Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

Nossos filhos são espíritos. 

Hermínio Corrêa de Miranda 

COISAS PARA DESAPRENDER       

AS CRIANÇAS NÃO VÊM COM ESSES bem-acabados folhe­tos impressos que explicam minuciosamente como funcionam os aparelhos que adquirimos nas lojas. Não trazem um manual de ins­truções, que ensine como devemos abrir o pacote, tirar o aparelho da caixa, instalá-lo e fazê-lo funcionar. Também não trazem certificado de garantia, que se possa apresentar ao representante autorizado, juntamente com a nota fiscal, caso haja algum defeito de fabricação.       Dizem até que um jovem pai, que acabara de retirar mulher e filho do hospital, levou-o de volta, para reclamar, porque ele estava com um vazamento…      

 Com o tempo, vamos aprendendo a resolver os pequenos pro­blemas que surgem. E os grandes também, se e quando surgirem. Nós nos valemos da experiência dos mais velhos, geralmente uma das avós, ou ambas, tias, vizinhas e, naturalmente, dos médicos, quando a situação assim exige.       Para facilitar as coisas, comprei o livro de um famoso pediatra da época, que substituía razoavelmente bem os manuais de instruções que acompanham os eletrodomésticos de hoje e ajudam a solucionar ou prevenir alguns dos “enguiços” mais comuns. Recebíamos dele ensinamentos minuciosos sobre a maneira de cuidar do bebê durante seus primeiros dias de vida: o banho, o sono, a roupa, a alimentação, bem como a interpretação de certos sinais típicos que marcam as dife­rentes etapas de desenvolvimento: os primeiros passos, os dentinhos de leite, peso, altura, hábitos de higiene e inúmeros outros indica­dores.      

