Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

 

Finados

Os entes queridos que já deixaram as vestes humanas e vivem agora num outro ambiente, onde a lei da gravidade não tem tanto sentido, se reúnem na sala do tempo pra recolherem vibrações, lamentos e pesares e consolarem os os desorientados, incrédulos e desavisados que não buscam saber mais da vida, pra entenderem a morte. Mas, também recebem e distribuem as emanações advindas dos relacionamentos saudáveis e sinceros, respeitosos e afetivos, amorosos e afins, que a as alegrias do reencontro nos portais da sensibilidade extra sensorial, que se nos caracteriza o ser, o viver e o sentir nas pautas vivas da fé e da confiança, que decorrem de um aprendizado evangélico lúcido e inteligente, destituído de fantasias e óbices desnecessários á vida do espírito livre das injunções materiais…

Ao meu modo de ver o “dia de finados” para cultuar o dia dos mortos já é uma contradição milenar, que não tem e nunca terá sentido nos moldes em que é vivenciado.

O corpo a natureza silencia mas,  a alma segue em outros quadrantes, alcança latitudes e longitudes que os cinco sentidos não logram captar sem dificuldades de percepção, de entendimento e compreensão de fenômenos que são tão naturais quanto os biológicos e pluviais…

E certamente o cemitério não é o ambiente mais adequado ao reencontro entre os seres que viveram por tempos sob o teto das mesmas emoções e objetivos… Por que neste ambiente as recordações, tanto para os que se foram ás outras dimensões quanto para os que ficaram por aqui, elas são de despedidas, de dores e lamentações. Na grande maioria dos casos configuram revoltas e incompreensões, desesperos e desequilíbrios, cujas vibrações impregnam o ambiente de emanações dolorosas, de tão profundas tristezas e convulsivas choradeiras, que voltar ao mesmo ponto é rever as fotografias do pensamento, que se nos ensinou Kardec, é obrigar-se a assistir, agora pelos canais da lembrança, aquela criança que a bala perdida ceifou, aquele pai tão querido que já não permite mais contato físico; aquela mãe tão terna e guerreira que a morte tomou ao nosso convívio; assim o irmão e a irmã, os avós, os amigos e amigas que fogem aos nossos olhos e tato e deixam de governar o próprio corpo…

Assim como o velório se faz incapaz de atender ás necessidades de despedidas e compreensão sobre as ocorrências da morte o “culto” de finados, até por que ninguém findou-se, precisa ser repensado, reemoldurado, trazendo para os envolvidos uma outra ótica de convivência com a saudade, que é o que realmente fica, tanto para os daqui quanto para os que estão além das percepções sensoriais físicas, afim de que se alcance neste dia, uma fonte maior de consolo e entendimento, principalmente aos recém saídos, assim como para os recém ficados.

Sim, por que a morte nos envolve em seus braços corretivos, á todo instante, aqui neste orbe de provas e expiações…

O conhecimento espírita é o farol de compreensão, de aceitação das leis divinas e naturais, que orbitam em torno da necessidade de vir e voltar… Ele é capaz de resolver todos os enigmas que emolduram e os que constituem o foco principal de tais ocorrências. Nascemos sozinhos por que a responsabilidade de viver é nossa, desencarnamos também sozinhos, por quanto devemos responder á própria consciência os resultados dessa experiência nos refolhos da envergadura humana…

Num dia como hoje os versos da saudade devem ser a prece capaz de magnetizar as lembranças no prisma das afeições e do respeito. O corpo desfeito ou quase, no túmulo não nos permite estreitar-lhe nos braços, mas, a memória, os sentimentos, as atitudes, o modo de ser, de conversar e resolver, daquele ou daquela que não se encontra entre nós, devem ser os valores a configurarem o poema da lembrança…

As rimas das afeições marcam o compasso da saudade

E cada verso á lembrar um gesto, um sorriso e um abraço

Ternos beijos e promessas que só a imortalidade é capaz de cumprir

Costuram uma outra túnica pra essa relação de amor

De afeição, de respeito, de compreensão, de amar e de sentir!

De que se Deus assim fez, é que é pra ser assim mesmo

Traga seu ente querido á mesa da compreensão

Entabule um diálogo de afeição

Faça os versos da oração serem imprimidos pela luz do coração

Se comprometam com a força e a coragem que Jesus ensinou

E nos sensores da mediunidade chore de saudade

Mas, também por compreensão

Sente-se também á cadeira do entendimento

E por alguns momentos sacie seu coração

Na luz dessa amizade, no amor desse clarão

Que a mediunidade, mãe da afeição

Te oferece no cálice da emoção!

Agradeça ao Criador a certeza da imortalidade

Acenda o coração

Estenda a afeição

Entoe uma nova canção

A vida está certa

E a morte não erra

Não está no frio da terra, jamais no abandono

Nem mesmo no silêncio do ostracismo

O vínculo desse amor que o espiritismo

Coloca acima de qualquer suspeita, dúvida ou incerteza

A luz da saudade está nos braços da verdade!

Ademário da Silva **** 1º/novembro/2009 ** SOESFALUZCA

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