Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A luz não brota por si por que não mora debaixo das saias da magia e da ilusão. É preciso buscá-la nos livros, nas palavras antigas e atuais, nas falas roucas e alquebradas dos anciões e na voz surda e abafada que a mediunidade traduz em tons ancestrais, imortais.

E a poesia não surge do nada qual efeito tresloucado de luzes e sons fictícios, que só a imaginação doentia e o desequilíbrio são capazes de engendrar… Que assim seja. As influências espirituais são como marés fluídicas insuflando a inspiração nos tímpanos das sensibilidades atentas e preparadas. A poesia e a luz são condições que se alcançam de ser sério e profundo, alegre, seguro e criança, trabalhador, estudante sensível e atento aos movimentos imortais da vida.

E as relações afetivas, amorosas e fraternais são poemas que a inspiração engendra aguardando um poeta de versos simples e firmes que fale de amor e de portas abertas e de sorrisos altos e livres.

E como a vida não tem meia-estrada, não existe meio-caminho que nos leve á um meio-lugar, muito menos a um meio destino.

Os sentimentos quando bem vividos, compartilhados são laços sensíveis que a dor do mundo não desamarra.

Um poeta mastiga livros e consome luz!

Um médium trabalha, estuda e obedece!

A vida, a mulher e a beleza, a paz, a solidariedade e a prece, a arte e a liberdade e o amor são as fontes dos versos e sentimentos e dos pensamentos criativos que jorram infindos do coração do poeta, que os colhe no seio da imensidão, no silêncio do universo.

O médium colhe dos pensamentos alheios idéias estranhas ao seu saber.

E como todo “bom médium” sempre dá uma volta redonda sobre seus próprios problemas acorda o seu sentido de responsabilidade, por que a necessidade obriga e é preciso fazer o relógio de o destino despertar na hora-atitude do saber-fazer por que o tempo de fazer-saber já se aproxima dos horizontes das responsabilidades maiores e inadiáveis.

A mediunidade é um canal que nos permite captar múltiplas ondas que se movimentam nas variantes do tempo. Ontem, hoje e talvez o amanhã se misturam no mesmo prato da vida, sem desandar o tempero das responsabilidades de agora.

Aquela voz que vem de dentro de um tempo que não se mensura. A intuição segura e esclarecedora.

O tom de uma canção que esconde a própria partitura.

O sono que cerra-nos o olho, mas não nos adormece a alma.

A força que espanta nossos medos.

A calma que emana do silêncio. O choro que nos encharca a retina embargando-nos a voz. A emoção que emana trazendo-nos o prazer da amizade sentida e nas mais das vezes a preocupação com uma dor ou sofrimento do próximo são os tons de uma mediunidade ativa.

A voz que escorrega no gel fluídico das emoções por que não alcança palavras para inúteis explicações.

Parece existir duas forças atuando em sentidos opostos; amigos e inimigos em trincheiras ocultas. Que só o trabalho de fazer o bem, e uma vontade de não querer ser ninguém, que pode equilibrar a relação Terra e Além.

Palavras perdidas em pensamentos vagos, diálogos da indecisão.

Pensamentos profundos em palavras pequenas são como ervas inúteis em terras férteis. Mostrando-nos que é preciso sempre ajustar o tom da obrigação a partitura da responsabilidade, senão a nossa melodia interior soa qual cacofonia negligente e pretensiosa, ainda, aos tímpanos daqueles que esperam em nós, apenas o equilíbrio e o compromisso sem fugas ou tergiversações inúteis e doentias.

“Conheça-te a ti mesmo” e verás que a mediunidade é a porta aberta á evolução, enquanto que a arte é fruto maduro nascido nos diversos canteiros de múltiplas experiências existenciais.

A mediunidade traduz-se em configurações sensitivas de compromisso e obrigação. O talento é conquista adquirida na esteira de buscas, trabalhos e realizações, que demandam esforço, dedicação e humildade; mas pode ser um caminho que ofereça perigos que a vaidade semeia. E conforme o teor dos ideais abraçados, o talento traduz a beleza, a inteligência e a grandeza das percepções anímicas.

Por que também não existe meio-médium em comunhão com um meio-artista na cartilha das obrigações codificadas por Allan Kardec em o Livro dos Médiuns, a definição de comportamentos e condutas, tanto de médiuns quanto de artistas, nos parece bem definidas quanto ao que cada um é capaz de realizar. E o grande perigo para os médiuns é que se os espíritos se afastarem, a semeadura cairá entre pedras e areias e a colheita o revelará de mãos vazias diante da própria consciência e das amizades propícias e protetoras. Nos caminhos de médiuns e artistas podem haver passos similares mas, que não traduzem na essência dos trabalhos a mesma diretriz e nem a mesma direção. O trabalho do artista encanta e afaga o ego atento e sensível dos que se identificam com a sua arte. O trabalho do médium por que fere tangentes imortais, pelas leis de afinidade e de solidariedade, precisa amparar, consolar, curar e esclarecer a tantos quantos o procurem, tendo sempre a consciência de que tudo que verte de sí é transmitido por espíritos amigos, benfazejos e esclarecidos com a permissão de Jesus o Mestre por excelência.

Meus respeitos! E que Deus lhes abençoe!

Ademário da Silva

São Paulo, 18/junho/2001.

Revisto e atualizado – 20/set.2007

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