Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A comunicação mediúnica.

01/08/2007

Waldhir Bezerra de Almeida

Processo de comunicação com os espíritos é o mesmo para qualquer natureza de médiuns: escreventes, mecânicos, semimecânicos ou intuitivos.

A comunicação mediúnica não se faz por um processo mecânico, em que o Espírito atua automaticamente, dizendo o que pensa com extrema facilidade, por intermédio do médium do qual ele se serve.

O processo é psíquico e por isso complexo, imponderável, pois somente se realiza pela combinação de ondas mentais, fenômeno que se denomina sintonia.

Esse fenômeno não é muito fácil de se alcançar entre duas almas, dois universos mentais distintos em razão das experiências distintas que vivenciaram e ainda vivenciam.

Por isso, a sintonia entre o desencarnado e o encarnado fica na dependência de fatores intrínsecos, tais como graus distintos de condição moral e espiritual, conhecimento do assunto e interesse de ambos em abordá-lo no mesmo diapasão e de outros circunstanciais.

Por isso, a tarefa de escrever ou falar mediunicamente é um desafio, tanto para o Espírito quanto para o médium.

Este não pode ser comparado a uma caixa de som que reproduz o que pensa e fala um locutor ao microfone. É uma mente livre em ação, agindo e interagindo com o Espírito comunicante.

“Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, quer mecânicos ou semimecânicos, quer simplesmente intuitivos, não variam essencialmente os nossos processos de comunicação com eles. De fato, nós nos comunicamos com os Espíritos encarnados dos médiuns, da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tão-só pela irradiação do nosso pensamento”.

Esse processo também se aplica aos médiuns psicofônicos.

No processo da comunicação mediúnica, o médium tanto pode inserir idéias complementares às que recebe do Espírito ou suprimir outras por conveniência ou porque não concorde com elas, ou ainda, por não entendê-las, resolvendo substituí-las pela interpretação que lhes dá no momento.

O Espírito Kathleen diz ao médium que lhe serve como instrumento para escrever: – “Vemos, algumas vezes, quando lemos as mensagens que lhe foram dadas, que não estava traduzido perfeitamente o nosso pensamento; muito do que queríamos dizer, nelas não se acha, e outras vezes se encontram menos coisas do que tínhamos em mente comunicar. […]

É a conseqüência natural do véu espesso que separa ambas as esferas, aquela donde falamos e aquela em que o receptor vive”.

O momento é de uma complexidade tamanha que, muitas vezes, se dá um descompasso na velocidade entre as correntes de pensamento do comunicante e do receptor.

Sobre esse fato se manifesta o Espírito Deolindo Amorim: – “[…] a mente como um todo pode disparar e adiantar-se, ante nosso toque, passando a desenvolver sozinha uma série de idéias, deixando-nos à sorrelfa. Outras vezes, é a desconfiança do médium que quer fiscalizar a independência do pensamento que por ele verte, submetendo-o a controle tão rígido que ficamos a pensar sozinhos, enquanto a sua mente permanece à retaguarda.”

Eis a razão por que os espíritos sérios, interessados em nos trazerem parcelas da Verdade que nos liberta, tomam cuidados especiais com as comunicações de mensagens, para que cheguem até nós com a maior fidelidade possível. Consta da ata da sessão de 16 de dezembro de 1859, da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o interessante registro feito pelo seu secretário, sobre o que vislumbrava a Senhora X… no plano invisível, enquanto Allan Kardec dialogava com os Espíritos:

“Ela via uma coroa fluídica cingir a cabeça do médium, como para indicar os momentos durante os quais era interdito aos Espíritos não chamados de se comunicarem, porque as respostas deveriam ser sinceras, mas desde que a coroa era retirada, via todos os Espíritos intrusos a disputar, de algum modo, o lugar que lhes deixavam.” A proteção ao médium se fazia necessária, pois no ambiente pululavam Espíritos de toda ordem, que poderiam impedir ou alterar a essência da comunicação do Espírito indicado para falar.

Encontramos algo semelhante numa obra de André Luiz, quando relata que a médium Ambrosina ostentava na cabeça pequeno funil de luz, à maneira de delicado adorno. Consultado, o seu orientador esclarece:

” – É um aparelho magnético ultra-sensível com que a médium vive em constante contato com o responsável pela obra espiritual que por ela se realiza. […] Havendo crescido em influência, viu-se assoberbada por solicitações de múltiplos matizes. Inspirando fé e esperança a quantos se lhe aproximam do sacerdócio de fraternidade e compreensão, é, naturalmente, assediada pelos mais desconcertantes apelos.

