Beija-flor…
Canto natural
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O beija-flor, o sabiá e o uirapuru
Senhores cantantes no eco da mata
Eis que surge imponente á cantar
Um regente e alegre tuiuiú
O carvalho, a rosa e arnica
Banana nanica, São Tomé e prata
Sabores, perfumes e cantos
Saci Perêre, a curupira e o negrinho do pastoreio
A crendice e o medo no mesmo balaio
O riacho, o orvalho e a goteira
Na madrugada ensaiam o coral
Estrela Dalva, Três Marias e tantas cadentes
Estrelas piscando pras flores no chão
E estas enviando perfumes, beleza e emoção
O cosmo reluzente, silente e em paz
A lua redonda nas grimpas, nas ondas do cosmo
Vestida de nuvens ou desnuda e brilhante
O seu semblante na rima que dá..!
Emocionante!
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No coração do poeta a saudade á cantar
No meio da noite o silêncio é paz pra meditar
A chuva caindo no meio do mato
O rio correndo no leito, as flores perfumam o peito
Das aves espalhando sementes da nova estação
Cachoeiras, cascatas e correntes de outra viração
Olho d’água, orvalho e sereno
O mundo é imenso e o tempo matéria quase pequeno
Oceanos e poços, riachos e lagos nos berços da terra
Lençóis freáticos em notas profundas
Partituras vivas de uma canção imortal
À noite virando do avesso o dia que há!
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O poeta abraça a saudade nos versos de cá
E conversa com o tempo sem se preocupar
Se o verbo concorda com o abstrato no ar
Se é futuro, passado ou presente
A prosa tem sempre um jeito de já
E cada rima que surge é um tom de cantar
E a melodia convida o verso pra dançar
E um poema risca seus pés pelo chão
Mostrando um modo novo de caminhar!
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Um beija-flor curioso acariciando as flores
O uirapuru encantado tecendo magia e lendas
E o sabiá atrevido entoando cantigas de amor
O tuiuiú matreiro cantando no livre terreiro
O vento ventando cantigas pra refrescar
Chamando garoas, chuvas e temporais
O canto da gralha, do galo e da sabiá
Chamando o companheiro pra procriar
Despertando o Brasil pras belezas que há…
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A coruja, o quero-quero e o carcará
O sabiá, o beija-flor e o uirapuru
O canário da terra, o bem-te-vi e o tisiu
Na orquestra da vida nos ensina a cantar
A lua vaidosa em passos sestrosos despedindo do dia
Os odores da mata, o perfume das flores e a água dos rios
Desenhando o silêncio e o escuro da noite
E num fenômeno de luz na madrugada fugaz
O dia ressurge anunciando a paz
A luz do sol acordando meu Brasil pra replantar
A riqueza que tirou das entranhas e fez
A natureza murchar, adoecer e desequilibrar!
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Ademário da Silva **** 13/dez/2009
Corrupião um encanto fora de série…



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