Violão
Violão!
Teu destino ás vezes esquecido
Escondido entre os dedos da arte
O teu braço que o artista segura
Horizonte entre o mel e o sal!
Violão!
Tuas cordas e corpo sonante
Coração – melodia errante
Amenizas o efeito do mal
Tua voz que das cordas exala
Em forma de fala que nasce de dentro
Parece-me senzala em lamento
Pensamento curtido de vida
Dá guarida pros tons diamantes!
Violão!
Teus compassos que o vento sussurra
Intenções que a canção propicia
Vês se “acordes” meu povo sofrido
Teus lamentos sofridos
Teus sorrisos medidos em tons maiores e menores,
protestos mantidos
Tua dor, só um sustenido
Que apura “das gentes” o ouvido!
Violão!
Tu tens parte com anjos e musas
Teu semblante que o tempo afaga
E eterniza teu som sempre amante
Teus acordes são flores sonoras
Primavera em perfumes viris!
Violão!
Abre mão da tristeza incontida
Partitura, seara da vida
Que afina o tom do destino
Não desgasta o verniz desse pinho
Ideais que são duros carinhos!
Violão!
Teu caminho são as mãos das pessoas
Onde ecoas o sentido que tens
Solitário, se ninguém te aborda
Mas se mãos tão seguras e formosas
Acariciam teu bojo e cordas
Tu emanas o belo e o bem!
Violão!
Tuas cordas são raízes de vivos poemas
Som de vida de infinito valor
Cada tom um verso vital
Da harmonia que ao eterno imanta
Que encanta o som do amor
Que pretende ser incondicional!
Ademário da Silva.
19/09/91.
Comentários