Do caminho das pedras brotam as luzes do amanhã…
O passado corre incessantemente nas veias do tempo e não se apaga da memória, nem da sensibilidade daquele que faz da emoção que se apura na dor e no sofrimento, no aprendizado e na experiência, o caminho da evolução.O samba que escutas hoje com melodia apurada e evoluída lhe traz lembranças de canções que, mais pareciam preces elevadas ao alto em louvor aos ancestrais ao som de atabaques e tambores, que traduziam fielmente a força dos sentimentos, as injunções da vida e o tribunal do tempo.
Caminhos, pessoas, fatos históricos ou comuns, planos, idealizações paisagens e amores, amizades e afetos; não estão detidos ou congelados nas experiências já vividas, por que moram dentro das suas emoções e sentimentos, dando seqüência aos planos da vida segundo as leis da natureza. Pôr isso o samba se lhe parece oração correndo nas veias da emoção, trazendo ao som da melodia, o amor, a beleza e a luz que deixaste no altar do tempo maior, qual poesia que não se esquece, porque escrita nos pergaminhos de intenções, desejos e ideais, que são de ontem, de hoje e de sempre. Angola, Moçambique, Nigéria, Itália, Espanha e França, Portugal e Cabo Verde são caminhos percorridos, são lembranças retidas n’alma, que hoje se traduzem em emoções.
A senzala que te fez chorar de medo de nojo e até de que a liberdade se houvesse corrompido. A escravidão era pôr concepção um tribunal de injustiças e desmandos, em cujo útero gerou a rebeldia e as fugas que se transformaram em dores e conseqüências, que hoje conheces pelos livros de literatura e história.
A Kabala que te apurou a visão, o conhecimento e a sensibilidade concebida na feitiçaria primitiva do culto aos ancestrais. Amuletos e magias, rituais e rezas nos terreiros de Moçambique e nas senzalas brasileiras, foram rituais, artefatos e artimanhas, nascidos do mediunismo empírico, que foram utilizados na estreita ligação com a espiritualidade.Hoje Allan Kardec dita à luz da filosofia nos escaninhos do entendimento.
Hoje a sala de aula é o templo espírita; a caneta é o instrumento que dá forma aos exercícios psico intuitivos, o caderno fica tal qual memória física e temporária e o livro é a cartilha de obrigação diuturna são outros motivos mais profundos pra seguir a estrada da educação espiritual.
As injunções da vida são equações de elevado grau na hierarquia do templo cultural e religioso ao qual se nos vinculamos pôr afinidades e tendências. Cultura é o alicerce que estrutura e redimensiona sempre a luz, na medida do tempo em que se vive. A religião é a compreensão profunda e isenta da Natureza Celestial.
O caminho sempre exige os passos, o livro requisita os olhos, os problemas pedem soluções que dormitam ás vezes na inteligência desavisada e até orgulhosa. Soluções que fazem vislumbrar a paz e nos pedem constantemente atitudes. Sair de si e combater a escuridão. O desejo é só o croqui da execução. O sonho precisa que se desperte na manhã de realizações, porque tanto os trabalhadores da primeira hora quantos os da última, terão igual salário, se souberem realmente aproveitar a oportunidade que se renova, porque Deus não semeou jamais nos jardins do universo, a dor, o sofrimento e a punição. O que acontece é que a maldade e a imperfeição são filhas uni vitelinas da ignorância que vivemos sob o abrigo e aplausos da nossa inércia.
Hoje outras dores tomam assento nos horizontes, prevendo tempestades e inundações. Preciso se faz alimentar a caldeira do destino com a lenha da humildade pra que o fogo das boas atitudes não mais se apague.
A mediunidade é a veia de ligação e de união que nos permitirá soluções que corrijam erros, entendimento que destrone a inércia e motivos que aumentem o conhecimento e a vontade de crescer, caminho único do resgate e da evolução.
É claro que as pedras desse caminho comum não se apresentam apenas então somente duras e inflexíveis; de tanto pisado se amoldam ao chão do tempo e permitem ao viandante melhor conforto no caminhar e capacidade de ir mais longe em seu destino e ideais.
A dor que te incomoda é a própria poda das suas vaidades e incongruências, mas o livro que te alumia é o teu dia em que o sol não te foge mais aos horizontes.
Segues como o vento que obedece a ordens de natureza superior e nem olha no retrovisor do próprio medo e nem se assenta um cadinho pra descanso desnecessário, pois quem ainda não construiu tem que estar atento aos sopros do próprio destino, pois que a oportunidade maior é sempre aquela em que estamos presentes e lúcidos.
Raciocinemos juntos utilizando uma figura de linguagem extraída da geometria. Na geometria da vida os ângulos da base do triângulo isósceles são congruentes e por isso geram uma proposição recíproca e uma proposição equivalente.
Enquanto figura de linguagem essa disposição geométrica nos mostra que pra não trepidarmos com a congruência da base espiritual que se nos ampara o destino e a vivência, o médium tem sempre que estar na posição correta, ou seja, a de humildade.
Isto por que os termos da proposta recíproca envolvem ingredientes tais como a moral, a afeição, a afinidade e o compromisso na tratativa entre médium e protetor espiritual.
Na equivalência correspondente da proposta de ajuda e entendimento, cooperação e responsabilidade, tanto no transe mediúnico, seja ele psicofônico, psicográfico ou intuitivo, assim como na tarefa de auto burilamento, através do estudo e da vivência e ainda na preocupação vibracional e nas atitudes e comportamentos que servem para “ajudar ao próximo como a si mesmo”, mais uma vez a amizade e o respeito entre médium e seu protetor deve fluir natural e espontaneamente pelas veias da afinidade.
A combinação entre a proposta recíproca e a proposta de eqüivalência corresponde a tudo aquilo que podemos entender e praticar como obediência lúcida e responsável quanto aos compromissos assumidos antes da reencarnação atual.
Por isso e tantas outras coisas estudar a Doutrina dos Espíritos exige-se-nos compreendermos as bases dessa trilogia grandiosa em cujos ângulos estão às forças de impulsão para o nosso vôo rumo à evolução.Ciência, Filosofia e Religião constituem o triângulo de luz que se nos cabe decifrar e vivenciar em seus valores mais profundos. A relação mediúnica como nos mostra Yvonne do Amaral Pereira em o livro ‘Devassando o Invisível’ “… basta ser a mediunidade um jogo transcendente de sensações e percepções, uma indução de forças intelectivas sobre outras forças intelectivas e também perceptivas, para compreendermos que se trata de uma faculdade complexa, vertiginosa, em suas possibilidades singulares.”Por isso seu aprendizado, educação e desenvolvimento requer tempo, dedicação, responsabilidade e compromisso. É claro que em meio ao fogo desse ‘batismo’ de trabalho e obrigações, os espíritos amigos como que borrifam gotas de luz e emoções traduzidas em encontros através dos “sonhos”, percepções singulares a cada médium e o seu histórico existencial e aquilo que cabe nesse farnel em tons e sobre tons de rimas e melodias, acordes e estrofes, que fazem um bem de amor aos sentimentos vacilantes nossos.
Por todas esse aprendizado e tudo que dele decorre e mais esse tempero de luz emocional, nós outros os médiuns temos que sacudir a poeira da inércia e talvez até de um possível descompromisso e somar ao ângulo da base o grau da nossa vontade.
Ademário da Silva – Soc. Espírita Facho de Luz e Caridade – 23/01/2008