Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Igualdade perante o túmulo

O direito de ir e vir na esteira da imortalidade, ainda é benefício desconhecido pela imensa maioria da humanidade, no que concerne a todas as suas conseqüências e implicações.

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Trecho da: Epístola de Erasto aos Espíritas Lioneses

Revista Espírita, outubro de 1861

 

Lida no banquete de 19 de setembro de 1861.

“: igualdade. Seja como for, creio dever restituir a essa palavra a sua significação cristã, tal como aquele que disse: “Dai a César o que é de César,” explicara ele mesmo. Pois bem! Espíritas, a igualdade proclamada pelo Cristo, e que nós mesmos professamos no meio de vossos grupos amados, é a igualdade diante da justiça de Deus, quer dizer, nosso direito, segundo o nosso dever cumprido, de subir na hierarquia dos Espíritos e atingir, um dia, os mundos avançados, onde reina a felicidade perfeita. Para isto, não teve em conta nem o nascimento, nem a fortuna: o pobre e o fraco ali chegam como o rico e o poderoso; porque uns não levam mais do que os outros materialmente; e como lá não se compra nem seu lugar, nem seu perdão, com o dinheiro, os direitos são iguais para todos; igualdade diante de Deus, eis a verdadeira igualdade. Não vos será pedido o que possuístes, mas bem o uso que fizestes daquilo que possuístes.

Ora, quanto mais tiverdes possuído, mais longas e mais difíceis serão as contas que tereis a prestar de vossa gestão. Assim, pois, depois de vossas existências de missões, de provas ou de castigos nas paragens terrestres, cada um de vós, segundo suas obras boas ou más, ou progredirá na escala dos seres, ou recomeçará, cedo ou tarde, sua existência, se esta foi desviada”.

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O direito de nascer e o direito de morrer não se confunde nos mecanismos das leis divinas e naturais.

A dor preside os dois fenômenos como parte integrante do processo e não como imposição, feito castigo, ou muito menos capricho do Criador.

O Espiritismo desmistifica a morte, tal qual tem sido ensinada na cultura convencional e religiosa, ainda em pleno século 21. Tira-lhe a mortalha de pecados e punições, e envolve-a numa aura natural enquanto fenômeno necessário ao aprendizado evolutivo do espírito imortal.

Assim como também enxerga pela ótica das necessidades humanas, a quantidade e a quantidade dos nascimentos no orbe.

A igualdade proclamada por Jesus:

“Ama ao próximo como a si mesmo; Ama Senhor teu Deus, acima de todas as coisas; Daí à César o que é de César; Na casa do Pai há muitas moradas; Sois deuses; Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; Reconcilia-te com teu inimigo enquanto estás a caminho com ele”.

Em cada um desses princípios decorre implicações próprias e conseqüências singulares, que regulamentam, ou melhor dizendo, traçam-nos diretrizes fundamentais em nossas existências humanas e se ampliam pela velocidade da luz adquirida em os mundos transitórios e em todos os planetas que constituem o universo infinito. Atendendo por essa disposição todas as necessidades do espírito aprendiz.

Assim como quando reencarnamos só trazemos no bojo da consciência, experiências e conhecimentos, necessidades de reparos e reconciliações e talentos e habilidades que se nos ajudam a nos desincumbirmos de nossa tarefa nos quintais humanos.

Quando desencarnamos, todo material adquirido é transitório, cabe descarte e devolução, pois não é possível a apropriação definitiva, por desnecessidade de tal.

Ai Erasto é magnífico quando nos demonstra que a igualdade é cristã e por isso princípio da justiça de Deus.

“A cada segundo suas obras”, ensina-nos o Evangelho. A viagem de volta ao mundo das idéias será tanto mais leve, insofrida quanto dolorosa e prenunciadora da continuidade de sofrimentos atrozes, segundo nossa vivência e convivência com nossos pares ao longo da vida nos horizontes da matéria. E principalmente conosco mesmo, por quanto o aproveitamento diz respeito ao aprendizado de cada um, e o que fazemos de bem ao próximo é contabilizado pela misericórdia divina, e só Ele tem os instrumentos de avaliação, que possibilitam maior ou menor liberdade de acesso aos paramos da paz e do refazimento.

Ao depositar seus despojos no chão pra ser coberto pelas brumas do presente, virando a página da vida, mergulhando num passado imediato aos olhos humanos e se auto introduzindo em esfera de vida constituída em dimensões etéreas, que fogem ainda a nossa capacidade de avaliação, é que vamos entender os valores daquilo que aqui chamamos de morte. Desencarnados, depositamos na plataforma do túmulo corpos e vestes, casa e bens de consumo, assim com todas as expectativas de continuidade nas lides humanas. E passamos imediatamente a enxergar a vida pelo prisma da morte física. Então tudo é igual enquanto fenômeno. Deixar o corpo é premissa de obrigatoriedade comum.

Verdadeira porta estreita do nosso destino a morte tem a dimensão do conhecimento de cada um, da liberdade de ser e pensar de cada um. Na alfândega espiritual a bagagem a ser vistoriada pelos fiscais da própria consciência, deve estar senão isenta pelo menos leve de orgulho, egoísmo, medo, incredulidade, vaidade e pretensão de classe e casta, até por que a raça do espírito é divina, constituída de genes de luz. O que deixa patente e insofismável que títulos e predicados mundanos, posições de autoridade e de destaque perdem a validade diante da constituição da imortalidade. O que há de se nos valer é valor de luz moral, o bem realizado em benefício de si e do próximo e a qualidade do conhecimento adquirido que tenha utilidade no mundo espiritual.

O valor do esquife e a qualidade marmorizada do túmulo não combinam com simplicidade e humildade. De nada nos vale sairmos daqui encomendados por autoridades e lideranças religiosas, por que os vermes não comem palavras e a dor moral se transforma em brasa a esquentar consciências desavisadas quanto aos valores da imortalidade.

Assim como penetramos o mundo das formas vestidos de esquecimento, inconscientes de si mesmos, inexperientes e dependentes daqueles que se nos amparam a chegada, quando desvestimos a indumentária humana, aquele “período de perturbação” ensinado pela Doutrina Espírita, é o passaporte de encaminhamento para os nossos próximos tempos, que tanto será de paz, amizade e harmonia reencontrada, como pode requerer estágio em ambiência de dor e sombra.

Aqui, nos braços da morte, a igualdade espiritual não é medida pela vaidade humana. Então o cuidado é de cada um. A dor da separação tem pesos específicos em cada lado da cortina fluídica. Ser rico ou pobre, analfabeto ou letrado pouca importância acarreta ao currículo, por que a toga da espiritualidade só brilha com diamantes de humildade e fraternidade, com uma tiara de amor ao próximo.

Ademário da Silva – Soc. Esp. Facho de Luz e Caridade

SOESFALUZCA – 09/SETEMBRO/2008.

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