Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Trajetória!

Fevereiro e Março!

Mês de março eu sei de cor,

Como aqui cheguei conduzido pelo bedel(prot. Espiritual)

Nem precisava pagar o aluguel

Tinha paz e cobertor

E a comida em hora certa

Não chegava do meu suor!

Nove meses ociosos, num

Chalé morno, quase suntuoso (a barriga da mamãe) (1951)

E o verão já virava o rosto

Minha mãe de ventre cheio e pé no chinelo

Olhava o tempo e tricotava

Esperava-me de bom gosto!

Pouco mais de meio mês

Fevereiro começava

Garoava lá na serra

E o meu pai só trabalhava

Descansava os seus sonhos

Lá em Guará, doce quimera!

Eu quase como tapioca

Lá nas terras da usina

Minha sina teimosista

Tem Queluz Imperatriz

O meu berço tão paulista

Na divisa carioca!

Minha mãe, herança lusa

O meu pai afro-mineiro

Que foi mestre de pedreiro

Mas amor não se recusa

Mês de março, dia primeiro

O meu choro escandaloso

Deixa livre o morno ventre

Papai faz tributo ao meu avô

Sou Ademário desde o berço

Mas ele tem pouca certeza

Se o moleque será gente!

Lá nas terras de Guará (Guaratiguetá)

Era eu muito menino

Ele saiu pra trabalhar

Era o mês de fevereiro

Uma mudança de roteiro ele não pode mais voltar!

Mês de março e fevereiro

São dois tempos diferentes

Dia onze e dia primeiro

Reta de chegada e ponto de partida

Registrando a minha vida

E a saudade que é da gente!

Ele não pode mais voltar

E a gente em caradura não iria passear! (caradura era o apelido do bonde aberto)

Mala e cuia e caminhão

Rodovia pra São Paulo

Dutra não tinha contramão (do destino)

Era eu muito menino

Sem saber que o papai não vinha

Acompanhei a procissão

Tanto tempo se passou

Mas ninguém lhe esqueceu

E a saudade só cresceu!

Hoje sou cria já madura

Já sou pai e até avô

Sua afeição, sua figura

Intuição já me contou

Medianeiro também sou.

Imperfeito sim senhor

Tendo muito que aprender!

Hoje de novo na Rodovia

Entre a saudade e a alegria

Que só a mediunidade propicia

Verifico com prazer

Que essa história não passa

Sinto que meus olhos ainda embaçam

Que de propósito, não se cortou o cordão umbilical

Que mesmo cá da Capital

Ninguém consegue esquecer

Tempo passa, tempo pula

Dor que já foi até um risco

Mudou a cara da história e até mesmo a trajetória

Mas não transfigurou

O ideal e o perfil do seô Francisco!

Papai desencarnou em 11 de fevereiro de1954, dois anos após viemos para São Paulo capital, viver num terreno que ele comprou e construiu uma casa de quatro cômodos, no bairro de Vila Industrial. Neste ano de 2005 eu voltei a Guaratinguetá. E tive oportunidade de ver o edifício de onde ele caiu, vitimado por um infarto do miocárdio e seu corpo despencou do 2º andar. Esta viagem teve um significado especial para mim, no sentido de psicologicamente, juntar as duas pontas do passado e do presente num momento de agradecimento a ele por ter sido meu pai nesta atual jornada, e conhecer a geografia dessa ocorrência. Vitor, meu irmão mais velho é quem me levou até o local do acidente. E na volta para casa neste dia, no ônibus vim traçando esses versos molhado pelas lágrimas da saudade e intimamente agradecido à Deus pela oportunidade. Valeu sêo Francisco Ademário, que Deus o abençoe por toda imortalidade!!!

Ademário da Silva. Junho/2005.

Poesia escrita dentro do ônibus, quando da volta de Guaratinguetá.

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