Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

PENSAMENTOS SOBRE A ARTE ESPÍRITA E A

MEDIÚNICA

  1. Por: Ademário da Silva e Neusa Maria dos Santos Oliveira

“Viver, pensar e sentir são as atitudes espíritas”

(Allan Kardec)

O vocábulo espírita implica, ao nosso ver, a coragem de assumir posições culturais diante das mudanças históricas da humanidade, levando-se em conta o prisma da imortalidade, aberto como uma terra sem fronteiras pela Doutrina Espírita que nos permite hoje em melhores condições de compreensão, avaliar os processos de conquista da cultura existentes em um planeta (no nosso caso a Terra) como fator de recompensa disseminado na esteira das reencarnações. O ensino kardequiano é puramente pedagógico ao nos mostrar a trilha de evolução consciente na busca do auto-conhecimento que nos permite as experiências de vida aqui neste orbe, a fim de que nos posicionemos corajosamente, de conformidade com o enfoque de um Universo infinito de braços com a Eternidade!

Por isso “viver, pensar e sentir são as atitudes espíritas”, o que nos leva a meditar que a vida não é apenas uma questão de ser um elemento vivo da natureza, mas um ser que se aperfeiçoa a cada período de existência terrena e que, dilatando suas possibilidades mentais, aprimora seu pensamento nas várias etapas existenciais, recolhendo do que existe e frutificando do que compreende, e assim segue pensando e galgando os degraus do conhecimento, aparando as arestas comuns ao processo de conquista que lhe permite decantar a cultura e dela extrair a pura essência para compreender aos poucos a realidade divina da vida, distante das fatuidades humanas.

Esse processo de aprendizado-conquista nos leva a compreender a grandiosidade, a beleza e a profundidade moral desta mesma vida em toda sua envergadura, com um sentimento proporcional às conquistas realizadas.

Nisto, entendemos nós, reside à questão sensitiva da criatividade artística; e é também por esse mesmo motivo, que passamos pela arte pagã, pela arte cristã e estamos começando a descerrar a cortina da arte espírita, onde está naturalmente embutida a arte mediúnica. Mas não podemos esquecer de tomar seriamente a atitude de sermos espíritas com as conseqüências advindas desta atitude.

“Atenham-se, portanto, a pensar com arte. Amem aqueles que pensam bem. Pois, estejam certos, a própria essência desse pensamento é um reflexo da vida no espaço; lamentem aqueles que não sabem pensar. A arte é uma das formas da beleza, e como o pensamento ela deve ser seu veículo, pois a beleza encerra em si mesma os princípios da bondade, da grandeza e da justiça”

(O Esteta – espírito instrutor de Leon Denis no livro “O Espiritismo na Arte”).

“Cada consciência evolui por si”, mostra-nos com propriedade singular a Codificação Kardequiana; isso nos faz compreender a responsabilidade que temos com nosso pensamento em todo movimento existencial.

Se o pensamento é o veículo primordial na expressão do nosso interior, seja falando, escrevendo a literatura ou a história, seja manifestando a arte em suas variadas características, é bom que pensemos em termos de atitude espírita, para verificarmos o que é, e o que tem sido entre nós a “arte mediúnica”. Como a denominação indica é a arte oriunda do mundo espírita, caracterizada entre nós via mediunidade.

Nós, nesta vida material, vivemos às voltas com uma cultura instável e insegura, porque fruto de uma sociedade ainda necessitada de maturidade moral, que mal soube ainda formular e aplicar fraternalmente, conceitos de lei capazes de atender suas necessidades sociais aos níveis de educação política, economia e outros segmentos da cultura humana, que envolvessem em seus braços alternativas e soluções para a diversidade de características da criatura humana desfilando na esteira da evolução.

Ora, importa-nos notar que há uma intenção velada no veio da arte mediúnica, redescoberto de algum tempo a esta parte, onde não podemos apenas e tão somente garimpar preciosidades ou recolher a borra artística no bojo do despreparo doutrinário que não nos permite questionarmos a real intenção destes espíritos artistas.

Qual a finalidade de fazer jorrar via mediunidade, a arte do mundo espiritual?

Parece-nos que essa atitude passa pelo prisma cultural, só que na dimensão espiritual via Doutrina Espírita; ou seja, onde tudo tem uma dinâmica mais e mais profunda que a nossa dimensão de vida, onde mesmo os instrumentos, a técnica, o talento, o “modus vivendi” do espírito desencarnado, as condições de cada artista, seus objetivos e ideais e outros fatores existenciais, inerentes a vida espiritual, tomam conotações de criatividade altamente diferenciada da situação social humana, mormente a que vivenciamos hoje.

Vejamos então: o instrumento a que acima nos referimos trata-se naturalmente do fluido universal, que confere ao espírito uma gama de ações criativas, infinitamente maiores que ao espírito encarnado, o qual precisa lançar mão de instrumentos realmente materiais, do nosso ponto de vista, o que prejudica substancialmente a arte. As condições técnicas das quais falamos é a maior ou menor capacidade que tem o espírito livre, de atuar segundo suas condições morais, sobre esse fluído, o que permitirá uma ação criativa e produtiva mais consciente quanto melhor dominar seu talento, e a este revestir de ideais e ensinamentos que a nós compete descortinar, qual a parte que nos cabe neste intercâmbio.

