Este Blog tem a finalidade de divulgar estudos e aprendizados espíritas, tendo por prisma de visão Allan Kardec.

A morte sem mistérios…

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Como destraumatizar os efeitos da morte…

“A morte não existe. O fato que designais sob este nome, a separação do corpo e da alma, não se efetua, verdadeiramente dizendo, sob uma forma material comparável às separações químicas dos elementos dissociados que se observam no mundo físico. Não se percebe mais dessa separação definitiva, que nos parece tão cruel do que a criança recém-nascida não se percebe de seu nascimento; somos nascidos na vida futura como o fomos na vida terrestre.” – Camille Flammarion

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Viajar pelo universo infinito pelos braços da luz adquirida, eis a nossa maior tarefa.

Eis que, saídos do útero Divino, faíscas da mesma luz, simples e ignorantes, inscientes do próprio destino e semeados na vida espiritual, porção viva de possibilidades intrínsecas, balbuciamos os primeiros grunhidos nas terras do primarismo existencial, em tempos imemoriais.

Emmanuel, espírito amigo e orientador das lides espíritas no Brasil, em suas assertivas filosóficas, deixa-nos, de modo insofismável, que é necessário e fundamental desenvolvermos “as duas asas da evolução, ou seja: a sabedoria e o amor”

Pois só, na posse desses dois talentos inalienáveis, poderemos caminhar pelas estradas da imortalidade e da infinitude, livres, decididos e responsáveis pela nossa postura e destino, sem mais a necessidade de viver as expensas de uma proteção espiritual, que transformamos em muletas existenciais. Ou seja, alcançarmos a cidadania universal. Vivermos em plenitude de consciência e atitude, de pensamentos e sentimentos e de liberdade espiritual…

A Doutrina Espírita já nos traçou o roteiro e o enredo, temos apenas que atuarmos com consciência e responsabilidade sobre os nossos próprios passos.

“Viver, sem ter a vergonha de ser feliz”, mas, cientes de que essa felicidade não está nem no imediato e muito menos nos efeitos. Felicidade é princípio de causa, não é promessa ‘divina’ de um paraíso do Eden, aos filhos inocentes, ignorantes e imaculados pela inexperiência, pela incompreensão do real significado da vida, como se fôramos bibelots na estante da eternidade, destinados ao ócio e á um prazer espiritual platônico e contemplativo das maravilhas e potencialidades divinas…

A Doutrina Espírita desmistificou os horrores da morte, apagou essa sensação de um pecado coletivo, ilustrou as salas de eternidade com os efeitos da imortalidade, e um deles é a reencarnação… Basta olhar e sentir a expressão e o sorriso de uma criança, que encontras pelas praças da vida e que se encanta ao te ver; e verás e se emocionarás com os efeitos da afinidade espiritual no tempo e no espaço.

A mediunidade é por excelência um dos efeitos mais contundentes que a imortalidade se nos propicia e, ainda nos protege e impulsiona à passos mais firmes no rumo da evolução… Dentro das possibilidades de emancipação da alma ainda temos o sono que se propicia os “sonhos”, que nos põem em contato com a vida de relação que deixamos na retaguarda espiritual do tempo.

Enquanto a gravidez materializa os espíritos para uma experiência humana, a morte desliga os pontos de contato com a matéria e nos põe a caminho da vida maior. E é somente isso o que acontece.

Se tirarmos os efeitos lúgubres, lutuosos de sobre o desenlace da vida física, passamos a enxergar a morte em sua envergadura real, ou seja, o espírito que animava determinado corpo, apenas deixou a matéria e foi viver em outra dimensão da vida. A cena com a qual se compõe o velório. Flores, velas, incensos, choros convulsivos e rezas, reclamações e críticas, isso dentro de uma certa normalidade. Da sala mortuária até a campa, as vibrações de tristeza e a sensação de abandono que enviamos ao espírito que partiu, invalidam rezas e rituais, promessas e até compromissos que buscam assumir nessas horas, parecem revelar apenas a nossa incompreensão do que seja a vida realmente.

Se buscarmos nesse momento a simplicidade, alijando de vez essa pseuda religiosidade que invade o ambiente de despedida, aprenderemos a lidar com esse fenômeno de modo mais lógico e lúcido. A fé que raciocina legada por Kardec; a verdade, se conhecida, que liberta, ensinada por Jesus, são parâmetros que devem ser cultivados e praticados para dirimirem dores desnecessárias, eis o que é importante…

Como ficamos felizes quando “sonhamos” com um ente querido, já instalado á algum tempo na erraticidade e incoerentemente, muitas vezes, não queremos aceitar a separação já consumada pelo fenômeno da morte.

Se confiamos em Deus, por que sofrer tanto assim, por que não aceitarmos prontamente suas leis sábias e imutáveis. Onde anda nossa fé quando a morte nos visita o grupo familiar?

Esse artigo publicado por Kardec em a Revista Espírita em março de 1867, que foi criado e desenvolvido por Camille Flammarion, o astrônomo francês, que também foi médium e colaborador no processo de codificação da Doutrina Espírita, nos traz uma idéia simples e contundente de que a morte do corpo físico não tem a importância, do ponto de vista da tristeza e da sensação de abandono, que se lhe emprestam as religiões organizadas. E que o espírita pode e deve enfrentá-la com maior desenvoltura emocional.

Chegamos aqui no anonimato de uma gravidez, escondidos pela ausência de uma identidade imortal, deixando em nossa retaguarda espiritual, ás vezes, preocupações e apreensões por parte daqueles que se nos ajudam nessa partida, trazendo a individualidade implícita nos véus da lei do esquecimento. Os ventos que nos conduzem são as leis de afinidade e os compromissos encetados ou, a compulsoriedade necessária servindo-nos de guia em os primeiros passos na vida física.

Quando voltarmos, com certeza será a nossa consciência lúcida e livre, ou, maculada por novos deslizes, o farol dos nossos passos nos caminhos deslembrados da imortalidade. Mas, ir ou voltar, é caminho que se faz por conta e risco. Colo ou proteção desmerecida se constituem no silêncio da vida e da morte. O que se nos importa é compreendermos o passado, renovarmos o presente pra que consigamos clarear os dias vindouros. A Doutrina Espírita se nos permite alcançarmos esse desiderato, basta que para isso que levantemos do chão de nossos medos e comodismos e saiámos a passos seguros na realização da tarefa de aprendizado e reconstituição do nosso pensar e sentir, viver e fazer…

Assim a morte não será mais um drama ou trauma, mas uma porta que se abre aos caminhos da liberdade existencial…

Ademário da Silva – 15/out./2008

Soc. Esp. Facho de Luz e Caridade = SOESFALUZCA.

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