Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A morte e a vida!!!!

Quais destes dois fenômenos têm razão na esteira da eternidade.

Diria o desavisado e materialista transitório… Não sei, eu não pedi pra nascer e nem penso na possibilidade de morrer! Eu quero mais é desfrutar a vida. 

Será por esse condicionamento sem fundamento substancial é que nos pomares da vida encontramos sementes perdidas, sem expectativas, flutuando nas torrentes de oportunidades quais calhaus desprendidos do destino, sem ciência dos próprios horizontes. Será que entre o céu e o inferno tão apregoado pelos milênios vividos existem outras saídas, vielas ou rotas de fugas.

Será que as rugas deitadas nos esquifes delimitam fronteiras entre o que se vê e o que não se percebe e provavelmente, como sempre tem sido, não é preocupação que deva ocupar espaço na bolsa do cotidiano imediato. E uma criança vitimada por súbito mal, lançada no sal das incertezas e que de acordo com a realeza religiosa se transforma num anjo de ocasião. Que na verdade reflete um estado psicológico dos pais a pedir perdão a Deus pelo ocorrido e questionarem por que conosco.

Será que essa criança abraçou uma oportunidade perdida numa gravidez insegura, ou mesmo saltando para fora do ventre o prazo de validade de vida era restrito, e a senhora morte sarcástica e irredutível abre seus braços fúnebres, recolhendo impiedosamente aquele corpinho tão frágil e tão bonito, selando com lágrimas humanas e o desespero dos pais tão promissora chance.

E por que a vida ajunta moléculas e pele, órgãos e estrutura óssea, neurônios e membros pra revestir tão corajosa alma, que sai dos escaninhos do nada e chora ao primeiro tapa (também, tapa né, ninguém merece), e enche os lares humanos da luz da alegria, de noites insones e preocupações pertinentes, pra depois simplesmente parar de pulsar. Como se uma sentença ditada por tão Glorioso Pai que pudesse ser Juiz e carrasco da dor e do sofrimento dos seus próprios filhos, caísse sobre suas cabeças qual espada de Dêmocles, sem restar alternativa nenhuma de defesa e entendimento.

Por que a eternidade apregoada a todos os cantos do planeta e em todos os tempos de vida humana que a história da religião tem ensinado, não resolve essa questão de tão alta envergadura filosófica e existencial.

Se existem céus e infernos são por que são itinerários a serem seguidos pelos meros mortais, mas, como as “explicações” quase nada explicam a criatura fica por aqui, enquanto a natureza permite, e essa lei aos olhos da materialidade é injusta, sem saber do que é realmente importante saber para alcançar o entendimento dessas coisas tão simples.

Jesus em sua sabedoria afirmou: “Aquele que não renascer de novo não verá o Reino dos céus”. E o Nicodemos questionou: “Senhor, eu tenho que entrar no ventre de minha mãe para renascer”. E o Mestre respondeu: “Tu que és pessoa de conhecimento da lei, não sabes dessas coisas”.

Do outro lado da cortina fluídica, ou seja, na outra dimensão da vida, as leis da natureza existencial atingem velocidade e dinâmicas incompreensíveis ainda para nós. Lá, se assim podemos nos exprimir, o espírito lúcido consegue ter noções de tempo bem dilatadas e mais profundas que a nossa, haja vista as peculiaridades das propriedades constituintes do perispírito que lhe permitem maiores alcances no que respeita a visão, a percepção, a locomoção facilitando e muito as suas atividades de trabalho, estudo e todo gênero de atividades concernentes a evolução.

Então a partir do momento que por injunções da lei do progresso ou por deliberações próprias o espírito se vê envolvido pelos trâmites da reencarnação, todo um processo de ajustes e combinações, de procedimentos que solidifiquem compromissos começa a se desenrolar a partir de comunicações e avisos, afinal ele estará partindo de uma dimensão para outra, tudo aquilo que refere as suas responsabilidades de momento terão que ser transmitidas a outrem.

 E entendemos nós que por mais se sinta preparado em todos os sentidos imagináveis, basicamente nestes nove meses que o separam do consciente pro inconsciente, emocionalmente gera uma certa aflição, claro que o espírito não  se deixa levar por sentimentos menores, tais a insegurança e a rebeldia.

Mas, o simples deixar pelos lençóis do tempo, afazeres gratificantes e esclarecedores, tarefas altamente compensadoras, estudos de ordem mais elevada e sutil transcendência, é mesmo trocar os céus pela terra. Trocar o etéreo pelo hostil, o sutil pelo solidificado.

