Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Allan Kardec

Capitulo XI

 

 

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da Humanidade.

Dai a César o que é de César

5. Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se entre si para enredá-lo com as suas próprias palavras. – Mandaram então seus discípulos, em companhia dos herodianos, dizer-lhe: Mestre sabemos que és veraz e que ensinas o caminho de Deus pela verdade, sem levares em conta a quem quer que seja, porque, nos homens, não consideras as pessoas. Dize-nos, pois, qual a tua opinião sobre isto: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo?

Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo. E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: De quem são esta imagem e esta inscrição? – De César, responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Ouvindo-o falar dessa maneira, admiraram-se eles da sua resposta e, deixando-o, se retiraram. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 15 a 22. – S. MARCOS, cap. XII, vv. 13 a 17.)

6. A questão proposta a Jesus era motivada pela circunstância de que os judeus, abominando o tributo que os romanos lhes impunham, haviam feito do pagamento desse tributo uma questão religiosa. Numeroso partido se fundara contra o imposto. O pagamento deste constituía, pois, entre eles, uma irritante questão de atualidade, sem o que nenhum senso teria a pergunta feita a Jesus: “É-nos lícito pagar ou deixar de pagar a César o tributo?” Havia nessa pergunta uma armadilha. Contavam os que a formularam poder, conforme a resposta, excitar contra ele a autoridade romana, ou os judeus dissidentes. Mas “Jesus, que lhes conhecia a malícia”, contornou a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, com o dizer que a cada um seja dado o que lhe é devido. (Veja-se, na “Introdução”, o artigo: Publicanos.)

7. Esta sentença: “Dai a César o que é de César”, não deve, entretanto, ser entendida de modo restritivo e absoluto. Como em todos os ensinos de Jesus, há nela um princípio geral, resumido sob forma prática e usual e deduzido de uma circunstância particular. Esse princípio é conseqüente daquele segundo o qual devemos proceder para com os outros como queiramos que os outros procedam para conosco. Ele condena todo prejuízo material e moral que se possa causar a outrem, toda postergação de seus interesses. Prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja que se respeitem os seus. Estende-se mesmo aos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, tanto quanto para com os indivíduos em geral. 

 

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Comentário…

 

A fé que raciocina não se engana ante as armadilhas do pensamento transitório.

 

Á dois mil anos que a conduta política se parece tanto com a atual, cheia de falácias, armadilhas e sofismas. Jesus que não se deixava levar pelas ilusões engendradas pelas sombras, sabia olhar nos olhos das pessoas e enxergar a sombra ou o encanto que emoldurava suas almas, então respondia na medida da necessidade e do aprendizado do interlocutor, de tal forma que não deixava margens á questionamentos desnecessários, fechava as questões de modo insofismável…

“A César o que é que é de César”, é óbvio, se refere ao pagamento de impostos, qual ocorre em nossos dias, obrigação á todo ser em atividade trabalhista, cuja vida pesa na economia existencial.

O que não é confortável é misturar os valores, por isso “Á Deus o que é de Deus”.

“Aqui na terra se faz, aqui mesmo se paga”, ensina a filosofia que arde no cadinho da própria saga. Deveres e obrigações, compõem a lista de compromissos com os quais devemos corresponder na proporção do soldo arrecadado, contribuindo com sua quota para o bem estar comum, no qual também está incluso.

Compromissos e impostos transitórios no balancete de uma vida passageira, asseguram a idoneidade da nossa relação com a Terra e os recursos nela encontrados. Aqui, tudo recebemos da natureza, desde a fecundação ovular até a velhice, buscar repor na medida de possibilidades próprias e só uma obrigação de consciência. Isso é tratado que todos já sabemos de cor e salteado, como se aprendeu na escola.

“Á Deus o que é de Deus”, eis a razão maior que deve preencher nossas preocupações de ordem espiritual.

Se…

 

“Dai a César o que é de César”,

Prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja que se respeitem os seus. Estende-se mesmo aos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, tanto quanto para com os indivíduos em geral. 

“Á Deus o que é de Deus”, deve e precisa reformular o nosso modo de pensar, de sentir, de se relacionar, de viver em fim, posto que essas condições se nos obriga á buscar valores perenes, imortais, que atendam nossas necessidades de reparos e reconciliações e de aquisições morais no campo dos relacionamentos pessoais e espirituais…

“Amar ao próximo como a si mesmo” implica em enxergar a vida pelo prisma da imortalidade e enxergar os direitos prescritos pelas leis divinas e naturais.

O 1º= O direito de ir e vir na esteira da reencarnação sem risco de abortos ou abandonos, de desamor ou maus tratos. Que emperram os mecanismos do amor gerando ódios e obsessões…

O 2º= Ser educado e amparado, segundo o prisma de reparos e reconciliações, conforme os casos que a intuição materna e paterna capta, mas ás vezes capitula, se acovardam e deixam o medo e a ignorância dominar a relação…

O 3º= A lei do esquecimento esconde o passado, mas não apaga a personalidade do espírito imortal, que na medida em que aqui se desenvolve, revela-se também em suas carências e necessidades. O que normalmente acende um sinal de alerta na consciência dos pais, que devem procurar e aprender orientação religiosa que abranja causas e conseqüências, tarefa que o amor se nos obriga… 

O 4º= O perdão implícito nessa relação filial de acordo com o Evangelho ensinado no Sermão da Montanha. O perdão é a lucidez espiritual posta em prática á soldo de si mesmo, no reajuste dos talentos perdidos nas fantasias das ilusões e dos desmandos do passado…

O 5º= Amar a si mesmo é antes perdoar-se compreendendo a própria sombra e aprendendo á fazer luz no próprio coração, abandonando falácias e ilusões, egoísmo e orgulho, desnecessárias carências, e, trocando esses valores por lucidez, coragem de se enfrentar e se reorganizar espiritualmente…

Entre tantos outros direitos que todos temos, investir no perdão e no amor ao próximo é desanuviar agora os horizontes do amanhã. Transformar desafetos em amigos, pra que a obsessões e as perturbações espirituais de todos os gêneros cedam campo e condições á paz e a harmonia tão apregoadas pelas religiões, e, em raríssimos casos alcançados pelos protagonistas da vida humana.

Jesus nos demonstra a precariedade dos valores políticos e econômicos das instituições humanas, em face mesmo da transitoriedade que se nos agasalha os passos no chão da vida material, e o que caminho que devemos trilhar para tributar á Deus, o Criador pela vida que nos dá e não nos cobra impostos que firam sua própria justiça e misericórdia.

Aliás, o próprio Cristo se nos ensinou “A cada um segundo suas obras”, correlacionando: “Vens á Mim, que o meu fardo é leve e o meu jugo é suave”.

Assim pensando entendemos que o maior templo que devemos erguer é a religião da verdade, apregoada pelo Espiritismo, é o interior da nossa própria consciência, que deve se esvaziar dos valores inconstantes da humanidade e desenvolver a lucidez espiritual posto o que Kardec afirmou:

 

 “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da Humanidade”.

 

E os fariseus hipócritas deram um exemplo histórico, claudicando diante da assertiva do Mestre Jesus. Explicitando diante da Luz que a fé que praticavam era eivada de interesses e mesquinharias que não cabem nas relações com a verdade e a honestidade,

E aqui cabe lembrar por que Jesus afirmou que a “A Felicidade não é deste mundo”, posto que para alcançá-la é preciso ser coerente com o amor desinteresse e incondicional de que nos fala O Evangelho segundo o Espiritismo.

 

Ademário da Silva *** 09/janeiro/2010

 

 

 

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