Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Comentário e pertinente Resposta…

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(Minha prima Teresa, quando leu esses versos me questionou se a minha partida estava próxima…)

Viagem!

Quando eu não puder mais pousar em tuas noites

Como se fosse lua a viver de emprestadas luzes

E não puder mais dar um vôo rasante em teus dias

Quando o som da minha voz não conseguir mais ferir teus tímpanos

E o silêncio der uma volta redonda em teu tempo

Ainda assim eu não estarei desfeito

Não quero ser apenas saudades ou vagas lembranças…

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Entendimento…

Quanto à poesia que na verdade se intitula “Viagem” não têm ainda a ver com a minha partida para o mundo espiritual. O que até me deixaria feliz, voltar para a Pátria da alegria, da compreensão e da alforria. Conviver em outros parâmetros existenciais, claro que bem distante dos ‘umbrais’. Ela faz parte dos meus exercícios mediúnicos, onde amigos espirituais na verdade procuram me acostumar com a idéia e, me fazem perceber que nada é tão doloroso como se pinta por aqui. E serve pra que eu possa mostrar aos mais necessitados que tudo se separa mais nada se desliga totalmente. E que a separação é uma necessidade que decorre da desigualdade evolutiva dos que precisam ainda reencarnar num mundo de provas e expiações; e que a morte que na verdade não é fator de separação, mas traço de união com a vida original…

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É preciso apenas manter aceso os laços morais, espirituais e emocionais para que a saudade não signifique distância e, principalmente para que a distância, que é dimensional, não se traduza em desespero e desequilíbrio; è só um treino cujo jogo não tem data marcada.

E essa última experiência com a desencarnação da mamãe me mostrou de modo patente e insofismável essa realidade da imortalidade.

Eu tenho consciência do que tenho que fazer por aqui é muito mais por mim, enquanto espírito necessitado, do que pelo próximo, que surge no horizonte das minhas atividades traduzindo apenas quais são as minhas obrigações e tarefas. Mamãe se foi e alguns dias depois eu estava na outra dimensão, nos caminhos que ela cruzou, em busca de saber como ela estava, principalmente pelo que pude perceber nos seus últimos momentos ainda no hospital, precisávamos os dois do reencontro pra colocar a certeza da fé em que nos abrigávamos, em dia.

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Sorrir no sorriso dela e sentir suas vibrações para atarmos, por assim dizer, os nossos sentimentos, agora de maneira transcendente.

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E através daquilo que chamamos de sonho e que na verdade é a emancipação da alma á partir do sono do corpo, estive com ela num ambiente hospitalar, onde pude notar a mutualidade da necessidade do reencontro. E conversamos sobre aquilo que foi interrompido quando do seu desenlace, pois que este ocorreu no dia que fomos visitá-la, eu, minha filha Vanessa ‘Miúcha’ Diana e o mano caçula Ezequiel. Ficamos por algum tempo numa sala de espera e nos fartamos emocionalmente no reencontro. Alguns aspectos me chamaram a atenção. Ela já havia trocado sua indumentária, se apresentava com um ‘sobretudo’ de lã cinza muito elegante e bonito e feliz da vida por me reencontrar. Disse-me que estava bem nestes primeiros dias na outra dimensão e que aguardava solução de transferência para outra enfermaria para um tratamento mais sério, dada as condições em que desencarnara, as sensações carreadas pelo perispírito poderiam obviamente incomodá-la e muito. O mal de Alzheimer, o coração debilitado em face da idade avançada de 85 anos terrenos, a incontinência urinária e outros achaques da longevidade. Num dado momento, o movimento de espíritos enfermeiros e médicos, orientadores e atendentes, um determinado espírito lhe chama atenção e, ela naquele seu jeito carinhoso de falar, quase que sussurra aos meus ouvidos: “filho, está vendo aquele espírito de jaleco azul, ele é o ‘anjo da guarda do primeiro andar’, o que fez entender que era o responsável pela internação, permanência e encaminhamento dos recém desencarnados… E havia encantado mamãe, por sua educação e prestatividade espontânea e fraterna…

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A idéia do amanhã enquanto semente, para o nosso entendimento sempre surge hoje, criando vínculos e expectativas de estímulos e incentivos, que se nos alimentam a alma e nos impulsionam ao cumprimento das próprias tarefas. No mais é cumprir com o ensinamento deixado pelo Rivail o querido Mestre francês: “Pensar, sentir, viver e criar são atitudes espíritas.”

Na esteira da imortalidade não devemos nos prender às imagens estranhas e pútridas com as quais a morte foi emoldurada e nem mesmo a inconsciência da reencarnação; devemos nos ater sempre a lucidez, aos efeitos dos nossos atos, ao livre arbítrio e a capacidade intrínseca de ser um ‘deus’ como asseverou Jesus.

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Aprendiz que se identifica com o mestre não perde o endereço da escola. No seio da eternidade a escola é a vida, e isso garante que a morte não existe.

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Meus ancestrais nesta atual encarnação…

Uma avó Africana e um pai mineiro

O pediatra lá de Queluz

A mamãe, enquanto filha da genética portuguesa que agora ao grupo se junta

O mano, ‘nosso menino’, (Iracegildo) que se prepara para a volta

Tantos outros ancestrais na mesma seara

Não sou eu que lá vou despontar trazendo limpa minha cara!

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Viver por aqui, limpar a casa e os porões, não se preocupar apenas com a pintura das paredes, mas, principalmente com a qualidade do edifício.

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O edifício consciencial, cortar o mal pela raiz, rearar a terra da conduta, aplicar-lhe o húmus da simplicidade, da dignidade e da caridade e ver desenvolverem-se e multiplicar os talentos adquiridos na esteira da imortalidade.