Toda essa logística tem por objetivo proporcionar aos pais uma criança sadia para que nela se desenvolvam as faculdades mais nobres de inteligência, vivacidade e boas maneiras. Para que ela seja, enfim, uma pessoa útil a si mesma e à sociedade na qual está começando a viver, e na qual vai se envolvendo, cada vez mais, na escola, em seus diversos níveis, e depois, no trabalho, no relacionamento com a família, com os amigos e tudo mais.Realmente, todos esses elementos são da mais alta relevância e de imediata aplicação naquilo que constitui praticamente um proje­to, que é o de criar uma criança proporcionando-lhe todos os elemen­tos possíveis a uma vida decente, equilibrada, normal e feliz. Isso, contudo, é apenas parte do problema, uma vez que continuam sem resposta numerosas questões que podem ocorrer à mãe e ao pai da criança. Em suma, temos livros de obstetras, psicólogos, psiquiatras e pediatras, mas onde encontrar obras escritas por “espiritiatras”?Enquanto o problema consiste apenas em dar este alimento ou aquele, dormir à tarde ou de manhã, vestir ou não agasalho, ventilar o quarto de dormir, tomar sol, tratar um resfriado ou dor de barriga, as opiniões variam, mas podemos chegar a um consenso, adaptado às nossas próprias condições e, obviamente, às do bebê. Acabamos acertando com o alimento que melhor “concorda” com ele, como dizem os americanos, ou com seus hábitos de repouso e atividade, bem como o tipo de roupinha que melhor lhe convém. Mas, e ele mesmo, como pessoa humana, como individualidade, como é? Por que é temperamental ou apático? O que o faz pacífico e sereno ou agitado e mal-humorado? Por que ele gosta de algumas pessoas e não de outras? Por que chora tanto ou não chora, a não ser excepcional­mente? Por que custa tanto a falar ou a andar, ou a aprender a ler? E, mais tarde, por que gosta de matemática e não de línguas, ou vice-versa? E, acima de tudo, quando se tem dois ou mais filhos, por que são tão diferentes entre si, uma vez que gerados todos a partir do mesmo conjunto de genes e criados, no lar, sob idênticas ou muito semelhantes condições?Afinal, quem são nossos filhos, o que representam em nossas vidas e o que representamos nós na vida deles, além do simples rela­cionamento pais e filhos?Longe de respostas mais claras e objetivas, ou, pelo menos, de hipóteses orientadoras, o que observamos, no dia-a-dia das lutas e alegrias da vida, é uma coletânea de clichês obsoletos, ou seja, idéias preconcebidas e cristalizadas que de tão repetidas assumiram status de verdades inquestionáveis, que vamos aceitando meio desatentos, sem procurar examiná-las em profundidade.Por exemplo: o Marquinho “puxou” o jeito enérgico da mãe, ou a Mônica herdou a inteligência do pai, ou o gosto da tia pelas artes plásticas, ou, ainda, o temperamento da avó Adelaide.A primeira coisa a desaprender com relação às crianças é a de que elas não herdam características psicológicas, como inteligência, dotes artísticos, temperamento, bom ou mau gosto, simpatia ou antipatia, doçura ou agressividade. Cada ser é único, em sua estrutura psicológica, preferências, inclinações e idiossincrasias. Somente ca­racterísticas físicas são geneticamente transmissíveis: cor da pele, dos olhos, ou dos cabelos, tendência a esta ou àquela conformação física, predisposição a esta ou àquela enfermidade, ou a uma saúde mais estável, traços fisionômicos e coisas dessa ordem.Quanto ao mais, não. Pais inteligentíssimos podem ter filhos medíocres, tanto quanto pais aparentemente pouco dotados podem ter filhos geniais. Pessoas pacíficas geram filhos turbulentos e, vice-versa, pais desarmonizados produzem crianças excelentes, equili­bradas e sensatas.Qualquer um de nós poderá citar pelo menos uma dúzia de exemplos de seu conhecimento para testemunhar a exatidão dessas afirmativas.Por isso, repetimos, cada criança, cada pessoa, é única, é dife­rente, e embora possam ter, duas ou mais, certas características em comum ou muito semelhantes, cada uma delas é um universo pró­prio, como que individualizado. Até mesmo gêmeos univitelinos, ou seja, gerados a partir do mesmo ovo, trazem, na similitude de certos traços físicos, diferenças fundamentais de temperamento e caráter que os identificam com precisão, como indivíduos perfeitamente autônomos e singulares.Vamos logo, portanto, definir um importante aspecto: os pais produzem apenas o corpo físico dos filhos, não o espírito (ou alma) deles.Outra coisa convém desaprender logo, para abrir espaço para novos conceitos, mais inteligentes, racionais e competentes acerca da vida. Esses espíritos ou almas que nos são confiados, já embalados em corpos físicos, que nós mesmos lhes proporcionamos, através do processo gerador, não são criados novinhos, sem passado e sem histó­ria! Eles já existiam antes, em algum lugar, têm uma biografia pessoal, trazem vivências e experiências e aqui aportam para reviver e não para viver. Estão, portanto, renascendo e não apenas nascendo.É espantosa a reação que esta idéia simples e genuína tem encontrado para impor-se como verdade que é. O próprio Cristo ensinou que João Batista era o profeta Elias renascido, embora não reconhecido pelos seus contemporâneos. Em outra passagem, falando a Nicodemos, admirou-se de que o ilustrado membro do Sinédrio ignorasse verdade tão elementar, ou seja, a de que é preciso nascer de novo para alcançar a paz espiritual, à qual Jesus dava o nome de Reino de Deus ou Reino dos Céus.Eis, portanto, a pura, simples e inquestionável verdade: nossos filhos, tanto quanto nós mesmos, são seres humanos que já viveram antes. Trazem em si todo um passado mais ou menos longo de experi­ências, equívocos, conquistas, realizações e, conseqüentemente, um programa a executar na vida que reiniciam junto de nós. Da mesma forma que não nos desintegramos em nada ao morrer, também não viemos do nada quando nascemos de novo na carne. Tudo é continui­dade, etapas que se sucedem, em ciclos alternados, aqui e além.Anotem aí, portanto: somos todos seres criados por Deus, sim, mas há muito, muito tempo, e não no momento da concepção ou na hora do nascimento, para “ocupar” um novo corpo físico.Esta idéia constitui a viga mestra de toda a arquitetura da vida, o conceito-diretor que nos leva ao entendimento dos seus enigmas, mistérios e belezas imortais. E, portanto, esta idéia, este conceito, esta verdade que escolhemos para alicerçar este livro, a fim de ordenar o que precisamos saber — dentro das limitações humanas — para entender a vida e, também, ajudar aqueles que nos cercam a entendê-la melhor. Tudo aquilo, mas tudo mesmo, que se chocar com esta verdade, tem de ser desaprendido, se é que estamos realmente empenhados em fazer da nossa vida um projeto inteligente de evolução rumo à perfeição espiritual.Se o bisavô Joaquim foi um sujeito ranzinza e impertinente e vier renascer como seu filho, provavelmente você vai ter uma criança um pouco difícil e impaciente (a não ser que ele tenha se modificado um pouco nesse ínterim). Da mesma forma que, se uma pessoa de bom coração e pacífica renascer como sua filha ou filho, você terá uma criança calma, bem-humorada, simpática, desde os primeiros momentos de vida, ainda que ocasionalmente apronte uma chora­deira homérica se estiver com fome, sentindo calor ou frio, ou porque deseja que suas fraldinhas sejam trocadas.De que outra maneira iria ela pedir isso? Se lhe fosse possível falar, ela diria, educadamente: —Mamãe, você quer fazer o favor de trocar minha fralda? — Ou: —Você não está se esquecendo de me dar a papinha das dez horas?Deixe-me, pois, dizer-lhe, para ajudar a armar o esquema de como cuidar do seu bebê: ele é um espírito adulto, inteligente e experimentado, aprisionado em um corpinho físico que ainda não lhe proporciona as condições mínimas de que precisa para expressar todo seu potencial. Isto se dará com o tempo, como você poderá observar, à medida que a criança vai crescendo e se revelando como realmente é.Então, sim, quem disser que ela “puxou” ao birrento bisavô Joaquim é possível que tenha razão, porque, de fato, pode ser o próprio, de volta. Ou se ela for aquele remoto parente genial que escre­veu livros, compôs música ou foi um brilhante político, então você terá o privilégio e a responsabilidade de ajudá-la a expressar-se nova­mente como ser humano; provavelmente, em outro campo de ativi­dade. Em verdade, responsabilidade você tem sempre, seja qual for o filho ou filha, brilhante ou deficiente, amigo ou não tão amigo, sadio ou doente, compreensivo ou rebelde.Por alguma razão, que um dia você saberá, ele foi encaminhado, atraído ou convidado para vir para sua companhia. Dificilmente será um estranho total, cujos caminhos jamais tenham se cruzado com os seus, no passado. Não se esqueça de que também você é um ser renascido.
 A criança é um espírito que nos foi confiado por algum tempo. Raramente é um ser moralmente perfeito e acabado. Não é, também, a não ser em casos raros, um demônio de maldade chocante. A angelitude e os mais tenebrosos graus de transviamento moral são extremos que, ao contrário do que costumamos dizer, não se tocam. Aquele que percorre milênios vivendo, vida após vida, na sistemática prática do erro deliberado, acaba descendo tão fundo na escala de valores morais que fica com um longuíssimo e penoso caminho a per­correr para retornar. E difícil, mas não impossível, a tarefa da con­quista da paz.      

