Tempos idos…

18/09/2009

Recordações

Nas gavetas do tempo

No suor do destino

Encontrei uns papéis

Ressecados em versos rimados no escuro

De desejos medidos por valores fugazes

Teimosias e medos, agonias e desenredos

Emotivos degredos na ante sala do nada

Nem saudade restou de tentativas perdidas

A vida é o que é em seu magnífico croqui

Um sonho moleque num desusado bodoque

E sem estoque de chances

O que se faz é o que fica, não há nuances

Palavras comuns de vontades iguais

Felicidade transpira como artifício na beira de um precipício

Nas idades insanas em que a vontade é filha da teimosia inexperiente

Olhares perdidos em faces ausentes

Desejo de um beijo no desvão do abstrato

Extrato de um sonho em noite de insônia

Mas, a vida é redonda num mundo que gira

E então, moleque, capoeira, malandro e mulato

Bato num surdo, tamborim ou pandeiro

E meio mineiro tiro rimas dos fatos

Recordando que um samba tem sempre a cor do retrato

De uma dor, do abandono ou também da saudade

E chora o bandolim, a cuíca e o cavaco

Madrugada, a lua e o brilho de estrelas

Me faz partideiro da dor de mim mesmo

E a melodia soluça entre os dedos

Enquanto alma imponho meu ritmo

Logaritmo de emoção musicada!

E a voz do povo no meio da quadra

Balanceada na mesma razão

E o coração navalha afiada

Corta a tristeza de antigo refrão

Amor que finda não mata o perfume

Da flor teimosa que brota outra vez no meio do chão!

Ademário da Silva **** 17/09/2009

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