Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Santa Rita do Sapucaí a raiz do recomeço...

Santa Rita do Sapucaí a raiz do recomeço...

Entre a vida e a morte…

Mais uma vez a vida acompanha a morte num cortejo onde a tristeza, o adeus e a falta de conhecimentos de mãos dadas se expressam nos olhares, nos gestos e no silêncio, nos rituais religiosos que mais encarecem o momento do que ajudam o ser que fica administrar a saudade que já dita os tons os novos dias.

Lágrimas  pregadas no rosto quais pingentes do desespero dão-nos o tempero de um aparente abandono. O grito mudo pendurado no prego enferrujado por uma história repetitiva e desgastante, ecoa no íntimo dos mais próximos revelando segredos de relações mal resolvidas ou de amores e afeições que se acreditavam perenes…

É sempre o clima milenar de uma fé que mal acredita em si mesma, que dirá nos segredos das leis naturais e divinas. O corpo frio e extático gritando no silêncio do incrédulo; eu, espírito imortal e indestrutível, rompi o casulo, pulei o muro interdimensional, desliguei a energia que aquece, vivifica e movimenta a matéria. Por isso esse instrumento silente e álgido responde imanifesto, a experiência humana cruzou a linha de retorno e a ladainha, o sino e a reza são quais sentenças proferidas pelos punhais da surpresa e do despreparo, no seio do claro do dia…

O velório que não se explica, por que implica em entendimento e circunspecção, mais parece um muro de lamentação no colo de uma noite fria e interminável, ritual de higienia, agonia do inexplicável a sorver o sentimento, gotejando sofrimento na fronteira do inevitável.

Familiares de todos os ecos, amigos e vizinhos e até desafetos no féretro de um corpo inservível, formam o cortejo pelas ruas do tempo no contratempo entre a vida e a morte, de tal sorte que a tristeza reina soberana em todos os olhares e pesares. O coração materno silencia na agonia entre a perda e a prece e outra vez de si se esquece…

Mas, o que é que se perde e o que se ganha nesta façanha da morte sobre a vida, senão cicatrizes emocionais nos arraiais da saudade que percute como se fora goteira na soleira do desaviso. E a morte como a própria vida não se comove e não resolve a prova dos nove na matemática da alma.

Um espírito aqui ressurge no silencio da gravidez vestindo o manto dos segredos do tempo, se faz filho, adolescente, maduro e marido e deixa em seus passos, conforme a personalidade, um vazio quase que impreenchível no peito de quem fica, mas, não se destroça na friagem cadavérica. Muito embora deixe os mais variados tipos de saudade, a verdade é que permanece em outra dimensão a seguir os ditames da vida, que o Pai criou eterna na senda do universo. Imortal por ser imperecível vai adiante, morar nas mais diversas moradas na casa do Pai…

Os mais diversos crentes na cripta da separação manifestam igualdade de compreensão e perplexidade ante tão histórica adversidade. Milenar condição da experiência, a morte é fenômeno natural no concerto da evolução existencial, desenvolvida como benesse por Deus nas fraldas de sua própria misericórdia, a proteger suas criaturas nas leiras do tempo.

Ali nas terras de Sapucaí, no dia de hoje, um primo, também deixou o cenário da vida humana, acometido de um infarto no parto invertido da vida, e deixa silentes seus filhos e esposa, irmãos e os demais familiares e dezenas de amigos nos altares da expectação, aos 57 aqui vividos.

Por que a morte é só a placenta fluídica resgatando o espírito do claustro físico para os mundos transitórios e silentes da outra dimensão da matéria, aonde ele chega levando no seu acervo de experiências as conquistas encetadas no tempo utilizado. Como está e como se portará depende de si e de como viveu aqui nas terras mais sólidas…

Assim como a vida acompanha a morte em sua estadia abrupta e indesejada no seio desta ou daquela família, a morte também espreita a vida do vértice dos seus segredos e motivos que também nascem da vontade do Criador da vida, que não criou a morte como forma de castigo, mas, porque nosso estágio por aqui não tem caráter definitivo, ressalvando-se que em face das diferenças de necessidades de cada um de nós.

E ali nas terras de Sapucaí…

(Sapucaí quer dizer rio das sapucaias, isto é, rio que canta, rio que grita. O nome foi dado pelos índios em alusão às lecitidáceas que, quando fustigadas pelos ventos, freqüentes no vale, produziam silvos semelhantes a gemidos. Daí chamarem eles sapucaia, isto é, árvore que chora, árvore que geme, a essas lecitidáceas, então existentes com abundância em quase todo o vale, sobretudo nas margens e barrancas do rio, onde eram mais aglomeradas.)

O seu primeiro habitante e fundador foi Manoel José da Fonseca. Segundo lenda, era um português piedoso e bom que, carregando, cuidadosamente, às costas, um saco onde se encontrava uma imagem de Santa Rita, apareceu na região no século passado, estabelecendo às margens do Sapucaí os esteios da sua vivenda. Certo dia, ao se ver doente, Manoel José da Fonseca, consoante a sua devoção, fez a promessa de doar a Santa Rita de Cássia um trecho de terras e construir no local uma capela, caso alcançasse a graça de que necessitava e, em 1825, já depois de sua morte, foram doados a Santa Rita por sua esposa, D. Genoveva da Fonseca, cerca de oito alqueires de terras de sua grande fazenda.

Em torno da capela logo se instalou um pequeno povoado que teve grande desenvolvimento…

as sombras do passado ainda são pingentes de emoção incrustados na memória da saudade…

A cidade foi elevada de categoria em 1888, meu avô Ademário Ananias da Silva reencarnou em 1889, segundo dados na certidão de óbito do meu pai Francisco Ademário da Silva que aqui chegou em 1910 e se em 11 de fevereiro de 1954.

Um laço de emoção se nos prende á cidade de Santa Rita do Sapucaí

Que como o rio canta e grita aos tímpanos das necessidades

Não basta carregar seus nomes

Rita, Santa e José ou Cássia

Deixar de lado a falácia

Alcançar outros rumos

Botar o prumo no destino

Reconstruir afinidades

Reacender o canto da cidade

Num clima de compreensão e amizade…

Ademário da Silva… 15/agosto/2009

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