Não há anjos, nem demônios, apenas criaturas que muito se aperfeiçoaram ou muito se transviaram, mas que continuam sendo seres humanos. As almas ou espíritos designados para animar os cor­pos físicos de nossos filhos são seres em evolução, como nós mesmos e aos quais certos vínculos ou compromissos nos ligam por esta ou aquela razão.A criança tem de fazer o reaprendizado da vida, nas condições em que renasceu. Terá de familiarizar-se com o novo corpinho que recebeu, aprender a língua de seu povo, bem como retomar conhe­cimentos gerais, habilidades manuais, como desenho, escrita, ma­nipulação de instrumentos, aparelhos, ferramentas e tudo mais. Terá, enfim, de readaptar-se ao meio em que veio viver, bem como às pessoas que a cercam, como pais, irmãos, parentes, vizinhos, amigos, etc., muitos dos quais pode ser até que já conheça de vidas passadas.E inevitável e necessário esse reaprendizado porque a lem­brança consciente do passado vai se apagando, para ela, no momento em que começa a despertar no corpo físico. A consciência de um lado da vida geralmente acende quando se apaga a do outro lado. E como se fôssemos dotados de um interruptor com dois terminais. Ao acender uma lâmpada, você apaga automaticamente a outra. Para lembrar-se de seu passado, precisa desligar-se do corpo físico, quan­do dorme, por exemplo, ou está desmaiado. Nesses momentos, a consciência não está presente. Na verdade, a consciência não se apaga de um lado para acender do outro, apenas se desloca de um lado para outro, ou seja, vai junto com o espírito, que tem o hábito de desligar-se, parcial e temporariamente, do corpo físico que lhe serve de abrigo e instrumento. 

(estes trechos foram extraídos do Livro ‘Nossos Filhos são Espíritos.’ De Hermínio Corrêa de Miranda)  

Um livro da mais alta e profunda qualidade doutrinária-existencial, porquanto se nos mostra os efeitos, implicações e consequências da REENCARNAÇÃO, diretamente no âmbito mais importante para nós, ou seja, nosso lar. E com implicações interativas diretamente ligadas à nós.  