Os amigos, os mestres e instrutores e possibilidades tantas, de tanto gosto e acréscimos de ordem moral e psicológica, Aprendizados culturais, científicos, filosóficos e artísticos ficaram na linha do horizonte que se esquece, ainda que momentaneamente; até por que a placenta da misericórdia é a lei do esquecimento.

Neste momento o espírito lúcido sabe o que significa essa troca e, em obediência a Deus se deixa levar pelos impulsos da lei que rege-nos o direito de ir e vir na esteira da reencarnação e da desencarnação e aguarda qual soldado distanciado dos campos o seu momento de ingressar na luta.

Busca é claro saber do que lhe espera nesta nova jornada e principalmente de quem lhe aguarda para reiniciá-lo nas trilhas desta nova empreita. Sabe que vai trocar sensações e percepções mais profundas por cinco sentidos obtusos e se os méritos lhe permitirem trará nos escaninhos da nova organização física, sob o efeito dos laços perispirituais, os talentos medianímicos, que se fará ponte entre o que viveu e o que viverá.

É claro que neste viés o manto das afinidades resguardará sua travessia e integridade nos laços de sentimentos fraternos de espíritos fraternos já reencarnados que também cumprem as obrigações previstas na lei de solidariedade.

Então um casal amigo sob as bênçãos de uma libido sadia franquia-lhe a fecundação do corpo, seu futuro instrumento de manifestação, e a mãe suporte de zelo e amor, abriga-o em seu útero que num abraço que se edifica ao longo de nove meses humanos, permitindo-lhe se transportar para a dimensão material sem traumas de súbitos ou acidentes indesejados de percurso, estabelecendo com ele uma relação afetivo-mediúnica nos braços de um amor incondicional.

Via de regra a mãe não conhece ou pelo menos não se lembra daquela personalidade que invade com seu consentimento, as suas entranhas e aí se alimenta, se desenvolve, dorme, brinca e sonha até o dia de ficar cara a cara com a luz material.

Enquanto isso o espírito, candidato ao retorno, consciente ou não, por expansão do perispírito liga-se ao feto em formação, trazendo-lhe suas influências benéficas ou doentias. E célula a célula vai como que se acoplando a esse corpo em desenvolvimento, desenhando o perfil que lhe agrade ou simplesmente submetendo-se as injunções da lei que lhe obriga a viajem.

Passado esse período, já desse lado da vida lança ao ar seu grito-chôro de alegria por ter desembarcado no porto das suas preocupações e destino, assim como de suas tarefas e obrigações, ou chora premido pelos efeitos da transmutação abrupta e inconsciente de um ambiente sutil e hospitaleiro por outro hostil e espinhoso para uma tarefa de provas e expiações dolorosas.

A partir daqui a relação com o mundo espiritual adjacente ao planeta se fará pelas veias mediúnicas da intuição, da inspiração, da vidência ou psicofonia, da psicografia sob a tutela de um espírito protetor. E aí saudades e tristezas e alegrias repentinas serão os reflexos de uma vida que ficou tão distante, de amizades etéreas e sensações fugazes que se nos tomam de surpresa nos afazeres do cotidiano.

Reencarnar é trocar a lucidez pela inconsciência, é vir em busca de experiências que se nos fortaleçam e dignifiquem, permitindo-nos permutar dores e tristezas por conhecimentos e conquistas, expiações por reparos e soluções, ao som e suor de trabalhos e provas, estudos e privações, alegrias e separações que não significam abandono, nem mesmo exclusão, são páginas necessárias a repaginação do livro de luz que a perfeição relativa se nos pede. Fazer o caminho de volta, ou seja, desencarnar é inverter a diretriz experimental e desenvolver o processo de libertação, de desenlace, de desligamento da matéria.

Mas, esse processo não é também tão simples quanto possa parecer aos mais incautos.

Morrer é simples, basta estar vivo; ledo engano, a alma desprende-se do invólucro carnal e fica ainda no meio da vida, com todas as suas sensações e necessidades. Milhares de criaturas simplesmente morrem por exaustão bioquímica, por acidentes, suicídios ou por acidentes coronários ou vasculares, enfim por tantos modos se pode morrer. Ou seja, deixar o seu corpo velado por rugas históricas ou falência dos órgãos, deitado no esquife e ser coberta pela terra, último cobertor a esconder do mundo nossos vermes e vírus, isso é o que na maioria dos óbitos, ocorre.