Essa orientação doutrinária já deveríamos tê-la compreendido com fartura. Mas não nos parece que seja assim. Do que temos observado, a preocupação do médium se detém na assinatura, a velocidade e o estilo; como se apenas isso garantisse a intervenção de uma inteligência oculta e ostensiva. Mas sabemos que não é só isso. Essa atitude nos parece uma sangria desatada, uma fuga de quem quer eximir-se de responsabilidades, que não demoram apenas em seus aspectos e parâmetros transitórios, mas que viajam por um conjunto de conseqüências envolvidas em nossas relações mediúnicas.

Acreditamos que nossa preocupação não deve ser apenas com os referenciais transitórios, mas irmos mais fundo na questão das produções mediúnicas para que, quando estas aconteçam, sejam benditas, no sentido de fazer germinar no movimento espírita em geral, o gosto pela beleza, que transcenda ao gosto humano, mas seja como o fruto natural do conhecimento, do entendimento e da assimilação.

Vejamos, ainda, a questão do estilo que personaliza o talento, que por si é uma via de identificação natural, mas que entendemos nós, não pode ser uma condição inseparável da produção de arte mediúnica, dessa maneira definida, porque isso prende o espírito a uma fase do seu labor artístico, que ele já viveu e provavelmente deve tê-lo superado. E será que todos estarão dispostos a esse estacionamento na plataforma do estilo humano?

Lembramos, ainda, que a questão da personalidade é variável na esteira das vidas sucessivas, no que tange ao esquecimento do passado; e que no plano espiritual, ainda que gradualmente, o espírito assume ou como que retoma sua consciência profunda, muito mais rica em aprendizados e experiências, do que a consciência objetiva de um período de vida aqui na Terra. E isso de ter que se manter no seu estilo, pode significar para ele uma prisão à qual ele não se sujeita, e colocar o médium numa situação de carcereiro disposto a jogar a chave fora, para não ter trabalho com o hóspede.

Se as nossas preocupações se mantém nesses níveis, achamos que é hora de questionarmos: e a nossa convicção espírita, como tem se desenvolvido na esteira do aprendizado doutrinário?

Até quando vamos depender de identificações, assim como quem se escora em velhos resquícios humanos, onde às vezes as conotações de tempo e de história nem sempre fazem eco em nossa memória; e agirmos quais Tomés colocando os dedos em chagas onde a materialidade mudou de endereço, para garantirmos a credulidade de quem nos observa, enquanto a convicção nossa de cada dia parece temer uma análise capaz até de ajudar a não nos envolvermos com inconveniências?

As nossas preocupações não devem demorar-se demasiadamente nestes referenciais, mas devemos nos estender a outros aspectos.

E a comunidade espírita está entendendo tudo isso?

Será que, se acrescentássemos aos eventos de arte mediúnica e espírita, uma parte esclarecedora (expositiva), devida a comunidade espírita, que não tem que assimilar o que não conhece de fato, não obteríamos com isso melhores resultados?

A arte mediúnica é pelo próprio nome fruto do trabalho dos espíritos através de médiuns humanos, assim como são as obras literárias ou científicas, doutrinárias e filosóficas no prisma da psicografia e da intuição…

A arte espírita deve ao nosso modo de entendimento ser o fruto imediato do entendimento, das renovações de valores e principalmente da convivência com os postulados espíritas e evangélicos. Isto ao longo de muito tempo…

ESTAÇÕES

Saí do tempo… Dando adeus às referências

Fiz continências aos sentidos embotados

Vi-me alado na amplidão do infinito

E andarilhei por sentimentos irrestritos

Nesta viagem o meu ser revia os danos

Mente cigana repisando os próprios planos

Olhando a lua e pensando em noite fria

Que um novo outono já precisa acontecer

Como princípio que enraíza um novo dia

Ensinando-nos um modo novo de viver!

E me envolvia em seu perfume…

Brisa amiga…

Embalando-me em seus braços maternais

Surgiam sóis como nas cenas de cinema

E a cada tema uma paisagem luz-riqueza

Hierarquias e nobrezas fraternais

E lá na Terra o inverno ainda impera!

Eu caminhava e via mundos no Universo

Ouvia versos encantados de emoção

E as estrelas eram faróis do meu destino

Em cada mundo uma canção tão diferente

Pois tinha gente que vivia outra lição

E agora mesmo lá na Terra era verão!

Eu pedia ao Grande Pai em oração

Que um dia possa plena a Terra se encontrar

Em fraldas limpas de uma linda primavera

Em flores, cores, odes, mares, marulhar

E o sentimento se eternize nesta estação

Da nova era do amor e da razão!

Sair da estação do sofrimento e

Desembarcar na plataforma dos reparos e conciliações

Conhecer outras naves, fazer outras viagens

Embarcar na estação das obrigações

Tecer túnicas e talentos

Acender as luzes de todos os tempos vividos

Nas páginas de um livro, nos versos de um poema

Ou nos tons de uma canção

Viajar na evolução!

Ademário da Silva… 1985/1993

Trabalho realizado lá no C.E Jesus, Maria e José…

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