REENCARNAÇÃO:  

A soma dos cromossomos contidos em espermas e ovos, acabam por significar o berço genético e transitório na migração natural que ocorre entre o mundo espiritual e o mundo físico, constitutindo o DNA da oportunidade . ( DNA= Diante do Nascimento, Aplicação ). Ponto de aterrissagem, literalmente falando, para o espírito que reencarna, o útero feminino se transforma no abrigo de primeiro estágio para aquele que reinicia a jornada terrena.E quem estudar esse livro do H.C. Miranda, entenderá com maior nitidez o que tentamos também demonstrar. Quando um homem e uma mulher se reunem em casamento, estão também juntando ou acomodando seus destinos numa estrada comum. Por força de afinidades ou de provaváveis reparos, a libido que muitos apelidaram de cupido, ou até a lei de atração, ou mesmo a lei do amor, são ingredientes e até expedientes utilizados por assim dizer pelas leis divinas e  naturais, afim de que se aproximem da seara da solidariedade compulsória, sem se darem conta de que estão sendo impulsionados por laços construídos  no passado, o casal de namorados, candidatos à pais, que já foram filhos e que serão avós, num futuro não muito distante, se deixam enredar pelas fantasias de um romantismo inconsistente. E aí passam a acreditar que encontraram sua cara metade. E deve ser mesmo cara metade; metade ilusão, metade problema,meio prazer, meio preocupação,  que depois configuram como “almas gêmeas” ou incompatilbilidade de gênios. Se fossem gênios teriam soluções. Mas, tudo isso na verdade é a vida seguindo ordens superiores.Obedecendo principalmente as forças às vezes coercitivas, mas, essencialmente condutoras, que são  as leis de causas e efeitos. As causas dormentes na consciência integral protegida pela lei do esquecimento; os efeitos serão colhidos pelo caminho na razão direta da reconscientização no plano humano-material, que tanto se alarga e se engrandece quanto se acanha ou mesmo se embrutece segundo a coragem de auto enfrentamento das contingências colocadas pela vida ou, o acovardamento e omissão diante das  adversidades enquanto consequências necessárias ao aprendizado evolutivo. É Deus corrigindo pelas vias do aprendizado.Então a reencarnação enquanto canteiro de obras e seara de realizações é instrumento de justiça que se nos alcança no tempo e no espaço, abrindo portas de oportunidades que são verdadeiros oásis de luz e experiências em meio aos desertos de sombras que as vezes estão mergulhados nossos egos.A educação espírita que precisa e deve nortear nossos passos pela vida, tanto aqui quanto acolá constitui nossa preocupação principal, quanto aos seus efeitos no processo de enriquecimento da mentalidade humana. Só ela, estudada, aprendida e vivenciada pode mudar a  tela de provas e expiações que ainda vivenciamos neste orbe. Posto que é esta educação que nos fará compreender definitivamente as intenções Divinas e os efeitos da reencarnação em nossa vida aqui e no mundo espiritual. Viajores da imortalidade, trazemos a matula cheia das experiências adquiridas no mundo espiritual, e inversamente, levamos para lá tudo que aqui conseguimos. E é isso que determina a qualidade de vida por aqui, em se considerando os milhões de almas encarnadas, os índices preocupantes de ignorância, violência, desigualdades sociais e toda gama de mazelas morais a serem extirpadas pela aquisição de valores mais consistentes no viés do progresso espiritual, podemos avaliar o quanto é grandioso o papel do Espiritismo no mundo, mas, também o imenso campo de trabalho em que nos lotamos, que não nos permite ilusões ou fantasias no que tange as responsabilidades implícitas nas searas da exposição doutrinária, medianímicas, enfim os estudos todos destinados ao público e, tudo que se destina à propagar a real finalidade desta Doutrina de Amor e Luz, que é libertar as consciências desavisadas, enfraquecidas pelos reveses ou , mergulhadas mais profundamente nos mares escuros do orgulho e do egoísmo. A reencaranação com certeza se nos posiciona no mundo, e a desencarnação se nos acomoda na outra dimensão da vida. E outra lei  que vem no bojo desse movimento, a da afinidade se nos abriga em região aquecida e iluminada, com infraestrutura desenvolvida pelo prazer do trabalho e pelo amor ao próximo, ou se nos deixa seguir pela própria força da atração, para ambientes densos e escuros, moralmente falando. “ A cada um segundo suas obras”, ecoa nos tímpanos da alma o ensinamento do Mestre. Onde está teu coração, aí estará tuas preocupações e por extensão tua vida. Aqui entendemos realmente que o livre arbítrio é o passaporte moral que antecipa-nos o bem estar existencial, ou, pode significar estágio obrigatório em meio as agruras e sombras. “Espíritas amai-vos, eis o primeiro ensino. Instruí-vos, eis o segundo”.Ir e vir é um direito inalienável que a reencarnação propicia no hálito da Misericórdia Divina, mas, viver e conviver em clima de harmonia e progresso, respeitando a solidadriedade e a fraternidade universal e conquistando o progresso espiritual é conquista de cada um. Pois que o Pai Amorável já se nos deu a vida, o tempo e todos os recursos necessários a evolução.

Depende só de nós……………………………. 

Ademário da Silva… – S.E Facho de Luz e Caridade. 24/out.2007. 

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