A Boca Mediúnica!
Aqui e acolá desprendido ou vigilante
Por onde se vai e principalmente onde se está
E o que é tão preocupante
Por que se vai também onde não pode e como se está que às vezes não devia
Sensações virtuais, mas tão espirituais de noite ou de dia
Pensar e repetir, sentir e quase tocar
Ouvir como se alguém estivesse a falar
Traduzir em palavras o imponderável que só faz emocionar
A identidade sobreposta nos sensores da amizade interdimensional
Qual luz rebatida pelo espelho
Entre o côncavo e o convexo
Tons e sobre tons da afinidade
Transferindo para o presente, sentimentos e verdades
Como se fora sombra que acompanha nossos passos pelos caminhos Saudade por detrás de montanhas fazendo teto aos ribeirinhos
Luz da Mediunidade!
Voz da intuição
Na boca muda da consciência
Articulando gramática de correção
Induzindo ética e moral pelos canais da inspiração
Como se estivesse morando no útero da emoção
Fecundada numa relação amiga
Dividindo células e versos, impressões e notícias
Num transe de obrigações intestinas
Dando luz a histórias antigas
Inspiração parturial, infinita
Olhos ardentes no escuro vigiando-nos a desdita e também a conquista Por detrás de muros transcendentais
Paredes fluídicas separando-nos
De sorrisos e conselhos ancestrais,
Imagens amigas do tempo, nos vitrais quadrimensionais
A boca mediúnica, única
Morna, quase úmida e translúcida
Dizendo-nos:
Vás e não peques mais!
Ademário 07/12/05 00h45min
Revisada em 25/janeiro/2008 Soesfaluzca.