Verso e reversos e rimas…
19/09/2009
Raiz Das Sementes
Raízes detidas na terra queimada
Frutos sonhando com sementes perdidas
Perfumes a caminho de flores esquecidas
Sedes lembrando-se de águas jorradas.
Vento que bate na pedra que atura
Cismas revestem de medo a candura
Enredo infantil impedindo o caminho
Ternuras distorcidas na tristeza do olhar.
Sonho mal dormido na noite dos tempos perdidos
Atitude tardia num passo tão lento
Rotina da vida se faz repente de versos espremidos
Germina o alimento amargo do próprio destino.
Com as asas da vida rondando a canção
Com o tom que abraça do compasso ao refrão
E de braços dados com a poesia
Voa calmamente entre as rimas e os dias
A semente e a raiz,
O sonho, o sono e a diretriz
Os frutos, flores e perfumes
O tempo e os ventos oportunos ou tempestuosos
As atitudes e os gestos afetuosos.
Avançando o menino para além da fronteira
No reencontro de afetos, inconfidência verseira
Semente que brota de um ventre mais livre
Nua e do avesso eu quero te ver.
Verdade menina semente da vida
Para aprender a pular essas rimas do tempo
E trazer cantigas de outrora pra agora
Pois que livre o teto da casa amiga
Onde se curam feridas antigas.
Liberdade e gesto, semente e ação
Liberdade e consciência, e emoção
Que emana da razão já adquirida
Liberdade e maneira de se viver a vida.
A semente se lança no escuro do chão
E lança raízes no mais profundo refrão
E quando germina a canção
Seus perfumes
São os acordes da mais pura e isenta emoção!
Ademário da Silva – 12/04/92.