numa parceria com a oposição sem causa…

Ter ciúmes da mãe e cismas do pai…

Isso tudo é rejeitado pela tribo das novidades repaginadas pelas gerações, ou seja, tudo como antes no quartel de Abrantes…

E assim segue a criatura em direção à magistratura da vida…

Entre arranhões e feridas

Entre beijos e sonhos

Até que se lhe enrugue a pele, e os movimentos não precisem mais da velocidade inicial…

E tudo começa parecer tão óbvio que cobranças e culpas ficam na poeira do caminho.

E a tal de terceira idade, como se o tempo fosse capaz de medir maturidade, surge como mestrado de liberdade. De atitudes ou um simples não fazer pelo prazer de deixar pra depois, pois que a importância é só oposição dos acelerados…

De fato não existe velhice enquanto a alma é capaz de se apaixonar. De se envolver e agora sem se complicar como dantes, mas antes ter a capacidade de abandonar o que entedia, o que não tem o gosto da garapa ou o cheiro do cravo, e tudo que for desagravo vira motivo de risos silentes…

Sentir um prazer desbragado pela idade de agora, pois que ninguém fica velho ontem, mas sim agora, no presente…

Olhar pra trás só pra ver se ninguém rasgou o croqui e sorrir pelo que já está nos arquivos mentais da alma…

Fazer um testamento e incluir os livros de Drummond e Mandela, Cecília Meireles e Yvonne do Amaral Pereira; Hermínio C. de Miranda, Cora Coralina, Victor Hugo e tantos outros autores que definiram meu aprendizado…

E como Brasileiro não esquecer Jorge Amado, mesmo ciente por opção que Kardec é o mestrado…

Concluir sorrindo que fazer trinta anos é extremamente oposto á alcançar a constituição dos sessenta, posto que agora o prazer seja ferramenta de desenho á mão livre…

Sem traumas ou culpas por inúteis em si mesmas… Tal como quaresma, não apagam pecados… E as aparentes distonias, doenças e quebraduras só são ataduras ao corpo das quais se isenta pelo discernimento, a inteligência e o conhecimento real da sua imortalidade…

A fé que raciocina não é dijina debaixo do alqueire…

Viver é ter ciência da transitoriedade como ensinou o Pastorinho.

A Impermanência é lógica da evolução…

Então não nos atenhamos aos calos e rugas que o corpo apresenta, posto que são apenas o resultados do caminhar, do fazer e construir… Um aluno não deixa de sê-lo apenas por que saiu da sala de aula…

A morte trará com certeza nova indumentária, outras ferramentas de continuidade e evolução…

Envelhecer é ter a certeza de que Deus nos aguarda renovados e reconstituídos por nós mesmos nos caminhos da vida…

Assim não se espante com as rugas e a lentidão elas são os versos e rimas, gestos e orações dos seus passos pelo tempo…

***

Ademário da Silva (&) 03/de março/2012

 

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