Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Morrer ou se transformar essa é a questão…

“Não peçais às pedras do sepulcro o segredo da vida”. – Léon Denis.

Quando a matéria perde a densidade e suas forças físicas e químicas se esvai pelos escaninhos da inércia vital, a alma filha essencial do Criador, qual crisálida inconsciente, silencia ante os segredos da vida e aguarda a transformação que se vai operar, para ingressar radiante num novo estágio de vida deslumbrante, dinâmico, de uma leveza e colorido que pasma a alma recém chegada em ambiente deslembrado.

Como demonstrou Léon Denis, a morte para o espírito imortal é mesmo como um parto, para nós desconhecido, no que importa a vida fluídica, a vida real.

A vida fluídica é de tal operosidade e dinamismo que o nosso vocabulário culto é mesmo como o palavreado infantil nas primeiras manifestações verbais.

Desse parto transformador ressurgimos para a vida real. Desvencilhamo-nos da roupagem densa e nada retrátil que é o nosso corpo físico. Desde que surgirmos no mundo das formas pelas transformações que alcança o zigoto, milhares de células de vida útil e curta que se nos servem a organização física, deixam de existir, abrindo espaço para outras que nos serviram por mais tempo na vida material.

Algumas décadas de uso dessa máquina maravilhosa que conhecemos por corpo físico humano, e o conjunto de células, músculos, nervos, ossos, cartilagens, sangue e pelos, vão se enfraquecendo pelos esforços que o trabalho obriga, pela passagem do tempo, pela aquisição consciente ou não de doenças degenerativas, que vão contribuindo para o encerramento da nossa viagem nesta vida transitória.

A despeito de erros, extravagâncias ou descompromissos esse caminho caracteriza-nos o direito de ir e vir pelos veículos legais da natureza que hoje conhecemos como reencarnação e desencarnação.

Uma das grandes finalidades da codificação da Doutrina Espírita era a de suscitar na consciência da criatura humana, a busca e o conhecimento da sua própria espiritualidade existencial. Por que isso enquanto luz e força de esclarecimento diminuir-lhe-ia os sofrimentos desnecessários. Entre eles o medo da morte, que a fé condicionada não aplaca, não sacia e nem demonstra por razões fundamentais, o grande desígnio Divino ensino Por Jesus o Cristo e confirmado pelo Espírito da Verdade:

“Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, por que a morte não existe, sejais socorridos, e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer como o cedro”.

Ora, assim como a vida, a morte é sim, uma lei da natureza que devemos conhecer, compreender, respeitar e agradecer ao Criador. Pois é pelas portas do túmulo é que surgimos, ou melhor, ressurgimos para a vida eterna, como ensina a oração de Cáritas.

E como asseverou Léon Denis, a vida não dorme no seio das pedras do sepulcro, mas regurgita no silencio da vida fluídica, a verdadeira vida do espírito. E nós a reconhecemos nos flashes de paisagens, de fisionomias, de ambiências, com as quais entramos em contatos através dos “sonhos”, que são pequenos momentos de mortes que temos pela vida humana, e já deveríamos ter aprendido.

Mas as pessoas, as filosofias de ocasião e as culturas perecíveis e transitórias, se nos dizem o seguinte a respeito da morte: ‘que temos medo do desconhecido’. Essa afirmativa teria fundamento se fosse verdade, mas, em se tratando de espíritos imortais, perguntamos, onde mora o desconhecido nesse caso? O seu código de endereço postal, ou melhor, moral, só pode ser a ignorância, a falta de fé real e raciocinada que nos ensinou Kardec, e essa teimosia tomésiana que por milênios ainda não abandonamos.

Perguntas outras se nos ocorrem a fim de entendermos o argumento tímido daqueles que temem a morte. Quando sabemos que o corpo que serviu ao ente querido, que o abandonou e o deixou lá nas terras do silêncio, de quem é que temos saudade então, se sabemos que aquele corpo, a própria força da natureza o transforma em outros valores para a vida do reino vegetal. O que se nos ficou desse ente querido foram seus sentimentos, seu modo de ser, de pensar, de agir, de criar, de fazer; os seus exemplos, a sua capacidade, seus conhecimentos, enfim nossas lembranças moram nos atributos manifestados pelo espírito e não pelo corpo, por que esse por si só não viveria sem o princípio de inteligência capaz de guiá-lo pelas sendas da vida

A fé que temos em Deus, o conhecimento que adquirirmos sobre a Doutrina Espírita, são as forças que clareiam-nos a alma para seguirmos do berço ao túmulo com a dignidade de um filho de Deus, ou seja, sem medos infundados, por que tudo que Deus criou foi visando o nosso bem estar no processo da vida.

E se nós tirarmos a roupagem espectral que envolvem o velório, e entendermos que todo corpo que perde a vida tende a perde energia e por isso a friagem cadavérica, e outros elementos de configuração pra tristeza e o abandono, que parecem pesar sobre nossas consciências, veremos que a transposição de u mundo par o outro não é tão fantasmagóricas quanto se nos impingem até os dias atuais.

A borboleta em que a lagarta se transforma reencanta a vida e o espírito que abandona o corpo desgastado pelas vicissitudes, mergulha por direito de vida nos encantos da luz que Deus lhe preparou em outros mundos, é só ter fé, que nos encontraremos com certeza com os entes amados que se foram, assim como seremos encontrados por aqueles que deixaremos aqui por ocasião da morte do nosso corpo físico. Esse é um processo natural previsto na lei de imortalidade, executado pela de destruição é só isso nada mais.

E a Bondade e a Misericórdia do Pai é de tal maneira abrangente e profunda, que a mediunidade que abriu suas asas sobre nós desde o pentecoste sob os auspícios de Jesus, sempre será para nós outros a estrada de redenção e recuperação moral e emocional. Por seus braços estendidos a mediunidade se faz proteção e segurança aos necessitados, por seus olhares de luz reencontramos a cultura e a oração no templo da vida fluídica, responsabilidades e obrigações no seio das oportunidades abertas nos portais do trabalho que ela engendra em benefício de todos.

Ela, mediunidade, desenvolvida, ou melhor, educada em parâmetros de seriedade, de compromisso, se faz para nós outros, nas casas espíritas, o pronto socorro, a sala de aula e a oficina onde reambientamos as nossas relações transcendentes, ou seja, reatamos os vínculos de compromisso e amizade respeito e obediência aos espíritos responsáveis por nossa estadia transitória neste mundo, assim como também recebemos em nossos canais de sensibilidade os desafetos antigos, recriando a oportunidade de reconciliação. Aliás, essa a grande oportunidade entrevista nos trabalhos de desobsesão, o reencontro e o entendimento e o perdão.

Assim a mediunidade entre outras facetas se nos mostra também que não ficaremos sozinho no meio da solidão do abandono, por que um ente querido se foi para as terras da vida real. Um pai, uma mãe, um filho em tenra idade ou na “flor da idade” como se diz por aqui; todos podem ser reencontrados, contatados, desde que respeitadas condições ideais para o desiderato. Por exemplo, respeitar o período de adaptação da criatura no mundo espiritual, a reconscientização de valores esquecidos, de referências e outros que tais. Afim de não exigirmos do recém desencarnado posturas e atitudes que ele ainda não pode ou não sabe desenvolver, para aplacar as dores da separação. Aliás a mediunidade bem vivida e compreendida, na razão do tempo se nos permite de algum modo compreender de maneira lógica e iluminada que realmente a morte não existe.

Ademário da Silva.

Soc. Esp. Facho de Luz e Caridade – SOESFALUZCA – 04/julho/2008

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