Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Meu Caro

Robson Pinheiro

Na Faixa etária da adolescência, encontrando-me ainda qual pêndulo de consciência indecisa, a mediunidade me fez estranha visita e me pôs em conflito. Papai, espírito amigo e lúcido,desencarnado em 11 de fevereiro de 1954, veio em socorro do filho desavisado; e lacônico e conciso sentenciou: “a criança é médium, precisa de orientação doutrinária”. Mamãe, espírito terno e meigo, que desencarnou recentemente, 14 de outubro de 2004,  com a sua sabedoria de mãe simplesmente, no dia seguinte coloca o Livro dos Médiuns em minhas mãos e dita a segunda sentença: “é disso que você precisa, seu pai lia muito e doutrinava espíritos.”

Mas, Emílias, Clarices e Cristina, eram figuras mais interessantes que espíritos desavisados e bulhentos.

E como fuga não é ungüento, Cristina é o amor desta vida, me deu de presente a Janaina, a Daniela, a Vanessa e o Eduardo, filhas e filho, que já trouxeram dois netos, A Mylena e o Matheus Ademário. E a mediunidade hoje é o divã do meu destino. Ela me apresentou Denizard Rivail, que nós estudamos na Sociedade Espírita Caminho de Damasco, depois, bem depois, vieram André Luiz, Herculano Pires, Hermínio C. Miranda, Vitor Hugo, e alguns outros do mesmo quilate.

Vivemos no movimento espírita por duas décadas.  O desemprego nos separou. Mas não divorciamos da Doutrina, embora seja para mim a porta estreita, é  a luz que me emociona e corrige, mesmo que eu resista. Hoje eu sei, depois de uma década, voltei para a Sociedade Espírita Facho de Luz, o grupo familiar que se reúne lá na casa que o papai deixou.

Para não ser desonesto, estudo com um grupo de amigos aqui na minha casa, o “Primeiras Letras” e outra família lá na Vila Formosa ao qual nós demos o nome de “Luzes Afins”.

O Facho de Luz fica na Vila Industrial, o Primeiras Letras em C.A.E. Carvalho, e o Luzes Afins na Vila Formosa, todos na Zona Leste da Grande São Paulo.

E a intuição, qual mão amiga aporta em meus ombros, para que eu não me perca pelos escombros da vaidade, tem me guiado pelos caminhos das emoções morais. E foi por ela, que descobrimos livros importantes como: No Invisível, Diversidades dos Carismas, O Espírito e o tempo, Diálogo com as Sombras, Recordações da Mediunidade, Memórias de um Suicida, Devassando o Invisível, A caminho da Luz, entre outros pra não sermos cansativos. Ah! Eu não posso esquecer Ivone A. Pereira e sua obra fundamental sobre mediunidade.

Ah! O Luzes Afins, tem no meu amigo e irmão espiritual Marcílio Rodrigues o principal e maior responsável por sua manutenção e existência. Ele é quem compra os livros pra gente ler, estudar, emocionar e aprender, e organiza as reuniões. Um dia nós enxergamos num catalogo de divulgação o “Tambores de Angola” e o “Aruanda” e a emoção mediúnica intuitiva, brotou das entranhas de minha alma como um alarme. E ai o Marcílio os adquiriu, e a leitura foi mesmo como uma outra Lei Áurea no Brasil. É claro que de maior amplitude conceitual, porque espiritual.

Significa mesmo um puxão de orelhas no preconceito racial, e na visão estreita e secular porque não, dos dirigentes espíritas.

A argumentação utilizada pelo Espírito Ângelo Inácio, não deixa margens a dúvidas ou distorções de compreensão e interpretação. Basta conhecer um pouco da Historia do país.

Eu também sou afro-descendente pra usar neologia. Mãe Úrsula, minha trisavô foi escrava lá em Ouro Fino, Minas Gerais e Santa Rita do Sapucaí… E dai?

Sou desse país a raiz

A semente e a atitude.

Sou o esperma e o orgasmo

Sou seu canto e suas agruras

Sua força sou a negritude.

Trago na alma sua canção

No Trabalho transformação.

Sou seu semblante, consciência e cultura.

Seu tambor, religião.

Da Guiné ou de Angola

Pai João ou Quilombola

DNA de vida e alma

Sou a cor do meu momento

E a pele dos teus sentidos

Minha dor é a sua historia

O meu samba a memória

Que jamais esquecerás

O meu sonho os Orixás

Nos meus pés a sua dança

Em minhas mãos o seu sonhar!

Eu li também “Sabedoria dos Pretos Velhos” e “Transe”. E como num transe de alegria, viajei em cada página de luz e emoção, como um garimpeiro selecionando pedras preciosas de inspiração.

Perdoe-me a poesia, que eu não sei mesmo rimar. Mas entendo que o Aruanda, merece um fórum de debates, se ainda não aconteceu. Por tudo que ele retoma, aprofunda e redimensiona. Mediunidade é na verdade consciência de imortalidade, sentido profundo de cidadania universal. Por isso não se confrange aos escaninhos rasos e transitórios de raças e religiões. Mediunidade é mão amiga que se faz ponte entre todas as dimensões da vida. E jamais se restringirá aos templos omissos e orgulhosos da vaidade humana.

Que Deus lhe abençoe pela porta que se abre pelos punhos de sua psicografia. E que se multiplique a luz e a coragem desses espíritos amigos

Ademário da Silva

Av. Alamandas, 544 – Bl. 4 apto. 52

C.A.E. Carvalho – SP

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