E ainda se monta um cenário fúnebre, triste e desolador no ambiente e período de velório, a espantar e traumatizar os desavisados que partiram e também os que ficaram.

Alguém já disse num impulso de inteligência que morrer realmente é simples, mas, desencarnar exige um pouco mais.

 Numa estimativa aproximada, sessenta anos na carne é suficiente para criar maus hábitos, crendices e superstições, condicionamentos da ordem da educação, de religiões, de medos e inseguranças, a fé mal formada que se desestrutura ante o imutável.

As questões de alimentação, higiene, de sensações físicas; a simples fala articulada, frio, fome e teto são temores infundados, mas, pregados no imediatismo da percepção humana. E tudo isso e muito mais, se transformam em verdadeiros pesadelos e impedimentos, obstáculos atrozes aos passos do recém desencarnado ou?Morto?, “eis a questão ser ou não ser” um liberto ou um prisioneiro da incredulidade e mesmo de uma falsa fé. Aqui relembramos Kardec: a fé tem que ser raciocinada, há que se conhecer e compreender o objeto da fé.

 Não há uma regra geral que preveja ou garanta uma similaridade temporal de existência tanto aqui quanto acolá. Entendemos nós outros que o tempo que se fica nesta ou noutra dimensão é proporcional as necessidades e aproveitamento de cada um. Ou seja, de conformidade as conquistas já realizadas e os ideais desenvolvidos, ou segundo o comprometimento com a lei de harmonia da vida em todas as estâncias do Universo.

O que se nos mostra que viver aqui ou acolá, há que se utilizar o tempo de maneira inteligente e oportuna, buscando tirar da oportunidade o máximo segundo as possibilidades de cada um. E nessa inversão de rumos que ocorre quando se vai ou se está vindo, temos que analisar os recursos oriundos da própria natureza de cada dimensão.

Aqui na Terra temos a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice quais períodos de aprendizado e condicionamentos, significando importância proporcional ao estágio de compreensão de cada um. A infância e a adolescência se nos parecem períodos de consolidação da reencarnação. Enquanto que a maturidade e a velhice são estágios temporais a confirmarem o alcance do aprendizado levado pelo espírito encarnado.

E se ao chegarmos aqui abrimos mão, pela própria natureza da Misericórdia Divina, da nossa consciência para mergulharmos na matéria; quando voltarmos à outra dimensão, passado os primeiros momentos de perturbação natural pela própria mudança, o espírito dispõe de recursos para realcançar essa consciência com maior velocidade no tempo e proporcional as suas próprias condições morais e psicológicas.

Se aqui temos tempo para adquirir o desenvolvimento necessário ao estágio previsto, lá temos que nos descondicionarmos na velocidade da liberdade adquirida, para retomar com dignidade a memória integral, reatar os laços deixados, retomarmos atividades e trabalho seguindo a ordem da natureza que a vida é movimento constante nos caminhos da evolução.

Por que só assim conseguiremos compreender os benefícios reais e iluminativos da imortalidade que se têm em seus braços para que evoluamos mais em linhas retas do que pelos atalhos de dor e sofrimentos, com os quais alteramos os roteiros existenciais previstos pela Bondade do Pai de Amor, Luz e Misericórdia.

Aí, usos e costumes se modificam pela dinâmica da vida em outra dimensão. Alimentação, higiene, trabalho e repouso, as recompensas perdem essa característica de remuneração salarial, para ganhar os aspectos de satisfação moral, alegria emocional decorrentes da compreensão mais profunda e da aplicação espontânea da lei de fraternidade e solidariedade.

Podemos inclusive nos surpreender com descobertas inusitadas sobre relacionamentos amorosos, afetivos e filiais, que aqui deixamos debruçados sobre o leito de carências e dependências, que com a visão ampliada pelas possibilidades maiores no mudo espiritual, ganham outras características e contornos.

Enfim as mudanças de uma vida para outra são tantas e imensas que precisamos aprender de fato a revolução moral, espiritual e psicológica implícita no aprendizado dessa Doutrina de luz e libertação que é o Espiritismo codificado por Allan Kardec.

“nascer, morrer, renascer e morrer ainda, quantas vezes se façam necessárias, até que a luz indestrutível se acenda em nossa consciência imortal”.

Ademário da Silva.  – 13/fevereiro/2008.

Soesfaluzca!!   

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