Sem aquele equipamento de proteção, a médium, sem dúvida, não teria condições de exercer seu mandato mediúnico com a fidelidade que seu instrutor espiritual desejava, porque as múltiplas ondas mentais dificultariam a sua sintonia com ele.

Mesmo quando essa proteção é dada, obstando a interferência dos Espíritos inferiores, outro fator significativo interfere no resultado dos trabalhos mediúnicos, sem nenhum desdouro para todos que atuamos nas reuniões onde o intercâmbio se dá. Trata-se da interferência mental, consciente ou inconsciente, do sensitivo no processo, já que a conjugação de ondas mentais entre os dois planos se dá em atendimento à lei de cooperação, quando as ondas mentais emitidas pelo médium se entrosam às da entidade comunicante.

“É natural, dessa forma, que as dificuldades da filtragem mediúnica se façam, às vezes, extremamente preponderantes, porquanto, se não há riqueza de material interpretativo no fulcro receptor, as mais vivas fulgurações angélicas passarão despercebidas para quem as procura, com sede de luz do Além.”

Essa introdução um pouco longa, é para enfatizar o cuidado que todos devemos ter ao buscar o contato com o Mundo espiritual, na esperança de obter alguma palavra falada ou escrita que venha atender às nossas indagações, devendo analisá-las cuidadosamente. Essa análise deve prevalecer, também, com o que já está escrito e publicado, vindo de várias fontes mediúnicas, e que pululam o mercado livreiro… Será sempre oportuno criticar construtivamente o que lemos, venha de onde vier a mensagem.

Não sendo as comunicações espirituais uma ocorrência fácil, como pode parecer ao observador ingênuo, que alimenta esperanças de ser dignificado com nobres e elevadas observações, devemos levar em consideração as dificuldades e delicadezas existentes entre os Espíritos que se comunicam e os médiuns que os recepcionam. Não basta que o ditado ou a fala seja de origem espiritual para aceitá-la como indefectível, até porque “[…] a maioria das entidades comunicantes são verdadeiros homens comuns, relativos e falhos, porquanto são almas que conserva, às vezes integralmente, o seu corpo somático, e cujo habitat é o próprio orbe que lhes guarda os despojos e as vastas zonas dos espaços que o cercam, atmosferas do próprio planeta, que poderíamos classificar de colônias terrenas nos planos da erraticidade.”

Em razão disso, os nossos irmãos, vizinhos do plano invisível, nem sempre estão devidamente preparados para ditar ensinamentos novos e reveladores, mas “Procuram agir no plano físico unicamente para demonstração da sobrevivência além da morte, levantando os ânimos enfraquecidos, porque dilatam os horizontes da fé e da esperança no futuro, porém, jamais serão portadores da palavra suprema do progresso, não só porque a sua sabedoria é igualmente relativa, como também porque viriam anular o valor da iniciativa pessoal e a insofismável realidade do arbítrio humano.

” Essa afirmativa deve nos alertar para bem averiguarmos a procedência de revelações espetaculares, com pretensões de serem complementares ao que nos legou Kardec”.

Não obstante toda essa complexidade que apresenta o intercâmbio mediúnico não devemos desistir de buscá-lo, mas sempre munidos de senso crítico e método científico, para não nos deixarmos levar pelos Espíritos mistificadores e brincalhões, sempre dispostos a nos enganar. Para se evitar que determinadas mensagens de conteúdo frívolo e não consoante com os princípios do Espiritismo chegue ao público, façamos “[…] o exame aprofundado e detalhado de certos ditados espontâneos, ou outros, que poderiam se analisados e comentados como se faz com as críticas literárias. Tal gênero de estudo teria a dupla vantagem de exercitar a apreciação do valor das comunicações, e como conseqüência dessa apreciação, desencorajar os Espíritos enganadores que, vendo suas palavras censuradas, controladas pela razão e, finalmente, repelidas desde que tivessem um cunho suspeito, acabariam por compreender que perdem tempo. Quanto aos Espíritos sérios, poderiam se chamados para darem explicações e desenvolvimentos sobre os pontos de suas comunicações que necessitassem de elucidações”.

Eis, aí, o Codificador! Depois dele, não teremos desculpas se nos deixarmos enganar pelos Espíritos, não obstante a complexidade da comunicação com eles.

Waldhir Bezerra de Almeida

Autor é professor aposentado e atua no movimento espírita de Brasília – DF.

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo – Ano LXXXII – nº. 04 – Matão, Maio 2007.


Jornalismo RBN.

Mais um empréstimo necessário… Ademário da Silva

1º/agosto/2008

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