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Neste minuto de vida humana a inconsciência de quem fomos é a porta estreita de provas e expiações… Volto a enfatizar, a mediunidade é o divã da imortalidade, sendo ainda o substantivo de ligação á exigir-nos predicados de simplicidade e disciplina em seus modos de comunicação e contato…

Poesias, acrósticos, textos doutrinários e poemas, além de estudos doutrinários espíritas, os estudos em grupos lá no ‘Facho de Luz’, são tarefas, que ao longo desta reencarnação reduzem a minha condição de espírito necessitado… E configuram ainda ás páginas do ‘Candeias e Rimas Espíritas’… Desde 1º de outubro de 1997…

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Necessitado de luz e tirocínio

Que exercita a conduta reduzindo melindres

Ao captar pela intuição as rimas das necessidades

Me prosto em oração pelas bênçãos da fraternidade…

Eis a razão dos versos que compõem a “Viagem”

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Resposta para a Teresa, minha prima que mora lá em São Bernardo e freqüenta o Grupo Noel…

Boa tarde minha querida, que Deus te abençoe sempre!

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Viagem!

Quando eu não puder mais pousar em tuas noites

Como se fosse lua a viver de emprestadas luzes

E não puder mais dar um vôo rasante em teus dias

Quando o som da minha voz não conseguir mais ferir teus tímpanos

E o silêncio der uma volta redonda em teu tempo

Ainda assim eu não estarei desfeito

Não quero ser apenas saudades ou vagas lembranças

Ter lágrimas como herança

Imagem que a solidão emoldura

Uma canção que a emoção cicatriza nos passos lentos do destino

Ainda assim não serei o abandono

Por mais que tua tristeza insista em pintar seriedade em meu sorriso

E se lembrar de mim mergulhado no esquife

Ainda assim não serei as sombras

E ali não estarei, por que nunca estive, saí dos escombros minutos antes

Mesmo que as coisas, o destino e os sentimentos não sejam mais como dantes

Ainda assim, eu terei apenas me desmaterializado

Me despregado dos despojos e mesmo com os sentimentos semi-meliantes

Mal me apoiando em meus passos vacilantes, minha luz bruxuleante adolesce e,

Envelhece como prece apagada em pergaminho na minha memória cansada

Ainda assim sou eu mesmo em outra definição que me configura imortal

Quando o som dos meus passos em inusitados horizontes não mais significar a alegria da minha volta

Mesmo que o silêncio lhe pareça abandono

Mesmo que o suposto abandono lhe ameace com o desespero

Mergulhe-se em alma nas águas da prece e tome um banho de luz no oceano dos sentimentos vividos

Mesmo que a saudade seja um sorriso rasgado na boca da alma em silêncio

O que eu ainda penso é que mesmo com a dor inoportuna, a alegria não pode morrer

Mesmo que o sofrimento tente te empurrar para o nada

Ainda assim não serei o vazio, muito menos imagem rasurada

Sou agora mais do que antes como as águas do rio de impulsos mutantes

Que não se assusta com as quedas, não se detém nas planícies e nem se demora nas curvas

O que quero lhe dizer de fato é que não moro na morte ou no meio da escuridão

Sou sim um espírito errante nos caminhos ainda de pedras, mas de outras emoções

A vida num mundo de expiações e provas é pólvora de artifício que rapidamente perde seu brilho

E sendo assim, se desprender da carga e da canga não é castigo tão pouco

Zanga de um Pai que ensina com misericórdia os acordes da evolução!

Mesmo que a gente demore a se ver por que os olhos da carne têm pouca acuidade

A verdade é que a nossa amizade nunca vai se desfazer!

A diferença reside entre o grotesco e o imponderável

Meu tempo não mais será tão instável e nem sujeito às chuvas e trovoadas

E mesmo assim não lhe serei tão invisível

Aconchegado em poltronas de ventos sob a direção dos próprios pensamentos

Viajo pelas telas do tempo para acordar seu coração cicatriz

E sussurrar aos tímpanos de sua alma que apesar do firmamento lhe desenhar silêncio e segredos

A vida do outro lado da fluídica cortina é luz que se nos fascina é movimento que seduz

Portanto minha amada, amigos e familiares, agregados e opositores

Não moro na Rua do silêncio no bairro dos horrores

Como ensinou Jesus, na Casa do Pai há muitas moradas,

Eu vivo na estância de um novo dia em plena alvorada,

Que já não têm mais de noite, de dia ou de madrugada,

Mas é luz de diamante irisada, que uma vez acesa jamais será apagada,

A vida da alma livre e bem resolvida nos jardins de tantas galáxias iluminadas.

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Ademário da Silva. – SOESFALUZCA – 08/jan.2008

Do primo, amigo e irmão que luta para ser um autêntico Ademário. – 16/01/2008

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Comentários em: "Razões expostas…" (1)

  1. merat disse:

    Bom dia!
    Ademario Silva, gostaria de lhe parabenizar pelo seu blog onde expõe artigos espíritas com muita seriedade para os leitores. Fora isso, muito obrigado pelo comentário que você fez no meu blog “reflexoesreligiosasluzdoconhecimento”, fiquei muito feliz pela sua sensibilidade ao comentar os artigos expostos no meu blog. Sempre que tiver oportunidade, pode expor a sua opinião em qualquer artigo no blog, pois o seu contéudo é totalmente público.
    Até logo e fique com Deus.
    rosanemerat
    blog. reflexoesreligiosasluzdoconhecimento.blogspot.com

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